{"id":81908,"date":"2016-10-31T12:00:41","date_gmt":"2016-10-31T12:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=81908"},"modified":"2016-10-25T13:20:42","modified_gmt":"2016-10-25T12:20:42","slug":"portugues-os-direitos-humanos-que-nao-temos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/10\/portugues-os-direitos-humanos-que-nao-temos\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Os Direitos Humanos (que n\u00e3o temos)"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Vivemos sob ditaduras, algumas assumidas, outras simplesmente estruturas autorit\u00e1rias, todas vergadas aos interesses pragm\u00e1ticos e totalit\u00e1rios, utilitaristas, dos radicalismos do capital e da sua elite econ\u00f3mica.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/direitos-humanos.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-81909\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/direitos-humanos.jpg\" alt=\"direitos-humanos\" width=\"700\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/direitos-humanos.jpg 801w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/direitos-humanos-300x170.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/direitos-humanos-768x434.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>14 Outubro, 2016 &#8211; <\/em>Erro de interpreta\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero, os direitos do Homem s\u00e3o, de forma mais niveladora e justa, a filosofia dos direitos humanos, reunindo-se nesta vontade de designa\u00e7\u00e3o dos g\u00e9neros, independentemente de como biologicamente se apresentam.<\/p>\n<p>Direitos humanos, portanto, porque s\u00e3o um desejo da humanidade que acredita numa das \u00faltimas utopias civilizacionais: que podemos crescer e viver em conjunto numa casa comum, respeitando entre todos as nossas mais gritantes diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Vendo \u00e0 lupa, n\u00e3o s\u00e3o comuns a mais do que um punhado de povos, a viverem em democracia, povos ocidentais e privilegiados. Para a maior parte dos restantes a designa\u00e7\u00e3o \u2013 e o que inclui \u2013 n\u00e3o faz o menor sentido pr\u00e1tico e \u00e9, em suma, desconhecida.<\/p>\n<p>Com a nomea\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Guterres para secret\u00e1rio geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, temas que andaram arredados da primeira linha dos debates, voltaram \u00e0 ribalta: o humanismo, os direitos humanos, a ingenuidade das inefic\u00e1cias pacifistas, humanistas, ou simplesmente sentimentais, \u00faltimos redutos das nossas qualidades. Aproveitemos ent\u00e3o o ensejo para falar dos temas agora reanimados.<\/p>\n<p>Vivemos sob ditaduras, algumas assumidas, outras simplesmente estruturas autorit\u00e1rias, todas vergadas aos interesses pragm\u00e1ticos e totalit\u00e1rios, utilitaristas, dos radicalismos do capital e da sua elite econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>O mercado, o capitalismo, o poder de compra, as ditaduras brancas (as que negam ter cor ou bandeira), a autoridade fiscal, incontorn\u00e1vel, s\u00e3o os rostos mais evidentes de quem anula hoje os direitos humanos, como ontem, ali\u00e1s, o fizeram com as ideologias.<\/p>\n<p><strong>Manda Quem Pode, Obedece Quem Paga<\/strong><\/p>\n<p>A limita\u00e7\u00e3o do poder estatal \u2013 quando \u00e9 ilimitado \u00e9-nos muito adverso, admito \u2013 passou a registar o ilimitado poder privado de elites, que enterrou o ideol\u00f3gico e estabeleceu a banca e o ultraliberal e fascizante poder econ\u00f3mico como solu\u00e7\u00e3o para o governo dos povos.<\/p>\n<p>O incremento da falta de cultura c\u00edvica, a expurga\u00e7\u00e3o da cultura pol\u00edtica, a vontade de que os povos saibam menos e participem cada vez menos nas decis\u00f5es, criaram um tempo de abandalhamento que normalmente \u00e9 condutor a um outro tempo, o da fraqueza, que p\u00f5e sempre os povos na contradi\u00e7\u00e3o de exigirem ordem e repress\u00e3o, ditadura e extremismo \u2013 elementos de uma vida de que mais tarde ir\u00e3o arrepender-se muito.