{"id":55512,"date":"2015-03-16T12:00:51","date_gmt":"2015-03-16T12:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=55512"},"modified":"2015-05-05T21:25:57","modified_gmt":"2015-05-05T20:25:57","slug":"portugues-direitos-animais-uma-exclusividade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/03\/portugues-direitos-animais-uma-exclusividade-humana\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Direitos Animais, uma exclusividade humana?"},"content":{"rendered":"<p>Tirar a vida dos animais \u00e9 considerado um direito humano universal. Dez vezes a popula\u00e7\u00e3o de humanos \u00e9 o n\u00famero de animais mortos por ano ao redor do mundo para alimentar pouco mais de cinco bilh\u00f5es de humanos que consomem, atrav\u00e9s de seus alimentos animalizados, 80% de toda prote\u00edna vegetal nobre cultivada ao redor do planeta e dada de comer aos animais que s\u00e3o mortos para virar bife, lingui\u00e7a, presunto, salsicha e pat\u00ea, ou que t\u00eam sua vida abreviada pela escraviza\u00e7\u00e3o de seus corpos na produ\u00e7\u00e3o de ovos e de latic\u00ednios.<\/p>\n<p>Manter uma dieta que representa a devasta\u00e7\u00e3o de 80% de toda prote\u00edna cultivada no mundo, e das \u00e1guas boas dadas de beber a esses 70 bilh\u00f5es de animais, mantidos em confinamento, semiconfinamento ou mesmo soltos nos pastos, n\u00e3o parece evocar nos humanos super proteinizados qualquer questionamento de ordem moral. Seguir a dieta tradicional \u00e9 um costume. E, costumes, costumam-se preservar sem questionar. \u00c9 f\u00e1cil confundir o que \u00e9 mera repeti\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, com valores morais, que, supostamente, n\u00e3o devem abolidos. Entretanto, \u00e9 sabido, a hist\u00f3ria nos ensina, que a maior parte das tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o apenas trai\u00e7\u00f5es aos direitos que n\u00e3o deveriam ter sido surrupiados dos inocentes.<\/p>\n<p>Matar um animal aos 40 dias de vida, quando, naturalmente, ele poderia seguir em vida por at\u00e9 6.000 ou 7.000 dias (galinhas e galos), n\u00e3o parece assombrar quem se delicia com um bocado de frango assado ou ensopado. O tempo de vida do frango abatido n\u00e3o alcan\u00e7ou sequer 0,6% do que sua esp\u00e9cie lhe destinaria, caso n\u00e3o houvesse nascido sob o regime de propriedade e escravid\u00e3o ao qual est\u00e1 atrelado sem perd\u00e3o ou chance de vida.<\/p>\n<p>Consideremos a m\u00e9dia de 78 anos de vida humana, portanto, um viver que pode chegar a uns 28 mil dias. Caso fosse abatido para qualquer prop\u00f3sito alheio no tempo proporcional ao do abate de frangos, um beb\u00ea humano teria vivido seis meses, incompletos, at\u00e9 seu abate.<\/p>\n<p>Um bezerro destinado \u00e0 morte pela ind\u00fastria de carnes vive por volta de um ano e meio a dois anos, de 550 a 730 dias, quando \u00e9 empurrado, em estado de terror p\u00e2nico, pelo corredor da morte, at\u00e9 chegar \u00e0 c\u00e2mara de sangria.<\/p>\n<p>Mas um bovino, naturalmente, nasceu para viver uns 25 anos. Sua morte aos 550 dias de vida est\u00e1 mais do que longe dos 9.000 dias nos quais sua natureza poderia se desenvolver plenamente e seguir todos os processos para os quais a esp\u00e9cie bovina vem \u00e0 vida. Comer carnes bovinas \u00e9 alimentar-se dos restos de um animal que mal chegou a viver 6% do total da vida que lhe seria destinada. Isso equivale a uns 4,5 anos de vida de um humano.<\/p>\n<p>A vida de um su\u00edno pode passar de 4.000 dias. Mas, nascido e for\u00e7ado a viver em pris\u00e3o perp\u00e9tua, sem direito de gozar os prazeres de sua esp\u00e9cie, um porco \u00e9 morto aos 140 dias de vida, o que mal chega a 3,5% do tempo que sua natureza tra\u00e7ou para gozar plenamente \u201ca dor e a del\u00edcia de ser (o su\u00edno) que \u00e9\u201d.<\/p>\n<p>O presunto que comp\u00f5e o sandu\u00edche t\u00e3o inocente, a \u201ccostelinha\u201d, o \u201clombinho\u201d (as pessoas usam o diminutivo quando se referem ao que comem, como se isso aliviasse o peso da morte alheia carreada para seus est\u00f4magos), s\u00e3o partes de um beb\u00ea su\u00edno, morto numa idade que equivale a de um beb\u00ea humano com 2,7 anos de vida. A mais \u201ctenra inf\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p>Enfim, comemos os beb\u00eas das outras f\u00eameas. E estamos convencidas de que fazer isso \u00e9 um \u201cdireito humano fundamental\u201d. N\u00e3o \u00e9. Para ser um direito humano fundamental precisaria ser algo que n\u00e3o prejudicasse nenhum outro ser senciente. E, para n\u00e3o deixar d\u00favida, precisaria n\u00e3o tirar de qualquer outro ser que se iguala a n\u00f3s em todos os aspectos e peculiaridades que nos levaram a decretar para todos os humanos direitos fundamentais, seu direito tamb\u00e9m fundamental. Sem assegurar bens fundamentais universalmente dados, como \u00e9 o caso da vida, n\u00e3o faz sentido declarar quaisquer outros direitos.