{"id":44547,"date":"2014-07-14T12:00:50","date_gmt":"2014-07-14T11:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=44547"},"modified":"2015-05-05T21:33:40","modified_gmt":"2015-05-05T20:33:40","slug":"portugues-quando-jerusalem-2014-faz-lembrar-berlim-1933","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/07\/portugues-quando-jerusalem-2014-faz-lembrar-berlim-1933\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Quando Jerusal\u00e9m-2014 Faz Lembrar Berlim-1933"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Berlin-1933-gaza-2014.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-44548\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Berlin-1933-gaza-2014.jpg\" alt=\"Berlin-1933 gaza 2014\" width=\"485\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Berlin-1933-gaza-2014.jpg 485w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/Berlin-1933-gaza-2014-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 485px) 100vw, 485px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Jornalista israelense escreve: cen\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o iguais, mas surto de \u00f3dio antipalestino estimulado por Telaviv envergonha hist\u00f3ria judaica<\/em><\/p>\n<p><em>Os velhos jornais no Ocidente n\u00e3o ter\u00e3o coragem de publicar essa mat\u00e9ria. Cr\u00edticas muito duras ao governo israelense v\u00eam da pr\u00f3pria imprensa liberal do pa\u00eds. Precisam ser conhecidas, para que setores interessados em paz e justi\u00e7a no Oriente M\u00e9dio saibam que podem encontrar apoio em importantes setores da sociedade israelense. Talvez estejam ainda ap\u00e1ticos, por se sentirem isolados em meio \u00e0 manada que segue a propaganda oficial e a m\u00eddia, hegemonizada pelos setores mais sect\u00e1rios (o di\u00e1rio <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.haaretz.com\/\" >Haaretz<\/a><\/em><em>, onde foi publicado o texto a seguir tem 10% dos leitores; os demais jornais s\u00e3o controlados por magnatas estrangeiros da m\u00eddia conservadora).\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O artigo faz analogias entre o ambiente de histeria em Israel, estimulado de forma oportunista por pol\u00edticos da direita, e o que a Alemanha respirou, nos est\u00e1gios iniciais do nazismo. A publica\u00e7\u00e3o de artigos como esse em Israel, embora chocantes, pode ser vista com esperan\u00e7a de que setores existentes na pr\u00f3pria sociedade israelense poder\u00e3o, um dia, virar o jogo. Mas isso s\u00f3 ocorrer\u00e1 se houver tamb\u00e9m forte press\u00e3o internacional.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Trata-se de salvar Israel do fascismo, do isolamento internacional, e de estabelecer entre este pa\u00eds e os palestinos bases para um futuro de paz e boa vizinhan\u00e7a, \u00fanica forma de ambos escaparem da trag\u00e9dia humanit\u00e1ria que avan\u00e7a no Oriente M\u00e9dio. (<strong>S\u00e9rgio Storch<\/strong>)<\/em><\/p>\n<p>Em 9 de mar\u00e7o de 1933, os paramilitares camisas-marrons da <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sturmabteilung\" >SA<\/a> nazista lan\u00e7aram uma ofensiva. \u201cEm diversas partes de Berlim, um grande n\u00famero de pessoas, a maioria das quais aparentemente judias, foi atacado abertamente nas ruas e golpeado. Algumas foram feridas gravemente. A pol\u00edcia pode apenas recolh\u00ea-las e lev\u00e1-las ao hospital\u201d, relatou o jornal londrino <em>The Guardian<\/em>. \u201cOs judeus foram espancados pelos camisas-marrons at\u00e9 sangrar nas faces e cabe\u00e7as\u201d, prosseguiu o jornal. \u201cDiante de meus olhos, paramilitares, babando como bestas hist\u00e9ricas, perseguiram um homem em plena luz do dia e o chicoteavam\u201d, escreveu Walter Gyssling, no jornal.<\/p>\n<p>Sei que voc\u00ea ultrajou-se antes mesmo de chegar ao final do par\u00e1grafo anterior. \u201cComo ele ousa comparar incidentes isolados em Israel com a Alemanha nazista?