{"id":55270,"date":"2015-03-16T12:00:10","date_gmt":"2015-03-16T12:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=55270"},"modified":"2015-05-05T21:25:58","modified_gmt":"2015-05-05T20:25:58","slug":"portugues-varios-modos-de-resistir-a-ditadura-financeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/03\/portugues-varios-modos-de-resistir-a-ditadura-financeira\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) V\u00e1rios Modos de Resistir \u00e0 Ditadura Financeira"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_43164\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Boaventura-de-Sousa-Santos.png\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-43164\" class=\"size-thumbnail wp-image-43164\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Boaventura-de-Sousa-Santos-150x150.png\" alt=\"Boaventura de Sousa Santos\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-43164\" class=\"wp-caption-text\">Boaventura de Sousa Santos<\/p><\/div>\n<p><em>Na Gr\u00e9cia e Espanha, surgiram partidos-movimento. Em Portugal, socialistas rebelados podem vencer elei\u00e7\u00f5es. Como o sistema procura coopt\u00e1-los? Qual o ant\u00eddoto?<\/em><\/p>\n<p>Os pa\u00edses do sul da Europa sofrem amea\u00e7as semelhantes e enfrentam desafios comuns, mas os contextos em que ter\u00e3o de lidar com umas e com outros variam de pa\u00eds para pa\u00eds. A maior amea\u00e7a \u00e9 a \u201causteridade\u201d sem fim, o bem-estar convertido em luxo de poucos, a indignidade e a precariedade impostas a maiorias cada vez maiores, a corrup\u00e7\u00e3o como modo normal de fazer pol\u00edtica, a financeiriza\u00e7\u00e3o da vida, a democracia transformada num espantalho vazio agitado pelas bolsas de valores\u00a0para intimidar cidad\u00e3os ainda n\u00e3o resignados. O desafio maior \u00e9 encontrar uma sa\u00edda que n\u00e3o seja um precip\u00edcio.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o maior desafio que as esquerdas enfrentam desde 1919. A grande dificuldade \u00e9 esta: h\u00e1 um s\u00e9culo, as esquerdas dividiram-se entre a op\u00e7\u00e3o socialista\/comunista e a op\u00e7\u00e3o social-democr\u00e1tica; hoje, continuam divididas, apesar de n\u00e3o haver condi\u00e7\u00f5es para nenhuma das op\u00e7\u00f5es. O que sempre as uniu foi a luta por uma sociedade mais justa e uma vida digna para as grandes maiorias. Sendo mais do que nunca urgente o objetivo que as une, ser\u00e1 poss\u00edvel atenuar o que as divide?<\/p>\n<p>Debru\u00e7o-me sobre a op\u00e7\u00e3o que na Europa resistiu mais, a social-democracia proposta pelos partidos socialistas. Sendo certo que os partidos socialistas participam em cerca de metade dos governos da Uni\u00e3o Europeia (UE), como se explica que a ortodoxia neoliberal, ferozmente anti-social-democr\u00e1tica, domine t\u00e3o amplamente? Sem dar demasiado peso ao atoleiro de mediocridade e de corrup\u00e7\u00e3o em que a pol\u00edtica corrente se converteu, a raz\u00e3o reside em que h\u00e1 partidos social- democratas mas n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es social-democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O drama \u00e9 que a aus\u00eancia de tais condi\u00e7\u00f5es afeta tanto os partidos socialistas como os partidos \u00e0 sua esquerda que aspiram a ser governo. Ou seja, todos estes partidos p\u00f5em na agenda o ide\u00e1rio social-democr\u00e1tico: direitos sociais baseados em pol\u00edticas p\u00fablicas bem financiadas, na sa\u00fade, na educa\u00e7\u00e3o e na seguran\u00e7a social; justi\u00e7a fiscal, Estado democraticamente forte, justi\u00e7a acess\u00edvel, independente e eficaz. Assim sendo, o que une as esquerdas a curto prazo \u00e9 a luta pela refunda\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es social-democr\u00e1ticas. Para isso, \u00e9 urgente trazer o social e o popular para dentro do pol\u00edtico como forma de defender este do assalto \u00e0 m\u00e3o armada pelos mercados por parte do capital financeiro. \u00c9 aqui que os contextos divergem.