{"id":66546,"date":"2015-11-16T12:00:25","date_gmt":"2015-11-16T12:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=66546"},"modified":"2015-11-16T09:21:16","modified_gmt":"2015-11-16T09:21:16","slug":"portugues-portugal-errou-ao-querer-ganhar-o-concurso-de-beleza-da-austeridade-diz-economista-paul-de-grauwe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/11\/portugues-portugal-errou-ao-querer-ganhar-o-concurso-de-beleza-da-austeridade-diz-economista-paul-de-grauwe\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) \u201cPortugal errou ao querer ganhar o concurso de beleza da austeridade\u201d, diz economista Paul de Grauwe"},"content":{"rendered":"<p><em>Professor na London School of Economics defende que o pa\u00eds n\u00e3o dever\u00e1 conseguir fugir a uma reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e que n\u00e3o \u00e9 masoquismo os portugueses discutirem este tema, mas sim continuarem a punir-se com mais austeridade.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_66547\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Paul-de-Grauwe-london-school-economics-portugal-austeridade.jpe\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-66547\" class=\"wp-image-66547\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Paul-de-Grauwe-london-school-economics-portugal-austeridade.jpe\" alt=\"Paul de Grauwe critica a postura de pa\u00edses como a Alemanha que continuam a aproveitar para crescer nas exporta\u00e7\u00f5es DR\" width=\"500\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Paul-de-Grauwe-london-school-economics-portugal-austeridade.jpe 749w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/Paul-de-Grauwe-london-school-economics-portugal-austeridade-300x237.jpe 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-66547\" class=\"wp-caption-text\">Paul de Grauwe critica a postura de pa\u00edses como a Alemanha que continuam a aproveitar para crescer nas exporta\u00e7\u00f5es DR<\/p><\/div>\n<p><em>10 nov 2015 &#8211; <\/em>O economista Paul de Grauwe entende que Portugal cometeu o \u201cerro\u201d de ser o melhor aluno da troika, quando a economia estaria melhor se assim n\u00e3o fosse, e defende um lobby do Sul da Europa para mudar pol\u00edticas europeias.<\/p>\n<p>\u201cO governo portugu\u00eas fez o grande erro de tentar ser o melhor da turma no concurso de beleza da austeridade. N\u00e3o havia raz\u00e3o para Portugal fazer isso, podia n\u00e3o ser o melhor da turma, podia ser mesmo o pior e isso seria melhor para economia\u201d, considerou em entrevista \u00e0 Lusa o economista belga, para quem Portugal tinha de levar a cabo medidas para reduzir a despesa, mas ao longo de mais anos, de modo a suavizar o impacto econ\u00f3mico.<\/p>\n<p>At\u00e9 <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/fmi-defende-limite-de-velocidade-a-austeridade-1606121\" >economistas do Fundo Monet\u00e1rio Internacional<\/a> (FMI), afirmou, j\u00e1 perceberam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201cfazer a austeridade toda ao mesmo tempo\u201d. \u201cPortugal e outros pa\u00edses do Sul da Europa deviam unir-se e dizer que a maneira como os tratam n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel. Quando Portugal, Gr\u00e9cia, Irlanda e Espanha levam a cabo medidas de austeridade, os outros pa\u00edses do Norte da Europa deviam fazer o inverso e estimular a economia. Voc\u00eas t\u00eam influ\u00eancia na Comiss\u00e3o Europeia, mas n\u00e3o a usam\u201d, disse Paul de Grauwe, que est\u00e1 em Lisboa para participar na confer\u00eancia que assinala os 25 anos do INDEG, a escola de neg\u00f3cios do ISCTE &#8211; Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa.<\/p>\n<p>Para o economista, se os pa\u00edses com contas p\u00fablicas mais fortes fomentassem a expans\u00e3o, isso contrariaria a contrac\u00e7\u00e3o or\u00e7amental dos pa\u00edses da periferia. O excedente comercial (diferen\u00e7a entre exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es) da Alemanha, que atingiu um <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/excedentes-comerciais-da-alemanha-estao-na-mira-de-bruxelas-1611537\" >valor hist\u00f3rico em Setembro de 20,4 mil milh\u00f5es de euros<\/a>, tamb\u00e9m \u00e9 um problema para Paul de Grauwe, j\u00e1 que \u201cse uns t\u00eam excedentes, outros t\u00eam d\u00e9fices\u201d.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos j\u00e1 criticou a Alemanha por usar a crise para fomentar excessivamente as exporta\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m o FMI veio entretanto dizer que a Alemanha podia contribuir para a estabiliza\u00e7\u00e3o da economia da Zona Euro se aumentasse o consumo interno.<\/p>\n<p>Para o economista, toda a Europa devia estar comprometida em fazer os pa\u00edses como Portugal sa\u00edrem da recess\u00e3o econ\u00f3mica, j\u00e1 que o endividamento n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 culpa destes, at\u00e9 porque para haver quem deve tem de haver quem empresta.<\/p>\n<p>Sobre se deve ser colocado um limite ao d\u00e9fice e endividamento da Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa, Paul de Grauwe rejeitou de imediato, j\u00e1 que haver\u00e1 sempre per\u00edodos em que os pa\u00edses t\u00eam de aumentar o seu endividamento. \u201cO capitalismo \u00e9 um sistema fant\u00e1stico, mas muito inst\u00e1vel, que produz altos e baixos, per\u00edodos de optimismo e pessimismo, e nos baixos o Governo tem de juntar as pe\u00e7as e os d\u00e9fices necessariamente aumentam. Precisamos de Governos que protejam os cidad\u00e3os, que os ajudem. Se n\u00e3o o fizerem, a legitimidade dos Governos fica em causa\u201d, explicou.