{"id":42981,"date":"2014-05-19T12:00:21","date_gmt":"2014-05-19T11:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=42981"},"modified":"2015-05-05T21:34:59","modified_gmt":"2015-05-05T20:34:59","slug":"portugues-o-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/05\/portugues-o-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) O determinismo biol\u00f3gico e os interesses do capital"},"content":{"rendered":"<p><em>Existem causas naturais para diferen\u00e7as e problemas sociais? Um complexo (bio)industrial financeirizado ainda tenta provar que sim. <\/em><\/p>\n<p>O texto de Pankaj Mehta<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote1sym\" >1<\/a>, \u201c<em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/O-ressurgimento-do-determinismo-biologico-na-era-neoliberal\/4\/30516\" >O ressurgimento do determinismo biol\u00f3gico na era neoliberal<\/a><\/em>\u201d, publicado na Carta Maior (re)suscita um debate urgente e imprescind\u00edvel para campo da esquerda. De Gobineau e sua teoria eug\u00eanica \u00e0 Spencer e as corridas coloniais, de Charles Davenport e Harry Laughlin e as pol\u00edticas de esteriliza\u00e7\u00e3o estadunidense \u00e0 Eugen Fischer e Alfred Ploetz e a Lei de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade Heredit\u00e1ria do Povo Alem\u00e3o, ao menos a hist\u00f3ria ocidental moderna est\u00e1 recheada de <em>cientistas <\/em>que advogaram causas naturais para diferen\u00e7as e problemas sociais. Hoje talvez estejamos assistindo, como diz Mehta \u201ca \u00faltima onda de determinismo biol\u00f3gico\u201d, que por sinal, \u201c\u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o dessa longa tradi\u00e7\u00e3o, mas com diferen\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o aos enfoques do passado.\u201d Neste texto que o leitor tem em tela, e que ter\u00e1 ainda mais uma parte publicada, traremos uma breve aproxima\u00e7\u00e3o ao que acreditamos ser a grande <em>diferen\u00e7a social significativ<\/em>adessa longa tradi\u00e7\u00e3o determinista: o processo de constitui\u00e7\u00e3o a que assistimos n\u00e3o diz respeito apenas a um campo <em>cient\u00edfico<\/em> e seus atores correspondentes, mas a um complexo (bio)industrial financeirizado capaz de sustentar e reproduzir teorias, t\u00e9cnicas e tecnologias deterministas com elevadas repercuss\u00f5es sociais e pol\u00edticas para a humanidade do s\u00e9c. XXI.<\/p>\n<p><strong>A &#8216;ci\u00eancia p\u00f3s-acad\u00eamica&#8217; e as biotecnologias<\/strong><\/p>\n<p>Em dezembro de 2000, o cientista John Craig Venter apareceu na capa da revista estadunidense <em>Time<\/em> vestindo metade um elegante terno preto e na outra um tradicional jaleco branco. Considerado por muitos o \u201ccientista do ano\u201d, Venter liderou uma equipe de pesquisadores que conseguiu desafiar o cons\u00f3rcio multilateral Projeto Genoma Humano, composto por centenas de cientistas dos mais diversos pa\u00edses \u2013 dentre os principais destacaram-se a Inglaterra, Fran\u00e7a, Alemanha, Canad\u00e1, Jap\u00e3o e, mais do que todos, os EUA.<\/p>\n<p>Em pouco menos de tr\u00eas anos, a equipe de Venter conseguiu os objetivos que o cons\u00f3rcio PGH acreditava alcan\u00e7ar apenas em uma d\u00e9cada: o mapeamento gen\u00f4mico completo do <em>Homo sapiens. <\/em>Feito que sem d\u00favida dispensa coment\u00e1rios quanto aos <em>ganhos<\/em> para o desenvolvimento cient\u00edfico da humanidade.<\/p>\n<p>Esse <em>evento, <\/em>por\u00e9m, \u00e9 visto tamb\u00e9m por muitos como o marco de uma nova era para a Ci\u00eancia \u2013 e, n\u00e3o raro, como veremos, com sintom\u00e1ticas consequ\u00eancias para a sociedade. Ele sinaliza uma ruptura <em>tecnocient\u00edfica<\/em> que, para John Ziman, f\u00edsico e epistem\u00f3logo, por exemplo, podemos chamar de um novo terreno de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a denominada \u201cci\u00eancia p\u00f3s-acad\u00eamica\u201d.<\/p>\n<p>De fato, embora n\u00e3o tenha sido Venter, e nem o PGH, a dar o ponta p\u00e9 inicial \u00e0 emerg\u00eancia da ci\u00eancia \u201cp\u00f3s-acad\u00eamica\u201d, sem d\u00favida alguma podemos crer que este <em>event<\/em>o demarcou\/sintetizou mundialmente uma paradigm\u00e1tica transforma\u00e7\u00e3o na maneira com que a ci\u00eancia passou a ser organizada, gerida e executada. Sem nos alongarmos nesse ponto, podemos resumir dizendo.