{"id":6185,"date":"2010-07-05T00:00:55","date_gmt":"2010-07-04T22:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=6185"},"modified":"2010-07-01T15:14:08","modified_gmt":"2010-07-01T13:14:08","slug":"portuguese-massacre-em-alto-mar-%e2%80%9celes-vieram-e-mataram-mesmo%e2%80%9d","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2010\/07\/portuguese-massacre-em-alto-mar-%e2%80%9celes-vieram-e-mataram-mesmo%e2%80%9d\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Massacre em Alto Mar: \u201cEles vieram e mataram mesmo\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Em entrevista, a cineasta brasileira Iara Lee, integrante da Frota da Liberdade, conta sua experi\u00eancia a bordo do navio atacado por Israel.<\/em><\/p>\n<p>Iara Lee, a \u00fanica brasileira integrante da miss\u00e3o humanit\u00e1ria atacada por Israel a caminho da Faixa de Gaza, na Palestina, n\u00e3o tem outro adjetivo para se referir ao incidente: carnificina. A a\u00e7\u00e3o, ocorrida em 31 de maio, deixou, at\u00e9 o momento, um saldo de nove mortos, todos integrantes do navio Mavi Marmara, onde ela estava. \u201cFiquei preocupada, pensando no que estava acontecendo com meus amigos, com o pessoal da minha equipe. Quando subi, vi um monte de mortos, de machucados. Foi um neg\u00f3cio r\u00e1pido\u201d, conta. Em entrevista ao Brasil de Fato, ela relata, entre outros assuntos, o ataque, os momentos na pris\u00e3o em Israel e a suspeita de que agentes israelenses se infiltraram na miss\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato \u2013 Como voc\u00ea come\u00e7ou a entrar em contato com a causa palestina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Iara Lee \u2013<\/strong> Em 2003, eu fiquei injuriada que os EUA, mesmo com milh\u00f5es de pessoas na rua protestando, invadiram o Iraque e come\u00e7aram a matar o pessoal por l\u00e1. Ent\u00e3o, fui ver o que rolava naquela parte do mundo, para entender um pouco mais. Desde ent\u00e3o, tem sido uma devo\u00e7\u00e3o total a tentar entender e aprender, a ver qual \u00e9 o lado deles. Obviamente, ningu\u00e9m \u00e9 santo, mas a situa\u00e7\u00e3o de calamidade em que se encontram os palestinos \u00e9 uma coisa terr\u00edvel. \u00c9 muito triste ver que oprimidos viram opressores. Os judeus tiveram todos esses problemas no passado e, agora, comportam-se pior ainda.<\/p>\n<p><strong>Nessa \u00e9poca, voc\u00ea tamb\u00e9m esteve na Palestina ou s\u00f3 no Iraque?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o consegui entrar no Iraque. Fiquei na Jord\u00e2nia, tentando entrar. Na Palestina, tamb\u00e9m. Quando tentei entrar, n\u00e3o deixaram. Tentei entrar de novo em 2004. Mas, do aeroporto de Tel-Aviv, botaram-me na pris\u00e3o e, depois, me deportaram. E falaram que eu nunca mais iria poder entrar. Voc\u00eas sabem como eles s\u00e3o, n\u00e9? Se voc\u00ea mostra um pouco de solidariedade aos palestinos, j\u00e1 te colocam na lista negra. Finalmente, consegui entrar em Gaza entre dezembro de 2009 e janeiro de 2010, com a Gaza Freedom March [Marcha da Liberdade de Gaza]. Fiquei dois dias e meio e j\u00e1 nos mandaram embora. Fomos obrigados a sair. E, agora, estava voltando para Gaza com essa carga humanit\u00e1ria quando ocorreu essa carnificina.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea viu em Gaza quando esteve l\u00e1 nesses tr\u00eas dias? Qual foi sua impress\u00e3o? A coisa \u00e9 t\u00e3o feia quando a gente imagina?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 claro! Se voc\u00ea est\u00e1 atacando a infra-estrutura b\u00e1sica do pa\u00eds&#8230; os caras n\u00e3o t\u00eam nem saneamento b\u00e1sico, nem acesso \u00e0 \u00e1gua limpa. Isso \u00e9 um absurdo. Os israelenses bombardearam os pr\u00e9dios da ONU, a \u00fanica f\u00e1brica de farinha, as escolas, os hospitais&#8230; isso \u00e9 um crime internacional. \u00c9 uma crise humanit\u00e1ria total. Mas a\u00ed que est\u00e1. Nunca acontece nada com Israel. Os EUA batem nas costas de Israel e falam assim: \u201c\u00f3, n\u00e3o faz n\u00e3o, t\u00e1?