{"id":80089,"date":"2016-09-26T12:01:52","date_gmt":"2016-09-26T11:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=80089"},"modified":"2016-09-26T11:35:38","modified_gmt":"2016-09-26T10:35:38","slug":"portugues-telemoveis-no-frigorifico-fita-cola-na-webcam-nao-devemos-ser-paranoicos-mas-para-que-facilitar-lhes-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/09\/portugues-telemoveis-no-frigorifico-fita-cola-na-webcam-nao-devemos-ser-paranoicos-mas-para-que-facilitar-lhes-o-trabalho\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Telem\u00f3veis no frigor\u00edfico, fita-cola na webcam. &#8220;N\u00e3o devemos ser paran\u00f3icos, mas para qu\u00ea facilitar-lhes o trabalho?&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><em>21 Set 2016 &#8211; <\/em>Por causa de Snowden mudou muitos h\u00e1bitos, transformou a sua &#8220;hist\u00f3ria incr\u00edvel&#8221; em romance e v\u00ea-a agora chegar ao cinema. Luke Harding, o jornalista que viveu com o Brexit &#8220;o acontecimento pol\u00edtico mais deprimente&#8221; da sua vida e que acredita que o jornalismo atravessa &#8220;anos de ouro&#8221;, em entrevista \u00e0 Renascen\u00e7a.<\/p>\n<p>Luke Harding passou temporadas num &#8220;bunker&#8221; do jornal brit\u00e2nico <em>The Guardian<\/em> a investigar os documentos libertados por Edward Snowden em 2013 e que expuseram um gigantesco esquema secreto de vigil\u00e2ncia mundial. Uma hist\u00f3ria que ultrapassava a de &#8220;um Jason Bourne ou de um James Bond&#8221; e que o jornalista transformou no romance n\u00e3o ficcionado &#8220;Os ficheiros Snowden \u2013 A hist\u00f3ria secreta do homem mais procurado do mundo\u201d. O livro inspirou &#8220;Snowden&#8221;, o filme de Oliver Stone, que chega esta quinta-feira [22 set 2016] aos cinemas.<\/p>\n<p>O jornalista, que passou por Portugal esta semana para um debate sobre privacidade digital, foi proibido de entrar na R\u00fassia em 2011, por causa do teor das suas reportagens. Garante que Snowden &#8220;n\u00e3o \u00e9 o melhor amigo de Putin&#8221; e acredita que &#8220;preferia estar noutro s\u00edtio qualquer&#8221;. Descreve o ex-analista de sistemas da Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional norte-americana como &#8220;um tipo incrivelmente corajoso&#8221;, que fez soar o alarme da s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 privacidade da era digital. &#8220;Se n\u00e3o fizermos nada, os nossos filhos e netos n\u00e3o ter\u00e3o privacidade de todo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria de Edward Snowden, incluindo as consequ\u00eancias que teve para os jornalistas que trabalharam o assunto directamente, foi, para usar as suas pr\u00f3prias palavras, &#8220;al\u00e9m do enredo de qualquer &#8216;thriller'&#8221;. O seu livro \u00e9 isso, um &#8220;thriller&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>Totalmente. \u00c9 a hist\u00f3ria mais incr\u00edvel. Imagine que est\u00e1 a falar com um agente liter\u00e1rio e lhe diz:&#8221;estou a trabalhar na hist\u00f3ria de algu\u00e9m que trabalha para uma ag\u00eancia norte-americana de informa\u00e7\u00e3o e que rouba os seus segredos, foge para Hong Kong, entrega-os a jornalistas, tem todas as ag\u00eancias de espionagem do mundo a persegui-lo\u201d&#8230; \u00c9 mais do que um Jason Bourne ou um James Bond. E foi mesmo o que aconteceu. Escrevi o livro como um &#8220;thriller&#8221; n\u00e3o ficcionado. N\u00e3o o queria escrever apenas para alguns &#8220;geeks&#8221; e para pessoas interessadas nas quest\u00f5es da internet e da privacidade, mas para toda a gente. \u00c9 o tipo de livro que se pode ler na praia, no comboio ou no metro.