{"id":43169,"date":"2014-05-26T12:00:11","date_gmt":"2014-05-26T11:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=43169"},"modified":"2015-05-05T21:34:57","modified_gmt":"2015-05-05T20:34:57","slug":"portugues-sustentabilidade-para-santuarios-de-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/05\/portugues-sustentabilidade-para-santuarios-de-animais\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Sustentabilidade para Santu\u00e1rios de Animais"},"content":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do Encontro Nacional de Direitos Animais (ENDA) 2014, foi-me solicitado ministrar palestras de cunho mais pr\u00e1tico, sobre temas que pudessem ser de meu dom\u00ednio. Preparei tr\u00eas apresenta\u00e7\u00f5es e aceitei, durante o evento, tratar de outros tr\u00eas temas que me foram solicitados pelos participantes.<\/p>\n<p>Um dos temas, por\u00e9m, considerei de m\u00e1xima relev\u00e2ncia para solucionar uma quest\u00e3o bastante relevante para todo o ativismo animal: a busca pela sustentabilidade para santu\u00e1rios de animais.<\/p>\n<p>Mas o que s\u00e3o santu\u00e1rios de animais? S\u00e3o institui\u00e7\u00f5es e\/ou pessoas que mant\u00eam animais sob sua cust\u00f3dia, nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e pelo tempo de suas vidas, mas n\u00e3o permitem sua reprodu\u00e7\u00e3o (exce\u00e7\u00e3o para o caso de santu\u00e1rios de animais silvestres, que podem reproduzir animais com prop\u00f3sitos de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie) e n\u00e3o exploram esses animais de forma alguma (seja negociando animais ou suas partes, seja exibindo os animais ou entretendo pessoas \u00e0 sua custa).<\/p>\n<p>H\u00e1 possibilidade de que alguns santu\u00e1rios permitam a visita\u00e7\u00e3o de p\u00fablico externo, com prop\u00f3sito de trabalhar a educa\u00e7\u00e3o ambiental e a conscientiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico para que n\u00e3o compre animais silvestres nem ex\u00f3ticos, ou educa\u00e7\u00e3o pelo veganismo, mas de forma geral o prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 o entretenimento do p\u00fablico \u00e0 custa da exibi\u00e7\u00e3o de animais.<\/p>\n<p>Nesse ponto, cabe distinguir entre os poss\u00edveis tipos de santu\u00e1rios de animais que podem existir:<\/p>\n<p>Santu\u00e1rios para animais dom\u00e9sticos: s\u00e3o santu\u00e1rios voltados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de animais cujas esp\u00e9cies o ser humano manipulou geneticamente com o prop\u00f3sito de produzir caracter\u00edsticas favor\u00e1veis \u00e0 sua explora\u00e7\u00e3o. Nesse tipo de santu\u00e1rios, a reprodu\u00e7\u00e3o deve ser terminantemente proibida e a doa\u00e7\u00e3o de animais deve obedecer a crit\u00e9rios bem espec\u00edficos (pois os animais n\u00e3o podem ser doados se h\u00e1 possibilidade de que sejam explorados por seus adotantes). S\u00e3o exemplos os santu\u00e1rios de cavalos, vacas, cabras, ovelhas, porcos, galinhas, coelhos, ratos albinos, can\u00e1rios, pombos, coelhos, abrigos de c\u00e3es e gatos etc.