{"id":75231,"date":"2016-06-20T12:00:50","date_gmt":"2016-06-20T11:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=75231"},"modified":"2016-06-17T16:26:35","modified_gmt":"2016-06-17T15:26:35","slug":"portugues-antonio-do-martirio-a-festa-ou-a-alquimia-da-apologia-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/06\/portugues-antonio-do-martirio-a-festa-ou-a-alquimia-da-apologia-da-vida\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Ant\u00f3nio: do mart\u00edrio \u00e0 festa, ou a alquimia da apologia da vida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Paulo-Mendes-Pinto.jpe\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-69425\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Paulo-Mendes-Pinto-150x150.jpe\" alt=\"Paulo Mendes Pinto\" width=\"150\" height=\"150\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Paulo-Mendes-Pinto-150x150.jpe 150w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Paulo-Mendes-Pinto.jpe 171w\" sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a><em>14 junho 2016 &#8211; <\/em>Era Portugal um jovem reino, e vivia-se por toda a Europa um forte esp\u00edrito de mart\u00edrio, quando viveu em Lisboa um jovem que viria a ser mais tarde conhecido como Ant\u00f3nio, frei, santo desde 1232. Se o nome que escolheu evoca a figura matriz do eremitismo, a sua pr\u00e1tica de vida lan\u00e7a-nos para o cosmopolitismo, para a cidade, para o contacto com o outro e n\u00e3o para a <em>fuga mundi<\/em>.<\/p>\n<p>Mas Ant\u00f3nio era peculiar, numa \u00e9poca tamb\u00e9m com as suas peculiaridades, algumas delas muito dif\u00edceis de entender com o apetrechamento mental que temos hoje, especialmente com os recorrentes atentados terroristas que marcam o nosso tempo, e que nos s\u00e3o muitas vezes apresentados com uma roupagem supostamente religiosa.<\/p>\n<p>Depois dos primeiros s\u00e9culos do Cristianismo, nos s\u00e9culos XII \/ XIII, a cultura crist\u00e3 ocidental passava novamente por uma fase de glorifica\u00e7\u00e3o do mart\u00edrio como forma de louvor a Deus e de afirma\u00e7\u00e3o poderosa da submiss\u00e3o do devoto \u00e0 missiona\u00e7\u00e3o \u2013 o erro do \u201coutro\u201d era ferramenta para a expia\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, qual luta demon\u00edaca e perdida que, assim, ganhava uma for\u00e7a como que apocal\u00edptica.<\/p>\n<p>Assim aconteceu com os c\u00e9lebres M\u00e1rtires de Marrocos, um grupo de frades italianos da regi\u00e3o da Tosc\u00e2nia, profundamente ligados a Portugal no seu processo de mart\u00edrio. Na II Assembleia Geral da Ordem Franciscana, em Assis, foram eleitos como mission\u00e1rios para essas terras dominadas por mu\u00e7ulmanos, e iniciaram essa miss\u00e3o em Portugal, partindo depois para Sevilha, ainda em m\u00e3os mu\u00e7ulmanas na \u00e9poca.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SANTo-antonio.jpe\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-75232\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SANTo-antonio.jpe\" alt=\"SANTo antonio\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SANTo-antonio.jpe 407w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/SANTo-antonio-300x225.jpe 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tal como sucede em rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e1rtires dos primeiros s\u00e9culos do Cristianismo, onde a natureza por vezes verdadeiramente ex\u00f3tica dos milagres em torno de uma morte \u00e9 sempre um desafio ao \u201cinfiel\u201d, ao pag\u00e3o, tamb\u00e9m no caso destes m\u00e1rtires crist\u00e3os do s\u00e9culo XIII, a procura do mart\u00edrio parece ser mesmo o des\u00edgnio que os frades procuravam, apesar das in\u00fameras possibilidades de vida que lhes foram dadas. O que se procurava era o choque religioso que, obviamente, nunca terminaria bem \u2013 ali\u00e1s, esse final marcado com a morte era a prova do qu\u00e3o demon\u00edaca era a f\u00e9 dos contendentes, alimento para novas investidas, agora ainda mais cimentadas no desejo de extirpar a face da terra dessa doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Contudo, todos os dados e factos que nos chegaram pelas tradi\u00e7\u00f5es escritas, por mais s\u00f3lidos que ao longo dos s\u00e9culos tenham parecido, movimentando crentes, f\u00e9 e piedade, muito pouco parece ser factol\u00f3gico. \u00c9 um campo de mito e de lenda onde se espraiam os desejos e as preocupa\u00e7\u00f5es religiosas de uma \u00e9poca de extremos onde a busca da morte era muitas vezes a \u00fanica via para um quadro quotidiano positivo, um sentido superior para a vida.