<\/p>\n<p><strong>O que mais o surpreendeu em toda esta hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>O ponto at\u00e9 ao qual estamos a ser espiados e do qual agora temos consci\u00eancia, gra\u00e7as ao Edward Snowden. O que sabemos \u00e9 que a Am\u00e9rica e os seus aliados, incluindo o meu pa\u00eds, o Reino Unido, est\u00e3o rotineiramente a recolher os teus e-mails, os teus SMS, o identificador de localiza\u00e7\u00e3o do telefone de cada vez que te moves para registar onde estiveste, com quem falaste, etc. Isto \u00e9 novo, \u00e9 avassalador e foi feito em segredo. N\u00e3o sab\u00edamos nada sobre isto at\u00e9 2013, quando o Snowden deu o meu material ao meu jornal, o Guardian.<\/p>\n<p><strong>Saber disto f\u00ea-lo mudar, pessoalmente, a forma como se comporta?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, sim. Eu trabalhei em Moscovo antes como correspondente do Guardian e sabia que as ag\u00eancias russas de espionagem &#8211; o KGB, o FSB &#8211; era muito boas a fazer vigil\u00e2ncia, por isso j\u00e1 tinha muito cuidado. Mas agora, se me vou encontrar com uma fonte, por exemplo, se vou ter uma conversa privada, deixo o meu telefone longe e vou para outro s\u00edtio. O conselho do Snowden foi que pus\u00e9ssemos o telefone no frigor\u00edfico, porque assim n\u00e3o pode ser interceptado.<\/p>\n<div id=\"attachment_80090\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lukeharding10943ecd_base.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-80090\" class=\"wp-image-80090\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lukeharding10943ecd_base.jpg\" alt=\"Jornalista Luke Harding esteve em Portugal para um debate sobre privacidade digital\" width=\"500\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lukeharding10943ecd_base.jpg 840w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lukeharding10943ecd_base-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/lukeharding10943ecd_base-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-80090\" class=\"wp-caption-text\">Jornalista Luke Harding esteve em Portugal para um debate sobre privacidade digital.<\/p><\/div>\n<p><strong>Escreveu o livro sempre sem liga\u00e7\u00e3o \u00e0 internet?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, trabalhei sempre &#8220;offline&#8221;, tive o cuidado de encriptar o texto sempre que pude. O meu gabinete fica no edif\u00edcio do Guardian, em Londres, e eu e uma pequena equipa de jornalistas trabalh\u00e1mos num &#8220;bunker&#8221;. T\u00ednhamos quatro computadores que tamb\u00e9m estavam permanentemente desligados da internet. T\u00ednhamos seguran\u00e7as \u00e0 porta, 24 horas por dia. Tivemos muito, muito cuidado para garantir que trat\u00e1vamos este material correctamente.<\/p>\n<p><strong>Descreve no livro alguns epis\u00f3dios de poss\u00edvel paran\u00f3ia entre os jornalistas que trabalhavam o material. Esperava a forma como as autoridades brit\u00e2nicas reagiram e o que for\u00e7aram o Guardian a fazer?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o lhe chamaria paran\u00f3ia. \u00c9 um facto que as ag\u00eancias brit\u00e2nicas de espionagem estavam apavoradas com as hist\u00f3rias que publicar\u00edamos. N\u00e3o sabiam que material o Edward Snowden nos tinha passado no Ver\u00e3o de 2013. Estavam desesperados por descobrir e escutavam as nossas comunica\u00e7\u00f5es&#8230; Sofremos muita press\u00e3o pol\u00edtica do governo brit\u00e2nico, tivemos amea\u00e7as legais e em Julho de 2013 dois espi\u00f5es da ag\u00eancia do governo vieram \u00e0s nossas instala\u00e7\u00f5es e obrigaram-nos a destruir os nossos computadores com brocas. E isto \u00e9 totalmente rid\u00edculo, porque dissemos ao governo brit\u00e2nico que este material existia no Rio de Janeiro, em Nova Iorque, em Berlim&#8230; Portanto, destruir fisicamente os nossos computadores n\u00e3o impediria as not\u00edcias&#8230; Mas creio que David Cameron, o primeiro-ministro na altura, achou que se esmagassem um computador o problema se resolveria.