{"id":86457,"date":"2017-02-06T12:00:26","date_gmt":"2017-02-06T12:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=86457"},"modified":"2017-02-04T15:44:47","modified_gmt":"2017-02-04T15:44:47","slug":"portugues-palestina-comunidades-beduinas-sofrem-com-despejo-e-violencia-em-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2017\/02\/portugues-palestina-comunidades-beduinas-sofrem-com-despejo-e-violencia-em-israel\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Palestina: Comunidades bedu\u00ednas sofrem com despejo e viol\u00eancia em Israel"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>Demoli\u00e7\u00f5es em s\u00e9rie d\u00e3o continuidade a expuls\u00e3o de palestinos por Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_86458\" style=\"width: 710px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/palestine-israel.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-86458\" class=\"wp-image-86458\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/palestine-israel.jpg\" width=\"700\" height=\"467\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/palestine-israel.jpg 640w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/palestine-israel-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-86458\" class=\"wp-caption-text\">Policiais israelense retornam \u00e0 vila bedu\u00edna de Umm Al Hiran ap\u00f3s destrui\u00e7\u00e3o de casas \/ J\u00falia Dolce\/BdF<\/p><\/div>\n<p><em>31 de Janeiro de 2017<\/em> &#8211; O \u00faltimo fim de semana foi novamente de tens\u00e3o para fam\u00edlias palestinas, da vila bedu\u00edna de Umm Al Hiran, que tiveram suas casas destru\u00eddas no in\u00edcio deste ano pelo governo de Israel. No domingo (29), enquanto a reportagem estava no local, aproximadamente 12 viaturas da pol\u00edcia israelense chegaram \u00e0 vila para dar mais uma ordem de despejo aos moradores.<\/p>\n<p>Com policiais fortemente armados e sem dirigir uma palavra aos palestinos, o aviso foi dado: daqui a 30 dias eles enfrentar\u00e3o mais uma expuls\u00e3o para dar espa\u00e7o a um bairro judeu.<\/p>\n<p>Foi no dia 9 de janeiro que as 11 fam\u00edlias de Umm Al Hiran \u2013 uma das 40 comunidades bedu\u00ednas do Deserto de Negev, que fica dentro do territ\u00f3rio de Israel \u2013 receberam a notifica\u00e7\u00e3o avisando que suas casas seriam demolidas. Na manh\u00e3 do dia 18, menos de dez dias ap\u00f3s a notifica\u00e7\u00e3o, os tratores israelenses fizeram a opera\u00e7\u00e3o apoiados por um grande n\u00famero de soldados.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o gerou revolta nos moradores da vila, que tentaram resistir ao despejo e decidiram ficar no local, entrando em confronto com os soldados israelenses. O professor de matem\u00e1tica e morador da vila, Yaqoub Moussa Abu al-Qian, 47 anos, foi baleado por soldados enquanto estava dirigindo o carro dele. O ex\u00e9rcito israelense alegou que se tratava de \u201cum ve\u00edculo conduzido por um terrorista isl\u00e2mico com a inten\u00e7\u00e3o de atropelar soldados\u201d. Por\u00e9m, um <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=VP6j7UGJgZA\" >v\u00eddeo <\/a>divulgado na imprensa, poucas horas depois, mostra que o ve\u00edculo estava em baixa velocidade e n\u00e3o apresentava amea\u00e7a aos soldados, acelerando ap\u00f3s ser atingido por v\u00e1rios disparos.<\/p>\n<p>O estudante de medicina e sobrinho do professor assassinado, Akran Abu Alkean, visitava os destro\u00e7os da vila, quando foi surpreendido pela volta dos policiais no \u00faltimo domingo. \u201cEstamos aqui h\u00e1 62 anos e agora querem nos tirar para construir casas para judeus. Somos cerca de 40 pessoas sem nada, sem casa, sem roupas, at\u00e9 nossa comida foi doada. Agora vieram avisar que no pr\u00f3ximo m\u00eas v\u00e3o demolir os cont\u00eaineres que doaram para n\u00f3s, deixando a gente de novo sem lar. Talvez eu fique bem, mas e essas crian\u00e7as, menores de dez anos, o que v\u00e3o fazer? Estamos em janeiro, \u00e9 frio e chove\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>httpv:\/\/www.youtube.com\/watch?v=-yGWYygXP0o<\/p>\n<p><strong>Vilas bedu\u00ednas<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de Umm Al Hiran estar dentro do territ\u00f3rio israelense, as comunidades bedu\u00ednas s\u00e3o consideradas como \u201cdi\u00e1spora\u201d ou \u201cvilas ilegais\u201d pelo Estado, mesmo que muitas delas sejam mais antigas que Israel. Os habitantes n\u00e3o possuem infraestrutura, como eletricidade, \u00e1gua corrente, estradas pavimentadas e sistemas de esgoto. Eles tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam direito \u00e0 representa\u00e7\u00e3o nos governos locais e n\u00e3o podem participar de elei\u00e7\u00f5es municipais. Consequentemente, a popula\u00e7\u00e3o dessas vilas \u00e9 reduzida \u00e0 