{"id":6626,"date":"2010-08-02T00:00:25","date_gmt":"2010-08-01T22:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=6626"},"modified":"2010-07-30T15:27:42","modified_gmt":"2010-07-30T13:27:42","slug":"portuguese-espiritualidade-economia-e-o-mundo-dos-negocios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2010\/08\/portuguese-espiritualidade-economia-e-o-mundo-dos-negocios\/","title":{"rendered":"(Portuguese) Espiritualidade, Economia e o Mundo dos Neg\u00f3cios"},"content":{"rendered":"<p><em>O portugu\u00eas Paulo Vieira de Castro, consultor de empresas e diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing do Instituto Superior de Administra\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o (Porto) e o economista brasileiro, Marcus Eduardo de Oliveira, professor e especialista em Pol\u00edtica Internacional, dialogam sobre espiritualidade, economia social e humana e o mundo dos neg\u00f3cios. <\/em><\/p>\n<p>Na ess\u00eancia, ambos os especialistas conversam sobre a necessidade de integrar o ser humano numa vis\u00e3o mais abrangente, tanto no contexto da economia, quanto dos neg\u00f3cios, envolvendo desde a busca da felicidade \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena de cada um, comungando, nesse aspecto, a vida humana e a espiritualidade.<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 Eu creio que a mais desafiadora tarefa que cabe ao mundo da economia nos dias de hoje \u00e9 romper, sistematicamente, com a vis\u00e3o que predomina na teoria econ\u00f4mica tradicional que insiste em ignorar o ser humano e centralizar a\u00e7\u00f5es apenas nos mercados e, por conseguinte, nas mercadorias. A economia (enquanto ci\u00eancia) \u00e9 muito mais que meros gr\u00e1ficos e \u00edndices, taxas e proje\u00e7\u00f5es matem\u00e1ticas. Sendo as ci\u00eancias econ\u00f4micas uma ci\u00eancia puramente social, nada mais justo que priorizar e colocar as pessoas em primeiro lugar. Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar algo mais: faz-se imprescind\u00edvel, nesse intento, despertar nos economistas modernos, que s\u00e3o vistos, em geral, como sendo de natureza estreita e ego\u00edsta, um sentimento de sensibilidade \u00e0s dimens\u00f5es \u00e9ticas e sociais da economia.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 Aqui na Europa existe a id\u00e9ia que esta crise vai durar mais um ou dois anos.. A quest\u00e3o \u00e9: enquanto n\u00e3o mudarmos o sistema econ\u00f4mico esta crise vai durar! Como poder\u00e1 a crise ser datada se ela \u00e9 estrutural.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica dos mercados ter\u00e1 deixar de se basear na expectativa, ela ter\u00e1 de ter como outrora lastro.. a economia baseada na especula\u00e7\u00e3o chegou ao seu t\u00e9rmino, afinal n\u00e3o \u00e9 correto vender aquilo que n\u00e3o se tem.<\/p>\n<p>Acredito numa economia que, enquanto disciplina intelectual, possa ser diferente da estudada nas universidades portuguesas, onde falta uma concep\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a econ\u00f3mica baseada em algo mais elevado que o dinheiro , longe da especula\u00e7\u00e3o de <em>um mercado que tantas vezes vai por si mesmo <\/em>, colocando-se, por isso mesmo, longe de compromissos profissionais, morais, \u00e9ticos, espirituais.<\/p>\n<p>Teremos de abandonar a perspectiva que atribui um poder sobrenatural ao dinheiro . O dinheiro n\u00e3o \u00e9 o \u201cDeus do Mundo\u201d. O dinheiro, assim como a felicidade, o sucesso.., n\u00e3o \u00e9 uma esta\u00e7\u00e3o de partida, ou mesmo de chegada.. Ele poder\u00e1 ser uma ponte para algo maior..<\/p>\n<p>O enfoque ter\u00e1 de ser na empresa humana! Certo \u00e9 que a empresa humana chegou a um ponto em que ter\u00e1 de abandonar o ideal de crescimento para amadurecer, encontrando \u2013 finalmente &#8211; um sentido mais amplo para tudo o que faz ou diz. Esta id\u00e9ia aplica-se ao que \u00e9 realiza\u00e7\u00e3o humana, pelo que tamb\u00e9m a economia, a pol\u00edtica, a religi\u00e3o, os neg\u00f3cios,.., ter\u00e3o de amadurecer.