{"id":54100,"date":"2015-02-23T12:00:21","date_gmt":"2015-02-23T12:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=54100"},"modified":"2015-05-05T21:26:04","modified_gmt":"2015-05-05T20:26:04","slug":"portugues-por-que-o-ocidente-nao-admite-as-verdadeiras-raizes-do-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/02\/portugues-por-que-o-ocidente-nao-admite-as-verdadeiras-raizes-do-terrorismo\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Por que o ocidente n\u00e3o admite as verdadeiras ra\u00edzes do terrorismo?"},"content":{"rendered":"<p><em>A viol\u00eancia pol\u00edtica se alimenta da viol\u00eancia de Estado e da viol\u00eancia social. O radicalismo se alimenta das presepadas geopol\u00edticas ocidentais.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/us-soldier-flag-soldado-eua-bandeira-terrorism-west-mil.png\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-54101\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/us-soldier-flag-soldado-eua-bandeira-terrorism-west-mil.png\" alt=\"us soldier flag soldado eua bandeira terrorism west mil\" width=\"504\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/us-soldier-flag-soldado-eua-bandeira-terrorism-west-mil.png 504w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/02\/us-soldier-flag-soldado-eua-bandeira-terrorism-west-mil-300x200.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 504px) 100vw, 504px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para remediar \u201ca cegueira geral diante das fontes da viol\u00eancia que se abateram\u201d sobre Paris dias 7, 8 e 9 de janeiro, e que foram atribu\u00eddas rapidamente a um problema \u201cmu\u00e7ulmano\u201d, \u201c\u00e9 indispens\u00e1vel voltar aos fatos e adotar uma an\u00e1lise profana da viol\u00eancia pol\u00edtica\u201d, afirma um grupo de universit\u00e1rios dentre os quais Nacira Gu\u00e9nif-Souilamas,\u00a0Abdellali Hajjat\u00a0e Marwan Mohammed.<\/p>\n<p>\u201cO que faz ser um problema?\u201d escreveu o soci\u00f3logo negro W. E. B. Dubois em 1903. Essa \u00e9 h\u00e1 30 anos a pergunta lancinante dos (presumidos) \u201cmu\u00e7ulmanos\u201d franceses e estrangeiros que vivem na Fran\u00e7a e na Europa. O massacre no Charlie Hebdo e a tomada de ref\u00e9ns antissemita e mort\u00edfera perpetradas por um comando armado com tr\u00eas combatentes franceses que reivindicavam pertencer \u00e0 Al-Qaeda e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o do \u201cEstado Isl\u00e2mico\u201d, somente exacerbaram as tens\u00f5es pol\u00edticas e sociais j\u00e1 existentes na sociedade francesa. Para alguns, essas mortes seriam somente a concretiza\u00e7\u00e3o macabra das profecias liter\u00e1rias e jornal\u00edsticas que entendem a \u201ccomunidade mu\u00e7ulmana\u201d como um \u201cpovo dentro do povo\u201d, e que os problemas decorrentes da presen\u00e7a s\u00f3 podem ser resolvidos com a \u201cre-imigra\u00e7\u00e3o\u201d, conceito eufem\u00edstico que quer dizer \u201cexpuls\u00e3o\u201d. Para outros, que consideram importante n\u00e3o fazer am\u00e1lgama entre isl\u00e3 e terrorismo, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o que resta a esta viol\u00eancia seria a \u201creforma do isl\u00e3\u201d que deveriam (enfim) proceder os te\u00f3logos e respons\u00e1veis mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Esses dois quadros de interpreta\u00e7\u00e3o das chacinas se equivocam sobre um fato social maior: \u201ca comunidade mu\u00e7ulmana n\u00e3o existe\u201d, como lembra Olivier Roy. As organiza\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas n\u00e3o representam os presumidos mu\u00e7ulmanos. Os presumidos mu\u00e7ulmanos constituem