<\/p>\n<p>Durante grande parte do s\u00e9culo XX, as institui\u00e7\u00f5es de pesquisas p\u00fablicas e os laborat\u00f3rios industriais operavam de forma relativamente independente, desenvolvendo suas pr\u00f3prias pr\u00e1ticas e modos de comportamento. Mas, a chamada tecnoci\u00eancia contempor\u00e2nea ultrapassou o patamar de integra\u00e7\u00e3o\/interc\u00e2mbio com os governos e com o mercado da \u00e9poca das Revolu\u00e7\u00f5es Industriais e mesmo da Guerra Fria. A ci\u00eancia \u201cp\u00f3s-acad\u00eamica\u201d nasceu, segundo Ziman, da fus\u00e3o, intensiva e extensiva, justamente das normas e pr\u00e1ticas dos campos <em>p\u00fablico<\/em> e <em>privado, acad\u00eamico<\/em> e<em> empresarial.<\/em><\/p>\n<p>A partir dos anos 1980as liga\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e o mundo empresarial, com suas op\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, tornaram-se praticamente fluxos constantes. Consequentemente, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, assistimos a reestrutura\u00e7\u00f5es nas mais diversas dimens\u00f5es institucionais. N\u00e3o apenas a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento passou a envolver diretamente um n\u00famero crescente de atores n\u00e3o-acad\u00eamicos e n\u00e3o-cientistas; mas, tamb\u00e9m, para n\u00e3o ficarmos apenas com Ziman, podemos dizer que nunca antes a produ\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o e o <em>ethos<\/em> cient\u00edfico estiveram t\u00e3o subsumidos \u00e0quilo que I. M\u00e9sz\u00e1ros chamou de os imperativos do valor de troca auto-expansivo.<\/p>\n<p>O resultado tem sido uma tend\u00eancia sistem\u00e1tica de financiar e agenciar as investiga\u00e7\u00f5es cient\u00edficas segundo o crit\u00e9rio da antecipa\u00e7\u00e3o dos resultados econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Estamos assentados sobre a consolida\u00e7\u00e3o de um \u201cnovo modo de produ\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico\u201d<em>. <\/em>Osconhecimentose saberes produzidos tornaram-se efetivamente mercadorias, propriedade privadas <em>\u2013 <\/em>e secretas. As trocas de informa\u00e7\u00f5es e de material entre os pesquisadores, antes baseadas na confian\u00e7a e reciprocidade dos mesmos, passaram a ser objetos de acordos institucionais mediados especialmente por <em>businessmans<\/em>, interessados em otimizar a performance de uma empresa ou institui\u00e7\u00e3o <em>\u2013 <\/em>com, por exemplo, a explora\u00e7\u00e3o ulterior dos direitos de propriedade. Os objetos de pesquisas tornaram-se mais focalizados em problemas t\u00e9cnicos locais do que na compreens\u00e3o geral\/totalizante de determinados problemas e quest\u00f5es. Os<em> ethos<\/em> cient\u00edfico passou aos des\u00edgnios de autoridades empresariais e sob os imperativos que ela acompanha, como produtividade, exequibilidade, sigilo, competitividade etc. Al\u00e9m disso, os cientistas s\u00e3o contratados\/requisitados como especialistas, consultores, <em>problem-solvers<\/em>, etc. e suas pesquisas passaram a ser <em>commissioned<\/em> para alcan\u00e7ar objetivos pr\u00e1ticos, em fun\u00e7\u00e3o das exig\u00eancias dos financiadores. Hoje, definitivamente, a ci\u00eancia \u00e9 feita de <em>fatores de impacto,<\/em> de patentes e <em>copyrights<\/em>, de contratos de pesquisas tempor\u00e1rios, de redes internacionais que compreendem empreendimentos interdisciplinares com empresas transnacionais, governos locais, organismos multilaterais etc.<\/p>\n<p>A respeito dessas altera\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, disse acertadamente o geneticista de Havard, Richard Lewontin<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote2sym\" >2<\/a>, quando se referiu ao campo das<em> Life Sciences<\/em>: \u201cComo consequ\u00eancia destas possibilidades, os biologistas moleculares est\u00e3o se tornando empreendedores. Muitos fundaram empresas financiadas por capital de risco. Alguns ficaram ricos quando suas a\u00e7\u00f5es foram oferecidas na bolsa de valores e subitamente passaram a ser portadores de um monte de pap\u00e9is valiosos. Outros s\u00e3o portadores de grandes quantidades de a\u00e7\u00f5es de ind\u00fastrias farmac\u00eauticas internacionais que compraram as firmas de fundo de quintal dos biologistas e adquiriram seus conhecimentos por uma bagatela.\u201d(p.64)<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/nasdac-cartoon.