<\/p>\n<p>Assim se celebrou Salazar, Franco, Mussolini, Hitler, Pinochet, Lenine, Mao \u2013 porque eram as m\u00e3os fortes do momento a puxar gente fraca, enferma de derrotas sucessivas e sem ego que lhes permitisse outras op\u00e7\u00f5es, outros combates.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVI o primeiro czar russo foi Iv\u00e3 IV, dito o Terr\u00edvel. A hist\u00f3ria sabe a dor que legou. Hoje, na R\u00fassia, h\u00e1 um movimento para a sua canoniza\u00e7\u00e3o! Na China, erguem-se altares a Mao. H\u00e1 quem ponha flores regularmente nas campas de Sid\u00f3nio Pais e de Salazar. Mikl\u00f3s Horthy de Nagyb\u00e1nya, foi um militar h\u00fangaro da marinha com o posto de almirante e estadista, que serviu o seu pa\u00eds como regente do reino da Hungria, entre duas guerras mundiais, e quase toda a segunda guerra mundial.<\/p>\n<p>Pelo car\u00e1ter do seu cargo, recebeu do legislativo nacional, o tratamento de \u201cAlteza Seren\u00edssima\u201d. Depois da Guerra e de ter sido testemunha nos julgamentos de Nuremberga, estabeleceu-se em Portugal, onde passou a viver (at\u00e9 \u00e0 sua morte, no Estoril, em 09 de fevereiro de 1957 aos 88 anos)! Permitiu que Hitler, com quem fez alian\u00e7as, usasse o seu territ\u00f3rio para invadir a Jugosl\u00e1via! Muito controverso, tem hoje na Hungria um grupo de saudosistas que o idolatra.<\/p>\n<p><strong>A Mem\u00f3ria (Leia-se Ingenuidade) dos Povos \u00c9 Fugaz<\/strong><\/p>\n<p>Conduz \u00e0 mais profunda ambiguidade das decis\u00f5es. O medo, por exemplo, come\u00e7a por exigir uma sociedade mais policiada e, invariavelmente, descamba numa sociedade irredutivelmente policial. Hoje, muitos dos pensadores sorriem ao pensar que h\u00e1 anos os direitos humanos eram brandidos diante ditaduras ditas de esquerda, formas radicalizadas em comportamentos de pr\u00e1tica ultra direitista que ocorreram em especial na Europa de Leste.<\/p>\n<p>Hoje, percebe-se que n\u00e3o era na hegemonia marxista que estava a amea\u00e7a, mas na pr\u00e1tica fascizante com que os seus dirigentes usurpavam o poder e subjugavam os povos contra a sua vontade. Criado o mito, foi poss\u00edvel criar basti\u00f5es cru\u00e9is \u00e0 direita \u2013 que brandiam quase sempre a no\u00e7\u00e3o cada vez mais vaga dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Atualmente, sofremos as consequ\u00eancias dessa escalada. Sofremos a emerg\u00eancia de uma sociedade injusta, radicalizada, amea\u00e7ada pelos terroristas \u2013 lacaios sem lei dos interesses econ\u00f3micos (das armas, droga, tr\u00e1fico humano, combust\u00edveis f\u00f3sseis, riquezas minerais ou obras de arte) que guardam os direitos humanos em compartimentos estanques que mostram em pequenas imagens virtuais aos povos em dias de festa.<\/p>\n<p>Os direitos humanos s\u00e3o uma das nossas \u00faltimas utopias. N\u00f3s, os ing\u00e9nuos bem intencionados, com o sol na lapela das nossas camisolas de algod\u00e3o onde se leem frases ocas das grandes proclama\u00e7\u00f5es humanistas. As que gritamos bem alto pelo direito \u00e0 vida.<\/p>\n<p>_________________________________<\/p>\n<p><em>Alexandre Honrado: Historiador, Professor Universit\u00e1rio e investigador da \u00e1rea de Ci\u00eancia das Religi\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Nota <\/em>TMS<em> Editor: Texto escrito em vern\u00e1culo Portugu\u00eas, original, de Portugal.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.jornaltornado.pt\/os-direitos-humanos-nao\/#.WAByJb_cHsk.facebook\" >Go to Original \u2013 jornaltornado.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos sob ditaduras, algumas assumidas, outras simplesmente estruturas autorit\u00e1rias, todas vergadas aos interesses pragm\u00e1ticos e totalit\u00e1rios, utilitaristas, dos radicalismos do capital e da sua elite econ\u00f3mica.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-81908","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=81908"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/81908\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=81908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=81908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=81908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}