\u201d, voc\u00ea est\u00e1 pensando. \u201cIsso \u00e9 uma banaliza\u00e7\u00e3o ofensiva do Holocausto\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que voc\u00ea tem raz\u00e3o. Minha inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tra\u00e7ar um paralelo. Meus pais perderam, ambos, suas fam\u00edlias, durante a II Guerra Mundial. N\u00e3o preciso ser convencido de que o Holocausto \u00e9 um crime t\u00e3o \u00fanico que figura de modo destacado, mesmo nos anais de outros genoc\u00eddios premeditados.<\/p>\n<p>Mas sou um judeu e h\u00e1 cenas no Holocausto que est\u00e3o gravadas indelevelmente em minha mente, ainda que n\u00e3o estivesse vivo \u00e0 \u00e9poca. Quando assisti v\u00eddeos e vi imagens de gangues de judeus racistas de direita marchando pelas ruas de Jerusal\u00e9m, cantando \u201cMorte aos \u00c1rabes\u201d, ca\u00e7ando \u00e1rabes aleatoriamente, identificando-os por sua apar\u00eancia ou sotaque, perseguindo-os em plena luz do dia, \u201cbabando como bestas hist\u00e9ricas\u201d e golpeando-os antes que a pol\u00edcia pudesse chegar, a associa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica foi autom\u00e1tica. Foi o que primeiro saltou \u00e0 mente. Deveria ser, penso, a primeira coisa a saltar \u00e0 mente de qualquer judeu.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que Israel de 2014 n\u00e3o \u00e9 \u201cO Jardim das Bestas\u201d, express\u00e3o que Erik Larson usou para descrever, em <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/In_the_Garden_of_Beasts\" >seu livro<\/a>, a Alemanha de 1933. O governo de Telaviv n\u00e3o \u00e9 tolerante com o vigilantismo ou os g\u00e2ngsters, como foram os nazistas por algum tempo, antes que os alem\u00e3es come\u00e7assem a se queixar de desordem nas ruas e dos danos \u00e0 reputa\u00e7\u00e3o internacional de Berlim. N\u00e3o tenho duvidas de que a pol\u00edcia far\u00e1 todo o poss\u00edvel para prender os assassinos do garoto palestino cujo corpo calcinado foi encontrado numa floresta de Jerusal\u00e9m. At\u00e9 rezo para descobrirem que o assassinato n\u00e3o foi um crime de \u00f3dio [Em 6\/7, a pol\u00edcia israelense <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2014\/jul\/07\/reported-confessions-israel-mohammed-abu-khdeir-killing\" >prendeu<\/a>, de fato, pessoas \u2013 judeus ortodoxos de extrema-direita \u2013 que confessaram a autoria do crime, evidentemente motivado por \u00f3dio e racismo (Nota da Tradu\u00e7\u00e3o)].<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o nos enganemos. As gangues de valent\u00f5es judeus promovendo ca\u00e7adas humanas n\u00e3o s\u00e3o uma aberra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foi um acesso incontrol\u00e1vel e \u00fanico de raiva, que se seguiu \u00e0 descoberta dos corpos de tr\u00eas estudantes sequestrados. Seu \u00f3dio inflamado n\u00e3o existe num v\u00e1cuo. \u00c9 uma presen\u00e7a marcante, que cresce a cada dia, engolfando setores cada vez mais amplos da sociedade israelense, alimentada num ambiente de ressentimento, isolamento e auto-vitimiza\u00e7\u00e3o, impulsionado por pol\u00edticos e \u201cespecialistas\u201d \u2013 alguns c\u00ednicos, outros sinceros \u2013 que se cansaram da democracia e suas brechas e que anseiam por ver a imagem de Israel associada a um \u00fanico Estado, uma \u00fanica na\u00e7\u00e3o e, em algum ponto desta espiral descendente, um \u00fanico L\u00edder.<\/p>\n<p>Em apenas 24 horas, uma p\u00e1gina do Facebook convocando \u201crevanche\u201d pelos assassinatos dos tr\u00eas garotos sequestrados recebeu dezenas de milhares de \u201ccurtidas\u201d, e encheu-se de centenas de apelos expl\u00edcitos para matar \u00e1rabes, onde quer que estejam. Outra p\u00e1gina, pedindo a execu\u00e7\u00e3o de \u201cextremistas de esquerda\u201d, alcan\u00e7ou quase dez mil \u201clikes\u201d, em dois dias. Al\u00e9m disso, in\u00fameros textos na web e nas m\u00eddias sociais est\u00e3o inundados de coment\u00e1rios dos leitores vomitando o pior tipo de bile racista e pedindo morte, destrui\u00e7\u00e3o e genoc\u00eddio.