{"id":42730,"date":"2014-05-12T12:00:36","date_gmt":"2014-05-12T11:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=42730"},"modified":"2015-05-05T21:35:00","modified_gmt":"2015-05-05T20:35:00","slug":"portugues-as-revelacoes-de-o-capital-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/05\/portugues-as-revelacoes-de-o-capital-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) As revela\u00e7\u00f5es de O Capital no S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_42731\" style=\"width: 470px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/thomas-Piketty-occupy-londres.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-42731\" class=\"wp-image-42731 size-full\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/thomas-Piketty-occupy-londres.jpg\" alt=\"thomas Piketty-occupy londres\" width=\"460\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/thomas-Piketty-occupy-londres.jpg 460w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/thomas-Piketty-occupy-londres-300x138.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-42731\" class=\"wp-caption-text\">Protesto do Occupy Londres contra desigualdade. Para enfrent\u00e1-la, Piketty prop\u00f5e s\u00e9rie de tributos redistributivos e alerta: eles exigem nova l\u00f3gica social.<\/p><\/div>\n<p><em>Sucesso internacional, livro de Thomas Piketty exp\u00f5e engrenagens que produzem desigualdade e pobreza, sugere alternativas e desafia: elites aceitar\u00e3o debat\u00ea-las?<\/em><\/p>\n<p>O seu livro \u2013 intitulado <em>Capital in the Twenty-First Century<\/em>\u00a0[&#8220;O Capital no s\u00e9culo XXI&#8221;, ainda sem edi\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas]\u00a0\u2013\u00a0disparou na lista dos mais vendidos no site Amazon.\u00a0T\u00ea-lo consigo, em alguns ambientes de Manhattan, tornou-se a mais nova ferramenta para se conectar socialmente com jovens progressistas. Ao mesmo tempo, seu autor vem sendo \u201ccondenado\u201d como neomarxista por comentaristas de direita. Afinal, qual a causa de tudo isso?<\/p>\n<p>O\u00a0argumento de Thomas Piketty \u00e9 que, numa economia onde a taxa de rendimento sobre o capital supera a taxa de crescimento, a riqueza herdada sempre crescer\u00e1 mais rapidamente do que a riqueza conquistada. Assim, o fato de que filhos ricos podem passar de um ano sab\u00e1tico sem rumo a um emprego no banco, na rede de televis\u00e3o, etc., do pai \u2013 enquanto os filhos pobres continuam transpirando dentro de seus uniformes \u2013 n\u00e3o \u00e9 acidental: \u00e9 o sistema funcionando normalmente.<\/p>\n<p>Se a economia\u00a0cresce lentamente, enquanto os rendimentos financeiros engordam mais r\u00e1pido, ent\u00e3o a riqueza herdada ir\u00e1, na m\u00e9dia, \u201csuperar a riqueza acumulada de uma vida toda de trabalho, por ampla margem\u201d, diz\u00a0Piketty. A riqueza ir\u00e1 se concentrar em n\u00edveis incompat\u00edveis com a democracia, ir\u00e1 abandonar a justi\u00e7a social. Em suma, o capitalismo cria automaticamente n\u00edveis de\u00a0desigualdade que s\u00e3o insustent\u00e1veis. A riqueza crescente do \u201c1%\u201d n\u00e3o \u00e9 um epis\u00f3dio isolado nem mera ret\u00f3rica.<\/p>\n<p>Para entender por que o sistema dominante acha esta proposi\u00e7\u00e3o um tanto desagrad\u00e1vel, \u00e9 preciso compreender que se julgava superado\u00a0o conceito de \u201cdistribui\u00e7\u00e3o\u201d da riqueza \u2013 termo bonito para se referir \u00e0 desigualdade.