{"id":60317,"date":"2015-06-29T12:00:51","date_gmt":"2015-06-29T11:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=60317"},"modified":"2015-06-26T20:25:53","modified_gmt":"2015-06-26T19:25:53","slug":"portugues-o-contra-senso-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/06\/portugues-o-contra-senso-comum\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) O Contra-senso Comum"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_43164\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Boaventura-de-Sousa-Santos.png\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-43164\" class=\"size-thumbnail wp-image-43164\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Boaventura-de-Sousa-Santos-150x150.png\" alt=\"Boaventura de Sousa Santos\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-43164\" class=\"wp-caption-text\">Boaventura de Sousa Santos<\/p><\/div>\n<p><em>Vejamos 10 convic\u00e7\u00f5es que se v\u00e3o tornando senso comum e que, por serem ilus\u00f3rias e absurdas, constituem o novo contra-senso comum. <\/em><\/p>\n<p>Em 1926, o poeta irland\u00eas W.B. Yeats lamentava: &#8220;Falta convic\u00e7\u00e3o aos melhores enquanto os piores est\u00e3o cheios de apaixonada intensidade&#8221;. Esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 mais verdadeira hoje que ent\u00e3o. Admitamos por hip\u00f3tese que os melhores no plano pessoal, moral, social e pol\u00edtico s\u00e3o a maioria da popula\u00e7\u00e3o e que os piores s\u00e3o uma minoria. Como vivemos em democracia, n\u00e3o nos devia preocupar o fato de os piores estarem cheios de convic\u00e7\u00f5es que, precisamente por serem adotadas pelos piores, tender\u00e3o a ser perigosas ou prejudiciais para o bem-estar da sociedade. Afinal, em democracia s\u00e3o as maiorias que governam. A verdade \u00e9 que hoje se vai generalizando a ideia de que as convic\u00e7\u00f5es que dominam na sociedade s\u00e3o as apaixonadamente subscritas pelos piores, e que isso \u00e9 a causa ou a consequ\u00eancia de serem os piores que governam. A conclus\u00e3o de que a democracia est\u00e1 sequestrada por minorias poderosas parece inescap\u00e1vel. Mas se aos melhores falta convic\u00e7\u00e3o, provavelmente tamb\u00e9m eles n\u00e3o est\u00e3o convictos de que esta conclus\u00e3o seja verdadeira, e por isso ser-lhes-\u00e1 dif\u00edcil mobilizarem-se contra tal sequestro da democracia. Torna-se, pois, urgente averiguar donde vem no nosso tempo a falta de convic\u00e7\u00e3o dos melhores.<\/p>\n<p>A falta de convic\u00e7\u00e3o \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o superficial de um mal-estar difuso e profundo. Decorre da suspeita de que o que se difunde como verdadeiro, evidente, e sem alternativa, de facto, n\u00e3o o \u00e9. Dada a intensidade da difus\u00e3o, torna-se quase imposs\u00edvel ao cidad\u00e3o comum confirmar a suspeita e, na aus\u00eancia de confirma\u00e7\u00e3o, os melhores ficam paralisados na d\u00favida honesta. A for\u00e7a desta d\u00favida manifesta-se como aparente falta de convic\u00e7\u00e3o. Para confirmar a suspeita teria o cidad\u00e3o comum de recorrer a conhecimentos a que n\u00e3o tem acesso e que n\u00e3o v\u00ea divulgados na opini\u00e3o publicada, porque tamb\u00e9m esta est\u00e1 ao servi\u00e7o dos piores. Vejamos algumas das convic\u00e7\u00f5es que se v\u00e3o tornando senso comum e que, por serem ilus\u00f3rias e absurdas, constituem o novo contra-senso comum:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>A desigualdade social \u00e9 o outro lado da autonomia individual.<\/strong> Pelo contr\u00e1rio, para al\u00e9m de certos limites a desigualdade social permite aos que est\u00e3o nos escal\u00f5es mais altos alterar as regras de jogo de modo a controlar as op\u00e7\u00f5es de vida dos que est\u00e3o nos escal\u00f5es mais baixos. S\u00f3 \u00e9 aut\u00f3nomo quem tem condi\u00e7\u00f5es para o ser. Para o desempregado sem subs\u00eddio de desemprego, o pensionista empobrecido, o trabalhador prec\u00e1rio, o jovem obrigado a emigrar, a autonomia \u00e9 um insulto cruel.