<\/p>\n<p>Santu\u00e1rios para animais ex\u00f3ticos: s\u00e3o santu\u00e1rios voltados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de animais ex\u00f3ticas n\u00e3o dom\u00e9sticas, que se encontrem em territ\u00f3rio nacional. S\u00e3o considerados animais n\u00e3o dom\u00e9sticos aqueles cujo patrim\u00f4nio gen\u00e9tico corresponde ao patrim\u00f4nio gen\u00e9tico dos animais selvagens, n\u00e3o havendo o indiv\u00edduo, portanto, sofrido sele\u00e7\u00e3o artificial. Conforme o caso, esses santu\u00e1rios podem possuir pol\u00edticas de repatria\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos para seus locais de origem, desde que com o prop\u00f3sito de soltura destes em seus ambientes naturais. S\u00e3o exemplos desta categoria de santu\u00e1rios aqueles voltados \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o ou reabilita\u00e7\u00e3o de felinos africanos, ursos, elefantes, iguanas etc.<\/p>\n<p>Santu\u00e1rios para animais silvestres: devem possuir todas as licen\u00e7as ambientais necess\u00e1rias para manuten\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de animais pertencentes \u00e0 fauna nativa regional ou migrat\u00f3ria. Podem possuir prop\u00f3sito de reprodu\u00e7\u00e3o dos animais, conforme a necessidade, mas devem ter suas atividades voltadas \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o e soltura dos animais em seus ambientes naturais no menor prazo de tempo poss\u00edvel. S\u00e3o exemplos desta categoria de santu\u00e1rios aqueles voltados \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o de aves nativas, primatas nativos, jabutis e tartarugas tigre-d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>Pois bem, atualmente sabemos que a maioria dos santu\u00e1rios se depara com o mesmo problema: s\u00e3o sumidouros de recursos. Santu\u00e1rios d\u00e3o abrigos a animais, os alimentam, os medicam, pagam seus funcion\u00e1rios e tudo isso com a boa inten\u00e7\u00e3o e os recursos pr\u00f3prios de seus mantenedores; s\u00e3o, portanto, institui\u00e7\u00f5es que prestam na maior parte das vezes um grande servi\u00e7o, mas com alta depend\u00eancia de volunt\u00e1rios e doadores. Alguns poucos santu\u00e1rios possuem um aporte financeiro constante de patrocinadores de calibre, mas em sua maioria s\u00e3o empreendimentos fadados a funcionarem de forma prec\u00e1ria, frequentemente no limiar.<\/p>\n<p>A maior parte dos santu\u00e1rios n\u00e3o se especializou em um tipo de fauna nem pratica alguma forma de manejo integrado dos animais, e por mais que seus mantenedores tenham conhecimento sobre as t\u00e9cnicas mais adequadas de manejo, o fato de serem poucos santu\u00e1rios para uma grande quantidade de animais justifica tais a\u00e7\u00f5es. Santu\u00e1rios t\u00eam funcionado mais como abrigos de animais do que como santu\u00e1rios propriamente ditos.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito de minha apresenta\u00e7\u00e3o no ENDA era expor o problema e trazer uma solu\u00e7\u00e3o: a necessidade de exist\u00eancia de maior n\u00famero de santu\u00e1rios de animais que pudessem trabalhar de forma especializada e integrada, e que buscassem dentro do poss\u00edvel a autossustentabilidade.<\/p>\n<p>Durante minha apresenta\u00e7\u00e3o, tentei demonstrar que uma das principais falhas dos santu\u00e1rios de animais no Brasil \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o maior de seus recursos na aquisi\u00e7\u00e3o da terra e outros passivos. Tal investimento muitas vezes n\u00e3o se justifica, pois a maior parte dos recursos deveria ser destinada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de ativos.\u00a0Passivos s\u00e3o todos aqueles bens que consomem recursos, enquanto ativos s\u00e3o os bens que geram recursos. Para exemplificar de forma breve, a posse de um terreno pode ser um ativo ou um passivo. Se a entidade se instala nesse terreno e ele n\u00e3o lhe gera nenhum recurso, pelo contr\u00e1rio os consome, o terreno ser\u00e1 um passivo. Se a entidade possui o terreno e o aluga, ou com ele gera alguma renda, o terreno funciona como um ativo.