{"id":82087,"date":"2016-10-31T12:00:20","date_gmt":"2016-10-31T12:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=82087"},"modified":"2016-10-28T17:54:40","modified_gmt":"2016-10-28T16:54:40","slug":"portugues-senciencia-animal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/10\/portugues-senciencia-animal\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Senci\u00eancia Animal"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_82088\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/elefantes.png\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-82088\" class=\"wp-image-82088\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/elefantes.png\" alt=\"Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"500\" height=\"311\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/elefantes.png 476w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/elefantes-300x187.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-82088\" class=\"wp-caption-text\">Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><em>25 Out 2016 &#8211; <\/em>A senci\u00eancia \u00e9 a capacidade de ser afetado positiva ou negativamente. \u00c9 a capacidade de ter experi\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 a mera capacidade para perceber um est\u00edmulo ou reagir a uma dada a\u00e7\u00e3o, como no caso de uma m\u00e1quina que desempenha certas fun\u00e7\u00f5es quando pressionamos um bot\u00e3o. A senci\u00eancia, ou a capacidade para sentir, \u00e9 algo diferente, isto \u00e9, a capacidade de receber e reagir a um est\u00edmulo de forma consciente, experimentando-o a partir de dentro.<\/p>\n<p><strong>Ser senciente significa ser consciente<\/strong><\/p>\n<p>Um ser consciente \u00e9 um sujeito de experi\u00eancias, isto \u00e9, uma entidade capaz de experimentar aquilo que lhe acontece. Um organismo s\u00f3 pode ser sujeito de experi\u00eancias se tiver uma organiza\u00e7\u00e3o que lhe permita ter a capacidade para a consci\u00eancia e se possuir certas estruturas como um sistema nervoso cujo funcionamento d\u00e1 origem \u00e0 consci\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cSer consciente\u201d \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201cter experi\u00eancias\u201d. Dizer que algu\u00e9m experimenta algo equivale a dizer que ele ou ela \u00e9 consciente de algo. Em outras palavras, ser consciente \u00e9 sin\u00f4nimo de ser senciente (ser capaz de ter experi\u00eancias positivas ou negativas). Assim, quando um ser deixa de ser consciente, deixa de poder ter experi\u00eancias e, como tal, deixa de ser um indiv\u00edduo, um sujeito. Por exemplo, quando algu\u00e9m sofre um acidente que destr\u00f3i de forma irrevers\u00edvel a sua capacidade para a consci\u00eancia, esse sujeito deixa de existir, ainda que o seu corpo se mantenha vivo.<\/p>\n<p><strong>Ser senciente \u00e9 ser capaz de ser afetado de forma positiva ou negativa<\/strong><\/p>\n<p>A raz\u00e3o pela qual a consci\u00eancia ou a senci\u00eancia \u00e9 crucial para a moralidade reside no fato de as experi\u00eancias, s\u00f3 acess\u00edveis aos seres conscientes, poderem ser positivas ou negativas para os indiv\u00edduos que as possuem. Estes podem ser afetados para bem ou para mal. Uma forma similar de definir senci\u00eancia \u00e9, portanto, capacidade de sofrer um dano ou um benef\u00edcio.<\/p>\n<p>H\u00e1 certas clarifica\u00e7\u00f5es importantes a fazer em rela\u00e7\u00e3o ao significado dos termos \u201cdano\u201d e \u201cbenef\u00edcio.