{"id":45003,"date":"2014-08-04T12:00:39","date_gmt":"2014-08-04T11:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=45003"},"modified":"2015-05-05T21:30:47","modified_gmt":"2015-05-05T20:30:47","slug":"portugues-galeano-pouca-palestina-resta-pouco-a-pouco-israel-esta-apagando-a-do-mapa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/08\/portugues-galeano-pouca-palestina-resta-pouco-a-pouco-israel-esta-apagando-a-do-mapa\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Galeano: Pouca Palestina Resta. Pouco a Pouco, Israel Est\u00e1 Apagando-a do Mapa"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde 1948, os palestinos vivem condenados \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. N\u00e3o podem sequer respirar sem autoriza\u00e7\u00e3o. T\u00eam perdido a sua p\u00e1tria, as suas terras, a sua \u00e1gua, a sua liberdade, tudo. Nem sequer t\u00eam direito a eleger os seus governantes.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/israel-palestina-mapa1_0.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-45004\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/israel-palestina-mapa1_0.jpg\" alt=\"israel-palestina-mapa1_0\" width=\"495\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/israel-palestina-mapa1_0.jpg 495w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/israel-palestina-mapa1_0-300x186.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/><\/a>Para justificar-se, o terrorismo de Estado fabrica terroristas: semeia \u00f3dio e colhe \u00e1libis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo os seus autores quer acabar com os terroristas, conseguir\u00e1 multiplic\u00e1-los.<\/p>\n<p>Desde 1948, os palestinos vivem condenados \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. N\u00e3o podem nem sequer respirar sem autoriza\u00e7\u00e3o. T\u00eam perdido a sua p\u00e1tria, as suas terras, a sua \u00e1gua, a sua liberdade, tudo. Nem sequer t\u00eam direito a eleger os seus governantes. Quando votam em quem n\u00e3o devem votar, s\u00e3o castigados. Gaza est\u00e1 sendo castigada. Converteu-se numa ratoeira sem sa\u00edda, desde que o Hamas ganhou legitimamente as elei\u00e7\u00f5es em 2006. Algo parecido tinha ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas elei\u00e7\u00f5es de El Salvador.<\/p>\n<p>Banhados em sangue, os habitantes de El Salvador expiaram a sua m\u00e1 conduta e desde ent\u00e3o viveram submetidos a ditaduras militares. A democracia \u00e9 um luxo que nem todos merecem. S\u00e3o filhos da impot\u00eancia os rockets caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desleixada pontaria sobre as terras que tinham sido palestinas e que a ocupa\u00e7\u00e3o israelense usurpou. E o desespero, \u00e0 orla da loucura suicida, \u00e9 a m\u00e3e das amea\u00e7as que negam o direito \u00e0 exist\u00eancia de Israel, gritos sem nenhuma efic\u00e1cia, enquanto a muito eficaz guerra de exterm\u00ednio est\u00e1 a negar, desde h\u00e1 muitos anos, o direito \u00e0 exist\u00eancia da Palestina. J\u00e1 pouca Palestina resta. Pouco a pouco, Israel est\u00e1 a apag\u00e1-la do mapa.<\/p>\n<p>Os colonos invadem, e, depois deles, os soldados v\u00e3o corrigindo a fronteira. As balas sacralizam o despojo, em leg\u00edtima defesa. N\u00e3o h\u00e1 guerra agressiva que n\u00e3o diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Pol\u00f4nia para evitar que a Pol\u00f4nia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro peda\u00e7o da Palestina, e os almo\u00e7os continuam. O repasto justifica-se pelos t\u00edtulos de propriedade que a B\u00edblia outorgou, pelos dois mil anos de persegui\u00e7\u00e3o que o povo judeu sofreu, e pelo p\u00e2nico que geram os palestinos \u00e0 espreita. Israel \u00e9 o pa\u00eds que jamais cumpre as recomenda\u00e7\u00f5es nem as resolu\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o que nunca acata as senten\u00e7as dos tribunais internacionais, o que escarnece das leis internacionais, e \u00e9 tamb\u00e9m o \u00fanico pa\u00eds que tem legalizado a tortura de prisioneiros.