{"id":61936,"date":"2015-08-03T12:00:47","date_gmt":"2015-08-03T11:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=61936"},"modified":"2015-08-03T08:47:51","modified_gmt":"2015-08-03T07:47:51","slug":"portugues-as-crises-da-vida-e-a-autorealizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/08\/portugues-as-crises-da-vida-e-a-autorealizacao\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) As Crises da Vida e a Autorealiza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/leonardo-boff-niemeyer-veja.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-43415\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/leonardo-boff-niemeyer-veja-150x150.jpg\" alt=\"leonardo-boff-niemeyer-veja\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Quase s\u00f3 se fala de crise e crise das crises, aquela da Terra e da vida, amea\u00e7adas de desaparecer como acenou o Papa Francisco em sua enc\u00edclicas sobre \u201co cuidado da Casa Comum\u201d. Mas tudo o que vive \u00e9 marcado por crises: crise do nascimento, da juventude, da escolha do parceiro ou parceira para a vida, crise da escolha da profiss\u00e3o, crise do \u201cdem\u00f4nio do meio-dia\u201dcomo a chamava Freud que \u00e9 a crise dos quarente anos quando nos apercebemos que j\u00e1 estamos chegando ao topo da montanha e come\u00e7a a sua descida. Por fim a grande crise da morte quando passamos do tempo para a eternidade.<\/p>\n<p>O desafio posto a cada um n\u00e3o \u00e9 como evitar as crises. Elas s\u00e3o inerentes \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana. A quest\u00e3o \u00e9 como as enfrentamos: que li\u00e7\u00f5es tiramos delas e como podemos crescer com elas. Por a\u00ed passa o caminho de nossa auto-realiza\u00e7\u00e3o e de nossa maturidade como seres humano ou de nosso fracasso.<\/p>\n<p>Toda situa\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, cada lugar \u00e9 excelente para nos medirmos conosco mesmo e mergulharmos em nossa dimens\u00e3o profunda e deixar emergir o arqu\u00e9tipo de base que carregamos (aquela tend\u00eancia de fundo que sempre nos martela) e que atrav\u00e9s de n\u00f3s quer se mostrar e fazer sua hist\u00f3ria que \u00e9 tamb\u00e9m a nossa verdadeira hist\u00f3ria. Aqui ningu\u00e9m pode substituir o outro. Cada um est\u00e1 s\u00f3. \u00c9 a tarefa fundamental da exist\u00eancia. Mas sendo fiel neste caminhar, a pessoa j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais s\u00f3. Constru\u00edu um Centro pessoal a partir do qual pode se encontrar com todos os demais caminhantes. De solit\u00e1rio faz-se solid\u00e1rio.<\/p>\n<p>A geografia do mundo espiritual \u00e9 diferente daquela do mundo f\u00edsico. Nesta os pa\u00edses se tocam pelos limites. Na outra, pelo Centro. \u00c9 a indiferen\u00e7a, a mediocridade, a aus\u00ean\u00adcia de paix\u00e3o na busca de nosso EU profundo que nos distancia de nosso Centro e dos outros e assim perdemos as afinidades, embora estejamos ao lado deles, no meio deles e pretendendo estar a servi\u00e7o deles.<\/p>\n<p>Qual \u00e9 o melhor servi\u00e7o que posso prestar \u00e0s pessoas? \u00c9 ser eu mesmo como ser-de-rela\u00e7\u00f5es e por isso sempre ligado aos outros, ser que opta pelo bem para si e para os outros, que se orienta pela verdade, ama e tem compaix\u00e3o e miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o pessoal n\u00e3o consiste na quantifica\u00e7\u00e3o de capacidades pessoais que podem ser realizadas, mas na qualidade, no modo como fazemos bem aquilo que a vida situada nos cobra. A quanti\u00adfica\u00e7\u00e3o, a busca de t\u00edtulos, de cursos sem fim, pode significar em muitas pesoas a fuga do encontro com a tarefa de sua vida: de se medir consigo mesmo, com seus desejos, com suas limita\u00e7\u00f5es, com seus problemas, com suas positividades e negatividades e integr\u00e1-los criativamente. Foge no ac\u00famulo do saber in\u00f3cuo que mais ensoberbece e afasta dos outros do que nos amadurece para poder compreender melhor a n\u00f3s mesmos e o mundo. A linguagem tr\u00e1i estas pessoas que dizem: sou <em>eu<\/em> que sei, sou <em>eu<\/em> que fa\u00e7o, sou <em>eu<\/em> que decido. \u00c9 sempre o o <em>eu <\/em>e nunca o <em>n\u00f3s<\/em> ou a causa, comungada tamb\u00e9m por outros.