<\/p>\n<p>Alguns objetos podem ser danificados mas n\u00e3o podem sofrer um dano. Existem objetos com os quais podemos desempenhar certas fun\u00e7\u00f5es, como um martelo, por exemplo, e objetos que podem desempenhar eles pr\u00f3prios certas fun\u00e7\u00f5es, como um carro. Se acontecer alguma coisa a estes objetos de modo a que deixem de poder desempenhar estas fun\u00e7\u00f5es, dizemos que est\u00e3o danificados. Mas esse tipo de dano \u00e9 muito diferente do tipo de dano que pode sofrer um ser senciente. Um objeto n\u00e3o pode sofrer um dano. Um objeto n\u00e3o pode ter consci\u00eancia do dano que lhe \u00e9 causado, ou ser afetado pelo dano de nenhuma forma, uma vez que um objeto n\u00e3o \u00e9 um indiv\u00edduo capaz de sofrer ou desfrutar.<\/p>\n<p><strong>O uso dos termos \u201csofrimento\u201d e \u201cdesfrute\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Em geral, \u201cdesfrute\u201d, \u201cbem-estar\u201d ou \u201cfelicidade\u201d t\u00eam sido os termos usados para referir experi\u00eancias positivas, e termos como \u201cdor\u201d, \u201csofrimento\u201d e outros sin\u00f4nimos para referir experi\u00eancias negativas. Esta terminologia pode, contudo, induzir a um erro, uma vez que pode nos levar a pensar que refere apenas certos tipos de experi\u00eancias positivas ou negativas. Em particular, as palavras \u201cdesfrute\u201d e \u201csofrimento\u201d s\u00e3o identificadas frequentemente com prazer e dor f\u00edsicas. Em outras ocasi\u00f5es, s\u00e3o identificadas com certas experi\u00eancias positivas e negativas de car\u00e1ter mais amplo, incluindo o sofrimento e o prazer psicol\u00f3gicos. Por\u00e9m, podem n\u00e3o incluir coisas como a sensa\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o sentida por algu\u00e9m ap\u00f3s ter terminado um trabalho importante.<\/p>\n<p>Contudo, tudo isto pode dar lugar a confus\u00e3o e erro. Se usarmos estes termos para discutir a senci\u00eancia, estes ter\u00e3o que ser sin\u00f4nimos de todo o tipo de experi\u00eancia positiva ou negativa por igual, de qualquer forma de consci\u00eancia sentida como boa ou m\u00e1 por um indiv\u00edduo. Se assumirmos, de acordo com isso, que as experi\u00eancias negativas podem ser mais amplamente referidas pelo termo \u201csofrimento\u201d e as experi\u00eancias positivas pelo termo \u201cdesfrute\u201d, ent\u00e3o \u201csenci\u00eancia\u201d pode ser tamb\u00e9m denominada por \u201ccapacidade para sofrer e desfrutar\u201d. Aqueles\/as que preferirem usar os termos \u201csofrimento\u201d e \u201cdesfrute\u201d de um modo mais restrito (para referir apenas dor e prazer f\u00edsicos) n\u00e3o dever\u00e3o usar a express\u00e3o \u201ccapacidade para sofrer e desfrutar\u201d como sin\u00f4nimo de senci\u00eancia. Os\/as autores\/as que usam esta express\u00e3o, normalmente usam-na no sentido de senci\u00eancia, isto \u00e9, como significando todo o tipo de experi\u00eancias positivas ou negativas.<\/p>\n<p><strong>Os estados mentais s\u00e3o experi\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Por vezes, \u201cpossuir estados mentais\u201d \u00e9 tamb\u00e9m usado como sin\u00f4nimo de \u201cconsciente\u201d ou \u201csenciente\u201d. Um estado mental s\u00f3 pode ser experimentado por uma mente e uma mente \u00e9 meramente um sujeito de experi\u00eancias. Um estado mental \u00e9, portanto, qualquer tipo de experi\u00eancia, incluindo as mais rudimentares como sentir dor ou prazer f\u00edsicos. Contudo, a palavra \u201cmente\u201d \u00e9 frequentemente usada de uma forma diferente, com o significado de certo funcionamento cognitivo complexo ou de certas capacidades intelectuais complexas associadas com o pensamento e a aprendizagem. Entendido deste modo, o termo \u201cmente\u201d significa algo muito diferente daquilo que significam \u201csenci\u00eancia\u201d e \u201cconsci\u00eancia\u201d. Possuir certas capacidades intelectuais complexas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio para o que \u00e9 tecnicamente chamado de estado mental \u2013 tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio \u00e9 a posse de consci\u00eancia, mesmo que muitas outras faculdades cognitivas estejam ausentes. Deste modo, h\u00e1 fortes raz\u00f5es para pensar que muitos animais n\u00e3o humanos possuem estados mentais.