\u201d. Os israelenses acharam que ningu\u00e9m ia ver a carnificina porque tinham cortado todos nossos sat\u00e9lites. Mas a gente tinha um sat\u00e9lite de backup, ent\u00e3o, conseguiu transmitir um pouco o ataque. E o mundo inteiro viu e ficou abismado. Vendo esse material, voc\u00ea decide por si mesmo o que foi aquilo. A gente que estava esperando para atac\u00e1-los ou eles que vieram e atacaram a gente? Era um barco de amor ou de \u00f3dio? Voc\u00ea decide por si pr\u00f3prio.<\/p>\n<p><strong>Antes da a\u00e7\u00e3o, as autoridades israelenses j\u00e1 afirmavam para a opini\u00e3o p\u00fablica de Israel que a miss\u00e3o humanit\u00e1ria tinha o objetivo de prestar apoio ao terrorismo. Inclusive usaram essa express\u00e3o, \u201cbarco do \u00f3dio\u201d. O que voc\u00ea acha dessa campanha do governo israelense?<\/strong><\/p>\n<p>Mas mesmo essa acusa\u00e7\u00e3o o governo israelense acabou assumindo que era mentira. N\u00e3o conseguiram provar. Eles jogam uma mentira atr\u00e1s da outra, o mundo absorve, come\u00e7am a escrev\u00ea-las na imprensa e, depois que as mentiras s\u00e3o desvendadas, a imprensa n\u00e3o desvenda junto. Por isso que a gente tem que fazer, com nossos ve\u00edculos pequenos, nossas estruturas pequenas, com que a informa\u00e7\u00e3o verdadeira chegue \u00e0s pessoas. A gente continua trabalhando, com foto, com v\u00eddeo, com depoimento, com investiga\u00e7\u00f5es, com o que puder. O intuito maior \u00e9 o de fazer uma press\u00e3o internacional para realmente haver uma investiga\u00e7\u00e3o internacional e independente sobre o que aconteceu e se aplicar a lei internacional. Acho que a gente tem que continuar lutando. Podem me amea\u00e7ar de morte, desaparecer comigo, mas eu vou continuar trabalhando. N\u00e3o vou ficar me submetendo \u00e0s amea\u00e7as. Eu n\u00e3o vou parar de fazer meu trabalho, porque \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o moral. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o que todos n\u00f3s, seres humanos decentes, trabalhemos pela Justi\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ficar s\u00f3 olhando, assistindo pela televis\u00e3o a todas essas injusti\u00e7as acontecerem.<\/p>\n<p><strong>Qual era o perfil dos integrantes da frota? Era muito variado?<\/strong><\/p>\n<p>Era muito misturado. Tinha desde uma criancinha de um ano at\u00e9 pessoas de 85, 86 anos. O mais velhinho que eu entrevistei tinha 85 anos. Eram pessoas de v\u00e1rias \u00e1reas. Religiosos&#8230;<\/p>\n<p><strong>Cat\u00f3licos, mu\u00e7ulmanos&#8230;?<\/strong><\/p>\n<p>Cat\u00f3licos, mu\u00e7ulmanos, ateus, agn\u00f3sticos, tinha de tudo. Foi a viagem mais importante da minha vida, porque eu sentia no ar aquela motiva\u00e7\u00e3o pela Justi\u00e7a. Eram de v\u00e1rias \u00e1reas. Jornalistas, artistas, volunt\u00e1rios humanit\u00e1rios, enfermeiros&#8230; uns que eram s\u00f3 pais de fam\u00edlia, outros que estavam l\u00e1 porque queriam fazer alguma coisa&#8230;<\/p>\n<p><strong>Como estava o clima dentro do barco, as conversas&#8230;? Voc\u00eas estavam confiantes de que poderiam chegar \u00e0 Faixa de Gaza? <\/strong><\/p>\n<p>Eu acho que as pessoas eram bem inocentes. Obviamente, n\u00e3o posso falar porque n\u00e3o entrevistei as 400 pessoas. Mas as que eu entrevistei sempre tinham esse otimismo e diziam: \u201cchegaremos l\u00e1, vamos abra\u00e7ar todo mundo que vai estar esperando a gente\u201d. Chegaram ao ponto de falar: \u201cIara, voc\u00ea que \u00e9 muito negativa! Voc\u00ea \u00e9 maluca, voc\u00ea \u00e9 uma exagerada, uma alarmista. Imagina que os caras v\u00e3o atacar a gente aqui!\u201d. E eles tiveram o atrevimento, vieram e mataram mesmo! Uma coisa incr\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o ningu\u00e9m esperava uma a\u00e7\u00e3o desse tipo. Talvez esperassem uma intercepta\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o desse tipo, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Claro que n\u00e3o. A gente esperava que ia ser no verbal, com tiros para o ar&#8230; Eu, por exemplo, estava ciente de que a gente ia parar na pris\u00e3o. J\u00e1 havia lido que eles j\u00e1 tinham limpado uma pris\u00e3o nova para n\u00f3s. Mas n\u00e3o imaginava que fossem matar as pessoas! Isso \u00e9 um absurdo!<\/p>\n<p><strong>E como foi? Onde voc\u00ea estava, o que viu, o que ouviu?