{"id":82163,"date":"2016-10-31T12:00:36","date_gmt":"2016-10-31T12:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=82163"},"modified":"2016-10-29T16:49:30","modified_gmt":"2016-10-29T15:49:30","slug":"portugues-wind-of-change-ou-a-europa-vista-pelo-saudosismo-dos-scorpions","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/10\/portugues-wind-of-change-ou-a-europa-vista-pelo-saudosismo-dos-scorpions\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Wind of Change, ou a Europa vista pelo saudosismo dos Scorpions"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Paulo-Mendes-Pinto.png\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-82164\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Paulo-Mendes-Pinto.png\" alt=\"paulo-mendes-pinto\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a><em>Mais do que perguntar como vamos sair da crise, interessa perguntar para onde vamos sair. <\/em><\/p>\n<p><em>28 Out 2016 &#8211; <\/em>Com a faixa Wind of Change, do album significativamente nomeado como Crazy World, de 1990, os Scorpions olhavam, como a Alemanha sempre tem feito, para leste, e davam gra\u00e7as pelo fim da hegemonia sovi\u00e9tica, como se os tempos de mudan\u00e7a avan\u00e7assem para um \u201cFim da Hist\u00f3ria\u201d, parafraseando Fukuyama.<\/p>\n<p>E avan\u00e7avam, sim. Por essa mesma altura, descobri Cioran o seu Histoire et utopie, um fil\u00f3sofo infelizmente pouco lido por estas praias atl\u00e2nticas. Nessa minha leitura de p\u00f3s-queda do Muro de Berlim, o sentido desse texto era quase prof\u00e9tico ou, at\u00e9, escatol\u00f3gico: depois de dividido o mundo em dois blocos, depois de criada essa cis\u00e3o t\u00e3o forte que dividira a Europa e o mundo durante d\u00e9cadas, deixara-se de ter a capacidade para criar utopias.<\/p>\n<p>E hoje, cinquenta anos depois de Cioran, bem mais de vinte depois dos Scorpions, que Europa temos? A Europa, com a EU \u00e0 cabe\u00e7a, n\u00e3o consegue perceber o sentido do novo &#8220;wind of change&#8221;, nem sabe como encontrar medidas que estejam para al\u00e9m de um pseudo-pragmatismo imediato. O ocidente perdeu a capacidade de pensar um futuro diferente do que tem, o que se verifica cada vez mais na incapacidade de criar solu\u00e7\u00f5es ao tecnocratismo estabelecido.<\/p>\n<p>Com o fim da Guerra Fria, uma das verdades feitas pelo senso comum ia no sentido de um desarmamento global. Os inimigos deixariam de o ser. A corrida ao armamento j\u00e1 n\u00e3o tinha o sentido \u201cpatrioteiro\u201d de outros tempos. Mas nada disso aconteceu.<\/p>\n<p>Depois da afirma\u00e7\u00e3o de poder na Ucr\u00e2nia, com o prolongamento no protagonismo na S\u00edria, a R\u00fassia cria um novo conceito militar onde regressa a todos os fantasmas de antigamente. Convenhamos, muitos desses fantasmas est\u00e3o j\u00e1 ser plenamente fundamentados por ac\u00e7\u00f5es altamente irreflectidas por parte da NATO.<\/p>\n<p>Que queremos n\u00f3s, cada um dos cidad\u00e3os europeus, o que quer a Europa? Mais do que perguntar como vamos sair da crise, interessa perguntar para onde vamos sair. De facto, aa que chamamos crise \u00e9 apenas o resultado de uma entediante e sustentada falta de vis\u00e3o e de estrat\u00e9gia. Estasiados no barulho das luzes de cada momento, esquecemos de olhar para o futuro, arriscando repetir o pior do passado.<\/p>\n<p>__________________________________<\/p>\n<p><em>Prof. Paulo Mendes Pinto \u00e9 diretor da \u00e1rea de Ci\u00eancia das Religi\u00f5es da Universidade Lus\u00f3fona em Lisboa, Portugal.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/visao.sapo.pt\/opiniao\/bolsa-de-especialistas\/2016-10-28-Wind-of-Change-ou-a-Europa-vista-pelo-saudosismo-dos-Scorpions\" >Go to Original \u2013 visao.sapo.pt<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o fim da Guerra Fria, uma das verdades feitas pelo senso comum ia no sentido de um desarmamento global. Os inimigos deixariam de o ser. A corrida ao armamento j\u00e1 n\u00e3o tinha o sentido \u201cpatrioteiro\u201d de outros tempos. Mas nada disso aconteceu. 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