<\/p>\n<p><strong>\u201cN\u00e3o acho que consiga sair do problema hoje sem uma reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, Grauwe considera que Portugal n\u00e3o dever\u00e1 conseguir fugir a uma reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e que n\u00e3o \u00e9 masoquismo os portugueses discutirem este tema, mas continuarem a punir-se com mais austeridade. \u201cPortugal tem tanta austeridade que a d\u00edvida se tornou insustent\u00e1vel, algo tem de ser feito. N\u00e3o acho que consiga sair do problema hoje sem uma reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida\u201d, reiterou, acrescentando que o Presidente da Rep\u00fablica, Cavaco Silva, est\u00e1 a \u201cfechar os olhos \u00e0 realidade\u201d <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/multimedia\/video\/e-masoquismo-dizer-que-a-divida-nao-e-sustentavel-2013103104626\" >quando considerou que \u00e9 \u201cmasoquismo\u201d dizer que a d\u00edvida portuguesa n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel<\/a>.<\/p>\n<p>O professor na London School of Economics lembrou que h\u00e1 uns anos Portugal era um pa\u00eds solvente. No entanto, as pol\u00edticas de austeridade levaram \u00e0 recess\u00e3o econ\u00f3mica e aumentaram de tal forma o endividamento que agora corre o risco de n\u00e3o conseguir pagar a sua d\u00edvida. \u201cUm novo programa de austeridade vai empurrar Portugal para a insolv\u00eancia\u201d, antecipou, considerando-a \u201cinevit\u00e1vel\u201d quando o pa\u00eds \u201cfoi posto numa austeridade t\u00e3o intensa que se tornou contraprodutiva\u201d para a economia.<\/p>\n<p>\u201cDizem aos portugueses que t\u00eam de fazer mais sacrif\u00edcios. Para qu\u00ea? Para pagar a d\u00edvida aos pa\u00edses ricos do Norte [da Europa]. Isto ser\u00e1 explosivo, os portugueses n\u00e3o v\u00e3o aceitar isso indefinidamente\u201d, antecipou. Paul de Grauwe defende que numa eventual reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida sejam envolvidos n\u00e3o s\u00f3 os credores privados, mas tamb\u00e9m oficiais, caso do Banco Central Europeu (BCE).<\/p>\n<p>A <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/divida-publica-revista-em-alta-para-1278-do-pib-em-2013-1607574\" >d\u00edvida p\u00fablica de Portugal<\/a> chegou aos 131,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de Junho, segundo o Banco de Portugal. O Governo previa que, neste ano, a d\u00edvida das administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas atingisse 122,3% do PIB, mas entretanto reviu em alta esse valor para 127,8%. Em Junho de 2011, pouco depois de Portugal ter recorrido \u00e0 ajuda externa, a d\u00edvida era de 106,9% do PIB, ainda assim bem acima dos 71,7% do final de 2008.<\/p>\n<p><strong>\u201cO problema est\u00e1 do lado da procura\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Ainda neste contexto, o economista disse tamb\u00e9m que a necessidade de reformas estruturais em Portugal \u00e9 um \u201cmito\u201d, justificando que quem defende essa solu\u00e7\u00e3o \u00e9 porque desconhece que \u00e9 a falta de procura que provoca a recess\u00e3o da economia. \u201cO problema hoje n\u00e3o est\u00e1 do lado da oferta da economia e as reformas estruturais lidam com isso. Claro que temos de ser mais eficientes, mas o problema \u00e9 que mandamos abaixo a procura e em resultado a economia n\u00e3o cresce. Temos de alterar isso\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para o economista, o que se passa \u00e9 que os l\u00edderes que definem as pol\u00edticas econ\u00f3micas \u201cforam educados nos anos 70, em que o problema era do lado da oferta da economia\u201d, e n\u00e3o perceberam que a crise econ\u00f3mica que a Europa atravessa \u00e9 de uma dimens\u00e3o diferente. \u201cVoc\u00eas [em Portugal] fizeram reformas estruturais, flexibilizaram, reformaram o mercado trabalho e n\u00e3o resultou. Porque o problema est\u00e1 do lado da procura\u201d, explicou o acad\u00e9mico.<\/p>\n<p>O pensamento do economista belga coincide com o de Joseph Stiglitz, pr\u00e9mio Nobel da Economia em 2011 e antigo vice-presidente do Banco Mundial. Para este economista norte-americano, as reformas estruturais europeias \u201cforam desenhadas para melhorar a economia do lado da oferta e n\u00e3o do lado da procura\u201d, quando o problema real \u00e9 a falta de procura.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.publico.pt\/economia\/noticia\/portugal-errou-ao-querer-ganhar-o-concurso-de-beleza-da-austeridade-diz-economista-paul-de-grauwe-1612009\" >Go to Original \u2013 publico.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O economista Paul de Grauwe , professor na London School of Economics, defende que o pa\u00eds n\u00e3o dever\u00e1 conseguir fugir a uma reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida e entende que Portugal cometeu o \u201cerro\u201d de ser o melhor aluno da troika, quando a economia estaria melhor se assim n\u00e3o fosse; defende um lobby do Sul da Europa para mudar pol\u00edticas europeias.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-66546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}