{"id":76563,"date":"2016-07-18T12:03:28","date_gmt":"2016-07-18T11:03:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=76563"},"modified":"2016-07-18T12:03:28","modified_gmt":"2016-07-18T11:03:28","slug":"portugues-somos-barbaros-a-dor-dos-animais-nos-diverte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/07\/portugues-somos-barbaros-a-dor-dos-animais-nos-diverte\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Somos b\u00e1rbaros, a dor dos animais nos diverte"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peticao-tourada.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-76564\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peticao-tourada.jpg\" alt=\"peticao-tourada\" width=\"600\" height=\"480\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>13 de julho de 2016 &#8211; <\/em>Digamos que quem gosta e\/ou apoia esportes nos quais animais s\u00e3o maltratados nunca tenha ouvido falar no jurista ingl\u00eas Jeremy Bentham (Londres,1748-1832). No entanto, n\u00e3o duvidaria nem um pouco de que j\u00e1 sa\u00edmos (faz tempo) da Idade M\u00e9dia e, s\u00f3 por isso, j\u00e1 conseguiria entender um dos mais famosos enunciados de Bentham \u2013 \u201cO problema n\u00e3o consiste em saber se os animais podem raciocinar; tampouco interessa se falam ou n\u00e3o; o verdadeiro problema \u00e9 este: eles podem sofrer\u201d. Uma vez que arenas e outros cen\u00e1rios de atrocidades continuam atraindo multid\u00f5es, a conclus\u00e3o parece bastante \u00f3bvia \u2013 o movimento que no s\u00e9culo 18 iluminou a raz\u00e3o em nome da busca pela liberdade, deixou um lado da natureza humana \u00e0s escuras. \u00c9 este lado que chega aos dias de hoje e teima em chamar de cultura e tradi\u00e7\u00e3o o que n\u00e3o passa de gosto pela barb\u00e1rie. Contra esta heran\u00e7a nada \u00e9tica, nada humana, um verdadeiro ex\u00e9rcito se multiplica nas redes sociais, tentando sensibilizar o poder p\u00fablico para a necessidade de acabar para sempre com espet\u00e1culos sangrentos ou onde haja maus-tratos \u00e0s esp\u00e9cies: touradas, rodeios, rinhas, vaquejadas, s\u00f3 para citar alguns. Grupos abertos e fechados, comunidades e movimentos j\u00e1 somam mais de 40, apenas no Facebook.<\/p>\n<p>Estranhamente as popula\u00e7\u00f5es, que deveriam se mobilizar de forma incans\u00e1vel em defesa do fim destas modalidades de entretenimento, se dizem chocadas diante de epis\u00f3dios de enorme repercuss\u00e3o como a morte de V\u00edctor Barrio, 29 anos, s\u00e1bado, na cidade espanhola de Teruel. Barrio foi o primeiro toureiro a morrer em uma arena, no s\u00e9culo 21 \u2013 e na frente de c\u00e2meras de televis\u00e3o, o que acabou detonando uma guerra de opini\u00f5es nas redes sociais. Por\u00e9m, detalhe: muitas a favor do touro, com express\u00f5es que deixavam antever at\u00e9 certa alegria; outras contundentes, como a que manifestou o rapper Pablo Hasel, em sua conta no Twitter: \u201cSe todas as touradas terminassem assim, mais gente iria v\u00ea-las\u201d, escreveu, sendo apoiado por centenas de seguidores. Se \u00e9 comportamento desprez\u00edvel se divertir com o sofrimento e morte de um animal, \u00e9 inomin\u00e1vel se comprazer ante um desfecho como o que teve a apresenta\u00e7\u00e3o de Barrio, desde muito jovem habituado a ver em um toureiro um her\u00f3i. E ent\u00e3o as duas partes \u2013 contr\u00e1rios e simpatizantes \u2013 transformaram o espa\u00e7o em campo minado, com a associa\u00e7\u00e3o nacional que cultua o esporte prometendo abrir a\u00e7\u00f5es judiciais para punir os autores das postagens mais virulentas, enquanto o outro lado fazia amea\u00e7as escancaradas a jornalistas defensores da causa.