<\/p>\n<p><strong>O mundo soube desta hist\u00f3ria em Junho de 2013. Diria que, para o cidad\u00e3o comum, o choque inicial se transformou muito rapidamente em indiferen\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Depende do pa\u00eds. No meu pa\u00eds houve alguma indiferen\u00e7a logo desde o in\u00edcio, porque os brit\u00e2nicos v\u00eaem o James Bond, confiam nas suas ag\u00eancias de espionagem&#8230; Temos um sistema pol\u00edtico muito est\u00e1vel. Mas noutros pa\u00edses com um passado de ditadura, como na Alemanha, no Brasil&#8230; ou mesmo em Portugal, que teve a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de ditadura e pol\u00edcia secreta, as pessoas perceberam que, para termos uma sociedade livre e democr\u00e1tica que funcione, temos de ter privacidade. O que o Snowden nos diz \u00e9 que a privacidade est\u00e1 rapidamente a desaparecer na era digital. E se n\u00e3o fizermos nada para o travar, se n\u00e3o nos queixarmos, se n\u00e3o fizermos barulho, os nossos filhos e netos n\u00e3o ter\u00e3o privacidade de todo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma personagem da NSA que diz no filme que as pessoas n\u00e3o querem liberdade, querem seguran\u00e7a&#8230; <\/strong><\/p>\n<p>Os espi\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o sempre certos e os cidad\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o sempre errados. Tem de haver uma conversa s\u00e9ria sobre as fronteiras entre a privacidade, por um lado, e a seguran\u00e7a, por outro. Mas o que sabemos atrav\u00e9s do Snowden \u00e9 que estes programas recolhiam os dados de toda a gente e n\u00e3o eram uma forma eficaz de travar o terrorismo. Havia d\u00favidas sobre se era legal, mas h\u00e1 d\u00favidas ainda maiores sobre se era eficaz. Os americanos trocam 500 milh\u00f5es de SMS por dia. Juntamente com o Reino Unido, s\u00e3o 38 mil milh\u00f5es de dados por dia. Como podes identificar terroristas no meio de tamanho volume de informa\u00e7\u00e3o? O que sabemos \u00e9 que a maioria dos ataques na Europa foram feitos por pessoas que j\u00e1 estavam nos radares, que as autoridades j\u00e1 conheciam. Por isso, tem de haver formas mais inteligentes de fazer isto do que vigiar o e-mail da tua av\u00f3 que vive no norte de Portugal ou do meu pai que vive na costa sul de Inglaterra.<\/p>\n<p><strong>Somando tudo o que aconteceu, com o que sabe hoje, diria que valeu a pena o que Edward Snowden fez?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que o Snowden \u00e9 um tipo incrivelmente corajoso. Acho que sabia perfeitamente o que estava a fazer, sabia que a sua vida nunca mais seria a mesma, esperava ir para a pris\u00e3o, n\u00e3o contava acabar em Moscovo, onde foi parar por acaso, quando queria chegar \u00e0 Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Edward Snowden \u00e9 a pessoa que veio destapar a cortina e revelar a verdadeira natureza das coisas no nosso s\u00e9culo XXI, em que toda a gente est\u00e1 no iPhone, toda a gente est\u00e1 quatro, cinco, seis horas por dia ao computador, os nossos filhos est\u00e3o tamb\u00e9m colados aos seus telefones. Ele fez soar um alarme sobre o que se est\u00e1 a passar. A hist\u00f3ria deve-lhe isso. Acho que devia ser perdoado nos Estados Unidos e acho que \u00e9 um homem muito corajoso.