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0s 11 horas da noite, mais ou menos, est\u00e1vamos no meio de \u00e1guas internacionais e vimos uns dois navios da marinha israelense. Passaram-se as horas, e as pessoas l\u00e1, escrevendo na internet, rezando, conversando, outros dormindo&#8230; aquela coisa meio tensa, mas ningu\u00e9m achando que eles nos atacariam no meio da escurid\u00e3o e em mares internacionais. Mas tiveram a petul\u00e2ncia. Cortaram toda a comunica\u00e7\u00e3o de sat\u00e9lite e, \u00e0s 4 horas da manh\u00e3, quando tiveram a seguran\u00e7a de que n\u00e3o haveria mais comunica\u00e7\u00e3o com o resto do mundo, chegaram e come\u00e7aram a atacar. Eram v\u00e1rios botes de borracha&#8230;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea estava acordada?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Muita gente estava dormindo, mas muita gente estava acordada. Estava meio tenso o clima. Ent\u00e3o, eles mandaram esses barcos, bem silenciosos, cheios de soldados. E j\u00e1 come\u00e7aram a opera\u00e7\u00e3o. De repente, eu olhei para o lado e j\u00e1 tinha um helic\u00f3ptero descendo com um monte de comando. A\u00ed, comecei a ouvir uns tiros. Falei: \u201cnossa, os caras est\u00e3o atirando!\u201d. Ent\u00e3o, gritaram: \u201cmulheres para baixo!\u201d. Eu desci tamb\u00e9m, e fiquei preocupada, pensando no que estava acontecendo com meus amigos, com o pessoal da minha equipe. Quando subi, vi um monte de mortos, de machucados. Foi um neg\u00f3cio r\u00e1pido.<\/p>\n<p><strong>A essa hora, voc\u00ea j\u00e1 tinha parado de ouvir os tiros?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, os tiros foram cont\u00ednuos. E eu vendo aquele sangue todo, aquela gente toda. Foi uma coisa muito surreal. A\u00ed, gritaram de novo: \u201cmulheres para baixo!\u201d. Eu j\u00e1 estava quase vomitando&#8230;<\/p>\n<p><strong>Quem gritava \u201cmulheres para baixo\u201d? Os soldados ou o pessoal do barco?<\/strong><\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios passageiros. Por isso que n\u00e3o teve nenhuma mulher morta. Quando eu j\u00e1 estava de novo com as mulheres, ouvimos, de repente, um megafone: \u201colha, acabou a hist\u00f3ria, n\u00e3o resistam, n\u00e3o se movam, fiquem calmos, porque os caras j\u00e1 pegaram a lideran\u00e7a do navio, est\u00e3o usando balas mesmo, e n\u00e3o tem nem jeito de voc\u00eas quererem resistir com sua cadeira, com sua vassoura&#8230;\u201d. Logo em seguida, vieram esses caras com a roupa preta, s\u00f3 mostrando os olhinhos, com aquelas armas gigantescas, como se estivessem numa guerra total. Apontando as armas para a gente, falaram: \u201colha, fica todo mundo quieto a\u00ed, a gente vai come\u00e7ar a algemar todo mundo\u201d. Ent\u00e3o, algemaram um por um e mandaram todos para cima, os homens e as mulheres. Nos sequestraram e nos levaram para o porto de Ashdod. L\u00e1, tiraram nossas digitais, confiscaram nossos passaportes e pertences, botaram-nos nos cambur\u00f5es e nos mandaram para a pris\u00e3o. Ficamos l\u00e1, por dois ou tr\u00eas dias, at\u00e9 conseguirmos fazer com que a embaixada viesse, conseguirmos um advogado, fazermos uma liga\u00e7\u00e3o&#8230; Depois do terceiro dia, \u00e0s 6 horas da manh\u00e3, come\u00e7aram a gritar: \u201cvoc\u00eas v\u00e3o para casa\u201d. No aeroporto de Tel-Aviv, descobrimos que o primeiro-ministro da Turquia [Recep Tayyip Erdogan] tinha mandado um avi\u00e3o da Turkish Airlines para tirar todo mundo daquela zona. Foi uma grande solidariedade do governo da Turquia. Eles ficaram t\u00e3o assustados e surpresos com essa agress\u00e3o que se responsabilizaram de cuidar de todo mundo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea chegou a afirmar \u00e0 imprensa que foram mais de nove mortos, porque ainda haveriam desaparecidos.