{"id":92036,"date":"2017-05-08T12:01:22","date_gmt":"2017-05-08T11:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=92036"},"modified":"2017-05-08T10:49:21","modified_gmt":"2017-05-08T09:49:21","slug":"portugues-o-chamado-abate-humanitario-nao-e-um-retrato-tao-comum-da-realidade-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2017\/05\/portugues-o-chamado-abate-humanitario-nao-e-um-retrato-tao-comum-da-realidade-brasileira\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) O chamado \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d n\u00e3o \u00e9 um retrato t\u00e3o comum da realidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>A priva\u00e7\u00e3o termina somente com a morte ap\u00f3s uma curta vida de explora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_92037\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/abate-animal-vegetarian-vegan.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-92037\" class=\"size-full wp-image-92037\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/abate-animal-vegetarian-vegan.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/abate-animal-vegetarian-vegan.jpg 600w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/abate-animal-vegetarian-vegan-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-92037\" class=\"wp-caption-text\">Imagem registrada pelo fot\u00f3grafo Piero Locatelli, da ONG Rep\u00f3rter Brasil<\/p><\/div>\n<p><em>5 maio 2017 &#8211; <\/em>Em um pa\u00eds onde a quantidade de matadouros clandestinos pode chegar a 50% do total, \u00e9 uma grande ilus\u00e3o acreditar que a maior parte da produ\u00e7\u00e3o de carne \u00e9 resultado de pr\u00e1ticas que se enquadram no chamado \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d. Mesmo que se fale na crescente implementa\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica, \u00e9 ineg\u00e1vel que n\u00e3o s\u00e3o raros os casos de priva\u00e7\u00e3o e sofrimento envolvendo animais criados com fins de abate.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de muitos matadouros clandestinos e a omiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o grandes facilitadores de terr\u00edveis abusos contra os animais. Al\u00e9m disso, o YouTube, a m\u00eddia alternativa e as redes sociais est\u00e3o a\u00ed para apresentar provas de que o \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d n\u00e3o \u00e9 um retrato comum da realidade brasileira.<\/p>\n<p>No Brasil, a Opera\u00e7\u00e3o Carne Fraca, que em mar\u00e7o denunciou que as gigantes JBS (Friboi, Seara e Big Frango) e BRF (Sadia e Perdig\u00e3o) estavam mascarando carne vencida usando produtos qu\u00edmicos, levantou, mesmo que modestamente, uma discuss\u00e3o sobre o \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d, pr\u00e1tica ainda muito question\u00e1vel pelo seu car\u00e1ter subjetivo que n\u00e3o garante que o animal seja \u201cbem tratado\u201d antes de ser morto.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga\u00a0que essas \u201cfalhas\u201d envolvendo o abate de animais ainda acontecem por causa da defasagem na Instru\u00e7\u00e3o Normativa N\u00ba 03 de 2000, do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, que versa sobre o regulamento t\u00e9cnico de m\u00e9todos de insensibiliza\u00e7\u00e3o para o \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d. No artigo \u201cAbate dito \u2018humanit\u00e1rio\u2019 e o que diz a legisla\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, publicado pelo site Abolicionismo Animal, os autores Ana Karine Gurgel D\u2019\u00c1vila e Wesley Lyeverton Correia Ribeiro apontam que n\u00e3o h\u00e1 diferencia\u00e7\u00e3o nos limites m\u00e1ximos de tempo entre o atordoamento e a sangria para as v\u00e1rias esp\u00e9cies destinadas ao consumo humano.<\/p>\n<p>Outra prova de displic\u00eancia, e que corrobora que o \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d n\u00e3o \u00e9 uma realidade comum no Brasil, foi apresentada no ano passado pela ONG Rep\u00f3rter Brasil. Por meio de reportagens e v\u00eddeos, eles denunciaram que trabalhadores e animais s\u00e3o maltratados na ind\u00fastria da carne com chutes, socos e pauladas.<\/p>\n<p>Mostraram que as fazendas fornecedoras da JBS, que se define como a maior ind\u00fastria de prote\u00edna do mundo, contradizem o marketing da empresa, n\u00e3o seguindo as recomenda\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Agricultura. Ou seja, se essa \u00e9 a realidade que envolve os grandes produtores de carne, que operam de forma regularizada, o que acontece em matadouros clandestinos, conhecidos por m\u00e9todos mais violentos de abate?<\/p>\n<p>De acordo com Jos\u00e9 Rodolfo Ciocca, gerente de Campanhas HSA (Humane and Sustainable Agriculture) da World Animal Protection, no Brasil, frigor\u00edficos que n\u00e3o atendem as normas de \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d recebem um relat\u00f3rio de n\u00e3o-conformidade, e caso o problema persista, podem ser multados. Ou seja, animais podem morrer de forma violenta, e nem por isso algu\u00e9m precisa pagar alguma multa caso n\u00e3o haja reincid\u00eancia.