<\/p>\n<p>Estes sentimentos foram ecoados nos \u00faltimos dias, ainda que em termos um pouco mais velados, por membros do Knesset [o Parlamento israelense], que citam versos da Torah sobre o Deus da Vingan\u00e7a e sua ordem de exterm\u00ednio dos amalequitas. David Rubin, que descreve a si mesmo como ex-prefeito de Shiloh, foi mais expl\u00edcito: em um artigo publicado no <em>Israel National News<\/em>, ele escreveu: \u201cUm inimigo \u00e9 um inimigo e a \u00fanica maneira de vencer esta guerra \u00e9 destruir o inimigo, sem levar excessivamente em conta quem \u00e9 soldado e quem \u00e9 civil. N\u00f3s, judeus, atiraremos primeiro nossas bombas sobre alvos militares, mas n\u00e3o h\u00e1, em absoluto, necessidade de nos sentirmos culpados por arruinarmos as vidas, matarmos ou ferirmos civis inimigos que s\u00e3o, quase sempre, apoiadores do Fatah ou do Hamas\u201d.<\/p>\n<p>Pairando sobre tudo isso est\u00e3o o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu governo, que insistem em descrever o conflito com os palestinos em tons rudes de \u201cpreto e branco\u201d, \u201cbem contra o mal\u201d; que descrevem os advers\u00e1rios de Israel como incorrig\u00edveis e irredim\u00edveis; que nunca demonstraram o m\u00ednimo sinal de empatia ou compreens\u00e3o, diante das reivindica\u00e7\u00f5es de um povo que vive sob ocupa\u00e7\u00e3o israelense por meio s\u00e9culo; que fazem pronunciamentos voltados a desumanizar os palestinos aos olhos do p\u00fablico israelense; que perpetuam o sentimento p\u00fablico de isolamento e injusti\u00e7a; e que, portanto, est\u00e3o abrindo caminho para ondas de \u00f3dio homicida que come\u00e7aram a emergir.<\/p>\n<p>Algumas pessoas ensaiar\u00e3o um paralelo entre a terr\u00edvel viol\u00eancia de direita que varreu Israel depois dos Acordos de Oslo e a mar\u00e9 crescente de racismo. Em ambas, est\u00e1 implicado o premi\u00ea Netanyahu. De seus discursos virulentos na Pra\u00e7a Sion contra o governo da \u00e9poca ao assassinato de <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Yitzhak_Rabin\" >Yitzhak Rabin<\/a>; e de sua ret\u00f3rica antipalestina \u00e1spera \u00e0 explos\u00e3o horr\u00edvel de racismo hoje.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 uma resposta f\u00e1cil demais. N\u00e3o basta culpar Netanyahu, sem questionar o resto de n\u00f3s, Judeus em Israel ou na Di\u00e1spora, os que fecham os olhos e os que desviam o olhar, os que retratam os palestinos como monstros desumanos e os que veem qualquer autocr\u00edtica como um ato de trai\u00e7\u00e3o judaica.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o certamente \u00e9 v\u00e1lida: a m\u00e1xima de Edmund Burke \u2013 \u201cPara o triunfo [do mal], basta que os homens bons nada fa\u00e7am\u201d \u2013 era correta em Berlim no in\u00edcio dos anos 1930 e permanece verdadeira em Israel. Se nada for feito para reverter a mar\u00e9, o mal certamente triunfar\u00e1 \u2013 e n\u00e3o ser\u00e1 preciso esperar muito.<\/p>\n<p>____________________________<\/p>\n<p><em>Originalmente publicado no Haaretz de Israel.<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Antonio Martins.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/capa\/quando-jerusalem-2014-faz-lembrar-berlim-1933\/\" >Go to Original \u2013 outraspalavras.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o de artigos como esse em Israel, embora chocantes, pode ser vista com esperan\u00e7a de que setores existentes na pr\u00f3pria sociedade israelense poder\u00e3o, um dia, virar o jogo. 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