{"id":93949,"date":"2017-06-19T12:01:31","date_gmt":"2017-06-19T11:01:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/?p=93949"},"modified":"2017-06-15T15:01:22","modified_gmt":"2017-06-15T14:01:22","slug":"portugues-francois-houtart-e-miguel-descoto-servos-dos-oprimidos-frei-betto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/2017\/06\/portugues-francois-houtart-e-miguel-descoto-servos-dos-oprimidos-frei-betto\/","title":{"rendered":"(Portugu\u00eas) Fran\u00e7ois Houtart e Miguel d\u2019Escoto: Servos dos Oprimidos &#8211; Frei Betto"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>13 junho 2017 &#8211; <\/em><em>Associo-me ao Frei Betto na homenagem de dois grandes amigos comuns que t\u00ednhamos e que concluiram, na semana passada, a sua peregrina\u00e7\u00e3o por este mundo: o te\u00f3logo e soci\u00f3logo belga vivendo no Equador, Fran\u00e7ois Hourtart e o ex-chanceler da Nicaragua e ex-presidente da ONU 2008-2009, o padre Miguel d\u2019Escoto. Foram os servos dos oprimidos duante toda a vida. Dele aprendemos a pol\u00edtica unida \u00e0 espiritualidade e a reconhecer a diplomacia como caminho para a paz entre os povos. Sentiremos sua falta, pois estavam sempre presentes em nossos encontros intervindo com judiciosas interven\u00e7\u00f5es. Foram nossos mestres e doutores e sempre permanecer\u00e3o em nossa mem\u00f3ria e em nosso cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>*****************************<\/p>\n<h2>Fran\u00e7ois Houtart<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Fran\u00e7ois-Houtart.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-93735\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Fran\u00e7ois-Houtart.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Fran\u00e7ois-Houtart.jpg 410w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Fran\u00e7ois-Houtart-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Transvivenciou no \u00faltimo 6 de junho, no Equador. Tinha 92 anos, e o entusiaso revolucion\u00e1rio de um jovem de 20. Nosso \u00faltimo encontro foi em mar\u00e7o deste ano de 2017, quando fiz uma s\u00e9rie de palestras em Quito a convite do presidente Rafael Correa. Fran\u00e7ois me acompanhou todo o tempo. Fomos juntos a Pucahuaico, onde se encontra enterrado o corpo de monsenhor Le\u00f4nidas Proa\u00f1o, bispo ind\u00edgena identificado com a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. A capela, aos p\u00e9s do vulc\u00e3o Imbabura, estava repleta de \u00edndios e gente do povo. Houtart presidiu a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Rafael Correa nos ofereceu um almo\u00e7o. Havia sido aluno de Fran\u00e7ois em Lovania, B\u00e9lgica, onde durante anos Houtart formou, em Sociologia e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o, alunos oriundos da periferia do mundo, entre os quais o colombiano Camilo Torres e o brasileiro Pedro Ribeiro de Oliveira, que nos relata:<\/p>\n<p>\u201cEm 1975, voltei \u00e0 B\u00e9lgica para iniciar o doutorado. A primeira reuni\u00e3o de trabalho com Houtart, meu orientador, desmontou tudo que eu tinha preparado para a tese sobre catolicismo popular. Disse que ela era insuficiente, porque n\u00e3o trazia uma explica\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica. Para aumentar meu espanto, acrescentou: \u2018Como voc\u00ea n\u00e3o deve ignorar, s\u00f3 a teoria marxista \u00e9 realmente explicativa. As outras s\u00e3o apenas descritivas.