uma popula\u00e7\u00e3o diversa em termos de classe social, nacionalidade, tend\u00eancias pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas, etc. Pluralidade completamente esmagada pelas injun\u00e7\u00f5es \u00e0 desolidariza\u00e7\u00e3o, neologismo que sup\u00f5e uma solidariedade camuflada entre assassinos e supostos mu\u00e7ulmanos. Dito de outra maneira, os presumidos mu\u00e7ulmanos s\u00e3o assim presumidos culpados, mesmo quando entre eles existe um policial assassinado friamente e um outro antigo morador de rua que salvou in\u00fameras vidas no supermercado kasher. Os presumidos mu\u00e7ulmanos enfrentam assim uma situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel: eles seriam a fonte do problema pois s\u00e3o mu\u00e7ulmanos e se veem ao mesmo tempo chamados a se desolidarizar publicamente enquanto mu\u00e7ulmanos&#8230; Vivem ent\u00e3o uma dupla indigna\u00e7\u00e3o: uma que condena as mortes e tem empatia com as fam\u00edlias das vitimas, e outra que rejeita a injun\u00e7\u00e3o difamat\u00f3ria a \u201cdesolidariza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Se esses dois tipos de discurso s\u00e3o impostos na Fran\u00e7a \u00e9 porque os imigrantes de ontem s\u00e3o os presumidos mu\u00e7ulmanos de hoje. Depois do \u201cproblema da integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes\u201d, n\u00f3s passamos ao \u201cproblema mu\u00e7ulmano\u201d, o que continua em jogo \u00e9: eles t\u00eam legitimidade para viver no territ\u00f3rio franc\u00eas? A expuls\u00e3o de desempregados n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o concebida para o \u201cproblema do desemprego\u201d, mas ela \u00e9 claramente vislumbrada quando se trata do \u201cproblema mu\u00e7ulmano\u201d. Existe uma verdade inconfess\u00e1vel quando a identidade dos presumidos mu\u00e7ulmanos \u00e9 resumida a sua \u201cislamidade\u201d. N\u00e3o \u00e9 novidade: eles seriam somente franceses no papel e mereceriam ser expulsos mesmo tendo nacionalidade francesa.<\/p>\n<p>S\u00f3 podemos questionar a cegueira geral diante das fontes da viol\u00eancia que se abateu sobre a capital. A emo\u00e7\u00e3o nacional e internacional engendrada pelas chacinas tende a desqualificar os pesquisadores em ci\u00eancias sociais e os jornalistas que descontroem os mecanismos de produ\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia (Fran\u00e7ois Burgat, Olivier Roy, Farhad\u00a0Khosrokhavar, Dietmar Loch, Vincent Geisser, Ahmed\u00a0Boubeker, Samir Amghar, Mohamed-Ali Adraoui, Val\u00e9rie Amiraux, Romain Caillet, etc.). Eles s\u00e3o descreditados, acusados de \u00ab\u00a0angelismo\u00a0\u00bb, de \u00ab\u00a0politicamente corretos\u00a0\u00bb, de \u00ab\u00a0incapazes de ver a realidade\u00a0\u00bb. A conjuntura hist\u00f3rica lembra a de depois do 11 de setembro, quando jornalistas limitados e fil\u00f3sofos de televis\u00e3o davam li\u00e7\u00f5es aos cientistas pol\u00edticos, soci\u00f3logos e jornalistas que pesquisavam h\u00e1 anos os grup\u00fasculos violentos com refer\u00eancia isl\u00e2mica. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a possibilidade de produzir um discurso racional, fundado empiricamente, no momento em que islamof\u00f3bicos de todos os lados aproveitam a brecha para impor o retorno da ideia de \u201cchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Depois de acusar os presumidos mu\u00e7ulmanos, os jornalistas e militantes que supostamente denunciaram a islamofobia do Charlie Hebdo \u00e9 que foram colocados na forca. Estes seriam respons\u00e1veis pelas chacinas e deveriam prestar contas, como se os assassinos tivessem se inspirado nos seus artigos e comunicados para