{"id":67404,"date":"2015-12-07T14:16:40","date_gmt":"2015-12-07T14:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=67404"},"modified":"2015-12-07T15:32:06","modified_gmt":"2015-12-07T15:32:06","slug":"portugues-testes-em-animais-como-as-novas-tecnologias-podem-evitar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2015\/12\/portugues-testes-em-animais-como-as-novas-tecnologias-podem-evitar\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Testes em animais: como as novas tecnologias podem evitar?"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/experimenta\u00e7\u00e3o-animal-alternativas.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-53270\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/experimenta\u00e7\u00e3o-animal-alternativas.jpeg\" alt=\"experimenta\u00e7\u00e3o animal alternativas\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a>3 dez 2015 &#8211; <\/em>H\u00e1 cerca de dois anos uma not\u00edcia repercutiu em toda a imprensa nacional e tomou conta das postagens e coment\u00e1rios em diversas redes sociais: a invas\u00e3o de ativistas dos direitos animais ao Instituto Royal, na cidade de S\u00e3o Roque, em S\u00e3o Paulo. O grupo resgatou no local animais que eram utilizados como cobaias para testes de medicamentos, incluindo cerca de 200 cachorros da ra\u00e7a Beagle. A a\u00e7\u00e3o gerou uma enorme repercuss\u00e3o no Brasil, com mais de 10 mil publica\u00e7\u00f5es em redes sociais, e atingiu tamb\u00e9m outros pa\u00edses, como aponta um estudo da ag\u00eancia Frog, que descobriu que 15% dos posts relacionados ao assunto eram de estrangeiros.<\/p>\n<p>Este assunto voltou \u00e0 tona no in\u00edcio deste ano, quando o governador do Estado de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin, sancionou a Lei 777\/2013, que pro\u00edbe o uso de animais no desenvolvimento de cosm\u00e9ticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. Mas \u00e9 poss\u00edvel realizar estes testes sem o uso de (outros) animais? Com base na ampla experi\u00eancia t\u00e9cnica em projetos com empresas nacionais e multinacionais em atendimento a diversos \u00f3rg\u00e3os reguladores, como gerente e especialista da Intertox na \u00e1rea de Toxicologia In Silico, respondo que apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel ainda extinguir por definitivo o uso de animais, assim como o de seres humanos, em todas as etapas e contextos, existem atualmente diversas situa\u00e7\u00f5es em que \u00e9 poss\u00edvel substituir testes com animais por m\u00e9todos alternativos e, ainda, no caso do uso inevit\u00e1vel de animais, adotar estrat\u00e9gias para minimizar o sofrimento ou o n\u00famero de animais mortos.<\/p>\n<p>Temos exemplos em que o uso combinado de modelos <em>in silico<\/em> (uso de softwares e modelos computacionais) e<em> in vitro<\/em> (com culturas de c\u00e9lulas) podem evitar o teste in vivo com animais, como no caso da etapa de avalia\u00e7\u00e3o do potencial de sensibiliza\u00e7\u00e3o (verifica\u00e7\u00e3o do potencial \u201calerg\u00eanico\u201d). O uso de ferramentas computacionais tem se tornado essencial tamb\u00e9m por tornar poss\u00edvel a busca de resultados de testes que podem ter sidos realizados do outro lado do mundo, evitando novos testes desnecess\u00e1rios, al\u00e9m de trazer indica\u00e7\u00f5es do potencial de toxicidade atrav\u00e9s de simula\u00e7\u00f5es que podem tornar o uso de animais mais racional e direcionado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/animal-rat-mouse-study-735-250-735x250.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-64867\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/animal-rat-mouse-study-735-250-735x250-300x102.jpg\" alt=\"animal-rat-mouse-study-735-250-735x250\" width=\"300\" height=\"102\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/animal-rat-mouse-study-735-250-735x250-300x102.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/animal-rat-mouse-study-735-250-735x250.jpg 735w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Atualmente existe um conjunto de metodologias alternativas que podem ser utilizadas para realizar a avalia\u00e7\u00e3o de toxicidade de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas, que podem ser classificadas segundo o tipo de organismo teste ou plataforma, como os ensaios in vivo, ex vivo, in vitro e in silico e, ainda, segundo o tempo de exposi\u00e7\u00e3o ou desfechos toxicol\u00f3gicos. Estes testes alternativos fazem parte da filosofia conhecida como \u201c3R philosophy\u201d, que significa Substitui\u00e7\u00e3o, Refinamento e Redu\u00e7\u00e3o (Replacement, Refinement and Reduction) em rela\u00e7\u00e3o aos testes com animais e que tem sido um fundamento na elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e regulamenta\u00e7\u00f5es no sentindo de diminuir a utiliza\u00e7\u00e3o de animais em avalia\u00e7\u00f5es deste tipo.