<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o falo de forma oficial porque, sen\u00e3o, cria muita confus\u00e3o. Eu perguntei para uma enfermeira e ela disse que eram 14 mortos. Mas ela era turca, ou seja, de repente, teve problema de tradu\u00e7\u00e3o. Ela n\u00e3o fala ingl\u00eas e, de repente, n\u00e3o entendeu o que eu perguntei. A gente fica comentando o que um viu, o que n\u00e3o viu. \u00c9 s\u00f3 especula\u00e7\u00e3o. Ontem [dia 11], eu ouvi dizer que n\u00e3o tinha ningu\u00e9m procurando por esses desaparecidos. Ent\u00e3o, algumas pessoas est\u00e3o especulando de que [os desaparecidos] eram agentes do Mossad [a pol\u00edcia secreta de Israel]. Isso tudo \u00e9 especula\u00e7\u00e3o, mas, obviamente, eles tinham os espi\u00f5es l\u00e1. Como a gente tinha acesso \u00e0 internet, v\u00edamos que sa\u00eda no The Jerusalem Post o que a gente estava fazendo nos navios. Como que os caras sabiam, uma hora depois, que a gente tinha feito uma reza, cantado uma can\u00e7\u00e3o? Deve ter tido uma certa infiltra\u00e7\u00e3o. Parece que, quando eles come\u00e7aram a contatar os navios, sabiam o nome de cada capit\u00e3o. Teve um soldado que derrubou um caderninho que continha as fotos dos VIPs [lideran\u00e7as], dos militantes em cada barco&#8230; eles sabiam tudo.<\/p>\n<p><strong>O que me chamou a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos os mortos eram turcos (um deles, estadunidense de origem turca). Por que aconteceu isso? Foi coincid\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p>Como eu disse antes, a gente s\u00f3 pode especular. Obviamente as pessoas ficam intrigadas. A maioria das pessoas de nosso navio era turca. Eu at\u00e9 perguntava se os que foram mortos eram os cabe\u00e7as dessa organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria [IHH] ou s\u00f3 passageiros. H\u00e1 muitas perguntas que ainda n\u00e3o foram respondidas. Eu, por exemplo, nem sei onde est\u00e3o todos os machucados. Quando sa\u00edmos de Tel-Aviv, n\u00e3o conseguimos evacuar todas as pessoas porque alguns estavam feridos demais. Se os tir\u00e1ssemos por duas horas at\u00e9 chegar em Istambul, eles morreriam. Quando a gente j\u00e1 estava no avi\u00e3o, demorou um temp\u00e3o para se fazer a checagem dos passageiros. Porque a organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria tinha uma lista, o pessoal do avi\u00e3o outra, Israel outra. Foi aquela confus\u00e3o para saber se tinha entrado todo mundo no avi\u00e3o ou n\u00e3o. Por isso que \u00e9 muito importante fazer um esfor\u00e7o e press\u00e3o para se ter uma investiga\u00e7\u00e3o independente. H\u00e1 ainda muitas quest\u00f5es n\u00e3o respondidas. Uma coisa \u00e9 certa: foi um crime da parte do governo de Israel, e isso tem que ser levado \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Gostaria que voc\u00ea contasse um pouco como foram os momentos de deten\u00e7\u00e3o em Israel. Como os soldados agiam, o que eles falavam? <\/strong><\/p>\n<p>A gente n\u00e3o sofreu agress\u00f5es f\u00edsicas. N\u00e3o teve aquele abuso de tortura&#8230;<\/p>\n<p><strong>Mas eles falavam alguma coisa para voc\u00eas?<\/strong><\/p>\n<p>Aquela grosseria do dia-a-dia deles. Mas, na parte onde estavam os homens, parece que muitos foram fisicamente torturados. Hoje mesmo [dia 12] recebi uma informa\u00e7\u00e3o de que foram espancados. Em quem abria a boca e tentava confrontar, os caras batiam mesmo.<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p><em> <\/em><\/p>\n<p><em>Iara Lee \u00e9 uma cineasta brasileira radicada em Nova York, nos EUA. \u00c9 autora dos document\u00e1rios Synthetic Pleasures (1995) e Modulations (1998), entre outros. Membro do conselho do International Crisis Group e da National Geographic Society, j\u00e1 morou no L\u00edbano e no Ir\u00e3. Militante pela paz no Oriente M\u00e9dio, colabora com diversas iniciativas nesse sentido, entre elas, a Campanha Internacional pela Elimina\u00e7\u00e3o de Bombas de Fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/v01\/agencia\/especiais\/brasil-de-fato-na-palestina\/201celes-vieram-e-mataram-mesmo201d\/view\" >GO TO ORIGINAL \u2013 BRASIL DE FATO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, a cineasta brasileira Iara Lee, integrante da Frota da Liberdade, conta sua experi\u00eancia a bordo do navio atacado por Israel.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-6185","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6185","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6185\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}