\u2019 Sa\u00ed dali atordoado, sem entender como um padre, que havia sido perito no Conc\u00edlio, tendo colaborado at\u00e9 na reda\u00e7\u00e3o da Gaudium et Spes, havia se tornado marxista sem deixar a Igreja. Aos poucos fui entendendo: ele fazia oposi\u00e7\u00e3o ativa \u00e0 guerra dos EUA contra o Vietnam, e foi assim que descobriu, na teoria da luta de classes, um instrumento te\u00f3rico capaz de elucidar o que estava em jogo naquela guerra, nos movimentos anticolonialistas da \u00c1frica e da \u00c1sia, e nas ditaduras latino-americanas. O melhor \u00e9 que me convenceu de uma vez por todas. Na \u00faltima vez em que participamos juntos de um congresso de Sociologia da Religi\u00e3o, \u00e9ramos os \u00fanicos soci\u00f3logos a usar o instrumental marxista para explicar fatos religiosos. Brinquei com ele, pedindo que demorasse bastante a morrer, para eu n\u00e3o ficar sozinho usando Marx para entender a religi\u00e3o\u2026\u201d<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois era alto, tinha os olhos muito claros e sorria com facilidade, mesmo ao manifestar, no F\u00f3rum Social Mundial de Porto Alegre, em 2005, pertinentes cr\u00edticas ao governo brasileiro na presen\u00e7a do presidente Lula. De fala pausada, seu racioc\u00ednio cient\u00edfico era did\u00e1tico, pois abandonara a Europa para viver na Am\u00e9rica Latina e se dedicar aos movimentos sociais de pa\u00edses de nosso continente, da \u00c1frica e da \u00c1sia. Em 2016, assessorou o congresso nacional do MST, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Convivemos em v\u00e1rias ocasi\u00f5es ao participar de eventos no Brasil, em Cuba, na Nicar\u00e1gua e na Bol\u00edvia. Eu sempre me perguntava como um homem acima dos 80 anos encontrava tanto \u00e2nimo para viajar mundo afora, muitas vezes carregando uma pesada mala com livros de sua autoria, sem jamais se queixar de se hospedar em uma tenda ind\u00edgena no alto dos Andes, em um assentamento do MST no Brasil ou em uma cabana de plantadores de arroz no Vietnam.<\/p>\n<p>Em seus anos de estudo em Roma, Fran\u00e7ois teve como colega um jovem chamado Karol Wojtyla. Contou-me que o seminarista polon\u00eas tinha obsess\u00e3o por aprender idiomas. Aproveitava as f\u00e9rias para se deslocar para as regi\u00f5es da Europa nas quais lhe fosse ensinada uma nova l\u00edngua. Certa ocasi\u00e3o, acompanhou Houtart at\u00e9 a B\u00e9lgica, interessado em aprimorar seu franc\u00eas e conhecer o flamengo.<\/p>\n<p>Uma noite, Wojtyla retornou \u00e0 casa sob forte chuva. Seus sapatos poloneses haviam sido arruinados pela \u00e1gua. Fran\u00e7ois encontrou um seminarista belga que, por cal\u00e7ar o mesmo n\u00famero do polon\u00eas, pode lhe ceder um novo par. D\u00e9cadas depois, j\u00e1 sacerdote, o doador dos sapatos quis ser recebido pelo papa Jo\u00e3o Paulo II. A burocracia alegou falta de agenda. Ao encaminhar uma nota ao pont\u00edfice, recordando os sapatos, as portas do Vaticano se abriram.<\/p>\n<p>Em 2016, Houtart me convidou ao Equador para um semin\u00e1rio sobre a enc\u00edclica socioambiental Louvado Sejas, do papa Francisco. Do trabalho conjunto naqueles dias resultou a publica\u00e7\u00e3o, assinada por n\u00f3s dois, Laudato Si \u2013 Cambio Clim\u00e1tico y Sistema Econ\u00f3mico (Quito, Centro de Publicaciones, Pontif\u00edcia Universidad Cat\u00f3lica del Ecuador, 2016).<\/p>\n<p>Na viagem que, em mar\u00e7o \u00faltimo, fizemos \u00e0 regi\u00e3o andina do Equador, Fran\u00e7ois me narrou sua participa\u00e7\u00e3o, aos 15 anos, na resist\u00eancia contra a ocupa\u00e7\u00e3o nazista na B\u00e9lgica. Ele e um amigo decidiram fabricar uma bomba caseira para descarrilar um trem de soldados de Hitler. N\u00e3o tiveram \u00eaxito e o atentado lhe valeu um pux\u00e3o de orelhas da m\u00e3e. Contou-me ainda que tinha mais de dez irm\u00e3os. H\u00e1 uma d\u00e9cada, com todos vivos, se reuniram para comemorar os 1.000 anos da soma de suas idades.