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um esfor\u00e7o que n\u00e3o depende de estrat\u00e9gias de guerra, muito menos de um qualquer enigma, nem t\u00e3o pouco dos mercados financeiros,.., apenas do recentrar em torno desta id\u00e9ia de <em>o mundo muda se eu mudar<\/em>.<\/p>\n<p>Lembro que a crise presente, em especial a econ\u00f4mica \u00e9, mais que qualquer outra, resultado do nosso desamor. Ali\u00e1s, cuidar tornou-se a palavra mais esquecida do competitivo mundo das empresas e, talvez por isso, das nossas vidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nas empresas, cuidar \u00e9 poder existir, ter novamente esperan\u00e7a, promovendo condi\u00e7\u00f5es de reciprocidade, coopera\u00e7\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o plena. Esta transforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 um elemento de distin\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma nova forma de ver o mundo com base em novos questionamentos. Para isso teremos de deixar de nos ver a n\u00f3s pr\u00f3prios desde o exterior, voltando \u00e0 espiritualidade como centro de vida. Para que isso aconte\u00e7a no ambiente empresarial talvez seja necess\u00e1ria uma nova transpar\u00eancia de prop\u00f3sitos, novos valores e expectativas, um novo enfoque relacional.., refiro-me \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de verdadeiras comunidades de proximidade real.<\/p>\n<p>Relembro que ser\u00e1 necess\u00e1rio voltar \u00e0 verdadeira dimens\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o interior, deixando partir o que tem de partir. Para simplesmente \u2013 ser humano, porque n\u00e3o come\u00e7ar por a\u00ed?!<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 H\u00e1 certa pobreza de racioc\u00ednio dentro das ci\u00eancias econ\u00f4micas em torno da quest\u00e3o social. Mesmo a quest\u00e3o da \u00e9tica e do discurso sobre a liberdade do homem. Muitas coisas relevantes, nesses aspectos, n\u00e3o s\u00e3o discutidas a fundo. \u00c9 imposs\u00edvel aceitarmos, por exemplo, de forma pacifica, sem uma reflex\u00e3o mais calorosa que, num pa\u00eds como o Brasil, com todas as potencialidades para ser uma das maiores economias do mundo, com mais de 600 milh\u00f5es de hectares agricult\u00e1veis, com clima bom o ano inteiro e com muita gente disposta a trabalhar na terra, ainda tenhamos mais de 30 milh\u00f5es de pessoas passando fome diuturnamente e uma produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola de menos de 160 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os ao ano. Isso nada mais \u00e9 que uma verdadeira patologia econ\u00f4mica. O que falta \u00e9 justamente incutirmos nas pol\u00edticas p\u00fablicas, e na cabe\u00e7a de quem as faz, esse \u201ccompromisso\u201d com o social.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 As revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o acontecem pela fome nem pela mis\u00e9ria, elas s\u00e3o sempre fruto de uma nova consci\u00eancia. O medo e o sofrimento de uns, o ego de outros,.., s\u00e3o for\u00e7as que \u2013 tantas vezes &#8211; contaminam a nossa realidade, impedindo-nos de expressar a consci\u00eancia de n\u00f3s pr\u00f3prios em tudo o que realizamos. E, esta \u00e9, sem margem para d\u00favidas, a maior de todas as crises! E como o mundo se cria a partir das nossas pr\u00f3prias raz\u00f5es, alguns entre n\u00f3s iremos at\u00e9 onde os pensamentos os deixarem, outros at\u00e9 onde os pensamentos os levaram. . Acredito que o retorno a n\u00f3s pr\u00f3prios, assumindo definitivamente a espiritualidade como o mais alto patamar \u00e9tico, poder\u00e1 ser a solu\u00e7\u00e3o para quase tudo. Freq\u00fcentemente encontro pessoas que me dizem estar \u00e0 espera de um sinal do lado espiritual,.., algo que lhes diga onde ou como mudar.. Perante esta inquieta\u00e7\u00e3o, geralmente respondo: est\u00e1s enganado! O mundo espiritual \u00e9 que est\u00e1 \u00e0 espera de um sinal teu, por isso te deixou livre, por isso te deu total liberdade para escolheres o teu pr\u00f3prio caminho.