<\/p>\n<p>Eis um exemplo para se atingir relativa sustentabilidade de uma entidade: muitas vezes vale a pena colocar para alugar um bom terreno pertencente \u00e0 entidade por um pre\u00e7o mais elevado e ao mesmo tempo pagar o aluguel de outro terreno menos valorizado, e com a diferen\u00e7a de pre\u00e7os manter o santu\u00e1rio. Mas n\u00e3o necessariamente ativos se constroem aplicando em im\u00f3veis; h\u00e1 v\u00e1rias outras formas de se gerar renda constante que pode resolver os problemas de um santu\u00e1rio de animais.\u00a0Para esses casos, um consultor financeiro deve ser bem mais \u00fatil do que um bi\u00f3logo, mas o ponto em que quero chegar \u00e9 que santu\u00e1rios de animais podem ser constitu\u00eddos em terras alugadas ou arrendadas por sistema de contrato de v\u00e1rios anos, n\u00e3o havendo a necessidade de aquisi\u00e7\u00e3o da terra. Cada caso deve ser analisado cuidadosamente.<\/p>\n<p>Particularmente, creio que o valor investido na aquisi\u00e7\u00e3o de terras seria muito mais bem aplicado na aquisi\u00e7\u00e3o ou constru\u00e7\u00e3o de uma ind\u00fastria, cujo lucro pudesse ser empregado no santu\u00e1rio e, de prefer\u00eancia, cujos coprodutos pudessem ser utilizados como parte da alimenta\u00e7\u00e3o dos animais, at\u00e9 porque o governo subsidia ind\u00fastrias, e n\u00e3o santu\u00e1rios de animais.<\/p>\n<p>Outro fator que desfavorece os atuais abrigos e santu\u00e1rios de animais no Brasil \u00e9 que eles, muitas vezes, n\u00e3o se especializam em determinados grupos de animais. A especializa\u00e7\u00e3o facilita o manejo e contribui bastante para potencializar a manuten\u00e7\u00e3o dos animais.\u00a0Al\u00e9m disso, os recursos para manuten\u00e7\u00e3o dos animais invariavelmente necessitam ser adquiridos de terceiros e quase nunca s\u00e3o produzidos na pr\u00f3pria propriedade, dificultando bastante a busca pela sustentabilidade.<\/p>\n<p>Embora eu seja vegetariano (vegano) desde 1998 e tenha sido protovegetariano desde 1980, sempre me interessei bastante em estudar zootecnia e t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o integrada de animais. Creio que esse conhecimento pode ser aplicado tamb\u00e9m na manuten\u00e7\u00e3o de animais que n\u00e3o ser\u00e3o v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Santu\u00e1rios de animais podem aprender bastante com exploradores de animais, ainda que seus objetivos sejam totalmente opostos. Especialmente tem a ensinar aqueles exploradores que fogem ao modelo convencional de produ\u00e7\u00e3o, baseado na monocultura, e que buscam integrar suas cria\u00e7\u00f5es com outros processos. Devemos conhecer como funcionam os cons\u00f3rcios de cria\u00e7\u00f5es, os cons\u00f3rcios de culturas, os sistemas de intera\u00e7\u00e3o lavoura-ind\u00fastria-pecu\u00e1ria, a rizipiscicultura, o sistema agrossilvipastoril, o sistema faxinal, a agroecologia e a permacultura, pois essas s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es para que transformemos a posse da terra de um passivo em um ativo e a manuten\u00e7\u00e3o dos animais de um sumidouro de recursos em um empreendimento minimamente sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Vejamos como cada um desses sistemas funciona e como eles se aplicariam a santu\u00e1rios de animais.