{"id":7500,"date":"2010-10-04T00:00:20","date_gmt":"2010-10-03T22:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=7500"},"modified":"2010-09-29T17:01:55","modified_gmt":"2010-09-29T15:01:55","slug":"portuguese-nao-e-possivel-pensar-em-desenvolvimento-sem-valorizar-as-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2010\/10\/portuguese-nao-e-possivel-pensar-em-desenvolvimento-sem-valorizar-as-pessoas\/","title":{"rendered":"(Portuguese) N\u00e3o \u00c9 Poss\u00edvel Pensar em Desenvolvimento sem Valorizar as Pessoas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">O desenvolvimento, em suas m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de<em> ter<\/em>, mas sim de <em>ser<\/em> mais. S\u00e1bios e fil\u00f3sofos de todos os tempos e de todos os horizontes profetizaram a esse respeito. Gandhi argumentou que o desenvolvimento seria bom e justo somente se elevasse a condi\u00e7\u00e3o dos mais modestos. Em defesa de uma economia com uma face mais humana, padre Louis Joseph Lebret pontuou que o desenvolvimento n\u00e3o deve ser visto apenas pelo prisma econ\u00f4mico (ac\u00famulo material), mas tamb\u00e9m pelo social, \u00e9tico, pol\u00edtico, moral. Adam Smith, preocupado em estudar <em>a riqueza das na\u00e7\u00f5es, <\/em>afirmou que a verdadeira riqueza deve ser avaliada pelo padr\u00e3o de vida das fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Pois bem. Se verdadeira for a premissa de que uma economia boa \u00e9 aquela que funciona, a economia para poder funcionar a contento e fazer jus \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia pertencente ao campo do humanismo, necessita incluir as pessoas. Dito isso, cabe ressaltar que a inclus\u00e3o das pessoas passa indubitavelmente por avaliar o padr\u00e3o de vida das fam\u00edlias. Inclus\u00e3o est\u00e1 associada a bem-estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c9 pela inclus\u00e3o das pessoas, tornando-as participativas, que podemos ent\u00e3o medir o eixo da liberdade e da melhoria de vida de cada um. Isso implica, contudo, captar a realidade social. Dito de outra forma, isso deve ser o foco principal das preocupa\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. N\u00e3o \u00e9 por acaso que \u00e9 consenso afirmar que o crescimento econ\u00f4mico vem acompanhado por um florescimento das liberdades. Essa tal liberdade somente se torna plena quando incorpora em sua ess\u00eancia o mais importante imperativo: a justi\u00e7a social. Por sua vez, justi\u00e7a social \u00e9 o outro nome de uma economia que esteja incorporada \u00e0 id\u00e9ia central que pretende colocar o progresso a servi\u00e7o dos mais pobres. \u00c0queles que dirigem (e participam) (d) as economias modernas \u2013 os agentes econ\u00f4micos \u2013 devem estar cientes dessa premissa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Definitivamente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas, assim como n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar em crescimento das liberdades e de justi\u00e7a social sabendo que um ter\u00e7o da humanidade permanece mergulhado na mis\u00e9ria. Continuar postergando a solu\u00e7\u00e3o desse enorme e desumano problema, \u00e9 procrastinar a escala evolutiva da vida; antes disso, \u00e9 afrontar a capacidade de viver em equil\u00edbrio e em harmonia consigo e com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ora, se todo problema social exige uma solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que a economia esteja \u00e0 altura de resolver essa ignom\u00ednia. Conquanto, antes da a\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio o consenso. Por que afirmamos isso? Porque a diverg\u00eancia, nesse caso, apenas divide, e n\u00e3o permite construir o novo. Vejamos que a barafunda e a celeuma, em termos de condu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, tende a se estabelecer, o que impede, sobremaneira, apontar e vislumbrar o horizonte com nitidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em se tratando de mat\u00e9ria econ\u00f4mica, \u00e9 muito mais corriqueiro termos dissenso que consenso. Vejamos