{"id":6757,"date":"2010-08-16T00:00:47","date_gmt":"2010-08-15T22:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=6757"},"modified":"2010-08-09T18:07:41","modified_gmt":"2010-08-09T16:07:41","slug":"portuguese-agua-como-mercadoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2010\/08\/portuguese-agua-como-mercadoria\/","title":{"rendered":"(Portuguese) \u00c1gua como Mercadoria"},"content":{"rendered":"<p>O capitalismo mercantiliza os bens da natureza, os frutos do trabalho humano, todos os aspectos de nossa vida. Aprendemos na escola: 71% de nosso corpo s\u00e3o \u00e1gua, a mesma propor\u00e7\u00e3o existente em nosso planeta.<\/p>\n<p>Bebemos litros de \u00e1gua no decorrer do dia. Do velho e bom filtro? N\u00e3o. Em geral, de garrafas pet vendidas em supermercados. Quem garante que a \u00e1gua engarrafada \u00e9 mais pot\u00e1vel que a filtrada em casa? A propaganda; ela faz nossa cabe\u00e7a e direciona nossos h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>De olho no faturamento, empresas transnacionais procuram incutir na opini\u00e3o p\u00fablica a ideia da \u00e1gua como mercadoria de grande valor econ\u00f4mico, capaz de tornar-se uma fonte de renda para um pa\u00eds como o Brasil. Retira-se da \u00e1gua sua dimens\u00e3o de direito humano, seu car\u00e1ter vital, sua dimens\u00e3o sagrada. Quem se op\u00f5e a esta ideologia \u00e9 rotulado como \u201ccontr\u00e1rio ao progresso\u201d. Por\u00e9m, \u00e9 na defesa da \u00e1gua como direito e bem comum que reside a possibilidade de salvarmos o planeta Terra &#8211; \u201cPlaneta-\u00c1gua\u201d &#8211; da desola\u00e7\u00e3o, e assegurarmos a vida das gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>O racioc\u00ednio da mercantiliza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua \u00e9 simples: tendo que pagar, a sua utiliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais racional e cuidadosa. Ora, isso n\u00e3o implica incluir a \u00e1gua na categoria de mercadoria regida pelas leis do mercado.<\/p>\n<p>Este argumento tem sua parte de verdade &#8211; cuida-se melhor daquilo que \u00e9 mais caro. As consequ\u00eancias, por\u00e9m, podem ser graves se a \u00e1gua for regida pela lei da oferta e da procura. A cobran\u00e7a pelo uso da \u00e1gua pode ser um mecanismo de gerenciamento desde que se estabele\u00e7am pre\u00e7os diferenciados conforme a concess\u00e3o de uso. Uma f\u00e1brica de cerveja retira do po\u00e7o artesiano toda \u00e1gua que necessita, sem pagar nada por ela. Depois descarrega parte dessa \u00e1gua, agora polu\u00edda por detergentes e dejetos, no rio mais pr\u00f3ximo. O lucro com a venda da cerveja \u00e9 todo dela; a perda no len\u00e7ol subterr\u00e2neo e a polui\u00e7\u00e3o do rio s\u00e3o da comunidade local.<\/p>\n<p>Uma boa gest\u00e3o cobraria pre\u00e7o baixo pela \u00e1gua usada como insumo e alto sobre o esgoto industrial, de modo a obrigar a ind\u00fastria a filtrar dejetos antes de lan\u00e7\u00e1-los de volta ao rio. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso estabelecer pre\u00e7os diferenciados conforme o uso da \u00e1gua (consumo humano, esgoto, energia el\u00e9trica, produ\u00e7\u00e3o industrial, agricultura irrigada, lazer etc).<\/p>\n<p>Nas zonas urbanas j\u00e1 pagamos pelos servi\u00e7os de capta\u00e7\u00e3o, tratamento e distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, n\u00e3o pela \u00e1gua em si. A novidade \u00e9 que, al\u00e9m dos servi\u00e7os, deveremos pagar tamb\u00e9m pelo metro c\u00fabico de \u00e1gua utilizada. Se este pre\u00e7o adicional vier a excluir algu\u00e9m do acesso \u00e0 \u00e1gua, tal medida ser\u00e1 eticamente inaceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio que obriga a quem usa, pagar, n\u00e3o pode ser aceito ao contr\u00e1rio: \u201cquem n\u00e3o paga, n\u00e3o usa.\u201d N\u00e3o sendo a \u00e1gua uma mercadoria, mas bem de dom\u00ednio p\u00fablico, o princ\u00edpio s\u00f3 se aplica como norma reguladora de uso, seja quantitativa (quem usa mais \u00e1gua, paga mais), seja qualitativamente (quem usa para fins lucrativos paga mais do que quem usa para consumo pessoal). Se assim n\u00e3o for, a \u00e1gua deixar\u00e1 de ser direito de todos os seres vivos, criando-se um impasse \u00e9tico e uma trag\u00e9dia: a dos exclu\u00eddos da \u00e1gua.<\/p>\n<p>______________________<\/p>\n<p><em>Frei Betto \u00e9 autor, em parceria com Marcelo Barros, de \u201cO amor fecunda o Universo &#8211; ecologia e espiritualidade\u201d (Agir), entre outros livros. <a href=\"http:\/\/www.freibetto.org\/\"  target=\"_blank\">www.freibetto.org<\/a> &#8211; twitter:@freibetto.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"  http:\/\/mercadoetico.terra.com.br\/arquivo\/agua-como-mercadoria\/\" >GO TO ORIGINAL \u2013 MERCADO \u00c9TICO<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De olho no faturamento, empresas transnacionais procuram incutir na opini\u00e3o p\u00fablica a ideia da \u00e1gua como mercadoria de grande valor econ\u00f4mico, capaz de tornar-se uma fonte de renda para um pa\u00eds como o Brasil. Retira-se da \u00e1gua sua dimens\u00e3o de direito humano, seu car\u00e1ter vital, sua dimens\u00e3o sagrada. Quem se op\u00f5e a esta ideologia \u00e9 rotulado como \u201ccontr\u00e1rio ao progresso\u201d. 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