{"id":50793,"date":"2014-12-08T12:39:55","date_gmt":"2014-12-08T12:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=50793"},"modified":"2015-05-05T21:27:12","modified_gmt":"2015-05-05T20:27:12","slug":"portugues-onde-esta-o-no-da-questao-ecologica-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2014\/12\/portugues-onde-esta-o-no-da-questao-ecologica-i\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Onde est\u00e1 o n\u00f3 da quest\u00e3o ecol\u00f3gica (I)?"},"content":{"rendered":"<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><em>Estamos cansados de meio-ambiente. Queremos o ambiente inteiro, vale dizer, uma vis\u00e3o sist\u00eamica do sitema-Terra, do sistema-vida e da civiliza\u00e7\u00e3o humana. <\/em><\/p>\n<p><div id=\"attachment_43416\" style=\"width: 470px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Leonardo_Boff_Wilson-Dias_Abr_0.gif\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-43416\" class=\"wp-image-43416\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Leonardo_Boff_Wilson-Dias_Abr_0.gif\" alt=\"Leonardo Boff\" width=\"460\" height=\"272\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-43416\" class=\"wp-caption-text\">Leonardo Boff<\/p><\/div><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Estamos acostumados ao discurso ambientalista genralizado pela m\u00eddia e pela consci\u00eancia coletiva. Mas importa reconhecer que restringir a ecologia ao ambientalismo \u00e9 incidir em grave reducionismo. N\u00e3o basta uma produ\u00e7\u00e3o de baixo carbono mas mantendo a mesma atitude de explora\u00e7\u00e3o irrespons\u00e1vel dos bens e servi\u00e7os da natureza. Seria como limar os dentes de um lobo com a ilus\u00e3o de tirar a ferocidade dele. Sua ferocidade reside\u00a0 em sua natureza e n\u00e3o nos dentes. Algo semelhante\u00a0 ocorre com o nosso sistema industrialista, produtivista e consumista. \u00c9 de sua natureza tratar a Terra como um balc\u00e3o de mercadorias a serem colocadas no mercado. Temos que superar esta vis\u00e3o caso quisermos alcan\u00e7ar um outro paradigma de rela\u00e7\u00e3o para com a Terra e assim\u00a0 sustar um processo que nos poder levar a um abismo.<\/p>\n<p>Estamos cansados de meio-ambiente. Queremos o ambiente inteiro, vale dizer, uma vis\u00e3o sist\u00eamica do sitema-Terra, do sistema-vida e do sistema-civiliza\u00e7\u00e3o humana, constituindo um grande todo, feito de redes de inerdepend\u00eancias, complementa\u00e7\u00f5es e reciprocidades.<\/p>\n<p>Com raz\u00e3o a Carta da Terra tende a substituir meio-ambiente por comunidade de vida pois a moderna biologia e cosmologia nos ensinam que todos os seres vivos s\u00e3o portadores do mesmo c\u00f3digo gen\u00e9tico de base \u2013 os vinte amino\u00e1cidos e as quatro bases fosfatadas \u2013 desde a bact\u00e9ria mais origin\u00e1ria surgida h\u00e1 3,8 bilh\u00f5es de anos, passando pelas grandes florestas, os dinossauros, os colibris e chegando a n\u00f3s. A combina\u00e7\u00e3o diferenciada desses amino\u00e1cidos com as bases fosfatadas origina a diversidade dos seres vivos. O resultado desta constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que um la\u00e7o de parentesco une todos os viventes, formando, de fato uma comunidade de vida a ser \u201ccuidada com compreens\u00e3o, compaix\u00e3o e amor\u201d(Carta da Terra, n. I, 2). O que Francisco de Assis intu\u00eda em sua m\u00edstica c\u00f3smica, chamando a todos os seres com o doce nome de irm\u00e3os e irm\u00e3s, n\u00f3s o\u00a0 sabemos por um experiento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Entre esses seres vivos ressalta o planeta Terra. A partir dos anos 70 do s\u00e9culo passado se firmou, em grande parte da\u00a0 comunidade cient\u00edfica, primeiro a hip\u00f3tese e a partir de 2001 a teoria de que a Terra n\u00e3o somente possui vida sobre ela. Ela mesma \u00e9 viva, chamada por seu formulador principal James Lovelock e no Brasil por Jos\u00e9 Lutzenberger de Gaia, um dos nomes da mitologia grega para a Terra viva. Ela combina o qu\u00edmico, o f\u00edsico, o ecol\u00f3gico e antropol\u00f3gico de forma t\u00e3o sutil que sempre se torna capaz de produzir e reproduzir vida. Em raz\u00e3o desta constata\u00e7\u00e3o a pr\u00f3pria ONU em 22 de abril de 2009 numa famosa sess\u00e3o geral aprovou por unamidade chamar a Terra de M\u00e3e Terra, Magna Mater e Pachamama.