<\/p>\n<p><strong>Cons\u00f3rcios de cria\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Consiste na cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias esp\u00e9cies animais em uma mesma \u00e1rea, de forma pouco ou nada competitiva, e com potencializa\u00e7\u00e3o de aproveitamento dos recursos e da sinergia entre esp\u00e9cies. Tomando como exemplo os animais de uma fazenda, vacas e b\u00fafalos pastam com a l\u00edngua e se aproveitam do capim mais alto; cavalos, cabras e ovelhas, animais que pastam com os dentes, aproveitam como alimento o capim mais baixo. Os porcos posteriormente se alimentam das ra\u00edzes e revolvem a terra, deixando o solo pronto para um novo plantio, preferencialmente como um cons\u00f3rcio de culturas.\u00a0Al\u00e9m do que, em um sistema como esse, o esterco que um animal gera acaba alimentando outros. Vacas adoram o esterco de porcos e galinhas, e as galinhas se beneficiam do esterco de porcos. Em fazendas que exploram vacas leiteiras, o soro do leite serve para a alimenta\u00e7\u00e3o de porcos. Os sistemas podem interagir de modo a evitar desperd\u00edcios e, embora santu\u00e1rios de animais n\u00e3o os explorem, h\u00e1 boas li\u00e7\u00f5es para se aprender de tais sistemas.<\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio de cria\u00e7\u00f5es \u00e9 pr\u00e1tica bastante comum, por exemplo, na piscicultura. Peixes de diferentes esp\u00e9cies possuem h\u00e1bitos alimentares distintos, ent\u00e3o, colocar v\u00e1rias esp\u00e9cies que n\u00e3o se predem, ao mesmo tempo, em um mesmo tanque, possibilita um melhor aproveitamento dos alimentos naturais dispon\u00edveis nos diversos estratos, o que propicia uma maior produtividade.<\/p>\n<p>As principais esp\u00e9cies cultivadas por essa pr\u00e1tica e seus h\u00e1bitos alimentares s\u00e3o a carpa comum (alimenta-se de pequenos vermes, minhocas e moluscos que vivem no fundo dos tanques, entre outros alimentos), o pacu (on\u00edvoro), a carpa capim (herb\u00edvora), a carpa prateada (alimenta-se de fitopl\u00e2ncton), a carpa cabe\u00e7a-grande (alimenta-se de zoopl\u00e2ncton), o curimbat\u00e1 (alimenta-se de lodo) e a til\u00e1pia (alimenta-se de pl\u00e2ncton e detritos). Consumindo alimentos diferentes, e sendo esp\u00e9cies que n\u00e3o se atacam mutuamente, o piscicultor tende a cri\u00e1-las juntas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas intera\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies de peixes, muitos criadores consorciam cria\u00e7\u00f5es de animais de fazenda (principalmente porcos) e aves de granja com a piscicultura. Nesse tipo de cons\u00f3rcio, os su\u00ednos ou as aves s\u00e3o criados em galp\u00f5es sobre ou pr\u00f3ximos dos viveiros de peixes, e todo o material, fezes e urina, al\u00e9m dos restos de ra\u00e7\u00e3o, escoa pela pocilga ou pelo galinheiro diretamente para dentro dos viveiros, para aproveitamento dos peixes.<\/p>\n<p>O esterco das aves \u00e9 especialmente \u00f3timo para produzir pl\u00e2ncton nesses viveiros. No caso das aves aqu\u00e1ticas, seus comedouros podem ser colocados bem pr\u00f3ximos \u00e0s margens ou sobre uma ilha artificial de madeira ou tela dentro do viveiro. Essas provid\u00eancias evitam o desperd\u00edcio de ra\u00e7\u00e3o, pois os restos que caem na \u00e1gua tamb\u00e9m ser\u00e3o aproveitados pelos peixes. Al\u00e9m de adubar os viveiros, as aves intensificam a oxigena\u00e7\u00e3o por meio do movimento de ondula\u00e7\u00e3o das \u00e1guas.<\/p>\n<p><strong>Cons\u00f3rcios de culturas<\/strong><\/p>\n<p>Consiste em uma t\u00e9cnica de cultivo de diferentes esp\u00e9cies vegetais em uma mesma \u00e1rea, ao mesmo tempo, potencializando o aproveitamento dos recursos do solo e mantendo e melhorando suas propriedades. O plantio e a colheita dos diferentes cultivos podem ser no mesmo dia ou escalonado.