realizar a opera\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 atribuir-lhes uma dimens\u00e3o midi\u00e1tica que eles n\u00e3o t\u00eam. O acesso \u00e0 arena p\u00fablica \u00e9 seletivo e testemunha de uma assimetria persistente das modalidades de discurso. \u00c9 desconhecer as verdadeiras influ\u00eancias ideol\u00f3gicas do comando que poderiam ser procuradas nos escritos dos xeiques da nebulosa Al-Qaeda. O racioc\u00ednio subjacente a essa acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 um sofisma: defender a linha editorial do jornal e atacar os que a criticaram equivale a reconhecer que a chacina poderia eventualmente ser justificada pela natureza da linha editorial. Parece que a emo\u00e7\u00e3o vence a raz\u00e3o e que toda posi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, jornal\u00edstica e militante que denuncie a islamofobia que realmente existe deva ser censurada. O risco \u00e9 que esta responsabilidade coletiva vire uma puni\u00e7\u00e3o coletiva: todos que \u201cn\u00e3o s\u00e3o Charlie\u201d seriam inimigos potenciais.<\/p>\n<p>Para evitar essa cegueira m\u00f3rbida, que s\u00f3 pode alimentar uma escalada violenta j\u00e1 ilustrada pela multiplica\u00e7\u00e3o de atos islamof\u00f3bicos, \u00e9 indispens\u00e1vel voltar aos fatos e adotar uma an\u00e1lise profana da viol\u00eancia pol\u00edtica. Esses combatentes n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a usar a viol\u00eancia: outros grupos o fazem em nome de outras ideologias e no contexto de outros conflitos. \u00c9 absolutamente necess\u00e1rio desvincular a viol\u00eancia cometida pelos combatentes com refer\u00eancia isl\u00e2mica para entender os mecanismos profundos e, se somos respons\u00e1veis pol\u00edticos, encarregar-nos da preven\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o que se coloca ent\u00e3o \u00e9 a seguinte: como se entra nessa\u00a0\u201ccarreira\u201d de combatente? Quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es que possibilitam a viol\u00eancia pol\u00edtica? As trajet\u00f3rias dos membros do comando nos fornecem as seguintes indica\u00e7\u00f5es: o combate se alimenta das presepadas geopol\u00edticas provocadas pelas interven\u00e7\u00f5es militares ocidentais antes e depois do 11 de setembro (S\u00edria, I\u00e9men, Iraque, etc.). Depois de terem sido apoiados pelos Estados Unidos contra a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, \u201cos combatentes da liberdade\u201d, que eram talib\u00e3s e futuros quadros da Al-Qaeda, com a Queda do Muro tomaram como alvo seus antigos aliados estadunidenses. Eles impuseram ao Afeganist\u00e3o sua ordem pol\u00edtico-religiosa com a ajuda de pot\u00eancias internacionais, e criaram um ref\u00fagio para todos os combatentes do mundo, que partilhavam a mesma ideologia e que queriam aprender as t\u00e9cnicas de execu\u00e7\u00e3o e de destrui\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de combatentes foram formadas nos campos de treinamento afeg\u00e3os. O \u201cmonstro\u201d que acabou golpeando o cora\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias ocidentais em 1995 em Paris, em 2001 em Nova Iorque, em 2004 em Madri e em 2005 em Londres \u00e9 filho das interven\u00e7\u00f5es ocidentais, e se alimenta dos conflitos de poder na Arg\u00e9lia, na Tchetch\u00eania, na B\u00f3snia, etc. O ac\u00famulo de capital militar desde os anos 70 propiciou que uma onda de viol\u00eancia sem precedentes perpetrada pelos combatentes experientes se abatesse sobre as pot\u00eancias ocidentais. \u00a0A \u201cguerra contra o terrorismo\u201d favoreceu que esses grupos violentos que estavam confinados em alguns pa\u00edses