{"id":5890,"date":"2010-06-14T00:00:59","date_gmt":"2010-06-13T22:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=5890"},"modified":"2010-06-11T12:31:17","modified_gmt":"2010-06-11T10:31:17","slug":"portuguese-palestina-um-povo-em-marcha-pela-libertacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2010\/06\/portuguese-palestina-um-povo-em-marcha-pela-libertacao\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Palestina, um Povo em Marcha pela Liberta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>N\u00e3o se derrota 62 anos de colonialismo israelense com duas semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es, mas as lutas de agora v\u00e3o se transformando numa onda.<\/em><\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p>Desde 1948, o povo palestino vive uma trag\u00e9dia: foram expulsos de suas terras e de suas casas e tiveram suas propriedades roubadas ou destru\u00eddas pelo chamado Ex\u00e9rcito de Defesa de Israel. Vilas e cidades palestinas v\u00eam sendo constantemente destru\u00eddas durante os 62 anos da Nakba (\u201cA trag\u00e9dia\u201d). Milhares de pessoas seguiram o caminho do ex\u00edlio e os refugiados palestinos j\u00e1 chegam a 5 milh\u00f5es. E, ainda assim, milhares seguem resistindo dentro dos territ\u00f3rios ocupados por Israel.<\/p>\n<p>Em 1967, o expansionismo israelense se intensifica. Novas col\u00f4nias e assentamentos judeus-sionistas s\u00e3o criados em Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m, agora tomada militarmente pelo ex\u00e9rcito colonialista, em mais um desrespeito \u00e0s resolu\u00e7\u00f5es da ONU sobre a quest\u00e3o palestina. No Plano de Partilha da Palestina de 1947, Jerusal\u00e9m seria uma cidade neutra, administrada pela ONU, com garantia de que todos os locais sagrados do juda\u00edsmo, do cristianismo e do islamismo fossem respeitados por todas as for\u00e7as envolvidas no conflito. Al\u00e9m disso, Israel ocupa militarmente as colinas de Golan, que s\u00e3o da S\u00edria. A \u00fanica resolu\u00e7\u00e3o da ONU que Israel respeitou at\u00e9 aqui foi a da sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Israel segue hoje como o \u00fanico pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio com armas nucleares, ou seja, armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. Fala-se de 200 ogivas. Mordehai Vanunu, f\u00edsico nuclear israelense, que denunciou o programa nuclear de Israel, comprovando sua finalidade b\u00e9lica, ficou 18 anos na pris\u00e3o, sendo 16 na solit\u00e1ria, depois foi para a pris\u00e3o domiciliar, com proibi\u00e7\u00e3o de se comunicar com qualquer estrangeiro por quaisquer meios. Agora, voltou para a cadeia acusado de tentar fazer contato com outros seres humanos ligados ao Movimento pelo Fim das Armas Nucleares no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>De acordo com a ONU, Israel n\u00e3o tem nenhuma autoriza\u00e7\u00e3o para exercer o controle sobre o litoral de Gaza, territ\u00f3rio palestino banhado por \u00e1guas internacionais, portanto, com livre acesso a todos que queiram chegar ou sair dessa regi\u00e3o, transportando pessoas e\/ou produtos.<\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s o covarde ataque israelense contra a frota de barcos que levava ajuda humanit\u00e1ria para Gaza, voltam novamente as perguntas: \u00e9 poss\u00edvel deter a escalada de terror e viol\u00eancia praticada por Israel em 62 anos de colonialismo na Palestina? \u00c9 poss\u00edvel uma coexist\u00eancia pac\u00edfica com governos sionistas-colonialistas-imperialistas? Quais medidas precisam ser tomadas, e por quem, para impedir que o governo de Israel continue o genoc\u00eddio contra o povo palestino?<\/p>\n<p>A resist\u00eancia palestina j\u00e1 desenvolveu as mais diversas formas de luta. Entre 1964 e 1988, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) dirigiu o processo de mobiliza\u00e7\u00e3o anti-colonialista e desencadeou uma incr\u00edvel luta de liberta\u00e7\u00e3o nacional que deu esperan\u00e7as para as massas populares de todo o mundo \u00e1rabe. Enquanto uma frente de cerca de 10 partidos pol\u00edticos (nacionalistas laicos\/nasseristas e comunistas\/socialistas), a OLP seguia como a \u00fanica e leg\u00edtima representante do povo palestino.<\/p>\n<p>De 1988 a 1994, novos personagens surgem e o fim da URSS e do Bloco Socialista fizeram desencadear uma crise tamb\u00e9m no interior da esquerda palestina. A Al-Fatah (Movimento de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional), organiza\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria na OLP, empurra a resist\u00eancia palestina para a mesa de negocia\u00e7\u00e3o, mas em condi\u00e7\u00f5es bastante desfavor\u00e1veis para o povo palestino. Os \u201cacordos de paz\u201d firmados com Israel em 1994 alimentam ilus\u00f5es e ignoram a natureza expansionista\/imperialista do Estado de Israel, que negocia e, ao mesmo tempo, faz crescer o n\u00famero de col\u00f4nias judias nos territ\u00f3rios palestinos ocupados em 1948 e 1967.