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que ter direito \u00e0 vida humana n\u00e3o inclui o dever de se alimentar de peda\u00e7os de corpos de outros animais ou de secre\u00e7\u00f5es tiradas \u00e0 for\u00e7a dos corpos das f\u00eameas de outras esp\u00e9cies. Se tal n\u00e3o \u00e9 um direito, tampouco \u00e9 um dever humano.<\/p>\n<p>Bovinos podem viver at\u00e9 25 anos em liberdade, seguindo seu \u00e9thos natural. No sistema de extra\u00e7\u00e3o de leite, por ele ser, inerentemente, escravizador, as vacas n\u00e3o passam, a n\u00e3o ser exauridas, dos seis anos de vida. Quando seu metabolismo se esgota, elas s\u00e3o enviadas para o matadouro (viram carne de hamb\u00farguer) e sofrem o mesmo tipo de morte que seus filhos sofreram aos 18 ou 20 meses de vida. As galinhas podem viver livres uns 16 anos (galos, 20), mas, no confinamento, as escravizadas pela coleta de ovos n\u00e3o passam dos quatro anos de vida, se \u00e9 que isso ao qual foram for\u00e7adas pode se chamar vida.<\/p>\n<p>Se, para qualquer desses animais n\u00e3o foram reconhecidos direitos fundamentais, em contrapartida, para nenhum humano foi declarado o dever de seguir o padr\u00e3o da dieta estabelecida nos \u00faltimos 50 anos ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se n\u00e3o \u00e9 um dever alimentar-se de carnes, latic\u00ednios e ovos, os humanos o fazem por condicionamento mental e moral, algo que pensam ser uma \u201cnecessidade\u201d, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o \u00e9 um \u201cdireito humano\u201d alimentar-se de carnes, latic\u00ednios e ovos, ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 humano que possa exigir compor o seu prato com os restos mortais dos animais ou secre\u00e7\u00f5es tiradas de seus corpos atrav\u00e9s do manejo. Se algu\u00e9m o faz, n\u00e3o \u00e9 por direito, muito menos por \u00e9tica, \u00e9 por mero condicionamento. O que pode ser condicionado pode ser descondicionado, ainda que a baba escorra ao soar o sino, ainda que a saudade bata, ainda que o desejo se imponha. Toda essa press\u00e3o nada mais \u00e9 do que condicionamento. N\u00e3o \u00e9 uma necessidade humana comer carnes, dado que os oito amino\u00e1cidos essenciais necess\u00e1rios \u00e0 sintetiza\u00e7\u00e3o de outros 12 que formam a cadeia proteica completa podem ser obtidos de alimentos vegetais.<\/p>\n<p>Se nos igualamos aos animais em sensibilidade e consci\u00eancia, ainda que cada esp\u00e9cie as tenha a seu pr\u00f3prio modo, algo que a Declara\u00e7\u00e3o de Cambridge sobre a Senci\u00eancia Humana e Animal reconheceu j\u00e1 em 2012, estamos, injustificadamente, adiando a decis\u00e3o de parar de atormentar e de matar nossos iguais para compor nosso prato.<\/p>\n<p>Mas a aboli\u00e7\u00e3o vir\u00e1. Os animais n\u00e3o s\u00e3o \u201cnossos\u201d. Tampouco s\u00e3o meros \u201cobjetos\u201d semoventes. Ainda que nossas m\u00e3os e ardis possam se apropriar deles, tal poder n\u00e3o nos autoriza a fazer. Somos todos, igualmente, animais. O que n\u00e3o admitimos que nos seja feito por quem tem a for\u00e7a, a ast\u00facia e o poder de fazer, por exemplo, abreviar ou tirar nossa vida, n\u00e3o podemos mais justificar moralmente fazer aos outros de outras esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Afinal, os direitos humanos fundamentais nada mais s\u00e3o do que nossos direitos animais: \u00e0 vida, \u00e0 liberdade de ir e vir, de expressar a pr\u00f3pria sexualidade, de n\u00e3o ser privado de abrigo, grupo social e demais cuidados espec\u00edficos. Est\u00e1 na hora de reconhecer aos outros animais os direitos fundamentais dos quais, injusta e violentamente, os exclu\u00edmos h\u00e1 mil\u00eanios.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/09\/03\/2015\/direitos-animais-exclusividade-humana\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tirar a vida dos animais \u00e9 considerado um direito humano universal. 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