se multiplicassem em pa\u00edses at\u00e9 ent\u00e3o poupados ou menos afetados: Iraque, S\u00edria, L\u00edbia, I\u00e9men, Mali, Paquist\u00e3o, etc. Uma nova gera\u00e7\u00e3o, encarnada pelos l\u00edderes da organiza\u00e7\u00e3o do \u00ab\u00a0Estado Isl\u00e2mico\u00a0\u00bb, se forma militarmente no combate contra a ocupa\u00e7\u00e3o ocidental, se radicaliza nas ou \u00e0s vistas das c\u00e9lulas de Abu Ghraib e de Guant\u00e1namo, e circula numa verdadeira rede transnacional que vai da \u00c1frica \u00e0 \u00c1sia. Quer dizer, a primeira fonte de viol\u00eancia pol\u00edtica com refer\u00eancia isl\u00e2mica reside na viol\u00eancia de Estado no Oriente M\u00e9dio e nas consequ\u00eancias desastrosas das guerras declaradas em nome da \u201cluta contra o terrorismo\u201d.<\/p>\n<p>Exaurir a fonte internacional \u00e9 certamente a tarefa mais dif\u00edcil: como proceder a uma pol\u00edtica internacional francesa fundada no direito de autonomia dos povos e no (verdadeiro) respeito aos direitos humanos, sem rever as alian\u00e7as com regimes autorit\u00e1rios no mundo \u00e1rabe e na \u00c1frica, a pol\u00edtica colonial israelita e os interesses das multinacionais francesas?<\/p>\n<p>A segunda fonte de viol\u00eancia est\u00e1 ligada \u00e0 grave anomia social nos bairros populares franceses. Contrariamente ao que subentende a injun\u00e7\u00e3o islamof\u00f3bica da \u201cdesolidariza\u00e7\u00e3o\u201d, tr\u00eas membros do comando s\u00e3o de certa forma \u201cel\u00e9trons livres\u201d, com fr\u00e1geis la\u00e7os pessoais e afetivos, produto de rupturas biogr\u00e1ficas traumatizantes, de desfilia\u00e7\u00e3o social e de desigualdades estruturais, que os colocaram no mundo da delinqu\u00eancia e de grup\u00fasculos violentos. Esses el\u00e9trons livres se\u00a0\u201cdesolidarizaram\u201d dos seus pares, principalmente dos la\u00e7os familiares amplos e dos fi\u00e9is da mesquita local, n\u00e3o foram recuperados pelas estruturas de assist\u00eancia educativa, e foram magnetizados pelos pregadores convictos da emin\u00eancia do \u201cchoque de civiliza\u00e7\u00f5es\u201d, aliados objetivos de seus semelhantes neoconservadores. Esses filhos de classes populares absorveram um alto n\u00edvel de viol\u00eancia social, que fez deles agonizantes que n\u00e3o encontram sentido na exist\u00eancia dentro das estruturas tradicionais, mas sim na ideologia niilista e mort\u00edfera que promete pot\u00eancia e reconhecimento, e que continua ultraminorit\u00e1ria nos bairros populares.<\/p>\n<p>Podemos distinguir m\u00faltiplas tend\u00eancias do islamismo na Fran\u00e7a: as mesquitas n\u00e3o filiadas, as grandes organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas dos pa\u00edses de origem (Magrebe e Turquia), irmandades ou Irmandade Mu\u00e7ulmana, os Tabligh, os \u201csalafistas\u201d pietistas e apol\u00edticos, os sufis, etc., e enfim, os grup\u00fasculos violentos ditos \u201ctakfiristes\u201d. Todos os dias, habitantes, militantes e respons\u00e1veis pol\u00edticos locais lutam discretamente, sem virar manchete dos jornais, contra a influ\u00eancia desses grup\u00fasculos violentos. Assim, os membros da \u201crede des Buttes Chaumont\u201d, da qual os irm\u00e3os Kouachi faziam parte, foram exclu\u00eddos das manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Palestina pelos militantes da imigra\u00e7\u00e3o e do antifascismo no come\u00e7o dos anos 2000. Ironia da hist\u00f3ria: os que ontem se opuseram contra os grup\u00fasculos violentos s\u00e3o hoje acusados quando denunciam a islamofobia&#8230; A exist\u00eancia desses grup\u00fasculos violentos \u00e9 ent\u00e3o diretamente ligada \u00e0s correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a internas \u00e0s classes populares: se eles t\u00eam influ\u00eancia sobre certos el\u00e9trons livres \u00e9 porque outras for\u00e7as pol\u00edticas, principalmente as herdeiras das manifesta\u00e7\u00f5es pela igualdade e contra o racismo se enfraqueceram deixando um vazio pol\u00edtico de onde emergem os candidatos ao horror. A propagac\u00e3o desse fen\u00f4meno \u00e9 favorecida pela extrema facilidade para comprar armas de guerra vindas da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e pela mobiliza\u00e7\u00e3o constante das redes takfiristes para recrutar nas redes sociais, transmitindo uma ideologia e um conhecimento militar que ultrapassa as fronteiras.<\/p>\n<p>Exaurir a fonte francesa tampouco \u00e9 simples. Consistiria em atacar as desigualdades econ\u00f4micas, sociais, escolares, a desqualifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, o racismo end\u00eamico, a estigmatiza\u00e7\u00e3o territorial, as fontes de viol\u00eancia social e de delinqu\u00eancia, e promover uma pol\u00edtica de igualdade real para os inscritos na base da pir\u00e2mide social.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es que possibilitaram a viol\u00eancia pol\u00edtica em janeiro de 2015 s\u00e3o m\u00faltiplas. As an\u00e1lises dos pesquisadores em ci\u00eancias sociais mereceriam ser conhecidas pelos respons\u00e1veis pol\u00edticos. Ora, s\u00e3o os \u201cespecialistas autoproclamados\u201d no \u201cisl\u00e3-e-terrorismo\u201d que s\u00e3o ouvidos pelas autoridades pol\u00edticas, pelos conselheiros e pelas m\u00eddias. As falhas dos servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o que tinham encontrado e interrogado os assassinos parecem ter sido ocultadas na aura das execu\u00e7\u00f5es. As primeiras rea\u00e7\u00f5es pol\u00edticas parecem ir pelo pior caminho: votar um \u201cPatriot Act \u00e0 francesa\u201d quando uma lei liberticida sobre o terrorismo j\u00e1 foi votada h\u00e1 dois meses; reavivar o debate sobre a pena de morte, visar o &#8220;inimigo interno&#8221; mu\u00e7ulmano inassimil\u00e1vel, etc. Podemos esperar que alguns queiram rediscutir o jus soli. As li\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do p\u00f3s 11 de setembro parecem n\u00e3o ter sido aprendidas: a viol\u00eancia pol\u00edtica se alimenta da viol\u00eancia de Estado e da viol\u00eancia social.<\/p>\n<p><strong>Assinam o texto:<\/strong><\/p>\n<p>Chadia Arab, charg\u00e9e de recherche au CNRS<br \/>\nAhmed Boubeker, professeur \u00e0 l&#8217;Universit\u00e9 de Saint-\u00c9tienne<br \/>\nNadia Fadil, professeure assistant \u00e0 l\u2019Universit\u00e9 catholique de Louvain<br \/>\nNacira Gu\u00e9nif-Souilamas, professeure \u00e0 l&#8217;Universit\u00e9 Paris 8<br \/>\nAbdellali Hajjat, ma\u00eetre de conf\u00e9rences \u00e0 Universit\u00e9 Paris-Ouest Nanterre<br \/>\nMarwan Mohammed, charg\u00e9 de recherches au CNRS<br \/>\nNasima Moujoud, ma\u00eetresse de conf\u00e9rences \u00e0 l&#8217;Universit\u00e9 de Grenoble<br \/>\nNouria Ouali, professeure assistant \u00e0 l\u2019Universit\u00e9 Libre de Bruxelles<br \/>\nMaboula Soumahoro, ma\u00eetre de conf\u00e9rences \u00e0 l\u2019Universit\u00e9 de Tours<\/p>\n<p>________________________________<\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Mariana Stelko<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Internacional\/Por-que-o-ocidente-nao-admite-as-verdadeiras-raizes-do-terrorismo-\/6\/32900\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia pol\u00edtica se alimenta da viol\u00eancia de Estado e da viol\u00eancia social. 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