<\/p>\n<p>V\u00e1rias s\u00e3o as formas de se consorciar lavouras, com diferentes vantagens para a produ\u00e7\u00e3o, principalmente a m\u00e9dio e longo prazos. Nesse caso, a escolha das esp\u00e9cies deve obedecer a certos crit\u00e9rios, mas j\u00e1 h\u00e1 sistemas bem conhecidos comprovando vantagens para todas as esp\u00e9cies envolvidas.<\/p>\n<p>O milho \u00e9 um alimento importante para a manuten\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias cria\u00e7\u00f5es animais, al\u00e9m do pr\u00f3prio ser humano. Al\u00e9m do gr\u00e3o, a planta e a palha podem ser aproveitadas como forragem. Conv\u00e9m, portanto, que esta cultura seja praticada na propriedade de qualquer santu\u00e1rio. Mas em um sistema de monocultura, a produ\u00e7\u00e3o do milho tende a demandar muitos recursos, especialmente no que se refere \u00e0 aduba\u00e7\u00e3o e ao uso de pesticidas. Pode-se, por\u00e9m, cultivar o milho consorciado a outros vegetais, especialmente aqueles da fam\u00edlia das leguminosas (cons\u00f3rcio milho-leguminosas), que tem a capacidade de fixar o nitrog\u00eanio. Da\u00ed serem comuns as ro\u00e7as que consorciam o milho aos diferentes tipos de feij\u00f5es, \u00e0 soja, ao amendoim, \u00e0 crotal\u00e1ria etc.<\/p>\n<p>Nos casos de santu\u00e1rios de animais que pastam, h\u00e1 possibilidade de que o milho e a leguminosa sejam consorciados com capim braqui\u00e1ria (cons\u00f3rcio milho-braqui\u00e1ria). Como o capim se desenvolve de forma mais lenta que o milho e a leguminosa, ele s\u00f3 come\u00e7ar\u00e1 a se desenvolver plenamente ap\u00f3s a colheita dos gr\u00e3os. Portanto, a mesma \u00e1rea de onde foram colhidos os gr\u00e3os ainda servir\u00e1 de pasto para os animais.<\/p>\n<p>Em outras situa\u00e7\u00f5es, o cons\u00f3rcio milho-leguminosa pode ainda integrar uma planta\u00e7\u00e3o de mandiocas ou de bananas, formando cons\u00f3rcios mais complexos, sendo que os animais se beneficiam nas sobras de todas essas culturas.\u00a0Outros gr\u00e3os podem ser ainda integrados em arranjos de cons\u00f3rcios de culturas que gerem ao mesmo tempo renda para a propriedade e alimento para os animais (cons\u00f3rcios de algod\u00e3o, amendoim, gergelim, milho, arroz, feij\u00e3o e muitas outras culturas).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de gerar renda para a propriedade e alimento para os animais, esses sistemas potencializam a produ\u00e7\u00e3o dos solos, mantendo e melhorando suas propriedades f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas, e diminuem a incid\u00eancia de doen\u00e7as, pragas e ervas daninhas.<\/p>\n<p><strong>Sistemas de intera\u00e7\u00e3o lavoura-ind\u00fastria-pecu\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Nesse sistema, al\u00e9m da intera\u00e7\u00e3o entre os animais e a lavoura (onde os animais se beneficiam das sobras de cultura e forrageiras e a lavoura se beneficia com sua aduba\u00e7\u00e3o), h\u00e1 a intera\u00e7\u00e3o com uma ind\u00fastria que beneficia os produtos da lavoura (como frutas, mandioca, milho, feij\u00e3o, arroz, algod\u00e3o, amendoim e gergelim), sendo que os animais se aproveitam das sobras dos processos e a ind\u00fastria pode, por exemplo, se aproveitar do metano gerado pelos animais.<\/p>\n<p>Esse sistema, al\u00e9m de trazer os benef\u00edcios do cons\u00f3rcio de culturas para a alimenta\u00e7\u00e3o dos animais, agrega maior valor aos produtos que ser\u00e3o vendidos, fortalecendo o santu\u00e1rio economicamente.