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhora quando o assunto s\u00e3o os matadouros municipais e estaduais, porque apenas matadouros privados precisam seguir um programa de autocontrole. Al\u00e9m disso, qualquer puni\u00e7\u00e3o depende de um inspetor que, em 80% dos casos, nunca est\u00e1 presente, segundo Ciocca. E se houver interfer\u00eancia pol\u00edtica quando um frigor\u00edfico for fechado, seja por operar irregularmente ou por torturar e ferir animais antes do abate, ele n\u00e3o recebe nenhum tipo de puni\u00e7\u00e3o e ainda pode retomar as atividades, mesmo que o abate seja praticado a marretadas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/reporterbrasil.org.br\/boi\/\" >Vida de gado &#8211; Investiga\u00e7\u00e3o da Rep\u00f3rter Brasil revela como trabalhadores e animais s\u00e3o mal tratados na ind\u00fastria da carne<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Em 2008, o artigo \u201cA clandestinidade na produ\u00e7\u00e3o de carne bovina no Brasil\u201d, de autoria dos pesquisadores Jo\u00e3o Felippe Cury e Marinho Mathias, publicado pela Embrapa, informou que \u201cv\u00e1rias estimativas de especialistas do setor apontam uma clandestinidade [de matadouros] que varia de 30% a 50%, sendo mais comum os dados pr\u00f3ximos a 50%\u201d.<\/p>\n<p>Em 2013, a BeefPoint publicou um artigo mostrando que a situa\u00e7\u00e3o ainda era a mesma. E no ano passado, esses n\u00fameros foram corroborados por outras den\u00fancias. Em 12 de dezembro de 2016, a Folha Web publicou uma reportagem em que t\u00e9cnicos da Ag\u00eancia de Defesa Agropecu\u00e1ria do Estado de Roraima (Aderr) declararam que 100% das carnes de porco de Roraima s\u00e3o provenientes de matadouros clandestinos.<\/p>\n<p>Em 23 de dezembro de 2016, o Canal Rural informou que somente em S\u00e3o Paulo h\u00e1 pelo menos quatro mil av\u00edcolas clandestinas, baseando-se em dados coletados pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). E onde h\u00e1 clandestinidade, h\u00e1 falta de higiene e muita viol\u00eancia, j\u00e1 que para baratear os custos de produ\u00e7\u00e3o os m\u00e9todos de execu\u00e7\u00e3o costumam ser os mais cru\u00e9is. Outro ponto a se considerar \u00e9 que com \u201cabate humanit\u00e1rio\u201d ou n\u00e3o,\u00a0a\u00a0priva\u00e7\u00e3o termina somente com a morte ap\u00f3s uma curta vida de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/carne-fraca-perguntas-e-respostas-sobre-a-operacao-da-pf-nos-frigorificos.ghtml\" >http:\/\/g1.globo.com\/economia\/agronegocios\/noticia\/carne-fraca-perguntas-e-respostas-sobre-a-operacao-da-pf-nos-frigorificos.ghtml<\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.abolicionismoanimal.org.br\/artigos\/abateditohumanitrioeoquedizalegisla_obrasileira.pdf\" >http:\/\/www.abolicionismoanimal.org.br\/artigos\/abateditohumanitrioeoquedizalegisla_obrasileira.pdf<\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/colunas.revistaepoca.globo.com\/planeta\/2013\/05\/03\/e-possivel-abater-um-animal-de-forma-humanizada\/\" >http:\/\/colunas.revistaepoca.globo.com\/planeta\/2013\/05\/03\/e-possivel-abater-um-animal-de-forma-humanizada\/<\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/seer.sede.embrapa.br\/index.php\/RPA\/article\/viewFile\/424\/375\" >https:\/\/seer.sede.embrapa.br\/index.php\/RPA\/article\/viewFile\/424\/375<\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/videos\/jornal-da-pecuaria\/aves-abatedouros-clandestinos-ameacam-saude-77047\" >http:\/\/www.canalrural.com.br\/videos\/jornal-da-pecuaria\/aves-abatedouros-clandestinos-ameacam-saude-77047<\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.folhabv.com.br\/noticia\/100\u2013das-carnes-de-porco-vem-de-abatedouros-clandestinos\u2013\/23315\" >http:\/\/www.folhabv.com.br\/noticia\/100\u2013das-carnes-de-porco-vem-de-abatedouros-clandestinos\u2013\/23315<\/a><\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.beefpoint.com.br\/cadeia-produtiva\/giro-do-boi\/alex-bastos-qual-a-verdadeira-porcentagem-de-clandestinidade-no-comercio-de-carne-bovina-menos-de-5-indiscutivelmente-nao-e-leitor-comenta\/\" >Alex Bastos: qual a verdadeira porcentagem de clandestinidade no com\u00e9rcio de carne bovina? (Leitor Comenta)<\/a><\/p>\n<p>__________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/David-Arioch-e1491301383398.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-87305\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/02\/David-Arioch-e1491301383398.jpg\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"100\" \/><\/a><em>David Arioch \u00e9 jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente h\u00e1 dez anos com jornalismo cultural e liter\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/davidarioch.com\/2017\/05\/05\/o-chamado-abate-humanitario-nao-e-um-retrato-tao-comum-da-realidade-brasileira\/\" >Go to Original \u2013 davidarioch.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A priva\u00e7\u00e3o termina somente com a morte ap\u00f3s uma curta vida de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-92036","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-original-languages"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92036"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92036\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}