{"id":83598,"date":"2016-11-28T12:00:01","date_gmt":"2016-11-28T12:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=83598"},"modified":"2016-11-27T15:56:19","modified_gmt":"2016-11-27T15:56:19","slug":"portugues-elisee-reclus-nao-e-um-equivoco-relacionar-os-horrores-da-guerra-com-o-massacre-do-gado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2016\/11\/portugues-elisee-reclus-nao-e-um-equivoco-relacionar-os-horrores-da-guerra-com-o-massacre-do-gado\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) \u00c9lis\u00e9e Reclus: \u201cN\u00e3o \u00e9 um equ\u00edvoco relacionar os horrores da guerra com o massacre do gado\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cA porca chorava sem cessar, e de vez em quando soltava gemidos t\u00e3o desesperadores que parecia simular a fala humana\u201d.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_83599\" style=\"width: 261px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-83599\" class=\"wp-image-83599 size-medium\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus-251x300.jpg\" alt=\"Reclus: \u201cAinda me recordo desse l\u00fagubre quintal onde homens assustadores andavam de um lado para o outro com grandes facas\u201d (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"251\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus-251x300.jpg 251w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus.jpg 368w\" sizes=\"auto, (max-width: 251px) 100vw, 251px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-83599\" class=\"wp-caption-text\">Reclus: \u201cAinda me recordo desse l\u00fagubre quintal onde homens assustadores andavam de um lado para o outro com grandes facas\u201d (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p><\/div>\n<p>Considerado um dos maiores ge\u00f3grafos do s\u00e9culo 19, o franc\u00eas \u00c9lis\u00e9e Reclus \u00e9 o autor da obra-prima \u201cNova Geografia Universal: a Terra e os Homens\u201d. Composto em 19 volumes, o trabalho exigiu quase 20 anos de dedica\u00e7\u00e3o. Embora sua principal contribui\u00e7\u00e3o tenha sido na \u00e1rea da geopol\u00edtica, Reclus foi um ativista vegetariano que em 1901 publicou \u201c\u00c0 propos du v\u00e9g\u00e9tarisme\u201d, um ensaio impactante sobre o vegetarianismo e os direitos animais.<\/p>\n<p>Modesto, \u00c9lis\u00e9e Reclus diz que escreveu o ensaio para transmitir suas impress\u00f5es pessoais que, de algum modo, coincidem com a de muitos vegetarianos. \u201cMe moverei dentro do c\u00edrculo de minhas pr\u00f3prias experi\u00eancias, parando aqui e ali para fazer alguma observa\u00e7\u00e3o sugerida pelos pequenos incidentes da vida\u201d, informa.<\/p>\n<p>Quando o franc\u00eas ainda era um garotinho, ele foi enviado para buscar um peda\u00e7o de carne no a\u00e7ougue da aldeia. Com\u00a0toda sua inoc\u00eancia, procurou alegremente fazer o que lhe pediram. \u201cEntrei no p\u00e1tio onde estavam os matadouros. Ainda me recordo desse l\u00fagubre quintal onde homens assustadores andavam de um lado para o outro com grandes facas. Eles enxugavam o sangue em suas pr\u00f3prias blusas. Pendurada sob um alpendre, uma enorme carca\u00e7a me parecia ocupar um espa\u00e7o extraordin\u00e1rio. De sua carne branca, um l\u00edquido avermelhado escorria pelas sarjetas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Tremendo, Reclus notou que o p\u00e1tio estava repleto de sangue. Se viu incapaz de seguir adiante ou de fugir. Mais tarde, soube apenas que desmaiou e um a\u00e7ougueiro o levou at\u00e9 sua casa. O franc\u00eas narra que ele n\u00e3o pesava mais do que um dos cordeiros que o homem abatia todas as manh\u00e3s. As cenas vividas no matadouro jamais foram esquecidas, assim como as lembran\u00e7as dos porcos criados pelos camponeses que atuavam como a\u00e7ougueiros amadores. Segundo Reclus, eles conseguiam ser mais cru\u00e9is que os a\u00e7ougueiros profissionais. \u201cLembro-me de um deles sangrando o animal lentamente, de modo que o sangue escorria gota a gota, pois para fazer pudins negros, eles dizem que \u00e9 preciso que o animal tenha sofrido bastante. A porca chorava sem cessar, e de vez em quando soltava gemidos t\u00e3o desesperadores que parecia simular a fala humana. Era como ouvir uma crian\u00e7a\u201d, relata.