<\/p>\n<p>Deixando a cruel realidade que a tradi\u00e7\u00e3o ancestral lega, na Espanha, com estimados 50 mil touros morrendo por anos, s\u00f3 em decorr\u00eancia das festas de rua, passamos ao nada humano cen\u00e1rio brasileiro dos rodeios, vaquejadas e rinhas, que atraem respeit\u00e1veis multid\u00f5es e se transformam em via de lucro f\u00e1cil para promotores e participantes dos eventos \u2013 nos dois primeiros casos, quase sempre engordados por verbas de patroc\u00ednio e do poder p\u00fablico. Nenhum dos apreciadores de ambientes feitos para divertir multid\u00f5es \u00e0s custas do sofrimento das esp\u00e9cies utilizadas nas disputas parece se sensibilizar com os crescentes apelos emitidos pelo mundo em favor da dignidade dos animais, do direito que eles t\u00eam \u00e0 vida, garantido, inclusive, em declara\u00e7\u00e3o universal. A indiferen\u00e7a resulta, sobretudo, de anos de omiss\u00e3o dos governos, que n\u00e3o apenas n\u00e3o educam para uma nova consci\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao assunto como, de forma direta ou indireta, apoiam e legitimam este tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>No entanto, entre a vida e a tradi\u00e7\u00e3o (ou qualquer express\u00e3o cultural) n\u00e3o deveria restar qualquer d\u00favida. Afinal, desde quando os animais come\u00e7aram a ser mortos em nome da filosofia do \u201cp\u00e3o e circo\u201d, as luzes de muitos s\u00e9culos inundaram o pensamento, a consci\u00eancia. \u00c9 no m\u00ednimo desconcertante que um lado do mundo assista ao esplendor da tecnologia, \u00e0 luz do respeito aos direitos universais, enquanto o outro, como no tempo dos b\u00e1rbaros, divirta-se vendo animais sangrando, numa luta absolutamente desigual pela vida. A invers\u00e3o da l\u00f3gica, que prevalece entre apreciadores de tais espet\u00e1culos, permite at\u00e9 uma pergunta: quem ali \u00e9 mesmo o \u201canimal\u201d?<\/p>\n<p>_________________________________________<\/p>\n<p><em>A imprensa n\u00e3o apenas informa. Ela forma conceitos. Modifica ideias. Influencia decis\u00f5es. Define valores. Participa das grandes mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas trazendo o mundo para o indiv\u00edduo pensar, agir e ser. \u00c9 justamente este o objetivo da <\/em>ANDA\u00a0\u2013 Ag\u00eancia de Not\u00edcias de Direitos Animais<em>: informar para transformar. A <\/em>ANDA<em>\u00a0difunde na m\u00eddia os valores de uma nova cultura, mais \u00e9tica, mais justa e preocupada com a defesa e a garantia dos direitos animais. \u00c9 o primeiro portal jornal\u00edstico do mundo voltado exclusivamente a fatos e informa\u00e7\u00f5es do universo animal. Com profissionalismo, seriedade e coragem, a <\/em>ANDA<em> abre um importante canal com jornalistas de todas as m\u00eddias e coloca em pauta assuntos que at\u00e9 hoje n\u00e3o tiveram o merecido espa\u00e7o ou foram mal debatidos na imprensa.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.impresso.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia\/cadernos\/emfoco\/2016\/07\/13\/interna_emfoco,149442\/somos-barbaros-a-dor-dos-animais-nos-diverte.shtml\" >Di\u00e1rio de Pernambuco<\/a><\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/13\/07\/2016\/somos-barbaros-dor-dos-animais-nos-diverte\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez que arenas e outros cen\u00e1rios de atrocidades continuam atraindo multid\u00f5es, a conclus\u00e3o parece bastante \u00f3bvia \u2013 o movimento que no s\u00e9culo 18 iluminou a raz\u00e3o em nome da busca pela liberdade, deixou um lado da natureza humana \u00e0s escuras. \u00c9 este lado que chega aos dias de hoje e teima em chamar de cultura e tradi\u00e7\u00e3o o que n\u00e3o passa de gosto pela barb\u00e1rie.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-76563","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76563","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76563"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76563\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}