<\/p>\n<p>At\u00e9 chegarmos \u00e0s fronteiras da ci\u00eancia e discorrer sobre os modelos in silico \u00e9 importante resgatar um pouco da hist\u00f3ria dos m\u00e9todos computacionais. Remetendo \u00e0 qu\u00edmica computacional e aos estudos QSAR (Rela\u00e7\u00e3o Quantitativa entre Estrutura e Atividade), j\u00e1 na d\u00e9cada de 40 o f\u00edsico-qu\u00edmico americano Hammet fazia os primeiros avan\u00e7os na \u00e1rea da f\u00edsico-qu\u00edmica org\u00e2nica. 73 anos depois, em 2013, os pesquisadores Martin Karplus, Michael Levitt e Arieh Warshel receberam o pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica por criarem sistemas que conseguem prever rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>Com o conhecimento acumulado e avan\u00e7os em inform\u00e1tica, estat\u00edstica, biologia, toxicologia e qu\u00edmica computacional, foi poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de interfaces e o surgimento de diversos modelos computacionais \u00fateis para a avalia\u00e7\u00e3o do potencial de toxicidade de uma mol\u00e9cula pela sua estrutura qu\u00edmica, sem o uso de animais e antes mesmo do processo de s\u00edntese (obten\u00e7\u00e3o de sua forma f\u00edsica).<\/p>\n<p>Os modelos in silico s\u00e3o important\u00edssimos neste contexto, em que tanto podem ser feitas triagens para a sele\u00e7\u00e3o de ingredientes com menor potencial de toxicidade e busca de dados de testes j\u00e1 realizados pela estrutura qu\u00edmica, como tamb\u00e9m a combina\u00e7\u00e3o com outros m\u00e9todos (ex: in vitro e in silico), que podem evitar testes desnecess\u00e1rios. O termo in silico refere-se a qualquer gera\u00e7\u00e3o e\/ou an\u00e1lise de dados executada atrav\u00e9s de computador ou simula\u00e7\u00e3o computacional, sem o uso de animais ou outras matrizes biol\u00f3gicas. Apesar da apar\u00eancia de uma tecnologia nova, al\u00e9m do amplo hist\u00f3rico de aplica\u00e7\u00e3o dos modelos computacionais na descoberta de drogas, sua aplica\u00e7\u00e3o em toxicologia por diversas ag\u00eancias internacionais e a refer\u00eancia de uso j\u00e1 data de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Segundo a IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), a Toxicologia Computacional &amp; In Silico \u00e9 definida como a abordagem na qual s\u00e3o aplicados modelos computacionais e matem\u00e1ticos para a predi\u00e7\u00e3o de efeitos adversos e para o melhor entendimento dos mecanismos atrav\u00e9s dos quais determinada subst\u00e2ncia provoca o dano. A abordagem chamada ITS (Integrated Testing Strategies), por exemplo, visa combinar diferentes modelos na constru\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias, tornando poss\u00edvel a racionaliza\u00e7\u00e3o de testes com animais e o aumento da confiabilidade pelo conjunto de resultados.<\/p>\n<p>Existe ent\u00e3o uma vantagem competitiva para empresas que se preocupam com sua imagem no mercado em rela\u00e7\u00e3o a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de animais em testes, j\u00e1 que a tecnologia pode promover o uso racional de animais e ainda minimizar custos com testes desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p>_________________________________<\/p>\n<p><em>Carlos Eduardo Matos \u00e9 farmac\u00eautico, toxic\u00f3logo e mestre em Sa\u00fade P\u00fablica pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo). Atua como gerente de estudos especiais nas \u00e1reas de Toxicologia Computacional &amp; In Silico na Intertox, que foi pioneira em introduzir e disponibilizar este conhecimento cient\u00edfico como solu\u00e7\u00e3o para empresas no Brasil. \u00c9 tamb\u00e9m autor do primeiro livro em l\u00edngua portuguesa sobre o assunto, sob o t\u00edtulo <\/em>Toxicologia In Silico: fundamentos e aplica\u00e7\u00f5es<em>, publicado em 2013 na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/03\/12\/2015\/testes-animais-tecnologias-podem-evitar\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>3 dez 2015 &#8211; H\u00e1 cerca de dois anos uma not\u00edcia repercutiu em toda a imprensa nacional e tomou conta das postagens e coment\u00e1rios em diversas redes sociais: a invas\u00e3o de ativistas dos direitos animais ao Instituto Royal, na cidade de S\u00e3o Roque, em S\u00e3o Paulo. 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