<\/p>\n<p>Parece que os mission\u00e1rios se dirigiram a Coimbra, grande centro teol\u00f3gico e cultural da \u00e9poca, onde D. Urraca lhes ter\u00e1 dado guarida. Num misto de f\u00e9 e de misticismo, a rainha suplica aos frades que lhe revelem o momento da sua morte. Relutantes, acabam por predizer que a vida de D. Urraca apenas chegaria ao seu termo quando de Marrocos os crist\u00e3os trouxessem a Coimbra os seus corpos martirizados \u2013 este era, claramente, o objectivo: atingir o estatuto de m\u00e1rtir.<\/p>\n<p>Ora, nesta estadia em Coimbra, o jovem referido no primeiro par\u00e1grafo, Fernando de Bulh\u00f5es, ter\u00e1 ouvido as pr\u00e9dicas destes frades no mosteiro de Santa Cruz, o que em muito lhe influenciou a vida. Mais o ter\u00e1 marcado o regresso, j\u00e1 como \u201crel\u00edquias\u201d, dos seus restos mortais, depois de conseguido o intento: terem-se tornado m\u00e1rtires.<\/p>\n<p>No que respeita ao curto resto da vida destes frades, ela dava uma imensa narrativa em torno da intoler\u00e2ncia e das formas de acirrar o conflito, de como \u00e9 poss\u00edvel fazer tudo para se ser morto. Numa \u00e9poca de cruzadas, de recria\u00e7\u00e3o e consolida\u00e7\u00e3o das ideias de infiel e de herege, o cristianismo ocidental lan\u00e7ava-se numa verdadeira, e aqui literal, ca\u00e7a \u00e0s bruxas, que nos mostra todos os matizes da persegui\u00e7\u00e3o e luta religiosa hostil (Cruzadas contra o Isl\u00e3o, guerra contra os C\u00e1taros, Inquisi\u00e7\u00e3o e refor\u00e7o das medidas contra os judeus, crescente demoniza\u00e7\u00e3o da mulher com a sua assimila\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas demon\u00edacas, etc).<\/p>\n<p>Foi este, ir\u00f3nica e inesperadamente, o tempo e o exemplo que ter\u00e1 levado o jovem Fernando a querer ir tamb\u00e9m para Marrocos evangelizar ou, ao esp\u00edrito da \u00e9poca, ser m\u00e1rtir. \u00c9-nos dif\u00edcil imaginar o frei Ant\u00f3nio, seja ele de P\u00e1dua ou de Lisboa, a ser um fundamentalista radical que procura o confronto religioso em terras dominadas por outra religi\u00e3o para ser morto e, com isso, obter a salva\u00e7\u00e3o. Mas sim, era esse o quadro.<\/p>\n<p>Mas a ironia n\u00e3o se fica pela t\u00e3o grande diferen\u00e7a que a cultura popular nos criou entre o que imaginamos terem sido os referidos M\u00e1rtires de Marrocos e o bonacheir\u00e3o e brincalh\u00e3o Santo Ant\u00f3nio. Se a festa lit\u00fargica de uns tem lugar a 16 de Janeiro, data da morte colectiva, numa \u00e9poca de frio, de morte da natureza, o santo paduano-alfacinha assentou arraiais festivos a 13 de Junho, dia em que faleceu, uma data muito pr\u00f3xima do solst\u00edcio de Ver\u00e3o, o m\u00e1ximo da afirma\u00e7\u00e3o da vida.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da vida deste santo cat\u00f3lico \u00e9 marcada por alguns revezes, sendo o primeiro o dito desejo de miss\u00e3o em terras isl\u00e2micas. Uma tempestade afasta-o de \u00c1frica e transforma-se o dito empenhado mission\u00e1rio em grande orador, agora, pr\u00f3ximo de Francisco de Assis, e com incumb\u00eancias que lhe granjear\u00e3o fama at\u00e9 aos dias de hoje como Doutor da Igreja. Evangeliza, sim, mas n\u00e3o se torna em m\u00e1rtir que valoriza a morte como salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o mais interessante da vida de Ant\u00f3nio reside na sua mitologia, na forma como os meios populares pegaram nesta figura e a catapultaram para uma das marcas mais fortes da presen\u00e7a portuguesa e mesmo crist\u00e3 no mundo sendo, talvez, um dos santos cat\u00f3licos mais venerados em todos os continentes, n\u00e3o como radical opressor, mas como imagem de humanidade.<\/p>\n<p>A for\u00e7a de Santo Ant\u00f3nio junto das popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o reside, nem nos conte\u00fados teol\u00f3gicos que o levaram a esse grupo restrito dos Doutores da Igreja, nem no desejo de mart\u00edrio que o ter\u00e1 levado a buscar terras de \u00c1frica. O Ant\u00f3nio dos arraias, dos tronos em que se apresenta com o alegre menino ao colo, \u00e9 uma figura de uma simples humanidade que nos desarma.