<\/p>\n<p>Nessa conjuntura complexa, se projeta como uma alternativa pol\u00edtica o partido Hamas (Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica). A crise pol\u00edtica, ideol\u00f3gica e organizativa dificulta a ascens\u00e3o da esquerda palestina (Frente Popular para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, Frente Democr\u00e1tica para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina, Partido do Povo Palestino). As den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e de enriquecimento de muitos dos dirigentes demonstram um processo de degenera\u00e7\u00e3o em setores importantes da Al-Fatah. As elei\u00e7\u00f5es de 2006 contribuem para acirrar as disputas internas no movimento da resist\u00eancia palestina, com Hamas vitorioso em Gaza e Al-Fatah na Cisjord\u00e2nia. A esquerda palestina tem procurado convocar todas as for\u00e7as progressistas, populares, democr\u00e1ticas e de esquerda a se unir num grande movimento nacional de resist\u00eancia para desencadear novamente uma ofensiva contra as medidas do governo de Israel que visam a acelerar o processo de expropria\u00e7\u00e3o de terras do povo palestino.<\/p>\n<p>Nesse momento de indigna\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ocupam um papel importante e mesmo decisivo as massas populares e a classe oper\u00e1ria dos pa\u00edses \u00e1rabes, que podem pressionar seus governos a romper rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e comerciais com Israel como medida concreta de repres\u00e1lia pelo constante desrespeito por parte de Israel \u00e0s in\u00fameras resolu\u00e7\u00f5es da ONU sobre Gaza. Romper o bloqueio sobre Gaza pode ser o in\u00edcio de um novo ciclo de mobiliza\u00e7\u00f5es que empurre as organiza\u00e7\u00f5es palestinas para uma unidade program\u00e1tica e pol\u00edtica m\u00ednima contra o principal inimigo: o governo do Estado Sionista de Israel.<\/p>\n<p>N\u00e3o se derrota 62 anos de colonialismo israelense com duas semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es, mas as lutas de agora v\u00e3o se transformando mais uma vez numa onda, que pode se desmanchar quando chegar pr\u00f3xima \u00e0 areia ou que pode se transformar num enorme tsunami de lutas populares em todo o mundo \u00e1rabe, que v\u00e1 obrigando os governos a tomar medidas mais duras e mais concretas contra Israel.<\/p>\n<p>Ainda \u00e9 cedo para dizer qual ser\u00e1 o resultado dessa estupidez e insensatez cometida pelo governo israelense, mas j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel perceber um maior isolamento pol\u00edtico internacional de Israel. O momento \u00e9 prop\u00edcio para as for\u00e7as democr\u00e1ticas, populares, progressistas e de esquerda denunciarem mais uma vez o car\u00e1ter colonialista e racista do sionismo, essa ideologia expansionista que tem alimentado o \u00f3dio e a viol\u00eancia que movem a m\u00e1quina de guerra israelense.<\/p>\n<p>A unidade nacional da resist\u00eancia palestina e a crescente influ\u00eancia das for\u00e7as de esquerda nesse processo, al\u00e9m das mobiliza\u00e7\u00f5es de massa dentro e fora da Palestina, podem ser elementos importantes para alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as numa perspectiva de fazer avan\u00e7ar a luta pela cria\u00e7\u00e3o de um Estado Palestino Laico e Democr\u00e1tico nos territ\u00f3rios ocupados em 1948 e em 1967, criando assim condi\u00e7\u00f5es para que a quest\u00e3o nacional palestina seja, mesmo que tardiamente, resolvida.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, ainda \u00e9 poss\u00edvel acreditar que nada pode deter a luta desse povo pela sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"  http:\/\/www.brasildefato.com.br\/v01\/agencia\/analise\/palestina-um-povo-em-marcha-pela-libertacao\/view\" >GO TO ORIGINAL \u2013 BRASIL DE FATO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o se derrota 62 anos de colonialismo israelense com duas semanas de mobiliza\u00e7\u00f5es, mas as lutas de agora v\u00e3o se transformando numa onda.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-5890","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5890","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5890"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5890\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5890"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5890"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5890"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}