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, o Pasok est\u00e1 ferido de morte. O Syriza e o povo grego t\u00eam um cr\u00e9dito moral impressionante sobre os europeus do sul: um pa\u00eds perif\u00e9rico ousou negociar, em nome de um povo que n\u00e3o quer morrer de \u201causteridade\u201d, em condi\u00e7\u00f5es chocantemente desiguais. E prepara-se para faz\u00ea-lo sozinho durante meses e ainda por cima servindo de vacina contra o Podemos em Espanha e o Sinn Fein na Irlanda, os pa\u00edses onde a hidra financeira est\u00e1 focada. Na Espanha, o Podemos p\u00f5e em causa a pr\u00f3pria distin\u00e7\u00e3o convencional entre esquerda e direita, como forma de fazer emergir uma esquerda digna do nome. E provavelmente vai ter \u00eaxito.<\/p>\n<p>Em Portugal, o PS pode ganhar as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Ao contr\u00e1rio do que acontece na Gr\u00e9cia e na Espanha, a esquerda n\u00e3o pode prescindir do PS nem o PS pode prescindir da esquerda. O secret\u00e1rio-geral do partido, Ant\u00f3nio Costa apresentou na recente c\u00fapula de <em>The Economist<\/em> em Cascais um documento importante sobre a cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es social-democr\u00e1ticas. N\u00e3o surpreende que n\u00e3o tenha tido eco. A direita j\u00e1 pressentiu o perigo e aposta em neutralizar o PS em tudo o que o afaste dela. A estrat\u00e9gia \u00e9 clara: converter a devasta\u00e7\u00e3o social dos \u00faltimos anos num sucesso digno dos alem\u00e3es; s\u00f3 dar visibilidade a Ant\u00f3nio Costa em tudo o que fa\u00e7a do PS uma n\u00e3o alternativa. E o mais grave \u00e9 que a direita est\u00e1 bem instalada dentro do PS, pronta para boicotar o secret\u00e1rio-geral.<\/p>\n<p>Se este se der conta a tempo, dever\u00e1 trazer o social para dentro do pol\u00edtico; dizer sem equ\u00edvocos que n\u00e3o quer homens dos mesmos neg\u00f3cios de sempre na presid\u00eancia da Rep\u00fablica; n\u00e3o ter medo das palavras p\u00e1tria e soberania quando o pa\u00eds \u00e9 j\u00e1 um protetorado; dar espa\u00e7o \u00e0s esquerdas, para que todos lutem pelos votos dos portugueses ofendidos e maltratados por este governo, em vez de se comerem uns aos outros; mostrar com veem\u00eancia que, ao contr\u00e1rio de muitos que ocupam altos cargos, \u00e9 um pol\u00edtico honesto.<\/p>\n<p>____________________________<\/p>\n<p><em>Boaventura de Sousa Santos \u00e9 doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedr\u00e1tico da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, diretor dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o 25 de Abril, e Coordenador Cient\u00edfico do Observat\u00f3rio Permanente da Justi\u00e7a Portuguesa &#8211; todos da Universidade de Coimbra. Sua trajet\u00f3ria recente \u00e9 marcada pela proximidade com os movimentos organizadores e participantes do F\u00f3rum Social Mundial e pela participa\u00e7\u00e3o na coordena\u00e7\u00e3o de uma obra coletiva de pesquisa denominada Reinventar a Emancipa\u00e7\u00e3o Social: Para Novos Manifestos.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/outraspalavras.net\/destaques\/boaventura-ha-varios-caminhos-para-resistir-a-austeridade\/\" >Go to Original \u2013 outraspalavras.net<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Gr\u00e9cia e Espanha, surgiram partidos-movimento. Em Portugal, socialistas rebelados podem vencer elei\u00e7\u00f5es. Como o sistema procura coopt\u00e1-los? 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