condi\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria e pobreza, agravada pelo fato de n\u00e3o terem acesso aos direitos civis, pol\u00edticos e sociais b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Sem ter para onde se deslocar, os bedu\u00ednos vivem na condi\u00e7\u00e3o de refugiados dentro de Israel, assim como os palestinos que tiveram suas casas e vilas destru\u00eddas em 1948, durante a Nakba. Mais de 500 vilas palestinas foram destru\u00eddas e 700 mil pessoas expulsas, tornando-se refugiadas ou deslocadas internas. Desde a Guerra dos Seis dias, Israel j\u00e1 demoliu cerca de 48.488 casas palestinas, segundo dados da Israeli Committee Against House Demolitions (ICAHD), organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos israelense. Somente em 2016, foram 1.089 edif\u00edcios demolidos, deixando 1.593 palestinos desalojados.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong>&gt;&gt;\u00a0<\/strong><strong><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/31\/assentamentos-na-cisjordania-servem-a-vigilancia-de-israel-diz-pesquisador\/\" >Assentamentos na Cisjord\u00e2nia \u201cservem \u00e0 vigil\u00e2ncia de Israel\u201d, diz pesquisador<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Refugiados<\/strong><\/p>\n<p>Em alguns casos, as vilas foram demolidas e as terras expropriadas sem dar lugar a nenhum tipo de constru\u00e7\u00e3o ou habita\u00e7\u00e3o. Um exemplo s\u00e3o os destro\u00e7os da vila de Lifta, uma das 38 vilas nas proximidades de Jerusal\u00e9m que foram destru\u00eddas pelas for\u00e7as armadas israelenses em 1948. Tr\u00eas mil habitantes foram expulsos, sendo que a maioria hoje vive em Jerusal\u00e9m oriental.<\/p>\n<p>Obay Odeh, descendente de refugiados de Lifta, conta que alguns parentes ainda possuem as chaves das ru\u00ednas que j\u00e1 foram as casas deles, um costume que se tornou s\u00edmbolo da resist\u00eancia palestina. \u201c\u00c9 nossa identidade, nossa cidade natal, nossos familiares ainda t\u00eam as chaves ou os documentos que provam que eram donos das casas, porque quando sa\u00edram acharam que voltariam. Isso significa muito para mim, porque diz muito sobre o que aconteceu com os palestinos durante o processo de coloniza\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>Lifta foi transformada em um parque natural e \u00e9 utilizada pela comunidade judaica como um local para pr\u00e1tica de caminhada, ciclismo e piquenique. Como muitos locais originalmente palestinos, Israel reconstr\u00f3i a hist\u00f3ria de Lifta destacando supostas ra\u00edzes judaicas.<\/p>\n<p>\u201cEles est\u00e3o tentando se conectar com essa \u00e1rea, fazer se tornar um local sagrado para judeus. Os sionistas sempre tentam transformar isso em um conflito religioso, como se n\u00e3o fosse uma ocupa\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Mas n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria forte que contam. Todo ano a gente vem aqui de duas a quatro vezes para limpar a vila, o cemit\u00e9rio, pegar as frutas. Mas eles sempre queimam, destroem e nos expulsam daqui\u201d, afirma Obay.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da expuls\u00e3o dos palestinos \u00e9 uma das principais pautas do movimento de resist\u00eancia palestina. A bandeira do &#8220;direito de retorno&#8221; dos refugiados \u00e9 amplamente defendida. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) considera os casos de refugiados e deslocados internos palestinos como os mais duradouros da hist\u00f3ria, apesar da Resolu\u00e7\u00e3o 194 da Assembleia Geral de 1948 ter registrado o direito dos refugiados retornarem para casa. \u201cN\u00f3s acreditamos que \u00e9 nosso direito voltar para c\u00e1, n\u00e3o importa como\u201d, reitera Obay.<\/p>\n<p>Os dados da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados da Palestina (UNRWA) apontam que, no final de 2014, o n\u00famero de refugiados palestinos havia chegado a 7,98 milh\u00f5es, sendo 6,14 milh\u00f5es refugiados de 1948 e descendentes; pelo menos 1 milh\u00e3o de refugiados de 1967; e 720 mil deslocados internos em Israel e na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2017\/01\/31\/comunidades-beduinas-sofrem-com-despejo-e-violencia-em-israel\/?utm_source=ALLINMAIL&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=157778864&amp;utm_campaign=2017-02-03_-Boletim_BdF&amp;utm_term=_cmcv5.c.zu.v2.yz5.w.yy.r.h.qz52bp.n3cp1m.y1.n.x.lz1.gd\" >Go to Original \u2013 brasildefato.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>31 de Janeiro de 2017 &#8211; O \u00faltimo fim de semana foi novamente de tens\u00e3o para fam\u00edlias palestinas, da vila bedu\u00edna de Umm Al Hiran, que tiveram suas casas destru\u00eddas no in\u00edcio deste ano pelo governo de Israel. 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