{"id":42631,"date":"2014-05-12T12:00:27","date_gmt":"2014-05-12T11:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=42631"},"modified":"2015-05-05T21:35:00","modified_gmt":"2015-05-05T20:35:00","slug":"portugues-augusto-boal-e-o-teatro-do-oprimido-varios-outros-mundos-sao-possiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/05\/portugues-augusto-boal-e-o-teatro-do-oprimido-varios-outros-mundos-sao-possiveis\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Augusto Boal e o Teatro do Oprimido: &#8220;V\u00e1rios outros mundos s\u00e3o poss\u00edveis&#8221;."},"content":{"rendered":"<p><em>O Teatro do Oprimido alia teatro e a\u00e7\u00e3o social, prepara o ator com esse vi\u00e9s e busca permanentemente a transforma\u00e7\u00e3o da realidade atrav\u00e9s do di\u00e1logo. <\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_42632\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Augusto-Boal.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42632\" class=\"wp-image-42632 size-medium\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Augusto-Boal-300x192.jpg\" alt=\"Augusto Boal\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Augusto-Boal-300x192.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Augusto-Boal.jpg 504w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-42632\" class=\"wp-caption-text\">Augusto Boal<\/p><\/div>\n<p>Agora, com a publica\u00e7\u00e3o do segundo volume da cole\u00e7\u00e3o de trabalhos do c\u00e9lebre teatr\u00f3logo Augusto Boal, (1931-2009), criador do Teatro do Oprimido e colaborador frequente de Carta Maior, o Instituto Augusto Boal se volta para a montagem de uma grande exposi\u00e7\u00e3o sobre seu trabalho, um dos intelectuais brasileiros mais conhecidos internacionalmente, projetada para se iniciar no dia 13 de janeiro de 2015. Nascido no bairro da Penha, no Rio de Janeiro, Boal escreveu a sua biografia intitulada Hamlet e o Filho do Padeiro \u2013 Mem\u00f3rias Imaginadas (Cosac Naif) lan\u00e7ada durante uma manifesta\u00e7\u00e3o na cal\u00e7ada do pr\u00e9dio onde funcionou o Dops carioca, m\u00eas passado, por ocasi\u00e3o da descomemora\u00e7\u00e3o dos 50 anos do golpe que instaurou a ditadura civil-militar no pa\u00eds. Antes deste segundo volume da cole\u00e7\u00e3o que re\u00fane suas obras, no ano passado foi lan\u00e7ado Teatro do Oprimido e outras po\u00e9ticas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em seguida, outros tr\u00eas t\u00edtulos vir\u00e3o, anuncia a psicanalista Cecilia Boal, vi\u00fava do teatr\u00f3logo e presidente do Instituto Augusto Boal. Ela comenta: \u201dH\u00e1 o costume de sempre se falar mais do aspecto do Boal como te\u00f3rico e homem pol\u00edtico, o que de fato \u00e9 muito importante. Mas seu texto \u00e9 belo, pouco conhecido e valorizado. Espero que os livros estimulem a descoberta da qualidade dele de escritor, algu\u00e9m que sentia prazer imenso em usar as palavras, que gostava de brincar com elas e substitu\u00ed-las por outras quando burilava um texto.\u201d \u00a0A a\u00e7\u00e3o, a milit\u00e2ncia pol\u00edtica atrav\u00e9s da arte \u2013 no caso, o teatro \u2013 tamb\u00e9m era \u201cimportant\u00edssima, na vida, na cena e nas interven\u00e7\u00f5es que Boal realizava com as t\u00e9cnicas do Teatro do Oprimido,\u201d observa Cec\u00edlia.<\/p>\n<p>Outra tarefa em que o Instituto est\u00e1 empenhado \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o do precioso acervo de Boal que se encontra na Faculdade de Letras da UFRJ. S\u00e3o quatro mil itens, textos, fotos, DVDs, programas e cartazes que ainda n\u00e3o est\u00e3o catalogados, mas podem ser consultados mediante agendamento pr\u00e9vio com o Prof. Eduardo Coelho, de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cConcordo,\u201d diz Cec\u00edlia, \u201ccom aqueles que dizem que no Brasil n\u00e3o existem ainda pol\u00edticas p\u00fablicas preocupadas com a mem\u00f3ria nacional.\u201d Ela chama a aten\u00e7\u00e3o para a exist\u00eancia de grandes acervos, grandes cole\u00e7\u00f5es e com reservas t\u00e9cnicas adequadas e \u201ctamb\u00e9m institui\u00e7\u00f5es que asseguram o cuidado e a guarda de muitos acervos e cole\u00e7\u00f5es. Portanto, seria injusto dizer que n\u00e3o existe nada. Mas \u00e9 insuficiente. Dever\u00edamos ter uma pol\u00edtica p\u00fablica sistem\u00e1tica de preserva\u00e7\u00e3o que possa acompanhar essa grande produ\u00e7\u00e3o nacional art\u00edstica e intelectual.\u201d<\/p>\n<p>Conversando com Carta Maior sobre o assunto, comenta que h\u00e1 muitas fam\u00edlias tentando cuidar desse tipo de patrim\u00f4nio, que afinal pertence ao pa\u00eds. \u201cSozinhas e sem muitas condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 o meu caso. A UFRJ tem tentado ajudar bastante. Mas ainda falta muito. Agora, atrav\u00e9s da mostra no CCBB, espero poder avan\u00e7ar um pouco mais no tratamento dos documentos. Atrav\u00e9s deste acervo se pode acompanhar todo um per\u00edodo da hist\u00f3ria do Brasil e da hist\u00f3ria de Am\u00e9rica Latina, da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal. Um material que acompanha Boal no percurso do seu ex\u00edlio.