<\/p>\n<div id=\"attachment_83600\" style=\"width: 202px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus2.jpeg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-83600\" class=\"size-medium wp-image-83600\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus2-192x300.jpeg\" alt=\"\u201cMimado, o porco cresce gordo e retribui com afei\u00e7\u00e3o sincera todo o cuidado dispensado a ele\u201d\" width=\"192\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus2-192x300.jpeg 192w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus2.jpeg 332w\" sizes=\"auto, (max-width: 192px) 100vw, 192px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-83600\" class=\"wp-caption-text\">\u201cMimado, o porco cresce gordo e retribui com afei\u00e7\u00e3o sincera todo o cuidado dispensado a ele\u201d<\/p><\/div>\n<p>\u00c9lis\u00e9e Reclus n\u00e3o conseguia evitar de enxergar o ser humano como um animal trai\u00e7oeiro na sua rela\u00e7\u00e3o com os animais. Cita como exemplo os porcos criados como membros de fam\u00edlia por um ano ou um pouco mais antes de serem enviados para o abate. \u201cMimado, ele cresce gordo e retribui com afei\u00e7\u00e3o sincera todo o cuidado dispensado a ele. Mal sabe que sua cria\u00e7\u00e3o tem apenas um objetivo \u2013 muitos cent\u00edmetros de tiras de bacon.[\u2026] Quando o afeto \u00e9 retribu\u00eddo pela boa mulher que cuida do porco, acariciando-o, e conversando carinhosamente com ele, ela \u00e9 considerada rid\u00edcula, como se fosse absurdo e at\u00e9 degradante amarmos um animal que nos ama\u201d, reclama.<\/p>\n<p>O franc\u00eas dizia que n\u00e3o era necess\u00e1rio ir longe para contemplar os horrores dos massacres que constituem a di\u00e1ria alimenta\u00e7\u00e3o humana. Segundo o ge\u00f3grafo vegetariano, especialmente quem viveu em cidades provincianas, teve a oportunidade de ver esses atos b\u00e1rbaros cometidos em nome do consumo de carne. Se a princ\u00edpio s\u00e3o imagens que chocam na tenra idade, com o tempo tal sentimento desaparece. As pessoas cedem diante da infeliz influ\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, que tende a conduzir o indiv\u00edduo a reconhecer como normal algo que n\u00e3o deveria ser.<\/p>\n<p>\u201cIsso tira tudo o que se destina \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma personalidade original. Os pais, professores, oficiais, m\u00e9dicos, amigos, para n\u00e3o falar do poderoso indiv\u00edduo que chamamos de \u2018todos\u2019, trabalham juntos para endurecer o car\u00e1ter da crian\u00e7a com respeito a este alimento de quatro patas que, no entanto, ama como n\u00f3s, sente como n\u00f3s e, sob nossa influ\u00eancia, progride ou regride como n\u00f3s\u201d, defende.<\/p>\n<p>Os animais reduzidos \u00e0 carne est\u00e3o t\u00e3o distantes de sua voca\u00e7\u00e3o natural que muitos deles talvez nem se reconhe\u00e7am como parte genu\u00edna de uma esp\u00e9cie. Para corroborar essa reflex\u00e3o, Reclus faz refer\u00eancia ao bovinos que, com muitas dificuldades de locomo\u00e7\u00e3o, habitam os pastos do mundo: \u201cEles foram transformados pelos criadores de gado em massas ambulantes de formas geom\u00e9tricas, como se projetados de antem\u00e3o para a faca do a\u00e7ougueiro. \u00c9 para a produ\u00e7\u00e3o de tais \u2018monstruosidades\u2019 que aplicamos o termo \u2018reprodu\u00e7\u00e3o\u2019. \u00c9 assim que o homem cumpre a sua miss\u00e3o como educador, em rela\u00e7\u00e3o aos seus irm\u00e3os, os animais.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_83601\" style=\"width: 233px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus3.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-83601\" class=\"size-medium wp-image-83601\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus3-223x300.jpg\" alt=\"\u201cA dieta dos indiv\u00edduos corresponde precisamente \u00e0s suas maneiras. O sangue exige sangue\u201d\" width=\"223\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus3-223x300.jpg 223w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/\u00c9lis\u00e9e-Reclus3.jpg 346w\" sizes=\"auto, (max-width: 223px) 100vw, 223px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-83601\" class=\"wp-caption-text\">\u201cA dieta dos indiv\u00edduos corresponde precisamente \u00e0s suas maneiras. O sangue exige sangue\u201d<\/p><\/div>\n<p>Observando e estudando o comportamento animal, o ge\u00f3grafo franc\u00eas chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que para a manuten\u00e7\u00e3o do nosso h\u00e1bito de comer carne, at\u00e9 mesmo a intelig\u00eancia animal \u00e9 visceralmente degradada. \u00c9 inevit\u00e1vel por causa do estilo de vida antinatural imposto a eles. Ademais, Reclus via uma grande contradi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica nos