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-42982 size-medium\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/nasdac-cartoon-213x300.jpg\" alt=\"nasdac cartoon\" width=\"213\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/nasdac-cartoon-213x300.jpg 213w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/nasdac-cartoon.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Voltando a Venter, na hist\u00f3ria do PGH, o cientista de preto e branco \u00e9 um dos personagens que abandonaram o cons\u00f3rcio antes do fim. Sua inten\u00e7\u00f5es: liderar um empreendimento com os mesmos objetivos, por\u00e9m com a sua empresa <em>Celera Genomics<\/em>. Se o lado branco do jaleco de Venter representava o cientista l\u00edder do mapeamento gen\u00f4mico, seu aprumado terno preto representava um grande homem de neg\u00f3cios. Um <em>manager<\/em> que n\u00e3o visa apenas captar recursos dos setores empresariais para o desenvolvimento de suas pesquisas em Universidades p\u00fablicas, mas antes que \u00e9 ele mesmo um <em>businessman \u2013 <\/em>propriet\u00e1rio, acionista e investidor de uma grande empresa na \u00e1rea de sua atua\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. No fim, em junho de 2000, o grande feito do mapeamento do genoma humano foi atribu\u00eddo a ambos, ao cons\u00f3rcio e a <em>Celera \u2013 <\/em>que por sinal teve seu capital multiplicado em algumas cifras de bilh\u00f5es de d\u00f3lares<\/p>\n<p>Concordando com caso de Venter e do PGH como marco sinalizador de um novo modo de organiza\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, raz\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o faltam para crermos que o campo das <em>ci\u00eancias da vida <\/em>como um todo <em>\u2013 <\/em>biologia, medicina, engenharia gen\u00e9tica, biotecnologia, neuroci\u00eancias etc.<em> \u2013 <\/em>seja um l\u00f3cus privilegiado da chamada \u201cci\u00eancia p\u00f3s-acad\u00eamica\u201d. Apenas para citarmos mais um exemplo onde os setores empresariais de pesquisas definitivamente se fundiram aos setores p\u00fablicos e os cientistas passaram dividir seu tempo entre os laborat\u00f3rios e as bolsas de valores, lembremos o caso de James Watson.<\/p>\n<p>Pr\u00eamio Nobel, ao lado do bi\u00f3logo ingl\u00eas Francis H. C. Crick pela descoberta da estrutura de espiral dupla do DNA, em 1953, e tamb\u00e9m um dos pesquisadores chave do PGH, James Watson, em 1991, foi um dos protagonistas de uma <em>trama<\/em> envolvendo o NIH (<em>National Institutes of Health<\/em>) e o PGH que at\u00e9 hoje guarda controv\u00e9rsias. Um modo poss\u00edvel de entender toda a hist\u00f3ria \u00e9 a ocorr\u00eancia de um conflito de interesses. De um lado, o geneticista\/biof\u00edsico norte-americano e tamb\u00e9m acionista de empresas privadas de biotecnologia, Watson, um defensor da iniciativa privada no desenvolvimento de pesquisas de engenharia gen\u00e9tica e, tamb\u00e9m, do patenteamento privado dos produtos concebidos em tais pesquisas. Por outro lado, o NIH, cujo diretor na \u00e9poca era Bernardine Healy, um defensor do patenteamento p\u00fablico dos produtos do PGH como forma de prote\u00e7\u00e3o dos fundos p\u00fablicos utilizados frente aos investidores privados, sobretudo frente aos capitais estrangeiros. Resultado: em 1992, Watson demite-se do PGH alegando que estava muito sobrecarregado e que as medidas tomadas por Healy, \u201cpura dem\u00eancia\u201d<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote3sym\" >3<\/a>, iriam atrasar as livres iniciativas de aquisi\u00e7\u00f5es de informa\u00e7\u00f5es das sequencias gen\u00e9ticas.<\/p>\n<p>Novamente certeiro, em 2000, Lewontin destacou: \u201cEstes projetos [o Projeto Genoma Humano nos Estados Unidos e seu an\u00e1logo internacional, da Human Genome Organization] s\u00e3o, na verdade, organiza\u00e7\u00f5es voltadas mais para atividades financeiras e administrativas do que para projetos de pesquisas. Foram criados nos \u00faltimos cinco anos em resposta a um en\u00e9rgico esfor\u00e7o lobista de cientistas com Walter Gilbert, James Watson, Charles Cantor e Leroy Hood, objetivando captar alt\u00edssimas somas de fundos p\u00fablicos e dirigindo o fluxo desses fundos para um imenso programa de pesquisa cooperativa.