<\/p>\n<p>Preocupa-me pensar que h\u00e1 quem gaste uma vida inteira nesta expectativa de ser tocado pela espiritualidade. Pela minha parte acredito que <em>o mundo s\u00f3 muda se eu mudar<\/em>, n\u00e3o tenho por que ou por quem esperar.. \u00c9, pois nessa escolha de caminho que reside a honra de ser humano e, conseq\u00fcentemente, a atitude de cuidar, n\u00e3o havendo nada que melhor defina uma pessoa que aquilo que ela faz quando tem total liberdade de escolha..<\/p>\n<p>E porque aquilo que fa\u00e7o e o que me acontece s\u00e3o uma e a mesma coisa, a espiritualidade n\u00e3o poder\u00e1 ser um mero momento de contempla\u00e7\u00e3o; a espiritualidade \u00e9 a\u00e7\u00e3o! A transforma\u00e7\u00e3o, a mudan\u00e7a, a verdadeira revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 por esta tomada de consci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 No entanto, me parece clara a id\u00e9ia de que a mudan\u00e7a reside em n\u00f3s mesmos. Concordo contigo Paulo Vieira quando afirma, em um de seus textos, que \u201cningu\u00e9m \u00e9 v\u00edtima do mundo, mas sim da forma como o percebe\u201d. E mais ainda: que \u00e9 necess\u00e1rio, primeiro, procurar um caminho e deixar, a seguir, surgir a solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 Feliz o n\u00f4made que, sem questionar a sua sorte, sem hesitar perante o seu destino, percebe o caminho em tudo o que faz, em todas as coisas, pois s\u00f3 assim se tornar\u00e1 caminho. Esta \u00e9 a mais antiga de todas as leis.<\/p>\n<p>Na realidade \u00e9 neste confundir entre o futuro e o caminho que nos perdemos vulgarmente. \u00c9 que todos queremos ir para o c\u00e9u, mas nem todos queremos ir por onde se vai para o c\u00e9u. Tantas vezes estamos unidos quanto ao destino, mas n\u00e3o quanto ao m\u00e9todo que nos leva at\u00e9 ele..<\/p>\n<p>O problema do Homem contempor\u00e2neo \u00e9 que parte \u2013 quase sempre \u2013 de meio do caminho.. H\u00e1 que despertar a certeza \u00e9tica da conquista de resultados <em>com sentido para todos<\/em>, permitindo elevar o n\u00edvel de auto-realiza\u00e7\u00e3o de cada um atrav\u00e9s d o desenvolvimento de afetos verdadeiros, propiciando deste modo o v\u00f4o espiritual, facilitador de uma comunidade de valores centrais \u00e0 responsabilidade de ser humano.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da id\u00e9ia avan\u00e7ada pela sociedade da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento, onde se mostrava central conhecer, a proposta ser\u00e1 a de auto-realizar integralmente o que se diz saber. N\u00e3o \u00e9 suficiente conhecer a responsabilidade como caminho para um mundo mais justo, \u00e9 necess\u00e1rio cumpri-la, experimentando-a diretamente.<\/p>\n<p>Lembro que conhecer o caminho n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que trilh\u00e1-lo at\u00e9 ao seu termo. Garanto-lhe que no final da caminhada estar\u00e1 algu\u00e9m, muito importante, \u00e0 sua espera: voc\u00ea! Sinto que, a todos os n\u00edveis, existe uma emergente necessidade de assumir novos v\u00ednculos relacionais, assim ser\u00e1 o seu mais elevado des\u00edgnio, express\u00e3o maior da intencionalidade e prop\u00f3sito da exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p>Certo \u00e9 que a perda de um centro de valores robusto colocou, muitos entre n\u00f3s, \u00e1 espera de \u201calgo\u201d, perdendo-se neste emaranhado de coisa nenhuma.. Esta \u00e9 uma postura que condiciona, irremediavelmente, a nossa atitude em todos os projetos, afetando vida profissional, afetiva, familiar..