<\/li>\n<li><strong>O Estado \u00e9 por natureza mau administrador. <\/strong>Muitos Estados (europeus, por exemplo) dos \u00faltimos cinquenta anos provam o contr\u00e1rio. Se o Estado fosse por natureza mau administrador n\u00e3o seria tantas vezes chamado a resolver as crises econ\u00f3micas e financeiras provocadas pela m\u00e1 gest\u00e3o privada da economia e da sociedade. O Estado \u00e9 considerado mau administrador sempre que pretende administrar sectores da vida social onde o capital v\u00ea oportunidades de lucro. O Estado s\u00f3 \u00e9 verdadeiramente mau administrador quando os que o controlam conseguem impunemente p\u00f4-lo ao servi\u00e7o dos seus interesses particulares por via do fanatismo ideol\u00f3gico, da corrup\u00e7\u00e3o e do abuso de poder.<\/li>\n<li><strong>As privatiza\u00e7\u00f5es permitem efici\u00eancia que se traduz em vantagens para os consumidores.<\/strong> As privatiza\u00e7\u00f5es podem ou n\u00e3o gerar efici\u00eancia, sendo sempre de questionar o que se entende por efici\u00eancia, que rela\u00e7\u00e3o deve ter com outros valores e a quem serve. As privatiza\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os 3 p\u00fablicos quase sempre se traduzem em aumentos de tarifas, seja dos transportes, da \u00e1gua ou da eletricidade. As privatiza\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os essenciais (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, previd\u00eancia social) traduzem-se na exclus\u00e3o social dos cidad\u00e3os que n\u00e3o podem pagar os servi\u00e7os. Se o privado fosse mais eficiente, as parcerias p\u00fablico-privadas ter-se-iam traduzido em ganhos para o interesse p\u00fablico, o contr\u00e1rio do que tem acontecido. O lud\u00edbrio da proclamada excel\u00eancia do sector privado em compara\u00e7\u00e3o com o sector p\u00fablico atinge o paroxismo quando uma empresa do sector p\u00fablico de um dado Estado \u00e9 vendida a uma entidade p\u00fablica de um outro Estado, como aconteceu recentemente em Portugal no sector da eletricidade, vendido a uma empresa p\u00fablica chinesa, ou quando a aquisi\u00e7\u00e3o de um bem p\u00fablico estrat\u00e9gico por um investidor de um pa\u00eds estrangeiro pode ser financiada por um banco estatal desse pa\u00eds, como acontece no caso da venda em curso da companhia a\u00e9rea, TAP, com o poss\u00edvel financiamento da compra do investidor brasileiro por parte do banco estatal brasileiro BNDES.<\/li>\n<li><strong>A liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio permite criar riqueza, aumentar o emprego e beneficiar os consumidores. <\/strong>Tal como tem vindo a ser negociada, a liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio concentra a riqueza que cria (quando cria) numa pequen\u00edssima minoria enquanto os trabalhadores perdem emprego, sobretudo o emprego decentemente remunerado e com direitos sociais. Nas grandes empresas norte-americanas que promovem a liberaliza\u00e7\u00e3o os diretores executivos, CEOs, ganham 300 vezes o sal\u00e1rio medio dos trabalhadores da empresa. Por outro lado, as leis nacionais que protegem consumidores, sa\u00fade p\u00fablica e meio ambiente ser\u00e3o consideradas obst\u00e1culos ao com\u00e9rcio e, nessa base, postas em causa e provavelmente eliminadas. Est\u00e3o em curso tr\u00eas grandes tratados de livre com\u00e9rcio: a Parceria Trans-Pac\u00edfico (TPP, na sigla em ingl\u00eas), Acordo de Com\u00e9rcio de Servi\u00e7os (TiSA), Pareceria Trans-Atl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimento 4 (TTIP). Pelas raz\u00f5es acima, cresce nos EUA (e na Europa, no caso do TTIP) a oposi\u00e7\u00e3o a estes tratados.<\/li>\n<li><strong>A distin\u00e7\u00e3o entre esquerda e direita j\u00e1 n\u00e3o faz sentido porque os imperativos globais da governa\u00e7\u00e3o s\u00e3o incontorn\u00e1veis e porque a alternativa a eles \u00e9 o caos social.