\u00a0Simon Kuznets, o bielorrusso emigrado que se tornou uma figura importante da economia norte-americana, fez uso das informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis \u00e0 \u00e9poca para mostrar que, embora as sociedades se tornassem mais desiguais nos primeiros est\u00e1gios da industrializa\u00e7\u00e3o, esta desigualdade diminuiria na medida em que elas alcan\u00e7assem a maturidade. A chamada\u00a0\u201ccurva de Kuznets\u201d\u00a0fora aceita pela maioria dos profissionais de economia at\u00e9\u00a0Piketty\u00a0e seus colaboradores produzirem as provas para mostrar que isso \u00e9 falso.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/piketty_capital-485x323.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-42734 size-medium\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/piketty_capital-485x323-300x199.jpg\" alt=\"piketty_capital-485x323\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/piketty_capital-485x323-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/piketty_capital-485x323.jpg 485w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na verdade, a curva vai exatamente na dire\u00e7\u00e3o oposta: o capitalismo come\u00e7ou desigual, achatou a desigualdade durante grande parte do s\u00e9culo XX, mas atualmente est\u00e1 voltando em dire\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis dickensianos de desigualdade no mundo.<\/p>\n<p>Piketty\u00a0aceita a ideia de que os frutos da maturidade econ\u00f4mica \u2013 aptid\u00f5es, forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho \u2013 promovem, de fato, uma maior igualdade. Mas eles podem ser neutralizados por uma tend\u00eancia mais fundamental no sentido da desigualdade, que \u00e9 desencadeada onde quer que a demografia, a baixa tributa\u00e7\u00e3o\u00a0ou a fraca organiza\u00e7\u00e3o trabalhista permita. Grande parte das 700 p\u00e1ginas do livro s\u00e3o gastas mobilizando as provas de que o capitalismo do s\u00e9culo XXI percorre um trajeto s\u00f3 de ida em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade \u2013 a menos que fa\u00e7amos alguma coisa.<\/p>\n<p>Se\u00a0Piketty\u00a0estiver certo, haver\u00e1 enormes implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, e a beleza do livro \u00e9 que ele nunca se abst\u00e9m de apont\u00e1-las. A reivindica\u00e7\u00e3o de Piketty, em favor\u00a0de um imposto global \u201cconfiscat\u00f3rio\u201d sobre a riqueza herdada faz outros economistas, em princ\u00edpio radicais, parecerem familiares. Ele prop\u00f5e um imposto de 80% sobre os rendimentos acima de 500 mil d\u00f3lares ao ano nos\u00a0EUA, assegurando a seus leitores que n\u00e3o haveria nem uma fuga de grandes executivos\u00a0para o\u00a0Canad\u00e1, nem\u00a0tampouco uma desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento, uma vez que o resultado seria simplesmente suprimir tais rendimentos.<\/p>\n<p>Embora superem a agenda macroecon\u00f4mica, os golpes colaterais do livro contra a moda microecon\u00f4mica, muitas vezes trazidas em notas de rodap\u00e9, parecem uma piada interna contra a gera\u00e7\u00e3o para a qual todos os problemas pareciam resolvidos, com exce\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os da coca\u00edna vendida nas ruas de Georgetown.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o livro hipnotizou os profissionais da economia por causa da forma como\u00a0Piketty\u00a0cria teoricamente o seu pr\u00f3prio mundo. Ele define as duas categorias b\u00e1sicas, riqueza e renda, de forma ampla e assertiva como ningu\u00e9m antes tinha se preocupado em fazer. Os termos e as explica\u00e7\u00f5es da obra s\u00e3o extremamente simples; com uma infinidade de dados hist\u00f3ricos,\u00a0Piketty\u00a0reduz a hist\u00f3ria do capitalismo a um claro arco narrativo. Para se desafiar a sua argumenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso rejeitar suas premissas e