<\/p>\n<p><strong>Leituras adicionais:<\/strong><\/p>\n<p>Allen, C. &amp; Bekoff, M. (1997) <em>Species of mind: The philosophy and biology of cognitive ethology<\/em>, Cambridge: MIT Press.<\/p>\n<p>Bateson, P. (1991) \u201cAssessment of pain in animals\u201d, <em>Animal Behaviour<\/em>, 42, pp. 827-839.<\/p>\n<p>Bonica, J. (1990) <em>The management of pain<\/em>, 2<sup>nd<\/sup> ed., Philadelphia: Lea and Febiger.<\/p>\n<p>Broom, D. M. (1991) \u201c<a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.animalsciencepublications.org\/publications\/jas\/abstracts\/69\/10\/4167?search-result=1\" >Animal welfare: Concepts and measurement<\/a>\u201d, <em>Journal of Animal Science<\/em>, 69, pp. 4167-4175 [acessado em 14 de setembro de 2015].<\/p>\n<p>Chandroo, K. P.; Duncan, I. J. H. &amp; Moccia, R. D. (2004) \u201cCan fish suffer?: Perspectives on sentience, pain, fear, and stress\u201d, <em>Applied Animal Behavior Science<\/em>, 86, pp. 225-250.<\/p>\n<p>Dawkins, M. S. (1980) <em>Animal suffering: The science of animal welfare<\/em>, London: Chapman and Hall.<\/p>\n<p>DeGrazia, D. (1996) <em>Taking animals seriously: Mental life and moral status<\/em>, Cambridge: Cambridge University Press.<\/p>\n<p>DeGrazia, D. &amp; Rowan, A. (1991) \u201cPain, suffering, and anxiety in animals and humans\u201d, <em>Theoretical Medicine and Bioethics<\/em>, 12, pp. 193-211.<\/p>\n<p>Griffin, D. R. (1981) <em>The question of animal awareness<\/em>, Los Altos: William Kaufman.<\/p>\n<p>Griffin, D. R.\u00a0(1992) <em>Animal minds<\/em>, Chicago: Chicago University Press.<\/p>\n<p>Rollin, B. E. (1989) <em>The unheeded cry: Animal consciousness, animal pain, and science<\/em>, Oxford:\u00a0 Oxford University Press.<\/p>\n<p>Sherwin, C. M. (2001) \u201cCan invertebrates suffer? Or, how robust is argument-by-analogy?\u201d, <em>Animal Welfare<\/em>, 10 (suppl. 1), pp. 103-118.<\/p>\n<p>Sneddon, L. U. (2004) \u201cEvolution of nociception in vertebrates: Comparative analysis of lower vertebrates\u201d, <em>Brain Research Reviews<\/em>, 46, pp. 123-130.<\/p>\n<p>Vinding, M. (2014)<em><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.smashwords.com\/books\/view\/451958\" >A copernican revolution in ethics<\/a><\/em>, Los Gatos: Smashwords, [pp. 4-17, acessado em 1 de julho de 2014].<\/p>\n<p>Weary, D. M.; Niel, L.; Flower, F. C. &amp; Fraser, D. (2006) \u201cIdentifying and preventing pain in animals\u201d, <em>Applied Animal Behaviour Science<\/em>, 100 (1), pp. 64-76.<\/p>\n<p>Weiskrantz, L. (1995) \u201cThe problem of animal consciousness in relation to neuropsychology\u201d, <em>Behavioral Brain Research<\/em>, 71, pp. 171-175.<\/p>\n<p>________________________________<\/p>\n<p><em>Texto publicado originalmente no site <\/em><strong><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.animal-ethics.org\/senciencia-animal\/\" >\u00c9tica Animal<\/a><\/em><\/strong><em>.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/25\/10\/2016\/senciencia-animal\" >Go to Original \u2013 anda.jor.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A senci\u00eancia \u00e9 a capacidade de ser afetado positiva ou negativamente, isto \u00e9, a capacidade de receber e reagir a um est\u00edmulo de forma consciente, experimentando-o a partir de dentro. \u00c9 a capacidade de ter experi\u00eancias. N\u00e3o \u00e9 a mera capacidade para perceber um est\u00edmulo ou reagir a uma dada a\u00e7\u00e3o, como no caso de uma m\u00e1quina que desempenha certas fun\u00e7\u00f5es quando pressionamos um bot\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-82087","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82087","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82087"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82087\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}