<\/p>\n<p>Profundamente venerado pela ordem religiosa que adotou, canonizado quase em vida, tal como acontecera a Francisco de Assis, Ant\u00f3nio centra em si uma devo\u00e7\u00e3o popular de uma intensidade imensa, como que criando duas figuras sacras dentro de um mesmo nome e mem\u00f3ria: o Doutor e o Pregador, que muitas vezes recorre \u00e0 ascese, <em>versus<\/em> o frade bonacheir\u00e3o e santo humano que \u00e9 amparo de aflitos e motor de festejos populares onde a festa e o folguedo s\u00e3o parte inquestion\u00e1vel, muitas vezes mesmo com um tom brejeiro alimentado pelas lendas das matreirices do jovem frade.<\/p>\n<p>E \u00e9 nesta situa\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 a alquimia que nos transporta para a actual no\u00e7\u00e3o de mart\u00edrio, dando-nos os dados de um verdadeiro laborat\u00f3rio de humanidade: como foi poss\u00edvel transformar em figura tutelar de festas e alegria, uma personagem religiosa que em muito nos poderia remeter para a intoler\u00e2ncia?<\/p>\n<p>De facto, Fernando de Bulh\u00f5es, ao aderir a uma forma de vida consagrada, permitiu-nos aceder a um Santo Ant\u00f3nio culto, orador afamado, mas tamb\u00e9m brincalh\u00e3o. O mart\u00edrio pela entrega da vida \u00e9 substitu\u00eddo no horizonte popular pela afirma\u00e7\u00e3o dessa mesma vida naquilo que ela tem de mais simples: a alegria moment\u00e2nea. \u00c0 intoler\u00e2ncia religiosa sobrep\u00f5e-se a religi\u00e3o que se liberta da teologia e se torna em mundiviv\u00eancia da afirma\u00e7\u00e3o do quotidiano.<\/p>\n<p>Naturalmente, a imagem de Ant\u00f3nio, na sua dimens\u00e3o de santo aclamado pela popula\u00e7\u00e3o, o <em>santo subito<\/em>, tem, ano ap\u00f3s ano, uma bengala que o revivifica: a data da sua morte cola os seus festejos aos das figuras ligadas \u00e0 ciclicidade da vida, dos ritmos sazonais onde em Junho impera a vontade de tudo ver frutificar. \u00c9 assim o mundo que nos abre o solst\u00edcio, com casamentos, com festas e com a afirma\u00e7\u00e3o da abund\u00e2ncia, desde tempos imemoriais onde os monote\u00edsmos ainda n\u00e3o tinham sido pensados na m\u00e1quina de alquimia que \u00e9 a evolu\u00e7\u00e3o das ideias.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio, Santo popular de um sem-n\u00famero de pr\u00e1ticas nada cat\u00f3licas, \u00e9 a imagem da vida, da festa, da abund\u00e2ncia, do conv\u00edvio, da comunidade. \u00c9 esta a alquimia que temos de recordar neste Junho em que \u00e0 Europa faz falta um grande solst\u00edcio que afirme os valores que nestes dias Alfama, bairro com nome herdado da presen\u00e7a isl\u00e2mica, pratica at\u00e9 mais n\u00e3o poder.<\/p>\n<p>Do mart\u00edrio \u00e0 festa, temos um caminho de bom-senso que \u00e9 o maturar de milhares de anos de lutas e de guerras em que a popula\u00e7a, sem aceso a grandes teoriza\u00e7\u00f5es, sem teologias, nem patr\u00edsticas, percebeu o fundamental: fa\u00e7amo-nos irm\u00e3os no encontro, na partilha, antes que nos digam que temos de matar numa luta fratricida que n\u00e3o percebemos, que n\u00e3o \u00e9 nossa, como recorrentemente aconteceu e acontece, numa apropria\u00e7\u00e3o de valores e de identidades onde se \u00e9 instrumentalizado.<\/p>\n<p>De forma simples, sem teologia, com Santo Ant\u00f3nio se percebe que a alegria mais ef\u00e9mera da vida vale mais que qualquer morte, sempre definitiva, mesmo que supostamente gloriosa.<\/p>\n<p><em>Para saber mais:<\/em><\/p>\n<p><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/qeetempus.blogspot.pt\/2016\/06\/antonio-um-laboratorio-de-identidade.html\" >\u201c<strong>Ant\u00f3nio, um laborat\u00f3rio de identidade<\/strong>\u201d<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/qeetempus.blogspot.pt\/2016\/06\/em-tempos-de-martirios-urge-revisitar.html\" >\u201c<strong>Em tempos de mart\u00edrios, urge revisitar os \u00abM\u00e1rtires de Marrocos\u00bb<\/strong>\u201d<\/a><\/em><\/p>\n<p>_________________________________________<\/p>\n<p><em>Prof. Paulo Mendes Pinto \u00e9 diretor da \u00e1rea de Ci\u00eancia das Religi\u00f5es da Universidade Lus\u00f3fona em Lisboa, Portugal.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/lifestyle.publico.pt\/religiaonacidade\/362163_antonio-do-martirio-a-festa-ou-a-alquimia-da-apologia-da-vida\" >Go to Original \u2013 publico.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>14 junho 2016 &#8211; Era Portugal um jovem reino, e vivia-se por toda a Europa um forte esp\u00edrito de mart\u00edrio, quando viveu em Lisboa um jovem que viria a ser mais tarde conhecido como Ant\u00f3nio, frei, santo desde 1232. 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