<\/p>\n<p><strong>Fala com ele regularmente?<\/strong><\/p>\n<p>Eu fui expulso da R\u00fassia h\u00e1 cinco anos. N\u00e3o posso viajar para Moscovo e ele n\u00e3o pode sair de l\u00e1. Mas o meu colega Ewen MacAskill, que trabalha ao meu lado, falou com o Snowden na semana passada. Ele parece estar bem, parece estar tranquilo. Est\u00e1 muito interessado neste novo filme, do Oliver Stone. Mas a realidade \u00e9 que est\u00e1 preso na R\u00fassia, creio que por alguns anos.<\/p>\n<p><strong>O Luke trabalhou na R\u00fassia, conhece o pa\u00eds. Como \u00e9 que o cidad\u00e3o comum russo v\u00ea o Snowden?<\/strong><\/p>\n<p>Para os russos creio que ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de her\u00f3i. Mas o paradoxo \u00e9 que a R\u00fassia tamb\u00e9m faz vigil\u00e2ncia em massa&#8230; E com menos controlo legal do que nos Estados Unidos. O que \u00e9 interessante, agora que o Snowden est\u00e1 em Moscovo h\u00e1 tr\u00eas anos, \u00e9 que ele tem sido cada vez mais cr\u00edtico do governo russo e da forma como tem esmagado as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos, os activistas da oposi\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Acho que o Snowden compreende que est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o complicada, mas ele n\u00e3o \u00e9 um espi\u00e3o russo, ele n\u00e3o trabalha para o Kremlin, n\u00e3o \u00e9 o melhor amigo de Vladimir Putin. N\u00e3o posso falar por ele mas, honestamente, creio que preferia estar noutro s\u00edtio qualquer.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_4953119b3_base.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-80091\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_4953119b3_base.jpg\" alt=\"snowden_filme_foto_4953119b3_base\" width=\"700\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_4953119b3_base.jpg 840w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_4953119b3_base-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_4953119b3_base-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o diria que ele \u00e9 um convidado ou um prisioneiro?<\/strong><\/p>\n<p>Ele \u00e9 um convidado&#8230; n\u00e3o \u00e9 um prisioneiro&#8230; Mas seria ing\u00e9nuo pensar que ele pr\u00f3prio n\u00e3o \u00e9 vigiado pelas autoridades, pelo FSB, porque \u00e9 isso que eles fazem.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a segunda vez que um livro seu \u00e9 adaptado ao cinema (depois da sua hist\u00f3ria sobre o Wikileaks ter dado origem a &#8220;O Quinto Poder&#8221;, com Benedict Cumberbatch a interpretar Julian Assange). Colaborou com o Oliver Stone no processo? <\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi cinco livros&#8230; Quando recebes uma chamada de Hollywood \u00e9 sempre muito agrad\u00e1vel. Normalmente o que acontece \u00e9 que recebo a chamada, o realizador &#8211; neste caso, o Oliver Stone, &#8211; marca todas as p\u00e1ginas do meu livro e depois vai embora e faz o seu filme. Escreve o seu pr\u00f3prio gui\u00e3o. \u00c9 dele, n\u00e3o \u00e9 meu. Mas vi o filme e \u00e9 um bom filme. \u00c9 um &#8220;thriller&#8221; pol\u00edtico e o Joseph Gordon-Levitt \u00e9 fant\u00e1stico como Edward Snowden. E \u00e9 muito bom ver o meu livro interpretado por outra pessoa num grande ecr\u00e3.<\/p>\n<p><strong>Foi correspondente de guerra, trabalhou em Berlim, em Moscovo&#8230; Est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es de poder fazer um enquadramento mais geral da realidade. Como olha para a Europa por estes dias?