<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 Escrevi recentemente que a Economia e a Teologia precisam se \u201cconhecer\u201d melhor uma a outra, afinal, h\u00e1 um discurso de ambas as formas de pensar na mesma linha: qual seja, a valoriza\u00e7\u00e3o da vida humana (pelo lado da economia social e humana, e n\u00e3o da economia tradicional) e, pelo lado da teologia, quando resgata seu preceito mais importante: promover a <em>liberta\u00e7\u00e3o <\/em>do homem. Nesse pormenor, urge entendermos que a qualidade de vida, que a ci\u00eancia econ\u00f4mica tradicional estuda com certo desd\u00e9m, \u00e9 medida no eixo da liberdade.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 Existe uma prece v\u00e9dica,<em> samatwa<\/em>, que nos fala do que fazer para trazer de volta a liberdade de ser humano. Para que tal seja poss\u00edvel a muito ajudar\u00e1 a leitura deste pequeno trecho:<\/p>\n<p>Senhor, d\u00e1-me serenidade para aceitar o que n\u00e3o pode ser mudado, d\u00e1-me coragem para mudar aquilo que pode ser mudado. E principalmente, d\u00e1-me sabedoria para discernir aquilo que pode ser mudado daquilo que n\u00e3o pode ser mudado.<\/p>\n<p>Concordo que necessitamos de devolver ao Homem o seu verdadeiro lugar, e esse n\u00e3o se compadesse com o fazer o papel de Deus. Nem t\u00e3o pouco nenhum de n\u00f3s ser\u00e1 a mensagem; apenas o mensageiro.<\/p>\n<p>Claro que se faz habitualmente alguma confus\u00e3o entre religi\u00e3o e espiritualidade. De uma forma muito simplista diria que religi\u00f5es h\u00e1 muitas, enquanto espiritualidade h\u00e1 s\u00f3 uma, aquela que reside em todos n\u00f3s, sendo muitas \u00e0s vezes em que ambas andam de m\u00e3os dadas.<\/p>\n<p>A teologia e a economia s\u00f3 se poder\u00e3o encontrar atrav\u00e9s dos Homens. Na pr\u00e1tica, antes de poder alinhar as minhas cren\u00e7as pessoais com os valores de uma equipa, deverei refletir em torno dos v\u00e1rios n\u00edveis de consci\u00eancia que est\u00e3o a ser jogados, s\u00f3 depois disto poderei assumir um compromisso para algo maior. Por exemplo, nenhum de n\u00f3s poder\u00e1 almejar desenvolver a sua espiritualidade sem antes ter ultrapassado a responsabilidade de ser \u00edntegro, \u00e9tico, respons\u00e1vel perante os outros. A religi\u00e3o, a espiritualidade s\u00e3o compromissos consigo mesmo, em nada dependente da vontade dos outros..<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 O \u201cDharma Marketing\u201d, cujo princ\u00edpio essencial \u00e9 o de criar a auto-lideran\u00e7a tem alguma rela\u00e7\u00e3o com a economia quando se pensa especificamente nos atores econ\u00f4micos que interagem na atividade produtiva?<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 Certo \u00e9 que a compet\u00eancia organizacional, n\u00e3o depende exclusivamente de um conjunto de formalidades, de motiva\u00e7\u00f5es externas ou materiais, existindo um grupo alargado de padr\u00f5es n\u00e3o convencionais\/inconscientes que constantemente interferem nas decis\u00f5es empresariais, tornando-se, tamb\u00e9m por isso, necess\u00e1rio agir a um n\u00edvel mais \u00edntimo, muito especialmente quando pretendemos fundar-nos em valores t\u00e3o profundos quanto os espirituais.<\/p>\n<p>Assim, tamb\u00e9m nas empresas encontramos o potencial do princ\u00edpio animador ou vital do ser humano (a espiritualidade), afirmando-se, deste modo, a exist\u00eancia de uma identidade supra-humana, atrav\u00e9s de uma impercept\u00edvel teia organizacional, pelo que o mundo das empresas dever\u00e1 ser visto como um todo, em constante relacionamento, e conseq\u00fcentemente, em transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Costumo explicar esta id\u00e9ia dando como exemplo o momento em que nos deparamos com algu\u00e9m. Deste encontro nasce uma terceira entidade que \u00e9 a alma da rela\u00e7\u00e3o; porque seria diferente nas rela\u00e7\u00f5es empresariais? Por estranho que pare\u00e7a, esta \u00e9 a \u00fanica dimens\u00e3o que perdura para al\u00e9m do tempo e do espa\u00e7o, sendo a este