{"id":78102,"date":"2016-08-22T12:00:53","date_gmt":"2016-08-22T11:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=78102"},"modified":"2016-08-21T15:25:24","modified_gmt":"2016-08-21T14:25:24","slug":"portugues-poluicao-luminosa-fortes-reflexos-na-vida-dos-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/08\/portugues-poluicao-luminosa-fortes-reflexos-na-vida-dos-animais\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Polui\u00e7\u00e3o luminosa: fortes reflexos na vida dos animais"},"content":{"rendered":"<p><em>8 de agosto de 2016 &#8211; <\/em>Assistindo um document\u00e1rio sobre a polui\u00e7\u00e3o luminosa (CHENEY, Ian. A luz que vem da escurid\u00e3o, Rooftop Films\/Edgeworx Studios\/Wicked Delicate Films LLC, EUA, 2011), algo me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o: pouco se fala sobre esse problema em nossas vidas, muito menos sobre o impacto que causa na vida dos animais (ambos os aspectos foram abordados no document\u00e1rio).<\/p>\n<div id=\"attachment_78104\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/polui\u00e7\u00e3o-768x512-luminosa-luz-light.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-78104\" class=\"wp-image-78104\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/polui\u00e7\u00e3o-768x512-luminosa-luz-light.jpg\" alt=\"Foto: Eliza Rei\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/polui\u00e7\u00e3o-768x512-luminosa-luz-light.jpg 768w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/polui\u00e7\u00e3o-768x512-luminosa-luz-light-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-78104\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Eliza Rei<\/p><\/div>\n<p>A Terra manteve durante milh\u00f5es de anos os ciclos de dias claros alternados com noites escuras, mas do s\u00e9culo passado para c\u00e1 isso vem se alterando drasticamente. O aumento das popula\u00e7\u00f5es urbanas, e com elas a amplia\u00e7\u00e3o das atividades noturnas demandando maior (e por mais tempo) ilumina\u00e7\u00e3o nas cidades, tem sido o principal fator de polui\u00e7\u00e3o luminosa.<\/p>\n<p>H\u00e1 altera\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade humana e o meio ambiente. Desequil\u00edbrios ambientais pelo alto consumo de energia n\u00e3o renov\u00e1vel, e seus impactos diretos sobre os ecossistemas; diminui\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de luz e escurid\u00e3o, e seus impactos sobre a distribui\u00e7\u00e3o de recursos naturais e a biodiversidade; riscos aos processos naturais que s\u00f3 ocorrem \u00e0 noite, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas, que acabam por perder o padr\u00e3o sazonal; interfer\u00eancias no ritmo circadiano, uma heran\u00e7a longamente trazida pelos seres, habituados ao ciclo de 24h do planeta; rea\u00e7\u00f5es em cadeia com a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, enfim, s\u00e3o algumas constata\u00e7\u00f5es dos efeitos desse tipo de polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o que se sabe sobre os impactos da polui\u00e7\u00e3o luminosa na vida dos animais?<\/p>\n<p>Se cerca de 30% dos vertebrados e 60% dos invertebrados t\u00eam h\u00e1bitos noturnos, j\u00e1 se infere, de in\u00edcio, que os impactos n\u00e3o devem ser poucos.<\/p>\n<p>De um modo geral, os seguintes processos e comportamentos s\u00e3o afetados: navega\u00e7\u00e3o celeste, rela\u00e7\u00f5es, competi\u00e7\u00f5es, repouso, recupera\u00e7\u00e3o, preda\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o, fisiologia etc. Al\u00e9m desses impactos gerais, especificamente para alguns animais j\u00e1 foi observado o seguinte:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>insetos:<\/strong> atra\u00eddos para as fontes luminosas, mant\u00eam-se nelas fixados (ou \u00e0 sua volta) at\u00e9 a morte, e\/ou se tornam presas f\u00e1ceis;<\/li>\n<li><strong>peixes:<\/strong> dependendo da esp\u00e9cie, podem ser atra\u00eddos ou afastados em raz\u00e3o da luminosidade, modificando importantes comportamentos e\/ou se tornando alvos