{"id":46048,"date":"2014-08-18T12:00:13","date_gmt":"2014-08-18T11:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=46048"},"modified":"2015-05-05T21:30:43","modified_gmt":"2015-05-05T20:30:43","slug":"portugues-um-lugar-na-tua-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/08\/portugues-um-lugar-na-tua-alma\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Um Lugar na Tua Alma"},"content":{"rendered":"<p>Fui morar em Caruaru aos seis meses de idade e sa\u00ed de l\u00e1 aos 13 anos, para s\u00f3 voltar em esparsas visitas. Minha introdu\u00e7\u00e3o ao mundo deu-se nessa cidade do agreste pernambucano: os primeiros odores, sons, cores, paladares, texturas. Primeiros conv\u00edvios, primeira professora, primeira queda de bicicleta, primeiros amigos profundos (Maria Laura e Z\u00e9 Luiz), primeiro alumbramento com a festa de S\u00e3o Jo\u00e3o. \u00a0Acontecia na minha rua e adjac\u00eancias, sem caixas de som, sem marketing. E n\u00e3o precisava disso para ser a maior festa do mundo. \u00a0A Caruaru do trem \u2013 janela do mundo a mostrar-me cercas de avel\u00f3s, esta\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias pinturescas, canaviais, at\u00e9 chegar ao litoral, onde me identifiquei para sempre com o mar.<\/p>\n<p>Caruaru era, ent\u00e3o \u201ccidade pequena, por\u00e9m decente\u201d. Tornou-se uma indec\u00eancia como todas as pequenas cidades brasileiras que viraram travestis de metr\u00f3pole. Hoje, \u00e9 grande, com indicadores de progresso do bom e do ruim: centro educacional e cultural e repeteco de inseguran\u00e7a e imobilidades urbanas. A cada visita, menos a cidade \u00e9 minha.\u00a0\u00a0 \u00c9 como se a de hoje e a de ontem fossem cidades distintas, apenas xar\u00e1s.\u00a0 Mas a \u201cminha\u201d Caruaru n\u00e3o \u00e9 apenas \u201cuma fotografia na parede\u201d, como a nost\u00e1lgica Itabira de Drummond. \u00c9 um marco dentro de mim e n\u00e3o d\u00f3i. D\u00e1 gosto de lembrar. Referenciais ainda de p\u00e9 na Caruaruzona, que n\u00e3o \u00e9 o pa\u00eds vislumbrado por Nelson Barbalho: o irremov\u00edvel monte do Bom Jesus, a Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria, meu playground na inf\u00e2ncia, onde andei de carro de linha e de trolley de vara; a fachada do Col\u00e9gio Diocesano, lembrando o antigo \u201cCol\u00e9gio de dr. Luiz\u201d (Col\u00e9gio de Caruaru), onde estudei.\u00a0 Como alucina\u00e7\u00e3o, a mem\u00f3ria da catedral monstruosamente demolida para dar lugar a substituta modernosa e sem raiz, o que fez minha m\u00e3e n\u00e3o mais querer visit\u00e1-la.<\/p>\n<p>A vida n\u00e3o anda para tr\u00e1s. Sustenta-me a assertiva de Marc Chagall: \u201cS\u00f3 \u00e9 meu o lugar que se encontra na minha alma\u201d. E n\u00e3o \u00e9 a Caruaru de hoje. Quais lugares se encontram na tua alma?<\/p>\n<p>Este texto \u00e9 dedicado a caruaruenses da gema: Val\u00e9ria Barbalho, Malude Maciel e Irm\u00e3os Mastroianni.<\/p>\n<p>______________________________<\/p>\n<p><em>Tereza Halliday, &#8220;Artes\u00e3 de Textos&#8221; \u2013 Prof\u00aa aposentada da UFRPe, <\/em><em>Ph.D. em Comunica\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela University of Maryland-EUA. A<\/em><em>nalista de discurso, jornalista, v\u00e1rios livros publicados, entre ret\u00f3rica e literatura infanto-juvenil. Trabalha com editora\u00e7\u00e3o de textos.<\/em><\/p>\n<p><em>Di\u00e1rio de Pernambuco, 11\/Ago\/2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida n\u00e3o anda para tr\u00e1s. Sustenta-me a assertiva de Marc Chagall: \u201cS\u00f3 \u00e9 meu o lugar que se encontra na minha alma\u201d. E n\u00e3o \u00e9 a Caruaru de hoje. 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