n\u00edvel &#8211; mais subtil &#8211; que se funda o inconsciente organizacional. E, se a espiritualidade tem a ver com a\u00e7\u00e3o logo \u00e9 produ\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o porque n\u00e3o administrar este capital relacional? A lideran\u00e7a para o terceiro mil\u00eanio vai nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que tal seja poss\u00edvel ser\u00e1 necess\u00e1rio assumir um novo regime de servi\u00e7o e de transpar\u00eancia, s\u00f3 conceb\u00edvel pela abertura dos canais intuitivo-an\u00edmicos da rela\u00e7\u00e3o: o inconsciente organizacional.<\/p>\n<p>Ao imaginarmos o Dharma Marketing propomos um conceito que se inscreve dentro da linha de entendimento do marketing relacional, n\u00e3o esquecendo que as organiza\u00e7\u00f5es dever\u00e3o estar focadas em valores, em estrat\u00e9gias,.., dependentes de h\u00e1beis negociadores, criativos, empreendedores, que saibam trabalhar sob press\u00e3o. Mas, ser-lhes-\u00e1 isso poss\u00edvel na aus\u00eancia da consci\u00eancia e si mesmo?! Partindo desta quest\u00e3o surge um novo conceito de marketing que se prop\u00f5e chegar a mais inconsciente dimens\u00e3o do psiquismo humano, antecipando o caminho para um marketing de proximidade real.<\/p>\n<p>Se a consci\u00eancia da oferta e da procura se altera, porque n\u00e3o mudaria o marketing?! Este tem vindo a evoluir na sua orienta\u00e7\u00e3o, indo para al\u00e9m do produto, da venda, do mercado, do cliente,.., assim, depois do marketing massificado, do marketing de segmenta\u00e7\u00e3o, do marketing <em>one to one<\/em>,.., surge igualmente o marketing orientado para a perspectiva hol\u00edstica da rela\u00e7\u00e3o: o inconsciente organizacional.<\/p>\n<p>Habitualmente explico a mudan\u00e7a de focus estrat\u00e9gico proporcionado pelo Dharma Marketing utilizando a par\u00e1bola da terceira margem do rio. Do rio que tudo arrasta, dizemos que \u00e9 violento, esquecendo-nos o qu\u00e3o arrebatadoras s\u00e3o as margens que o comprimem. A viol\u00eancia do rio enquanto quest\u00e3o estrat\u00e9gica n\u00e3o est\u00e1 nele pr\u00f3prio, mas sim nas suas margens, ou seja, no constrangimento impercept\u00edvel que tudo condiciona. Ao transportamos este modelo para as rela\u00e7\u00f5es humanas em contexto empresarial surgem novos desafios e, com estes, um renovado marketing: a quarta vaga do marketing relacional.<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 Talvez seja necess\u00e1rio, ademais, refor\u00e7armos a id\u00e9ia de que a vida humana e a espiritualidade jamais poder\u00e3o ser separadas. H\u00e1 que enfatizar-se, no entanto, que a espiritualidade \u2013 e n\u00e3o as diversas formas de religi\u00f5es \u2013 t\u00eam muito a ajudar na constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, \u00e0 medida que faz tamb\u00e9m surgir um \u201cnovo homem\u201d, despido de velhos v\u00edcios. Afinal, a espiritualidade est\u00e1 dentro de cada um de n\u00f3s. O Reino de Deus n\u00e3o est\u00e1 no mercado e nem nas prateleiras de algum <em>shopping center<\/em>, mas sim dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 Tem uma hist\u00f3ria &#8211; que conhe\u00e7o como sendo brasileira &#8211; onde um homem por ser t\u00e3o apaixonado pelas estrelas inventou a luneta para v\u00ea-las melhor. Certo dia formou-se uma escola para estudar a s ua luneta. Desmontaram a luneta, a nalisaram-na por dentro e por fora, o bservaram os seus encaixes mediram as suas lentes e estudaram a suas caracter\u00edsticas \u00f3pticas. Sobre a luneta de ver as estrelas escreveram -se muitas teses de doutoramento , assim como muitos congressos aconteceram para investigar a luneta. Toda a gente estava encantada,.., t\u00e3o fascinados ficaram pela luneta que nunca mais olharam para as estrelas. Do mesmo modo, os humanos especializaram-se no acess\u00f3rio esquecendo o essencial, o estruturante \u00e0 vida.. Infelizmente, h\u00e1 muito que deixamos de nos encantar com as estrelas..