f\u00e1ceis;<\/li>\n<li><strong>anf\u00edbios:<\/strong> ficam bastante confusos com as luzes \u00e0 noite, e alteram padr\u00f5es de reprodu\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li><strong>tartarugas:<\/strong> as f\u00eameas evitam locais claros para a nidifica\u00e7\u00e3o, limitando cada vez mais suas possibilidades; os filhotes que nascem na areia das praias antes se orientavam bem, em busca do mar, pelo reflexo das estrelas na \u00e1gua, mas agora se confundem com a ilumina\u00e7\u00e3o urbana, que al\u00e9m de ofuscar as estrelas, os atraem para o lado oposto ao que deveriam seguir, e assim acabam morrendo por acidentes ou desidrata\u00e7\u00e3o, dentre outras causas n\u00e3o naturais;<\/li>\n<li><strong>mam\u00edferos selvagens:<\/strong> perdem o ecossistema noturno, a alimenta\u00e7\u00e3o e a reprodu\u00e7\u00e3o declinam, e t\u00eam a vis\u00e3o enfraquecida, tudo favorecendo o aumento da mortalidade e, at\u00e9, a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies;<\/li>\n<li><strong>aves:<\/strong> migrat\u00f3rias ou n\u00e3o, perdem a orienta\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o da luminosidade das estrelas; nas plataformas de petr\u00f3leo e pescaria, as aves marinhas s\u00e3o atra\u00eddas para a luz, chocam-se nas constru\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m morrem pela presen\u00e7a do \u00f3leo e do calor intenso, al\u00e9m de terem reduzidas suas reservas energ\u00e9ticas ao voarem em torno da luz, afetando sua rota rumo \u00e0 costa e \u00e0 nidifica\u00e7\u00e3o; s\u00e3o tamb\u00e9m atra\u00eddas para as cidades pelas luzes do exterior e do interior das edifica\u00e7\u00f5es, e muitas, muitas mesmo, colidem nesses pr\u00e9dios, morrendo.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Muitos outros reflexos da polui\u00e7\u00e3o luminosa certamente ocorrem sem que tenhamos, ainda, a exata no\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, com o que j\u00e1 se sabe, o que pode ser feito para mudar os fortes reflexos na vida dos animais?<\/p>\n<p>Uma das op\u00e7\u00f5es mostradas no referido document\u00e1rio \u00e9 a forma da disposi\u00e7\u00e3o das lumin\u00e1rias, de modo a n\u00e3o espalhar demais a luz emitida. Mas ser\u00e1 o bastante?<br \/>\nSabemos que n\u00e3o. Al\u00e9m das medidas pontuais para cada situa\u00e7\u00e3o que envolva diferentes esp\u00e9cies, na tentativa de recupera\u00e7\u00e3o, precisamos mudar tamb\u00e9m a forma como pensamos as cidades, incluindo as proje\u00e7\u00f5es de nossas op\u00e7\u00f5es sobre a vida dos animais e dos ecossistemas, ou seja, prever os impactos que causaremos ao decidirmos sobre alguma inova\u00e7\u00e3o, em toda sua extens\u00e3o espacial e temporal poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o entendermos o planeta, o meio ambiente e os animais como parte do todo a que pertencemos, e que n\u00e3o se fragmenta, continuaremos afetando esse todo ao impormos sofrimento, destrui\u00e7\u00e3o e morte a tudo o que existe, inclusive a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Em fotografia, sabemos o muito que se perde com uma superexposi\u00e7\u00e3o de luz. Talvez consigamos, por um exerc\u00edcio imagin\u00e1rio assim, nos colocar no lugar de um ser noturno a ter que viver diuturnamente nesse excesso. Quem conseguiria suportar sem nada sofrer com os graves estragos?<\/p>\n<p>____________________________<\/p>\n<p><em>Conhe\u00e7a o blog da autora clicando <\/em><strong><em><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/elizareiblog.wordpress.com\/\" >aqui<\/a><\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/08\/08\/2016\/poluicao-luminosa-fortes-reflexos-na-vida-dos-animais\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terra manteve durante milh\u00f5es de anos os ciclos de dias claros alternados com noites escuras, mas do s\u00e9culo passado para c\u00e1 isso vem se alterando drasticamente. E o que se sabe sobre os impactos da polui\u00e7\u00e3o luminosa na vida dos animais? 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