n\u00e3o sua elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde a primeira p\u00e1gina ele, ilustra com observa\u00e7\u00f5es viscerais, o mundo injusto no qual vivemos: come\u00e7a com o\u00a0<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/513440-matanca-de-mineiros-e-sintoma-da-corrupcao-e-das-desigualdades-sul-africanas\" ><strong>massacre da mina de Marikana<\/strong><\/a>\u00a0e n\u00e3o esmorece. Ele apresenta n\u00e3o s\u00f3 os \u00edndices de juros do s\u00e9culo XVIII como provas, mas tamb\u00e9m as obras de\u00a0<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/515100-a-desigualdade-economica-explicada-por-jane-austen\" ><strong>Jane Austen<\/strong><\/a>\u00a0e Honor\u00e9 de Balzac.\u00a0Usa estes dois escritores para ilustrar como, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, era l\u00f3gico desdenhar o trabalho a favor do casamento pela riqueza. O fato de esta l\u00f3gica ter se restabelecido desmente\u00a0o mito central do capitalismo e sua justificativa moral: aquela segundo a qual\u00a0a riqueza \u00e9 gerada pelo esfor\u00e7o, pela criatividade, pelo trabalho, pelo investimento correto, pelo risco assumido, etc.<\/p>\n<p>Para\u00a0Piketty, o per\u00edodo de meados do s\u00e9culo XX marcado pelo aumento da igualdade foi um pontinho produzido pelas exig\u00eancias da guerra, do poder do trabalho organizado, da necessidade de uma tributa\u00e7\u00e3o alta, por fatores demogr\u00e1ficos e pela inova\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Dito de forma direta, se o crescimento for alto e o rendimento do capital for suprimido, poder\u00e1 haver\u00a0um capitalismo mais igualit\u00e1rio. Mas, diz\u00a0Piketty, uma repeti\u00e7\u00e3o da era keynesiana \u00e9 improv\u00e1vel: o trabalho est\u00e1 enfraquecido, a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica est\u00e1 demasiado lenta, o poder global do capital est\u00e1 demasiado forte. Al\u00e9m disso, a legitimidade deste sistema desigual \u00e9 alta, porque ele encontrou formas de estender a riqueza \u00e0 classe empresarial de uma forma que n\u00e3o se conseguiu fazer no s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p>Se o autor estiver certo, as implica\u00e7\u00f5es para o capitalismo s\u00e3o bastante negativas: estamos diante de um capitalismo com baixo crescimento, combinado com altos n\u00edveis de desigualdade e baixos n\u00edveis de mobilidade social. Se uma pessoa n\u00e3o nascer na riqueza, ser\u00e1 bastante dif\u00edcil enriquecer.<\/p>\n<p>Seria\u00a0Piketty\u00a0o novo\u00a0Karl Marx? Qualquer um que tenha lido este \u00faltimo saber\u00e1 que ele n\u00e3o o \u00e9. A cr\u00edtica de\u00a0Marx\u00a0ao capitalismo n\u00e3o era sobre a distribui\u00e7\u00e3o, mas sobre a produ\u00e7\u00e3o: para\u00a0Marx\u00a0n\u00e3o seria o aumento da desigualdade, mas sim uma ruptura no mecanismo de lucro o que levaria o sistema a seu fim.<\/p>\n<p>Onde\u00a0Marx\u00a0via rela\u00e7\u00f5es sociais \u2013 entre trabalhadores e gerentes, propriet\u00e1rios de f\u00e1bricas e a aristocracia rural \u2013,\u00a0Piketty\u00a0v\u00ea apenas categorias sociais: riqueza e renda. A economia marxista vive num mundo onde as tend\u00eancias interiores do capitalismo s\u00e3o contrariadas por sua experi\u00eancia de superf\u00edcie. O mundo de\u00a0Piketty\u00a0\u00e9 feito somente de dados hist\u00f3ricos concretos. Ent\u00e3o, as \u201cacusa\u00e7\u00f5es\u201d de um marxismo suave est\u00e3o completamente equivocadas.