<\/p>\n<p>Pretendendo explicar esta afirma\u00e7\u00e3o coloco uma simples quest\u00e3o: porque \u00e9 que a vaca est\u00e1 feliz no pasto? A resposta \u00e9 simples; porque lhe pedem &#8211; simplesmente &#8211; para ser vaca..O ser humano distraiu-se do devir de viver a sua verdadeira natureza, a sua realidade primeira. E aqui o problema n\u00e3o est\u00e1 na economia.. Acontece que no mundo dos conceitos, muitos s\u00e3o os que andam enredados numa vida que n\u00e3o \u00e9 a deles.. O despertar espiritual ajuda ao entendimento que todos os caminhos v\u00eam do centro e voltam para o centro.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos os \u00fanicos seres da natureza capazes de nos imaginarmos fora dela, vivendo num <em>mundo fora do mundo<\/em> onde tudo s\u00e3o conceitos. Para isso em muito tem contribu\u00eddo o marketing, e em especial a publicidade ao passar de um registo ling\u00fc\u00edstico de denota\u00e7\u00e3o, para outro de conota\u00e7\u00e3o. Esta mesma l\u00f3gica foi-se estendendo \u00e0 felicidade, ao sofrimento, ao sucesso ou \u00e0 falta dele..<\/p>\n<p>Por exemplo, se perguntarmos a um oper\u00e1rio fabril, h\u00e1 30 anos funcion\u00e1rio da mais famosa marca de roupa intima feminina: o que \u00e9 que voc\u00ea faz? Ele vai responder soutiens, slips,.. Se colocarmos essa mesma pergunta ao respons\u00e1vel pelo marketing, a resposta ser\u00e1: SONHOS! Ou, dependendo do posicionamento estrat\u00e9gico da empresa: EROTISMO!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, parece que o grande pecado das empresas ter\u00e1 sido querer dar \u00e0s pessoas o que elas tanto desejavam, colocando-se novamente a responsabilidade do lado dos consumidores. Por exemplo, muitas vezes ouvimos coment\u00e1rios pouco elogiosos \u00e1 programa\u00e7\u00e3o televisiva e eu pergunto, porque \u00e9 que \u00e0 noite s\u00f3 passam telenovelas? A resposta \u00e9 simples: porque as pessoas s\u00f3 querem ver telenovelas.. Eu sei que isto \u00e9 cruel, mas \u00e9 real!<\/p>\n<p>Para, al\u00e9m disso, o Homem tornou-se um ser de convic\u00e7\u00f5es, animado pelo desejo de convencer. Ali\u00e1s, persuadir \u00e9 uma experi\u00eancia espec\u00edfica do g\u00eanero humano. Os restantes seres da natureza informam e exprimem, nunca assumindo a postura do convencer, pelo que s\u00f3 o ser humano pode fantasiar a respeito de si mesmo e dos outros. \u00c9 aqui que um novo Homem ter\u00e1 de aprender mais com a Natureza, e menos com a Civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o desnorte dos consumidores muito ter\u00e1 contribu\u00eddo o ideal neoliberal, associado \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de \u201cum mundo que vai por si mesmo\u201d. O mercado torna-se, deste modo, uma entidade n\u00e3o control\u00e1vel, afetando irremediavelmente o comportamento do homem moderno, transformando-se a exalta\u00e7\u00e3o do consumo de tal modo presente no indiv\u00edduo que a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade se viu for\u00e7ada a atribuir \u00e0 <em>Oniomania<\/em> (febre das compras) a refer\u00eancia IM-10 da classifica\u00e7\u00e3o internacional das doen\u00e7as, sendo-lhe, ainda, atribu\u00edda a men\u00e7\u00e3o DSM-IV na <em>Statistical Manual of Mental Disorder<\/em>. A minha apreens\u00e3o a este respeito tem sido, essencialmente, ao n\u00edvel da responsabilidade e da \u00e9tica nas empresas. Aqui nenhuma organiza\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser maior que o horizonte espiritual dos seus lideres. O mesmo se aplicar\u00e1 aos pa\u00edses, mas tamb\u00e9m \u00e0s fam\u00edlias, logo a todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>\u2013 Certo \u00e9 que n\u00e3o d\u00e1 mais para negar a natureza social da economia. Assim como n\u00e3o se pode ocultar \u2013 ainda que os tradicionais queiram &#8211; que h\u00e1 mecanismos econ\u00f4micos que \u201cgeram\u201d e perpetuam a pobreza.