<\/p>\n<p><strong>Rizipiscicultura<\/strong><\/p>\n<p>A rizipiscicultura \u00e9 uma pr\u00e1tica ancestral asi\u00e1tica de cria\u00e7\u00e3o de peixes em tanques de cultivo de arroz irrigado. Nesse sistema, o peixe limpa o solo entre um ciclo de cultivo e outro, recicla a mat\u00e9ria org\u00e2nica e consome sementes de plantas invasoras e larvas de insetos, caramujo, bicheira da raiz do arroz e restos de lavouras anteriores que podem ser focos de fungos. Os peixes n\u00e3o consomem as plantas de arroz plantadas, n\u00e3o prejudicando a cultura em si. Pelo contr\u00e1rio, nessa forma de cultivo os peixes diminuem a necessidade de investimentos com insumos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Embora santu\u00e1rios de animais n\u00e3o devam explorar animais, inclusive peixes, a rizipiscicultura \u00e9 uma forma vantajosa de se produzir arroz e forragens para um santu\u00e1rio de animais. Al\u00e9m disso, um santu\u00e1rio de aves aqu\u00e1ticas, ou de b\u00fafalos d\u2019 \u00e1gua, tartarugas tigre-d\u2019\u00e1gua, capivaras, ou de antas, se beneficiaria bastante com adapta\u00e7\u00f5es desse sistema. Todos esses s\u00e3o animais com afinidade por \u00e1reas banhadas.<\/p>\n<p>No caso de marrecos, j\u00e1 h\u00e1 experi\u00eancia milenar com sua integra\u00e7\u00e3o ao sistema na \u00c1sia. A pr\u00e1tica vem sendo utilizada no Brasil, desde a d\u00e9cada de 1980 na regi\u00e3o sul, onde as aves s\u00e3o verdadeiros predadores de pragas que atacam as planta\u00e7\u00f5es de arroz, como insetos, caramujos, arroz-vermelho, bicheira-da-raiz e plantas invasoras, ao mesmo tempo que espalham seu adubo pelo arrozal. Um santu\u00e1rio de marrecos se beneficiaria bastante do sistema, pois 30 marrecos poderiam ser mantidos a cada um hectare de arroz plantado, sem necessidade de alimenta\u00e7\u00e3o complementar e investimentos maiores na lavoura.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas, h\u00e1 v\u00e1rias outras formas de intera\u00e7\u00e3o agricultura-aquicultura que diminuiriam significativamente os custos com a manuten\u00e7\u00e3o de um santu\u00e1rio de animais.<\/p>\n<p><strong>Sistema agrossilvipastoril<\/strong><\/p>\n<p>Os sistemas agrossilvipastoris, ou sistemas agroflorestais (SAFs), s\u00e3o sistemas de produ\u00e7\u00e3o que combinam a cria\u00e7\u00e3o de animais (bovinos, equinos, ovinos e caprinos), com a utiliza\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies agr\u00edcolas (lavouras e pastagens) e florestais (ex\u00f3ticas e nativas) numa mesma \u00e1rea, de maneira simult\u00e2nea ou escalonada no tempo. Esse sistema traz a vantagem de promover o aumento ou a manuten\u00e7\u00e3o da produtividade, com conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e a utiliza\u00e7\u00e3o m\u00ednima de insumos.<\/p>\n<p>Nesse sistema, as \u00e1rvores agem como quebra-vento, mantendo a umidade do solo, aumentando a fixa\u00e7\u00e3o e ciclagem de nutrientes, restaurando as propriedades qu\u00edmicas, f\u00edsicas e microbiol\u00f3gicas do solo, melhorando a qualidade da cultura agr\u00edcola ou pasto e proporcionando sombra aos animais. Um santu\u00e1rio de animais teria muito que se beneficiar com a implanta\u00e7\u00e3o de tal sistema.<\/p>\n<p>Dependendo da escolha de \u00e1rvores a serem cultivadas, essas poderiam ser fornecedoras de madeira ou outros produtos florestais n\u00e3o madeireiros (resinas, l\u00e1tex, gomas, fibras, cip\u00f3s, \u00f3leos essenciais, sementes, frutas, bagas, castanhas, nozes, temperos, plantas ornamentais, plantas medicinais, tinturas, taninos, rattan, bambu etc.), funcionando como importante fonte de renda para o santu\u00e1rio.