<\/strong> Enquanto houver desigualdade injusta e discrimina\u00e7\u00e3o social (e uma e outra t\u00eam vindo a aumentar nas \u00faltimas d\u00e9cadas), a distin\u00e7\u00e3o faz todo o sentido. Quando se diz que a distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz sentido s\u00f3 a exist\u00eancia da esquerda \u00e9 posta em causa, nunca a da direita. Sectores importantes da esquerda (partidos socialistas) ca\u00edram na armadilha deste contra-senso comum, e \u00e9 urgente que se libertem dela. Os &#8220;imperativos globais&#8221; s\u00f3 n\u00e3o permitem alternativas at\u00e9 serem obrigados a isso pela resist\u00eancia organizada dos cidad\u00e3os.<\/li>\n<li><strong>A pol\u00edtica de austeridade visa sanear a economia, diminuir a d\u00edvida e p\u00f4r o pa\u00eds a crescer.<\/strong> Nos \u00faltimos trinta anos, nenhum pa\u00eds sujeito ao ajustamento estrutural conseguiu tais objetivos. Os resgates t\u00eam sido feitos no exclusivo interesse dos credores, muitos deles especuladores sem escr\u00fapulos. \u00c9 por isso que os ministros que aplicam &#8220;com \u00eaxito&#8221; as pol\u00edticas de austeridade s\u00e3o frequentemente contratados pelos grandes agentes financeiros e pelas institui\u00e7\u00f5es ao seu servi\u00e7o (FMI e Banco Mundial) quando abandonam as fun\u00e7\u00f5es de governo.<\/li>\n<li><strong>Portugal \u00e9 um caso de sucesso; n\u00e3o \u00e9 a Gr\u00e9cia.<\/strong> Este \u00e9 o maior insulto aos melhores (a grande maioria dos portugueses). Basta ler os relat\u00f3rios do FMI para saber o que est\u00e1 reservado a Portugal depois de a Gr\u00e9cia ser saqueada. Mais cortes nas pens\u00f5es, mais redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e mais precariza\u00e7\u00e3o do emprego ser\u00e3o exigidos e nunca ser\u00e3o suficientes. Os &#8220;cofres cheios&#8221; apregoados pelo atual governo conservador portugu\u00eas s\u00e3o para esvaziar ao primeiro espirro especulativo.<\/li>\n<li><strong>Portugal \u00e9 um pa\u00eds desenvolvido.<\/strong> N\u00e3o \u00e9 verdade. Portugal \u00e9 um pa\u00eds de desenvolvimento interm\u00e9dio no sistema mundial, uma condi\u00e7\u00e3o que dura h\u00e1 s\u00e9culos. Foi essa condi\u00e7\u00e3o que fez com que Portugal fosse simultaneamente o centro de um vasto imp\u00e9rio e uma col\u00f3nia informal da Inglaterra. Devido \u00e0 mesma condi\u00e7\u00e3o, as col\u00f3nias e ex-col\u00f3nias t\u00eam por vezes desempenhado um papel decisivo no resgate da metr\u00f3pole. Tal como o Brasil resgatou a independ\u00eancia portuguesa no tempo das invas\u00f5es napole\u00f3nicas, o investimento de uma ex-col\u00f3nia (Angola) vai hoje tomando conta de sectores estrat\u00e9gicos da economia da ex-metr\u00f3pole. Nos \u00faltimos trinta anos, a integra\u00e7\u00e3o na UE criou a ilus\u00e3o de que Portugal (e a Espanha e a Gr\u00e9cia) podia ultrapassar essa condi\u00e7\u00e3o semi-perif\u00e9rica. O modo como a atual crise financeira e econ\u00f3mica est\u00e1 a ser \u201cresolvida\u201d mostra que a ilus\u00e3o se desfez. Portugal est\u00e1 ser tratado como um pa\u00eds que se deve resignar \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o subalterna. Os portugueses devem contribuir para o bem-estar dos turistas do Norte, mas devem contentar-se com o mal-estar do trabalho sem direitos, da crescente desigualdade social, das pens\u00f5es p\u00fablicas desvalorizadas e sujeitas a constante incerteza, e da educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade p\u00fablicas reduzidas \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de programas pobres para pobres. O objetivo principal da interven\u00e7\u00e3o da troika foi o de baixar o patamar de prote\u00e7\u00e3o social para criar as condi\u00e7\u00f5es para um novo ciclo de acumula\u00e7\u00e3o de capital mais rent\u00e1vel, ou seja, um ciclo em que os trabalhadores ganhar\u00e3o menos que antes e os grandes empres\u00e1rios (n\u00e3o os pequenos) ganhar\u00e3o mais que antes.<\/li>\n<li><strong>A democracia \u00e9 o governo das maiorias.