<\/p>\n<p>Quem lhe presenteou o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel est\u00e1 a executar a matan\u00e7a em Gaza? O governo espanhol n\u00e3o p\u00f4de bombardear impunemente o Pa\u00eds Basco para acabar com a ETA, nem o governo brit\u00e2nico p\u00f4de arrasar Irlanda para liquidar a IRA. Talvez a trag\u00e9dia do Holocausto implique uma ap\u00f3lice de eterna impunidade? Ou essa luz verde vem da pot\u00eancia &#8216;manda chuva&#8217; que tem em Israel o mais incondicional dos seus vassalos? O ex\u00e9rcito israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. N\u00e3o mata por erro. Mata por horror. As v\u00edtimas civis chamam-se danos colaterais, segundo o dicion\u00e1rio de outras guerras imperiais.<\/p>\n<p>Em Gaza, de cada dez danos colaterais, tr\u00eas s\u00e3o meninos. E somam milhares os mutilados, v\u00edtimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a ind\u00fastria militar est\u00e1 a ensaiar com \u00eaxito nesta opera\u00e7\u00e3o de limpeza \u00e9tnica. E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Por cada cem palestinos mortos, um israelita. Gente perigosa, adverte o outro bombardeamento, a cargo dos meios massivos de manipula\u00e7\u00e3o, que nos convidam a achar que uma vida israelense vale tanto como cem vidas palestinianas. E esses meios tamb\u00e9m nos convidam a achar que s\u00e3o humanit\u00e1rias as duzentas bombas at\u00f4micas de Israel, e que uma pot\u00eancia nuclear chamada Ir\u00e3 foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.<\/p>\n<p>A chamada comunidade internacional, existe? \u00c9 algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? \u00c9 algo mais que o nome art\u00edstico que os Estados Unidos assumem quando fazem teatro? Ante a trag\u00e9dia de Gaza, a hipocrisia mundial destaca-se uma vez mais. Como sempre, a indiferen\u00e7a, os discursos vazios, as declara\u00e7\u00f5es ocas, as declama\u00e7\u00f5es altissonantes, as posturas amb\u00edguas, rendem tributo \u00e0 sagrada impunidade. Ante a trag\u00e9dia de Gaza, os pa\u00edses \u00e1rabes lavam as m\u00e3os. Como sempre. E como sempre, os pa\u00edses europeus esfregam as m\u00e3os.<\/p>\n<p>A velha Europa, t\u00e3o capaz de beleza e de perversidade, derrama uma ou outra l\u00e1grima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a ca\u00e7a aos judeus foi sempre um costume europeu, mas desde h\u00e1 meio s\u00e9culo essa d\u00edvida hist\u00f3rica est\u00e1 a ser cobrada dos palestinos, que tamb\u00e9m s\u00e3o semitas e que nunca foram, nem s\u00e3o, antissemitas. Eles est\u00e3o a pagar, em sangue, na pele, uma conta alheia.<\/p>\n<p><em>(Este artigo \u00e9 dedicado aos meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latino americanas que Israel assessorou)<\/em><\/p>\n<p>_________________________________<\/p>\n<p><em>Eduardo Galeano \u00e9 um escritor e jornalista uruguaio.<\/em><\/p>\n<p><em>Artigo publicado no <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.sinpermiso.info\" >Sin Permiso<\/a><\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Mariana Carneiro.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.esquerda.net\/artigo\/eduardo-galeano-ja-pouca-palestiniana-resta-pouco-pouco-israel-esta-apaga-la-do-mapa\/33472\" >Go to Original \u2013 esquerda.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 1948, os palestinos vivem condenados \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. N\u00e3o podem sequer respirar sem autoriza\u00e7\u00e3o. T\u00eam perdido a sua p\u00e1tria, as suas terras, a sua \u00e1gua, a sua liberdade, tudo. Nem sequer t\u00eam direito a eleger os seus governantes.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-45003","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45003","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45003"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45003\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45003"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45003"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45003"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}