<\/p>\n<p>Agroflorestas, apesar da grande presen\u00e7a de \u00e1rvores ex\u00f3ticas, s\u00e3o boas formas de manuten\u00e7\u00e3o da qualidade ambiental e da produtividade da terra. Visualizo uma agrofloresta diversificada, cujos vegetais em sua variedade produzam boa renda para a propriedade e visualizo tamb\u00e9m animais que costumam ser explorados em outros sistemas vivendo de forma plena nessa agrofloresta, o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel de sua condi\u00e7\u00e3o natural e em perfeita harmonia com o sistema.<\/p>\n<p>Um sistema agroflorestal tradicional existente no centro-sul do Paran\u00e1 \u00e9 o sistema faxinal, onde as terras s\u00e3o divididas em dois grandes e diferentes grupos:<\/p>\n<p>No primeiro grupo est\u00e3o as \u00e1reas de uso privado das fam\u00edlias, destinadas \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de produtos agr\u00edcolas, como feij\u00e3o, mandioca, batata-doce, amendoim, milho e centeio, entre outras, tanto para subsist\u00eancia quanto para venda de excedentes.<\/p>\n<p>No segundo grupo est\u00e3o as terras comuns \u00e0 comunidade, espa\u00e7o cont\u00ednuo e sem divis\u00f5es por onde circulam os animais de todas as fam\u00edlias, se misturando. Nessas \u00e1reas tamb\u00e9m s\u00e3o plantadas \u00e1rvores que servem aos prop\u00f3sitos da comunidade, especialmente arauc\u00e1rias, que fornecem madeira e pinh\u00e3o, e erva-mate.<\/p>\n<p>Um santu\u00e1rio de animais que abrigasse v\u00e1rias fam\u00edlias poderia fazer uso de sistema semelhante, onde cada fam\u00edlia teria sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de subsist\u00eancia, mas ao mesmo tempo uma \u00e1rea comum de florestas com animais (onde os produtos florestais fossem bem comum da comunidade e os animais n\u00e3o tivessem mais status de propriedade).<\/p>\n<p>Muitos outros sistemas de explora\u00e7\u00e3o animal devem ser conhecidos por aqueles que pretendem manter santu\u00e1rios de animais, pois muitos desses sistemas se aproximam bastante da sustentabilidade ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica e, embora um santu\u00e1rio de animais jamais deva ver animais como recursos, a \u00e1rea como um todo pode sim ser fonte de renda. Santu\u00e1rios de animais devem fugir \u00e0 sina de sumidouros de recursos e devem buscar a sustentabilidade.<\/p>\n<p><em>Fonte: <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.veggietal.com.br\/sustentabilidade-santuarios-animais\/\" >Veggi e Tal<\/a><\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/22\/05\/2014\/sustentabilidade-santuarios-animais\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santu\u00e1rios de animais s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es e\/ou pessoas que mant\u00eam animais sob sua cust\u00f3dia, nas melhores condi\u00e7\u00f5es poss\u00edveis e pelo tempo de suas vidas, mas n\u00e3o permitem sua reprodu\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o exploram esses animais de forma alguma (seja negociando animais ou suas partes, seja exibindo os animais ou entretendo pessoas \u00e0 sua custa).<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-43169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43169"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43169\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}