\u201d (LEWONTIN, p.55)<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote4sym\" >4<\/a><\/p>\n<p>Mas o que tudo isso tem a ver efetivamente com o que Pankaj Mehta de forma precisa chamou de \u201cressurgimento do determinismo biol\u00f3gico e de seu detest\u00e1vel primo, o darwinismo social\u201d? Tais cientistas seriam os <em>Spencers<\/em>, <em>Gobineaus<\/em>, <em>Mengueles \u2026 <\/em>do s\u00e9culo XXI ? E o PGH, exemplo privilegiado de um novo modo de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, seria um cons\u00f3rcio que semelhante \u00e0 antiga <em>Sociedade Americana de Eugenia<\/em> ou aos <em>Institutos Kaiser Wilhelm<\/em> da Alemanha nazista?<\/p>\n<p>Como bem demonstrou Mehta, h\u00e1 certamente na atual biologia molecular \u2013 especialmente a <em>gen\u00e9tica<\/em> \u2013 elementos de \u201cdeterminismos biol\u00f3gicos\u201d capazes de sustentarem o renascimento do darwinismo social, agora em tempos <em>neo<\/em>liberais. Ainda mais se dermos aten\u00e7\u00e3o para a controversa declara\u00e7\u00e3o de James Watson feita ao <em>The Sunday Times<\/em>: \u201cToda a nossa pol\u00edtica social est\u00e1 baseada no facto da intelig\u00eancia deles [dos africanos] ser a mesma que a nossa. Mas todas as experi\u00eancias dizem que n\u00e3o \u00e9 bem assim (&#8230;). Quem tem que lidar com empregados negros sabe que isto n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d<a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote5sym\" >5<\/a>. Ou ainda, tomarmos conta que Watson presidiu durante d\u00e9cadas o laborat\u00f3rio <em>Cold Spring Harbor Laboratory <\/em>que<em>,<\/em> como bem lembrou Pankaj Mehta, \u00e9uma antiga organiza\u00e7\u00e3o fundada para fins eug\u00eanicos.<\/p>\n<p>Todavia, esses elementos n\u00e3o nos fazem crer num <em>repeteco<\/em> hist\u00f3rico que reavivaria pr\u00e1ticas sistem\u00e1ticas de exterm\u00ednios \u00e9tnicos capitaneados por ideologias e estados totalit\u00e1rios, como a Alemanha do <em>F\u00fchrer<\/em>. Ainda assim, em nosso entendimento, \u00e9 preciso a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o para uma plataforma nova na qual pode estar se sustentando o ressurgimento do determinismo biol\u00f3gico e, possivelmente, o \u201cseu detest\u00e1vel primo, o darwinismo social\u201d. E \u00e9 justamente dessa nova plataforma que trataremos na segunda parte.<\/p>\n<p><strong>NOTAS:<\/strong><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote1anc\" >1<\/a>Cientista e professor da Universidade de Boston.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote2anc\" >2<\/a>LEWONTIN, R. O sonho do Genoma Humano. In: <em>Rev. Adusp<\/em>, n25. Abril de 2002.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote3anc\" >3<\/a> LEWONTIN, R. O sonho do Genoma Humano. In: <em>Rev. Adusp<\/em>, n25. Abril de 2002.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote4anc\" >4<\/a> <em>Idem.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952#sdfootnote5anc\" >5<\/a> Essa declara\u00e7\u00e3o resultou em longo debate envolvendo a o jornal e o cientista, para saber um pouco mais a respeito: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/genetica\/declaracoes-racistas-de-watson-chocam-cientistas\" >http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/noticias\/genetica\/declaracoes-racistas-de-watson-chocam-cientistas<\/a> e <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cienciahoje.pt\/index.php?oid=24151&amp;op=all\" >http:\/\/www.cienciahoje.pt\/index.php?oid=24151&amp;op=all<\/a><\/p>\n<p>___________________________<\/p>\n<p><em>Leandro M\u00f3dolo P. &#8211; <\/em><em>Mestrando em Ci\u00eancias Sociais (UNESP-Araraquara) e professor da Rede B\u00e1sica Estadual em S\u00e3o Carlos-SP.<\/em><\/p>\n<p><em>Agradecimentos com carinho \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o do ex-aluno e desenhista Hugo Ankh.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Economia\/O-determinismo-biologico-e-os-interesses-do-capital\/7\/30952\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Gobineau e sua teoria eug\u00eanica \u00e0 Spencer e as corridas coloniais, de Charles Davenport e Harry Laughlin e as pol\u00edticas de esteriliza\u00e7\u00e3o estadunidense \u00e0 Eugen Fischer e Alfred Ploetz e a Lei de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade Heredit\u00e1ria do Povo Alem\u00e3o, ao menos a hist\u00f3ria ocidental moderna est\u00e1 recheada de \u2018cientistas\u2019 que advogaram causas naturais para diferen\u00e7as e problemas sociais.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-42981","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42981\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}