pelo prisma de se buscar entender o que significa de fato e de direito desenvolvimento para os economistas. Nesse pormenor, uns dizem que a melhor pol\u00edtica de desenvolvimento seria a que <em>enriquece <\/em>os indiv\u00edduos. Outros, mais preocupados com a realidade social, apontam que a melhor pol\u00edtica \u00e9 a que <em>desempobrece<\/em> os mais necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Esses est\u00e3o do lado dos que pensam antes ser necess\u00e1rio destruir os alicerces da pobreza, a fim de solidificarem uma economia e sociedade com capacidade de prosperarem sem as manchas sociais mais tacanhas dos tempos modernos: a fome, a mis\u00e9ria, a exclus\u00e3o social. Esses \u00faltimos ainda s\u00e3o sabedores de que uma economia vai mal e regride quando a especula\u00e7\u00e3o e as artimanhas do mercado financeiro se tornam mais atrativas do que a cria\u00e7\u00e3o de novas atividades que nascem de novas id\u00e9ias que est\u00e1, por sua vez, centralizada na valoriza\u00e7\u00e3o do capital humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando o capital humano (o intelecto) passa a ser valorizado e inclu\u00eddo em termos de pol\u00edticas econ\u00f4micas, a satisfa\u00e7\u00e3o de cada um real\u00e7a em escala exponencial. Se a id\u00e9ia central da economia (tanto ci\u00eancia quanto atividade produtiva) n\u00e3o for a inclus\u00e3o das pessoas, a economia deixa de fazer sentido uma vez que essa ci\u00eancia nasceu para dar boas respostas de como melhorar a vida de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Aos economistas modernos que pautam suas a\u00e7\u00f5es nessa linha de pensamento cabe anunciar mais um recado vindo da academia. De l\u00e1, Edmund Phelps, laureado com o Nobel, vem para dizer que \u201ca boa economia \u00e9 a que satisfaz a aspira\u00e7\u00e3o a uma vida boa\u201d. Algu\u00e9m quer aspira\u00e7\u00e3o melhor a uma vida boa do que se sentir e estar inclu\u00eddo?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Portanto, se os economistas t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o bem definida essa \u00e9 certamente a de se envolver no processo de transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A economia e os economistas modernos precisam, em termos de an\u00e1lises e a\u00e7\u00f5es, alcan\u00e7arem os objetivos sociais. De uma vez por todas \u00e9 precioso pontuar que s\u00f3 haver\u00e1 inclus\u00e3o plena quando as a\u00e7\u00f5es apontarem para a urgente transforma\u00e7\u00e3o. Do jeito que est\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel pensar em desenvolvimento sem valorizar as pessoas. Sem inclus\u00e3o, definitivamente n\u00e3o h\u00e1 progresso!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">____________________<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Marcus Eduardo de Oliveira \u00e9 e<em>conomista e professor universit\u00e1rio. Especialista em Pol\u00edtica Internacional pela FESP e mestre pela USP. Articulista do \u201cPortal EcoDebate\u201d e da Ag\u00eancia Zwela de Not\u00edcias (Angola). \u00c9 colaborador do site \u201cO Economista\u201d. <\/em><em><a href=\"mailto:prof.marcuseduardo@bol.com.br\">prof.marcuseduardo@bol.com.br <\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>\u00a9 1999-2006. \u00abPRAVDA.Ru\u00bb. No acto de reproduzir nossos materiais na \u00edntegra ou em parte, deve fazer refer\u00eancia \u00e0 PRAVDA.Ru As opini\u00f5es e pontos de vista dos autores nem sempre coincidem com os dos editores.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><a target=\"_blank\" href=\"  http:\/\/port.pravda.ru\/busines\/28-09-2010\/30496-valorizar_pessoas-0\" >Go to Original \u2013 pravda.ru<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desenvolvimento, em suas m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ter, mas sim de ser  mais. S\u00e1bios e fil\u00f3sofos de todos os tempos e de todos os horizontes profetizaram a esse respeito. Gandhi argumentou que o desenvolvimento seria bom e justo somente se elevasse a condi\u00e7\u00e3o dos mais modestos. 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