{"id":5750,"date":"2010-06-07T00:02:09","date_gmt":"2010-06-06T22:02:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=5750"},"modified":"2010-06-04T16:01:05","modified_gmt":"2010-06-04T14:01:05","slug":"portuguese-vi-muito-sangue-e-comecei-a-passar-mal-diz-brasileira-sobre-ataque-de-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2010\/06\/portuguese-vi-muito-sangue-e-comecei-a-passar-mal-diz-brasileira-sobre-ataque-de-israel\/","title":{"rendered":"(Portuguese) &#8216;Vi Muito Sangue e Comecei a Passar Mal&#8217;, Diz Brasileira sobre Ataque de Israel"},"content":{"rendered":"<p>A ativista e cineasta brasileira Iara Lee, detida por tropas israelenses na a\u00e7\u00e3o militar contra embarca\u00e7\u00f5es que levavam ajuda humanit\u00e1ria a Gaza na segunda-feira passada, disse que viu &#8220;muito sangue&#8221; e que come\u00e7ou &#8220;a passar mal&#8221; quando subiu ao conv\u00e9s do barco em que viajava.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, de Istambul, onde chegou nesta quinta-feira de madrugada junto com um grupo de cerca de 450 ativistas deportados de Israel, Iara contou que os atiradores de elite do Ex\u00e9rcito de Israel entraram no principal navio da frota, o Mavi Marmara, \u201catirando para matar\u201d.<\/p>\n<p>Ela disse que o operador de internet do barco foi morto com um tiro na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEle estava na sala de opera\u00e7\u00f5es, perto da ponte, por onde entraram os atiradores de elite. O corpo dele foi encontrado com um tiro na cabe\u00e7a\u201d, disse ela nesta quinta-feira, em Istambul, onde aguarda o embarque, na sexta-feira, para os Estados Unidos, onde vive.<\/p>\n<p>Iara contou que estava embaixo do conv\u00e9s no momento do ataque, e que quando subiu para procurar seu cinegrafista, viu quatro corpos e v\u00e1rios feridos. Ela afirmou, entretanto, que n\u00e3o testemunhou as mortes.<\/p>\n<p>\u201cEra muito sangue, eu comecei a passar mal, tive \u00e2nsia de v\u00f4mito e at\u00e9 desisti de procur\u00e1-lo.\u201d<\/p>\n<p>A cineasta contou ainda ter ouvido relato de outros ocupantes do barco de que soldados israelenses tinham sido vistos &#8220;atirando corpos no mar&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa contabilidade \u00e9 de que 19 pessoas morreram. Ainda h\u00e1 gente desaparecida, n\u00e3o sabemos o que aconteceu com eles. E ainda h\u00e1 feridos muito graves, praticamente morrendo, que n\u00e3o conseguimos retirar do hospital em Tel Aviv.\u201d<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia desproporcional<\/strong><\/p>\n<p>Para a cineasta, a viol\u00eancia usada pelas tropas na a\u00e7\u00e3o foi desproporcional.<\/p>\n<p>\u201cNos barcos pequenos, eles usaram balas de borracha, g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e armas de choque. Mas no nosso barco, eles chegaram usando muni\u00e7\u00e3o de verdade\u201d, conta.<\/p>\n<p>\u201cForam atiradores de elite, todos vestidos de preto, armados\u201d.<\/p>\n<p>A cineasta contou que a abordagem israelense ocorreu por volta de 04h30 da madrugada, no escuro, e que foi muito r\u00e1pida.<\/p>\n<p>\u201cTinha dois barcos da Marinha. Quando a gente piscou apareceram dezenas de barcos de borracha, helic\u00f3pteros, atiradores de elite descendo no barco. A marca registrada deles \u00e9 o sil\u00eancio, fomos pegos de repente\u201d, ela lembra.<\/p>\n<p>Iara acredita que os soldados ficaram assustados com o n\u00famero de passageiros a bordo \u2013 mais de 600 \u2013 e que, por isso, ele podem ter optado por uma a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida com o objetivo de assumir imediatamente o controle do barco.<\/p>\n<p>\u201cEsper\u00e1vamos que eles atirassem para o alto, em dire\u00e7\u00e3o aos nossos p\u00e9s, para nos assustar. Imagin\u00e1vamos que eles fossem tentar jogar redes nos nossos motores, deixar a gente \u00e0 deriva no meio do mar, mas nunca imaginamos isso.\u201d<\/p>\n<p>Depois da abordagem, as embarca\u00e7\u00f5es da tropa foram levadas para o porto de Ashdod, em Israel, com todos os passageiros algemados. &#8220;Quando mandaram a gente descer do barco, j\u00e1 tinham jogado todo o conte\u00fado de nossas malas no ch\u00e3o, estava tudo misturado. Eram roupas, laptops, pijama, escova de dentes, tudo junto.&#8221;<\/p>\n<p>Os ativistas voltaram para a Turquia apenas com a roupa do corpo e seus passaportes. Segundo a cineasta, todas as c\u00e2meras, telefones celulares e blackberries foram confiscados pelo Ex\u00e9rcito. Ela diz que perdeu US$ 150 mil em c\u00e2meras e lentes.<\/p>\n<p>Mas Iara disse que os ativistas conseguiram salvar registros do ataque que teriam sido escondidos em pe\u00e7as de roupas.<\/p>\n<p>&#8220;A gente conseguiu salvar algumas fitas com imagens do ataque, que costuramos nas nossas roupas e n\u00e3o foram encontradas pelas autoridades israelenses.&#8221;<\/p>\n<p>Iara Lee saiu do Brasil em 1989 e passou 15 anos nos Estados Unidos, onde \u00e9 radicada. Nos \u00faltimos cinco anos, ela morou em diversos pa\u00edses, entre eles Ir\u00e3, Tun\u00edsia e Fran\u00e7a, onde filmou document\u00e1rios.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"  http:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/noticias\/2010\/06\/100603_entrevistaiaralee_ba.shtml\" >GO TO ORIGINAL \u2013 BBC BRASIL<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, de Istambul, onde chegou nesta quinta-feira de madrugada junto com um grupo de cerca de 450 ativistas deportados de Israel, Iara contou que os atiradores de elite do Ex\u00e9rcito de Israel entraram no principal navio da frota, o Mavi Marmara, \u201catirando para matar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-5750","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5750","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5750"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5750\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5750"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5750"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5750"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}