a\u00e7ougues. Em tempos de festas, era comum se deparar com carca\u00e7as desarticuladas e peda\u00e7os de carne decorados com guirlandas rosas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um equ\u00edvoco relacionar os horrores da guerra com o massacre do gado e os banquetes de carne. A dieta dos indiv\u00edduos corresponde precisamente \u00e0s suas maneiras. O sangue exige sangue\u201d, declara \u00c9lis\u00e9e Reclus, referindo-se \u00e0 ferocidade humana e a irreflex\u00e3o na hora de suplantar o inimigo. Tra\u00e7ando um paralelo, ele faz men\u00e7\u00e3o ao fato de que na guerra \u00e9 muito comum os feridos serem mortos e os prisioneiros serem obrigados a cavarem suas pr\u00f3prias sepulturas antes de serem alvejados a tiros.<\/p>\n<p>\u201cQuem s\u00e3o esses espantosos assassinos? S\u00e3o homens como n\u00f3s, que estudam e leem como n\u00f3s, que t\u00eam irm\u00e3os, amigos, esposa ou namorada. Mais cedo ou mais tarde, corremos o risco de encontr\u00e1-los, de tom\u00e1-los pela m\u00e3o sem ver nenhum vest\u00edgio de sangue nela. Mas n\u00e3o h\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o direta de causa e efeito entre os alimentos desses carrascos que se chamam de agentes da civiliza\u00e7\u00e3o?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Valendo-se de suas pesquisas, o ge\u00f3grafo vegetariano argumenta que aqueles que incentivavam as guerras tinham o h\u00e1bito de elogiar a carne que sangra, a considerando geradora de sa\u00fade, for\u00e7a e intelig\u00eancia. Essas mesmas pessoas entravam nos matadouros, onde o pavimento era sempre vermelho e escorregadio, sem sentir qualquer repugn\u00e2ncia. L\u00e1, respiravam o doentio e doce odor do sangue.<\/p>\n<p>\u201cExiste ent\u00e3o tanta diferen\u00e7a entre o cad\u00e1ver de um novilho e o cad\u00e1ver de um homem? Os membros amputados, as entranhas que se misturam umas \u00e0s outras, s\u00e3o muito parecidos. A matan\u00e7a do primeiro facilita o assassinato do segundo, especialmente quando a ordem de um l\u00edder soa, de longe, como as palavras de um mestre coroado: \u2018Seja impiedoso!\u2019\u201d, enfatiza Reclus.<\/p>\n<p>No ensaio \u201c\u00c0 propos du v\u00e9g\u00e9tarisme\u201d, quando discorre sobre a viol\u00eancia nas guerras,\u00a0o ge\u00f3grafo compara o racismo com o especismo. Usa como refer\u00eancia as invas\u00f5es ocidentais no oriente, principalmente na \u00c1sia, onde a vida de um oriental n\u00e3o tinha o mesmo valor que a vida de um homem branco, na perspectiva predominantemente europeia. \u201cN\u00e3o \u00e9 nossa moralidade, como aplicada aos animais, igualmente el\u00e1stica? Ouvir c\u00e3es rasgando uma raposa ensina ao cavalheiro como fazer seus homens perseguirem um fugitivo chin\u00eas. Os dois tipos de ca\u00e7a pertencem a um mesmo \u2018esporte\u2019\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Saiba Mais<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9lis\u00e9e Reclus nasceu em 15 de mar\u00e7o de 1830 em Sante-Foy-la-Grande, no Departamento de Gironde, e faleceu em Torhout, na B\u00e9lgica, em 4 de julho de 1905 em decorr\u00eancia de uma doen\u00e7a cardiovascular.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Reclus, Elis\u00e9e. \u00c0 propos du v\u00e9g\u00e9tarisme (1901). Mazeto Square (2016).<\/p>\n<p>Cornuault, Jo\u00ebl. \u00c9lis\u00e9e Reclus, g\u00e9ographe et po\u00e8te. Eglise-Neuve d\u2019Issac (1995).<\/p>\n<p>Chisholm, Hugh. Reclus, Jean Jacques Elis\u00e9e. Encyclop\u00e6dia Britannica. Cambridge University Press (1911).<\/p>\n<p>____________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>David Arioch \u00e9 jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente h\u00e1 dez anos com jornalismo cultural e liter\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2016\/11\/26\/elisee-reclus-nao-e-um-equivoco-relacionar-os-horrores-da-guerra-com-o-massacre-do-gado\/\" >Go to Original \u2013 davidarioch.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA porca chorava sem cessar, e de vez em quando soltava gemidos t\u00e3o desesperadores que parecia simular a fala humana\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-83598","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=83598"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/83598\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=83598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=83598"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=83598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}