<\/p>\n<p>Mais precisamente,\u00a0Piketty\u00a0colocou uma bomba n\u00e3o detonada dentro da economia cl\u00e1ssica, dominante. Se a causa subjacente da cat\u00e1strofe banc\u00e1ria de 2008 foi a queda na renda, ao lado de uma crescente riqueza financeira, ent\u00e3o \u2013 diz\u00a0Piketty\u00a0\u2013 isso n\u00e3o se deu por\u00a0acaso: n\u00e3o foi resultado apenas\u00a0de uma regula\u00e7\u00e3o frouxa ou de uma gan\u00e2ncia simples. A crise \u00e9 o produto do funcionamento normal do sistema, e devemos esperar mais.<\/p>\n<p>Um dos cap\u00edtulos mais interessantes \u00e9 o debate proposto por\u00a0Piketty\u00a0do aumento quase universal daquilo que ele chama de \u201cEstado social\u201d. O crescimento cont\u00ednuo na propor\u00e7\u00e3o da renda nacional consumida pelo Estado, gasto nos servi\u00e7os universais, em aposentadorias\u00a0e benef\u00edcios, sustenta o autor, \u00e9 uma caracter\u00edstica irrevers\u00edvel do capitalismo moderno. Ele observa que tal distribui\u00e7\u00e3o tornou-se uma quest\u00e3o de \u201cdireito\u201d \u00e0s coisas \u2013 de sa\u00fade e pens\u00f5es \u2013 em lugar de simplesmente ser um problema dos \u00edndices de tributa\u00e7\u00e3o. Suas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o um imposto progressivo sobre a riqueza privada e um tributo excepcional sobre o capital, possivelmente combinado com o uso ostensivo da infla\u00e7\u00e3o, pelo Estado<\/p>\n<p>A l\u00f3gica pol\u00edtica para a esquerda est\u00e1 clara. Durante grande parte do s\u00e9culo XX, a redistribui\u00e7\u00e3o foi\u00a0feita atrav\u00e9s de imposto sobre os rendimentos. No s\u00e9culo XXI, qualquer partido que queira redistribuir precisar\u00e1 confiscar a riqueza, e n\u00e3o somente a renda.<\/p>\n<p>O poder da obra de\u00a0Piketty\u00a0\u00e9 que ela tamb\u00e9m desafia a narrativa de centro-esquerda da globaliza\u00e7\u00e3o, que acreditava que a requalifica\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, combinada com uma redistribui\u00e7\u00e3o amena, iria promover a justi\u00e7a social. Isso, demonstra\u00a0Piketty, \u00e9 um engano. Tudo o que a social-democracia e o liberalismo podem produzir, com suas atuais pol\u00edticas, \u00e9 o iate do oligarca coexistindo com o subs\u00eddio \u00e0 cesta b\u00e1sica\u00a0para sempre.<\/p>\n<p>A obra de\u00a0Piketty,\u00a0<em>Capital in the Twenty-First Century<\/em>\u00a0(diferentemente de <em>O Capital,\u00a0<\/em>de Marx<strong>)\u00a0<\/strong>cont\u00e9m solu\u00e7\u00f5es no pr\u00f3prio terreno do capitalismo: os 15% de impostos sobre o capital, os 80% de impostos sobre os altos rendimentos, uma transpar\u00eancia obrigat\u00f3ria em todas as transa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, uma utiliza\u00e7\u00e3o ostensiva da infla\u00e7\u00e3o para a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza. Ele considera algumas destas solu\u00e7\u00f5es \u201cut\u00f3picas\u201d, e est\u00e1 certo nisso. \u00c9 mais f\u00e1cil imaginar um colapso do capitalismo do que uma elite consentir com estas ideias.<\/p>\n<p>__________________________<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o\u00a0Isaque Gomes Correa no <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530907-o-capital-de-thomas-piketty-tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-surpreendente-best-seller\" >IHU<\/a><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/outras-palavras.net\/outrasmidias\/?p=17354\" >Go to Original \u2013 outras-palavras.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sucesso internacional, livro de Thomas Piketty exp\u00f5e engrenagens que produzem desigualdade e pobreza, sugere alternativas e desafia: elites aceitar\u00e3o debat\u00ea-las?<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-42730","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42730\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}