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 A no\u00e7\u00e3o de interdepend\u00eancia econ\u00f4mica tem de ser ajustada a outros v\u00ednculos. Certo \u00e9 que o ser humano sai altamente prejudicado pela forma redutora como tem entendido o mundo como algo que pode ser s\u00f3 de alguns, em especial no contexto da economia e dos neg\u00f3cios. Mas de que mundo falo eu?<\/p>\n<p>Marcus, imagine a sua vida representada por uma velha cabana constru\u00edda em madeira. As dificuldades que v\u00e3o surgindo ao longo da sua exist\u00eancia deixam vest\u00edgios, estes s\u00e3o aqui representados por fendas que a marcam, mais ou menos, violentamente.<\/p>\n<p>Agora que est\u00e1 l\u00e1 dentro olhe o enegrecido telhado. Se eu lhe der a escolher um dos buracos e lhe pedir para o descrever, como \u00e9 que o referiria? Preto? Castanho? Azul..? Ou limitar-se-ia a ver o contorno, isto \u00e9 a parte do telhado \u00e0 volta do buraco?<\/p>\n<p>Sem que nos apercebamos disso, esta \u00e9 uma escolha que temos de fazer todos os dias, cometendo, invariavelmente, o mesmo erro. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel separar o buraco do telhado e vice-versa. Afinal, a sua vida e a dos outros s\u00e3o uma mesma tela; insepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Pela mesma ordem de raz\u00f5es vida humana e a espiritualidade jamais poder\u00e3o ser separadas, assim como o conhecimento n\u00e3o poder\u00e1 ser separado de quem conhece, acontecendo o mesmo na rela\u00e7\u00e3o professor aluno, ou entre o dan\u00e7arino e a dan\u00e7a.. \u00c9 isto que se passa com a nossa vida, n\u00e3o sendo, por isso mesmo, poss\u00edvel separar nenhum momento de uma exist\u00eancia, onde problemas e solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o duas faces de uma mesma moeda. Este entendimento traz-nos outro horizonte sempre que tomamos decis\u00f5es, pelo que para al\u00e9m de partirmos das quest\u00f5es certas, teremos de seguir o caminho menos trilhado: a via interior dos neg\u00f3cios. A economia ter\u00e1 de estar \u2013 definitivamente &#8211; ao servi\u00e7o de uma vis\u00e3o integral do ser humano.<\/p>\n<p><strong>Marcus <\/strong>&#8211; Pergunto-lhe se, no mundo dos neg\u00f3cios, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer la\u00e7os de sociabilidade repletos de comunh\u00e3o e solidariedade? E que tipo de sucesso se deve perseguir nas empresas? Afinal, os economistas, em geral, confundem sucesso e prosperidade com aquisi\u00e7\u00e3o e ac\u00famulo de bens materiais.<\/p>\n<p><strong>Paulo <\/strong>\u2013 A palavra central na resposta \u00e0 sua pergunta \u00e9: felicidade! Tenho para mim que a felicidade n\u00e3o repousa em grandes posses, mas sim em grandes anseios. Esta \u00e9, afinal, a \u00fanica grande riqueza da vida humana; ser lembrado pela nossa generosidade, pela nossa gentileza,..Como acontece com o bem, a felicidade \u00e9 pr\u00e9-existente \u00e0 natureza do mundo, pelo que \u00e9 algo que est\u00e1 desde sempre em n\u00f3s, isto ao contr\u00e1rio da infelicidade. Esta \u00faltima \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o exclusiva dos Homens. Isto acontece porque existe uma resist\u00eancia inconsciente que nos obriga a procurar sempre fora de n\u00f3s, levando-nos a seguir pensamentos dos outros, o sucesso dos outros ,. . , a felicidade dos outros..<\/p>\n<p>Aquilo que n\u00e3o custa dinheiro ser\u00e1 o que mais nos poder\u00e1 inspirar. Veja; para si qual \u00e9 o valor real de um sorriso, ou de um abra\u00e7o sincero? Refiro-me, ainda, a outros recursos infinitos de sentido, patrim\u00f4nio de todos os homens e mulheres, valores como a bondade, a compaix\u00e3o, o desapego, etc..<\/p>\n<p>Certo \u00e9 que todos viemos ao mundo de m\u00e3os vazias, regressando de m\u00e3os vazias; sem exce\u00e7\u00e3o..