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o pessoal n\u00e3o \u00e9 obra tanto da raz\u00e3o que dis-corre sobre tudo, mas do esp\u00edrito que \u00e9 nossa capacidade de criar vis\u00f5es de conjunto e de ordenar as coisas em seu justo lugar e valor. Esp\u00edrito \u00e9 descobrir o sentido de cada situa\u00e7\u00e3o. Por isso \u00e9 pr\u00f3prio do esp\u00edrito a sabedoria da vida, a viv\u00eancia do mist\u00e9rio de Deus, decifrado em cada momento. \u00c9 a capacidade de ser todo em tudo o que faz. Espiritualidade n\u00e3o \u00e9 uma ci\u00eancia ou uma t\u00e9cnica, mas um modo de ser inteiro em cada situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A primeira tarefa da realiza\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 aceitar a nossa situa\u00e7\u00e3o com seus limites e possibilidades. Em cada situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 tudo, n\u00e3o quantitativamente dis-tendido, mas qualitativamente recolhido como num Centro. Entrar nesse Centro de n\u00f3s mesmos \u00e9 encontrar os outros, todas as coisas e Deus. Por isso dizia a velha sabedoria da \u00cdndia: \u201cSe algu\u00e9m pensa corre\u00adtamente, recolhido em seu quarto, seu pensamento \u00e9 ouvido a milhares de quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia\u201d. Se quiseres modificar os outros, comece por modificar-te a ti mesmo.<\/p>\n<p>Outra tarefa imprescind\u00edvel para a realiza\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 saber con-viver com o \u00faltimo limite que \u00e9 a morte. Quem d\u00e1 sentido \u00e0 morte, d\u00e1 sentido tamb\u00e9m \u00e0 vida. Quem n\u00e3o v\u00ea sentido na morte tamb\u00e9m n\u00e3o descobre sentido na vida. Morte por\u00e9m \u00e9 mais que o \u00faltimo instante ou o fim da vida. A vida mesma \u00e9 mortal. Em outras palavras, vamos mor\u00adrendo lentamente, em presta\u00e7\u00f5es, porque quando nascemos come\u00e7amos j\u00e1 a morrer, a nos desgastar e nos despedir da vida. Primeiro nos despedimos do ventre materno e morremos para ele. Depois nos despedimos da inf\u00e2ncia, da meninice, da juven\u00adtude, da escola, da casa paterna, da idade adulta, de algumas de nossas tarefas, de cada momento que passa e por fim nos despedimos da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Esta despedida \u00e9 um deixar para tr\u00e1s n\u00e3o apenas coisas e situa\u00e7\u00f5es, mas sempre um pouco de n\u00f3s mesmos. Temos que nos desapegar, nos empobrecer e esvaziar. Qual o sentido disso tudo? Pura fatalidade irreform\u00e1vel? Ou n\u00e3o possui um sentido secreto? Despojamo-nos de tudo, at\u00e9 de n\u00f3s mesmos no \u00faltimo momento da vida (morte), porque n\u00e3o fomos feitos para esse mundo nem para n\u00f3s mesmos, mas para o Grande Outro que deve encher nossa vida: Deus! Deus vai, na vida, nos tirando tudo para nos reservar cada vez mais intensamente para si; pode at\u00e9 tirar-nos a certeza se tudo valeu a pena. Mesmo assim persistimos, crendo nas palavras sagradas:\u201dSe teu cora\u00e7\u00e3o te acusa, saiba que Deus \u00e9 maior que teu cora\u00e7\u00e3o\u201d(cf. 1 Jo 3,20 ). Quem conseguir incorporar as negatividades, mesmo injustas, em seu pr\u00f3prio Centro, este alcan\u00e7ou o mais alto grau de hominiza\u00e7\u00e3o e de liberdade interior.<\/p>\n<p>As negatividades e as crises pelas quais passamos, nos d\u00e3o esta li\u00e7\u00e3o: de nos despojar e\u00a0 de nos preparar para a total plenitude em Deus. Ent\u00e3o, como diz o m\u00edstico S\u00e2o Jo\u00e3o da Cruz: seremos Deus, por participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>___________________________________<\/p>\n<p><em>Leonardo Boff \u00e9 colunista do <\/em>Jornal do Brasil<em> online, ecote\u00f3logo e escritor.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2015\/07\/31\/as-crises-da-vida-e-a-autorealizacao\/\" >Go to Original \u2013 leonardoboff.wordpress.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio posto a cada um n\u00e3o \u00e9 como evitar as crises. Elas s\u00e3o inerentes \u00e0 nossa condi\u00e7\u00e3o humana. A quest\u00e3o \u00e9 como as enfrentamos: que li\u00e7\u00f5es tiramos delas e como podemos crescer com elas. 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