<\/strong> Esse \u00e9 o ideal mas na pr\u00e1tica quase nunca foi assim. Primeiro, impediu-se que a maioria tivesse direito de voto (restri\u00e7\u00f5es ao sufr\u00e1gio). Depois, procurou-se por v\u00e1rios mecanismos que a maioria n\u00e3o votasse (restri\u00e7\u00f5es f\u00e1cticas ao exerc\u00edcio do voto: voto em dia de trabalho, intimida\u00e7\u00e3o para n\u00e3o votar, custos dos transportes para exercer direito de voto, etc.) ou votasse contra os seus 6 interesses (propaganda enganosa, manipula\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica, indu\u00e7\u00e3o de medo face \u00e0s consequ\u00eancias do voto, sondagens enviesadas, compra de votos, interfer\u00eancia externa). Nos \u00faltimos trinta anos, o poder do dinheiro passou a condicionar decisivamente o processo democr\u00e1tico, nomeadamente atrav\u00e9s do financiamento dos partidos e da corrup\u00e7\u00e3o end\u00e9mica. Nalguns pa\u00edses a democracia tem vindo a ser sequestrada por plutocratas e cleptocratas. O caso paradigm\u00e1tico s\u00e3o os EUA. E algu\u00e9m pode afirmar de boa f\u00e9 que o atual congresso brasileiro representa os interesses da maioria dos brasileiros?<\/li>\n<li><strong>A Europa \u00e9 o continente da paz, da democracia e da solidariedade.<\/strong> Nos \u00faltimos cento e cinquenta anos, a Europa foi o continente mais violento e aquele em que os conflitos causaram mais mortes: duas guerras mundiais, ambas causadas pela prepot\u00eancia alem\u00e3, o holocausto, e os genoc\u00eddios e massacres cometidos nas col\u00f3nias de \u00c1frica e da \u00c1sia. O preconceito colonial com que a Europa continua a olhar o mundo n\u00e3o europeu (incluindo as outras Europas dentro da Europa) torna imposs\u00edveis os di\u00e1logos verdadeiramente interculturais, esses sim, geradores de paz, democracia e solidariedade. Os valores europeus do cristianismo, da democracia e da solidariedade s\u00e3o em teoria generosos (mesmo se etnoc\u00eantricos), mas t\u00eam sido frequentemente usados para justificar agress\u00f5es imperialistas, xenofobia, racismo e islamofobia. O modo como a crise financeira da Europa do Sul tem sido &#8220;resolvida&#8221;, o vasto cemit\u00e9rio l\u00edquido em que se transformou o Mediterr\u00e2neo, o crescimento da extrema-direita em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa s\u00e3o o desmentido dos valores europeus. Na Europa, como no mundo em geral, a paz, a democracia e a solidariedade, quando s\u00e3o apenas um discurso de valores, visam ocultar as realidades que os contradizem. Para serem viv\u00eancias e formas de sociabilidade e de pol\u00edtica concretas t\u00eam de ser 7 conquistadas por via de lutas sociais contra os inimigos da paz, da democracia e da solidariedade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>___________________________________<\/p>\n<p><em>Boaventura de Sousa Santos \u00e9 doutor em sociologia do direito pela Universidade de Yale, professor catedr\u00e1tico da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, diretor dos Centro de Estudos Sociais e do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o 25 de Abril, e Coordenador Cient\u00edfico do Observat\u00f3rio Permanente da Justi\u00e7a Portuguesa &#8211; todos da Universidade de Coimbra. Sua trajet\u00f3ria recente \u00e9 marcada pela proximidade com os movimentos organizadores e participantes do F\u00f3rum Social Mundial e pela participa\u00e7\u00e3o na coordena\u00e7\u00e3o de uma obra coletiva de pesquisa denominada Reinventar a Emancipa\u00e7\u00e3o Social: Para Novos Manifestos.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/cartamaior.com.br\/?\/Coluna\/O-Contra-senso-Comum\/33821\" >Go to Original \u2013 cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1926, o poeta irland\u00eas W.B. Yeats lamentava: &#8220;Falta convic\u00e7\u00e3o aos melhores enquanto os piores est\u00e3o cheios de apaixonada intensidade&#8221;. 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