<\/strong><\/p>\n<p>A Europa est\u00e1 uma confus\u00e3o. O meu pa\u00eds acaba de votar a favor do Brexit. Eu n\u00e3o votei pelo Brexit e foi o acontecimento pol\u00edtico mais deprimente da minha vida. O Reino Unido dividiu-se mesmo a meio. Entre fam\u00edlias, entre aldeias, entre comunidades. H\u00e1 problemas econ\u00f3micos, h\u00e1 uma crise de refugiados, h\u00e1 um desvio para os extremos &#8211; para a extrema-esquerda e para a extrema-direita &#8211; e as pessoas querem solu\u00e7\u00f5es simples para problemas complexos.<\/p>\n<p>Tendo passado quatro anos na R\u00fassia, e tendo sido expulso pelo Kremlin por causa das minhas reportagens, acho que a vale a pena lutar pela Europa. N\u00f3s que vivemos em pa\u00edses europeus democr\u00e1ticos tomamos muita coisa como garantida &#8211; o estado de direito, institui\u00e7\u00f5es que funcionam, educa\u00e7\u00e3o para as nossas crian\u00e7as&#8230; E acho que nos devemos agarrar a isso a todo o custo. E n\u00e3o nos desviarmos para uma fantasia nacionalista louca de direita ou para uma fantasia louca anti-imperialista de esquerda.<\/p>\n<p>E devemos amar-nos uns aos outros.<\/p>\n<p><strong>E como fica o jornalismo no meio disso tudo?<\/strong><\/p>\n<p>Como o Mark Twain disse um dia, os rumores da sua morte foram manifestamente exagerados. O jornalismo n\u00e3o est\u00e1 morto. O modelo econ\u00f3mico em que se sustentou durante muito tempo est\u00e1, de certa forma, falido. J\u00e1 ningu\u00e9m quer pagar pelas not\u00edcias. Os jornais, incluindo o meu, est\u00e3o a perder quantidades avultadas de dinheiro. Apesar disso, penso que \u00e9 uma idade de ouro para o jornalismo. Eu estive envolvido em fugas incr\u00edveis de informa\u00e7\u00e3o. O Wikileaks, os telegramas diplom\u00e1ticos dos Estados Unidos em 2010, os ficheiros do Snowden em 2013, mais recentemente os &#8220;Panama Papers&#8221; &#8211; que me fizeram passar seis meses a investigar os segredos de gente rica, inclusivamente neste pa\u00eds&#8230; As fugas de informa\u00e7\u00e3o ficaram cada vez maiores. A \u00faltima tinha 11,5 milh\u00f5es de documentos. Por isso\u2026 n\u00e3o temos dinheiro, estamos deprimidos, os tempos s\u00e3o dif\u00edceis, mas ao mesmo tempo sabemos mais do que alguma vez soubemos. E vejo o balan\u00e7o de poderes a mudar em favor dos jornalistas e a afastar-se dos ricos e poderosos, cujos segredos s\u00e3o agora muito mais facilmente expostos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_216299899_base.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-80092\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_216299899_base.jpg\" alt=\"snowden_filme_foto_216299899_base\" width=\"700\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_216299899_base.jpg 840w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_216299899_base-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/snowden_filme_foto_216299899_base-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/rr.sapo.pt\/noticia\/64219\/telemoveis_no_frigorifico_fita_cola_na_webcam_nao_devemos_ser_paranoicos_mas_para_que_facilitar_lhes_o_trabalho?utm_source=rss\" >Go to Original \u2013 rr.sapo.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma hist\u00f3ria que ultrapassava a de &#8220;um Jason Bourne ou de um James Bond&#8221; e que o jornalista Luke Harding transformou no romance n\u00e3o ficcionado &#8220;Os ficheiros Snowden \u2013 A hist\u00f3ria secreta do homem mais procurado do mundo\u201d. 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