{"id":76558,"date":"2016-07-18T12:00:09","date_gmt":"2016-07-18T11:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=76558"},"modified":"2016-07-18T11:59:34","modified_gmt":"2016-07-18T10:59:34","slug":"portugues-o-budismo-e-a-dieta-vegetariana-de-allen-ginsberg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/07\/portugues-o-budismo-e-a-dieta-vegetariana-de-allen-ginsberg\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) O budismo e a dieta vegetariana de Allen Ginsberg"},"content":{"rendered":"<p><em>O expoente do Movimento Beat or Beatniks passava semanas comendo\u00a0gobi aloo, um de seus pratos preferidos.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_76559\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-76559\" class=\"wp-image-76559\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg.jpg\" alt=\"Ginsberg gostava muito de cozinhar pratos vegetarianos (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg.jpg 431w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg-300x300.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-76559\" class=\"wp-caption-text\">Ginsberg gostava muito de cozinhar pratos vegetarianos (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Allen Ginsberg entrou para a hist\u00f3ria da literatura contempor\u00e2nea como um dos pilares da gera\u00e7\u00e3o beat. Dentre seus livros de poesia, at\u00e9 hoje o mais importante continua sendo <em>Howl and Other Poems (Uivo e Outros Poemas)<\/em>, obra lan\u00e7ada em 1956 que n\u00e3o levou muito tempo para chegar a um milh\u00e3o de c\u00f3pias vendidas. No entanto, o que pouca gente sabe \u00e9 que para al\u00e9m de uma literatura confessional e combativa, tamb\u00e9m considerada obscena, Allen Ginsberg era um adepto da dieta vegetariana.<\/p>\n<p>E o que aproximou o poeta beat do vegetarianismo foi o seu relacionamento com um mestre de medita\u00e7\u00e3o tibetano. Em 1974, Ch\u00f6gyam Trungpa fundou em Boulder, no Colorado, o Naropa Institute, mais tarde transformado na primeira universidade de budismo da Am\u00e9rica do Norte. Interessado em conciliar a cultura oriental com a ocidental, ele contratou William Burroughs para dar aulas de literatura e Allen Ginsberg para lecionar poesia. O contato com Trungpa fez com que o poeta beat se tornasse seu disc\u00edpulo, o que n\u00e3o aconteceu com Burroughs.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, aquele n\u00e3o foi o primeiro contato de Ginsberg com o budismo. Na d\u00e9cada de 1960, ele j\u00e1 tinha viajado para a \u00cdndia. Embora n\u00e3o fosse uma viagem com finalidade espiritual, o poeta fez quest\u00e3o de conhecer importantes mestres da medita\u00e7\u00e3o como Gyalwa Karmapa e Dudjom Rinpoche, o que teve grande influ\u00eancia sobre seu comportamento.<\/p>\n<p>Maior prova disso \u00e9 que em 1968, durante um protesto que antecedeu a Conven\u00e7\u00e3o Nacional Democr\u00e1tica em Chicago, o beat subiu ao palco para tentar unir e acalmar a multid\u00e3o, preocupado que a pol\u00edcia pudesse intervir com viol\u00eancia. De repente, Ginsberg come\u00e7ou a pronunciar \u201cOm! Om! Om!\u201d de forma errada, o que n\u00e3o passou despercebido por um espectador indiano que jamais esqueceu daquela cena. \u00c0 \u00e9poca, o poeta reconheceu que o budismo, apresentado a ele pelos beats Jack Kerouac e Gary Snyder, n\u00e3o era apenas uma tend\u00eancia, mas algo que ele gostaria de abra\u00e7ar como filosofia de vida.<\/p>\n<p>Ainda assim, Ginsberg precisou de 30 anos para entender que no budismo o som n\u00e3o era mais importante que a concentra\u00e7\u00e3o. \u201cSeu erro foi se manter mais focado no som do mantra do que em seu significado. Ele usava os mantras para transmitir mensagens escritas durante suas viagens de carro pelos Estados Unidos. Allen Ginsberg viu nisso uma forma de impressionar seus ouvintes e leitores ocidentais sobre os valores orientais que ele aceitou ou considerou aceitar\u201d, escreveu Jenny Skerl no livro <em>Reconstructing the Beats<\/em>, lan\u00e7ado em 2004.<\/p>\n<div id=\"attachment_76560\" style=\"width: 358px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg2.