<\/p>\n<p>Vale dizer, ela \u00e9 um super Ente vivo, complexo, por vezes, aos nossos olhos, contradit\u00f3rio (faz conviver a ordem com a desordem) mas sempre geradora de todos os seres, nas suas mais distintas ordens, especialmente \u00e9 gestadora dos seres vivos, maxime, dos seres humanos, homens e mulheres.<\/p>\n<p>Acresce ainda este dado que segundo o bioqu\u00edmico e divulgador\u00a0 de assuntos cient\u00edficos Isaac Asimov, \u00e9 o grande legado das viagens espaciais: a unicidade da Terra e da Humanidade.\u00a0 L\u00e1 de fora, das naves espaciais e da Lua, diz ele e o confirmaram\u00a0 os astronautas, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre ser humano e Terra. Ambos formam uma \u00fanica entidade. Em outras palavras, o ser humano, dotado de intelig\u00eancia, de cuidado e de amor resulta de um momento avan\u00e7ado e altamente complexo da pr\u00f3pria\u00a0 Terra. Esta evoluiu a tal ponto que come\u00e7ou a sentir, a pensar, a amar, a cuidar e a venerar, como j\u00e1 acenava o grande cantador e poeta argentino ind\u00edgena Athaulpa Yupanqui. Eis que irrompeu o ser humano no cen\u00e1rio deste min\u00fasculo planeta Terra. Por isso, diz-se que homem se deriva de humusa: terra boa e f\u00e9rtil; ou adamah\u00a0 em hebraico b\u00edblico: o filho e a filha da terra ar\u00e1vel e fecunda.<\/p>\n<p>Todo esse processo da gesta\u00e7\u00e3o da vida seria imposs\u00edvel se n\u00e3o existisse todo o substrato f\u00edsico-qu\u00edmico (a escala de Medeneleiev) que se formou no cora\u00e7\u00e3o das grandes estrelas vermalhas, h\u00e1 bilh\u00f5es de anos, que explodindo, lan\u00e7aram tais elementos em todas as dire\u00e7\u00f5es, criando as gal\u00e1xias, as estrelas, os planetas, a Terra e n\u00f3s mesmos. Portanto, esta parte que parece inerte, tamb\u00e9m pertence \u00e0 vida, porque sem ela, ontem como hoje, a vida e a humana seriam imposs\u00edveis.<\/p>\n<p>A sustentabilidade \u2013categoria central desta vis\u00e3o \u2013 \u00e9 tudo o que se ordena a manter a exist\u00eancia de todos os seres especialmente os seres vivos e nossa cultura sobre o planeta.<\/p>\n<p>O que concluimos deste r\u00e1pido percurso? Devemos mudar nosso olhar sobre a Terra, a natureza e sobre n\u00f3s mesmos. Ela \u00e9 nossa grande m\u00e3e que como\u00a0 nossas m\u00e3es merece respeito e venera\u00e7\u00e3o. Quer dizer, conhecer\u00a0 e respeitar seus ritmos e ciclos, sua capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devast\u00e1-la como\u00a0 temos feito desde o advento da tecnoci\u00eancia e do esp\u00edrito antropocentrista que pensa que ela s\u00f3 tem valor na medida em que nos \u00e9 \u00fatil. Mas ela n\u00e3o precisa de n\u00f3s. N\u00f3s precisamos dela.<\/p>\n<p>Esse paradigma est\u00e1 chegando ao seu limite, porque a M\u00e3e Terra est\u00e1 dando sinais inequ\u00edvocos de estar extenuada e doente. Ou reinventamos outra forma de atender nossas necessidades vitais na rela\u00e7\u00e3o com a Terra ou ela, que \u00e9 viva, poder\u00e1 n\u00e3o nos querer mais sobre seu solo.<\/p>\n<p>Assumir este novo olhar e esta nova pr\u00e1tica \u00e9, para mim, o grande n\u00f3 e o desafio decisivo\u00a0 da quest\u00e3o ecol\u00f3gica atual.<br \/>\n________________________________<\/p>\n<p><em>Leonardo Boff \u00e9 autor do livreto com DVD <\/em>As quatro ecologias: a ambiental, a social, a mental e a integral,<em> Mar de Id\u00e9ias, Rio 2011.<\/em><em> Boff<\/em><em> \u00e9 um te\u00f3logo brasileiro, escritor e professor universit\u00e1rio, expoente da <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" >Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><em> no Brasil. Foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/cartamaior.com.br\/?\/Coluna\/Onde-esta-o-no-da-questao-ecologica-I-\/32364\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos cansados de meio-ambiente. 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