{"id":71925,"date":"2016-04-11T12:00:27","date_gmt":"2016-04-11T11:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=71925"},"modified":"2016-04-11T09:24:33","modified_gmt":"2016-04-11T08:24:33","slug":"portugues-caminhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/04\/portugues-caminhos\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Caminhos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_71927\" style=\"width: 512px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/caminho-estrada-animal.jpg\"  rel=\"attachment wp-att-71927\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-71927\" class=\"size-full wp-image-71927\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/caminho-estrada-animal.jpg\" alt=\"Foto: Eliza Rei\" width=\"502\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/caminho-estrada-animal.jpg 502w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/caminho-estrada-animal-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 502px) 100vw, 502px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-71927\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Eliza Rei<\/p><\/div>\n<p><em>8 de abril de 2016 &#8211; <\/em>Caminhando para a morte. Um caminh\u00e3o. Frangos brancos empilhados em caixas amarelas esvoa\u00e7ados ao ar deixam suas penas pela estrada humana, sabe-se l\u00e1 se ainda vivem alguns. Ou todos, pois a senten\u00e7a j\u00e1 foi dada, a morte foi marcada, est\u00e1 a caminho, e at\u00e9 l\u00e1 o percurso segue sufocante, turbulento, assustador.<\/p>\n<p>Pena, muita pena.<\/p>\n<p>Caminhando para a morte. Um c\u00e3o. Branco, saltitando na beira que divide as m\u00e3os, na contram\u00e3o deixa sua alegria esfomeada a cada passo, enquanto passa, sem saber (ou ser\u00e1 que sabe?) que a qualquer instante algo vai faz\u00ea-lo parar, de s\u00fabito, de pancada, de viol\u00eancia estampada por algu\u00e9m que, sem querer (ou nem tanto), vai certamente atingi-lo. Pois todos correm, e caminham para a morte.<\/p>\n<p>O que fazer? Interven\u00e7\u00e3o? Parar o caminh\u00e3o, a estrada, o c\u00e3o?<\/p>\n<p>Nessa convuls\u00e3o, a morte a todos espreita, esperta. Para alguns j\u00e1, para outros logo mais, para os demais l\u00e1 vem um pouco mais de tempo a enfrentar.<\/p>\n<p>Onde h\u00e1 vida, h\u00e1 morte. Onde h\u00e1 morte, haver\u00e1 vida. \u00c9 s\u00f3 isso que resta dizer nesta fresta maldita de se ver a vida como coisa, ou de simplesmente ignor\u00e1-la, atravess\u00e1-la sem se dar conta de que tudo respira, deseja, sofre, precisa. \u00c9 a outra coisa que conta para um ser que apronta todo tipo de afronta \u00e0 dignidade e ao respeito aos demais, que desmonta.<\/p>\n<p>E assim o caminho para a morte se expande e se definha, se refina e se embrutece, o mundo se torna um matadouro a c\u00e9u aberto, exalando odor de coisas, n\u00e3o de seres, elevando mais vapor de sangue, menos de \u00e1gua, explodindo uma atmosfera doente, intoxicada por uma \u00e9tica degradante, decadente, se \u00e9 que existente.<\/p>\n<p>Frangos e c\u00e3es dessa vez cruzados na estrada, em outras vezes porcos, e bois, e aves, e n\u00e3o sei quais mais animais, esmagados ou amontoados, partidos ou sufocados.<\/p>\n<p>Todos, em algum momento, ou em incont\u00e1veis dias, meses, anos, aterrorizados, angustiados, feridos, abandonados, violentados no que todos temos de mais precioso: na vida.<\/p>\n<p>Viver \u00e9 o caminho, cont\u00ednuo e natural. N\u00e3o podemos fazer da morte um ganho, uma meta, um fim, j\u00e1 que, assim, \u00e9 a morte que se adianta na alma do ser que a planta no seu triste e desarmonioso jardim<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/08\/04\/2016\/caminhos\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E assim o caminho para a morte se expande e se definha, se refina e se embrutece, o mundo se torna um matadouro a c\u00e9u aberto, exalando odor de coisas, n\u00e3o de seres, elevando mais vapor de sangue, menos de \u00e1gua, explodindo uma atmosfera doente, intoxicada por uma \u00e9tica degradante, decadente, se \u00e9 que existente.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-71925","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71925\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}