<\/p>\n<p>Tendo como inten\u00e7\u00e3o gerar felicidade aos outros e a si mesmo, dar \u00e9 a mais profunda das formas de purifica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o que voc\u00ea der ser\u00e1 eternamente seu; o que n\u00e3o der tiram-lhe; acredite!<\/p>\n<p>Mas, porque ser\u00e1 que quando falamos em dar tendemos a pensar em dinheiro? Essa \u00e9 uma resposta que facilmente encontramos em cada um de n\u00f3s..<\/p>\n<p>No futuro teremos de valorizar essencialmente o dar respons\u00e1vel, relegando para um segundo plano a solidariedade meramente material.<\/p>\n<p>Aceitar a import\u00e2ncia de tais dimens\u00f5es da exist\u00eancia humana, obriga a que cada um de n\u00f3s seja um cientista interior, cuja maior val\u00eancia ser\u00e1 a de experimentar a (sua) pr\u00f3pria realidade interdependente.<\/p>\n<p>Tratando-se de uma terra sem caminho, viver nesta convic\u00e7\u00e3o ser\u00e1 assumir a maior responsabilidade das nossas vidas: ter como miss\u00e3o o confiar que \u00e9 poss\u00edvel um mundo melhor para todos. Para que isso aconte\u00e7a j\u00e1 hoje fa\u00e7a o que \u00e9 necess\u00e1rio, amanh\u00e3 o que \u00e9 poss\u00edvel, e de repente estar\u00e1 a realizar o imposs\u00edvel.. Lembre-se que os milagres n\u00e3o acontecem em contradi\u00e7\u00e3o com a natureza, mas sim com o que dela conhecemos. Certo \u00e9 que nas organiza\u00e7\u00f5es, como em tudo na vida, existem unicamente duas escolhas para todos os problemas. A primeira \u00e9 aceitar as condi\u00e7\u00f5es que existem, a outra \u00e9 aceitar a responsabilidade de as mudar.<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p><em>Paulo Vieira de Castro \u00e9 um consultor de empresas portugu\u00eas, professor e diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing (Porto). Contato: <\/em><em><a title=\"blocked::mailto:geral@paulovieiradecastro.com\" href=\"mailto:geral@paulovieiradecastro.com\">geral@paulovieiradecastro.com <\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Marcus Eduardo de Oliveira \u00e9 um economista brasileiro, professor de Teoria Econ\u00f4mica e especialista em Pol\u00edtica Internacional. Contato: <\/em><em><a title=\"blocked::mailto:prof.marcuseduardo@bol.com.br\" href=\"mailto:prof.marcuseduardo@bol.com.br\">prof.marcuseduardo@bol.com.br <\/a><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a9 1999-2006. \u00abPRAVDA.Ru\u00bb. No acto de reproduzir nossos materiais na \u00edntegra ou em parte, deve fazer refer\u00eancia \u00e0 PRAVDA.Ru As opini\u00f5es e pontos de vista dos autores nem sempre coincidem com os dos editores.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"  http:\/\/port.pravda.ru\/busines\/29-07-2010\/30167-espiritualidade-0\" >GO TO ORIGINAL \u2013 PRAVDA.RU<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O portugu\u00eas Paulo Vieira de Castro, consultor de empresas e diretor do Centro de Estudos Aplicados em Marketing do Instituto Superior de Administra\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o (Porto) e o economista brasileiro, Marcus Eduardo de Oliveira, professor e especialista em Pol\u00edtica Internacional, dialogam sobre espiritualidade, economia social e humana e o mundo dos neg\u00f3cios. Na ess\u00eancia, ambos os especialistas conversam sobre a necessidade de integrar o ser humano numa vis\u00e3o mais abrangente, tanto no contexto da economia, quanto dos neg\u00f3cios, envolvendo desde a busca da felicidade \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena de cada um, comungando, nesse aspecto, a vida humana e a espiritualidade.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-6626","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6626","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6626"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6626\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6626"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6626"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6626"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}