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-76560\" class=\"size-full wp-image-76560\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg2.jpg\" alt=\"Cold summer borscht, uma das sopas preferidas de Ginsberg (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"348\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg2.jpg 348w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Allen-Ginsberg2-222x300.jpg 222w\" sizes=\"auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-76560\" class=\"wp-caption-text\">Cold summer borscht, uma das sopas preferidas de Ginsberg (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Nos anos 1970, Allen Ginsberg passava at\u00e9 semanas isolado e meditando, colocando em pr\u00e1tica o que aprendeu com Trungpa. Essa filosofia teve tanta influ\u00eancia sobre sua vida que em 1990, em entrevista \u00e0\u00a0<em>Harper\u2019s Magazine<\/em>, ele afirmou\u00a0que estava completamente livre das drogas e de qualquer tipo de agita\u00e7\u00e3o. \u201cTenho vivido muito tranquilamente, seguindo dieta vegetariana, vendo poucas pessoas e lendo muitas obras religiosas, como S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, a B\u00edblia, Fedro [Plat\u00e3o], Santa Teresa de \u00c1vila e [William] Blake. Estou em um tipo de <u>solitude<\/u>, em modo contemplativo\u201d, revelou.<\/p>\n<p>Como adepto da dieta vegetariana, Ginsberg tinha prefer\u00eancia por pratos como <em>gobi aloo<\/em>, muito popular em pa\u00edses como \u00cdndia, Nepal, Paquist\u00e3o e Bangladesh. Feito \u00e0 base de batata, couve-flor e especiarias, ele definia o alimento que ele conheceu atrav\u00e9s do beat Gary Snyder como uma grande refei\u00e7\u00e3o vegetariana de 15 centavos. \u201cPasso semanas comendo s\u00f3 isso\u201d, confidenciou o poeta.<\/p>\n<p>Segundo Snyder, era preciso apenas algumas batatas e uma cabe\u00e7a de couve-flor para garantir sust\u00e2ncia por v\u00e1rios dias de produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica. \u201cA comida faz toda a diferen\u00e7a no estado f\u00edsico e mental. E n\u00e3o preciso ser um hare Krishna para dizer isso\u201d, enfatizou quando apresentou o <em>gobi aloo<\/em> ao amigo.<\/p>\n<p>Allen Ginsberg\u00a0gostava muito de preparar o seu <em>cold summer borscht<\/em>, baseado em doze beterrabas bem lavadas e fatiadas em tiras. A receita tamb\u00e9m inclu\u00eda duas batatas, cebolas fatiadas, tomates fatiados, pepinos e rabanetes. Os caules e as folhas eram picados como em uma salada primavera. Ele cozinhava todos os ingredientes juntos e com moderada quantidade de sal. Deixava a sopa ferver por uma hora ou mais, at\u00e9 o ponto em que ela ficava bem vermelha, com as beterrabas visivelmente macias.<\/p>\n<p>\u201cAdicione a\u00e7\u00facar e suco de lim\u00e3o para deixar o l\u00edquido doce e ao mesmo tempo azedinho. Ela rende quatro litros. Sirva com <em>sour cream<\/em>\u201d, escreveu em um papel. Allen Ginsberg ficava muito feliz em cozinhar para seus visitantes.\u00a0Ele adorava preparar sopas, tanto que instalou um suporte do lado de fora da janela da cozinha para arrefecer sua panela de 12 litros.<\/p>\n<p>**********<\/p>\n<p><strong>Excerto de <em>Howl<\/em> (Uivo)<\/strong><\/p>\n<p><em>Eu vi os expoentes da minha gera\u00e7\u00e3o destru\u00eddos pela loucura, morrendo de fome, hist\u00e9ricos, nus,<\/em><\/p>\n<p><em>arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa,<\/em><\/p>\n<p><em>hipsters com cabe\u00e7a de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o d\u00ednamo estrelado na maquinaria da noite,<\/em><\/p>\n<p><em>que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escurid\u00e3o dos miser\u00e1veis apartamentos sem \u00e1gua quente, flutuando sobre os tetos das cidades contemplando jazz,<\/em><\/p>\n<p><em>que desnudaram seus c\u00e9rebros ao c\u00e9u sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de c\u00f4modos<\/em><\/p>\n<p><em>que passaram por universidades com olhos frios e radiantes alucinando Arkansas e trag\u00e9dias \u00e0 luz de Blake entre os estudiosos da guerra\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>**********<\/em><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>Skerl, Jenny. Reconstructing the Beats. Palgrave Macmillan (2004).<\/p>\n<p>Silberman, Steve. Ginsberg\u2019s Last Soup. New Yorker. (March 19, 2001).<\/p>\n<p>Ginsberg, Allen. The Letters of Allen Ginsberg. Philadelphia, Da Capo Press (2008).<\/p>\n<p>Ginsberg, Allen. Howl and Other Poems. City Lights Publishers; Reissue Edition (2001).<\/p>\n<p>___________________________________<\/p>\n<p><em>Allen Ginsberg nasceu em 3 de junho de 1926 em Newark, Nova Jersey, e faleceu em 5 de abril de 1997 em East Village, Nova York.<\/em><\/p>\n<p><em>David Arioch \u00e9 jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente h\u00e1 dez anos com jornalismo cultural e liter\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2016\/07\/04\/o-budismo-e-a-dieta-vegetariana-de-allen-ginsberg\/\" >Go to Original \u2013 davidarioch.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O expoente do Movimento Beat or Beatniks passava semanas comendo gobi aloo, um de seus pratos preferidos.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-76558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76558\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}