\u201d<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da presidente do Instituto Augusto Boal, para quem \u00e9 importante que o acervo permane\u00e7a no Brasil (\u201cele gostaria que fosse assim\u201d) apesar de in\u00fameros convites para ser enviado para institui\u00e7\u00f5es no exterior, j\u00e1 deveria estar disponibilizado na internet, para consulta de todos. \u201cComo Boal era um homem de esquerda, marxista, engajado nos movimentos populares &#8211; preso, torturado e depois exilado no estrangeiro -, \u00e9 dif\u00edcil eu aceitar ajuda da iniciativa privada. Tenho o cuidado de respeitar a sua mem\u00f3ria. O Banco do Brasil \u00e9 o Banco do Brasil, como o seu nome indica. E o Minist\u00e9rio de Cultura \u00e9 um minist\u00e9rio do Brasil. \u00c9 justo e desej\u00e1vel que sejam eles a se ocupar deste acervo. \u00c9 o dever e a miss\u00e3o deles. Do Banco do Brasil, da Funarte, do MINC e do MEC.\u201d<\/p>\n<p>Se os t\u00edtulos dos livros escritos pelo teatr\u00f3logo estavam, at\u00e9 aqui, fora de cat\u00e1logo no Brasil, o mesmo n\u00e3o ocorreu nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde est\u00e3o constantemente dispon\u00edveis. \u201cEle est\u00e1 sendo publicado e republicado regularmente l\u00e1 fora. Estou assinando novos contratos o tempo todo\u201d, comenta Cec\u00edlia.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos, entrevistada por Emir Sader, em Carta Maior, e j\u00e1 naquela \u00e9poca preocupada com o destino do precioso acervo do marido, ela falava sobre o interesse da New York University, onde Boal sempre trabalhou, de ter a guarda desse acervo, para \u201chigieniz\u00e1-lo, catalog\u00e1-lo e colocar uma c\u00f3pia integral na internet, ou seja, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos, em qualquer lugar do mundo e de forma inteiramente gratuita.\u201d Cec\u00edlia lembrava que nessa biblioteca h\u00e1 o setor Tamiment Library consagrado a autores da esquerda e \u00e0 historia do sindicalismo no mundo. \u201cAcho que o Boal estaria em excelente companhia neste espa\u00e7o e seria muito bem tratado. Por\u00e9m, tamb\u00e9m acho que as hist\u00f3rias que se originaram no contexto de uma determinada cultura pertencem a ela e \u00e9 ali que devem continuar.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 Juli\u00e1n, o filho de Boal, jovem pesquisador do Teatro do Oprimido, se volta para a perman\u00eancia das experi\u00eancias do Teatro do Oprimido nos \u00a0tempos atuais de \u201cFacebook, de reality shows, de democracias participativas esvaziadas\u201d, como ele diz. \u201cO que o Teatro do Oprimido tenha talvez a oferecer agora seja menos um palanque para os oprimidos, um lugar aonde eles possam se expressar, e mais uma pr\u00e1tica com a qual se v\u00ea o mundo como um lugar transform\u00e1vel. Se no tempo das ditaduras havia um sentido de falar em participa\u00e7\u00e3o popular, hoje isso n\u00e3o se d\u00e1 do mesmo modo\u201d, considera Juli\u00e1n.<\/p>\n<p>Mas a parceria, por exemplo, entre Teatro do Oprimido e o Movimento dos Sem Terra, que dura mais de dez anos, se mant\u00e9m viva. Ele lembra: \u201dFoi uma delega\u00e7\u00e3o do MST que fez sua primeira forma\u00e7\u00e3o junto do meu pai dentro do Centro do TO. Atualmente, mais de 30 grupos de TO se encontram dentro do movimento e os exerc\u00edcios s\u00e3o regularmente utilizados nos encontros.\u201d<\/p>\n<p>Juli\u00e1n fala tamb\u00e9m de uma cena do Teatro do Oprimido que mostra o confronto entre opressor e oprimido e onde o desfecho se mant\u00e9m em aberto. \u201cEm tempos de colapsos ecol\u00f3gicos programados \u00e9, talvez, um bom exerc\u00edcio tentar enxergar que, como dizia meu pai, \u2018v\u00e1rios outros mundos s\u00e3o poss\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p>Com novas formas, o TO continua com os fundamentos criados por Boal e inspirado nas ideias de Berthold Brecht \u2013 arte &#8211; e de Paulo Freire &#8211; educa\u00e7\u00e3o. Alia teatro e a\u00e7\u00e3o social, prepara o ator com esse vi\u00e9s e busca permanentemente a transforma\u00e7\u00e3o da realidade atrav\u00e9s do di\u00e1logo.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Cultura\/Augusto-Boal-e-o-Teatro-do-Oprimido-Varios-outros-mundos-sao-possiveis-\/39\/30863\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Teatro do Oprimido alia teatro e a\u00e7\u00e3o social, prepara o ator com esse vi\u00e9s e busca permanentemente a transforma\u00e7\u00e3o da realidade atrav\u00e9s do di\u00e1logo.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-42631","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42631","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42631"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42631\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42631"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42631"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}