<\/p>\n<p>Na visita de Jo\u00e3o Paulo II a Cuba, em janeiro de 1998, Fidel convidou Houtart para assessor\u00e1-lo, em companhia de Pedro Ribeiro de Oliveira, do te\u00f3logo italiano Giulio Girardi e de mim. Foram dias de intenso trabalho comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Em 2016, Fran\u00e7ois me remeteu um interessante relato sobre a sua forma\u00e7\u00e3o, que aqui transcrevo em espanhol:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cDurante mis a\u00f1os de semin\u00e1rio en Malines (B\u00e9lgica), participaba en numerosas reuniones de la JOC (Juventud Obrera Cat\u00f3lica) en Valonia y en Bruselas, durante las vacaciones. Ah\u00ed fue donde descubr\u00ed la situaci\u00f3n de la clase obrera de esa \u00e9poca (1944-1949). Justo despu\u00e9s de la postguerra, el esfuerzo de reconstrucci\u00f3n de Europa estuvo acompa\u00f1ado por una sobre explotaci\u00f3n del trabajo, y las condiciones sociales de los j\u00f3venes eran particularmente escandalosas.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cLos congresos de la JOC regionales y nacionales permit\u00edan informarse sobre el marco m\u00e1s general de la situaci\u00f3n econ\u00f3mica y social. Adem\u00e1s, pude visitar diferentes f\u00e1bricas y minas de carb\u00f3n. La JOC belga me puso en contacto con el movimiento en Francia, en los Pa\u00edses Bajos, en Inglaterra, en Alemania, en Espa\u00f1a, y poco a poco la dimensi\u00f3n internacional se convirti\u00f3 tambi\u00e9n en una parte importante de mi introducci\u00f3n en el mundo del trabajo.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEn numerosas ocasiones, me entrevist\u00e9 con Monse\u00f1or Cardijn (fundador de la JOC) y estuve muy impresionado por su combatividad, su insistencia sobre la incompatibilidad entre la injusticia social y la fe Cristiana, y sobre su conocimiento de la vida de los j\u00f3venes trabajadores. Descubr\u00ed tambi\u00e9n el m\u00e9todo pedag\u00f3gico, el no partir de arriba imponiendo un saber, sino de abajo, descubriendo la realidad: ver, juzgar, actuar.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEsta experiencia me incit\u00f3 a pedir, despu\u00e9s de mi ordenaci\u00f3n sacerdotal, iniciar estudios de Ciencias Sociales y Pol\u00edticas en la Universidad Cat\u00f3lica de Lovaina. Me pas\u00e9 3 a\u00f1os ah\u00ed, qued\u00e1ndome en permanente contacto con la JOC, siguiendo ciertas secciones, viajando por Europa para encuentros con el movimiento. Mi tesis de licenciatura estuvo dedicada al estudio de las estructuras pastorales de Bruselas, habiendo descubierto, por una parte, su ausencia en los medios obreros, y por otra la identificaci\u00f3n de la cultura religiosa cristiana con la cultura burguesa, creando un divorcio con la clase obrera y, particularmente, los j\u00f3venes.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cDurante el \u00faltimo a\u00f1o de mis estudios en Lovaina, fui el capell\u00e1n del Hogar de los J\u00f3venes Trabajadores en Bruselas, un servicio de la JOC para los j\u00f3venes que hab\u00edan estado confrontados a la Justicia de la Juventud.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEn el plan europeo, es en Francia donde tuve m\u00e1s contactos, particularmente en la regi\u00f3n parisina: St Denis y otros suburbios. Me hice amigo de algunos sacerdotes obreros, e incluso me quedaba a vivir en sus casas.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cDespu\u00e9s de conseguir una beca por estudios para la Universidad de Chicago (1952-1953), con el fin de continuar la Sociolog\u00eda Urbana y la Sociolog\u00eda de la Religi\u00f3n, resid\u00ed en una parroquia donde trabajaba al capell\u00e1n de la JOC de la ciudad. Fue tambi\u00e9n la ocasi\u00f3n de bastantes encuentros con la JOC de los Estados Unidos. Durante las vacaciones de Pascua de 1953, fui a La Habana para asistir a un Congreso de la JOC de Am\u00e9rica Central y del Caribe, donde estuvo presente Cardijn. Pude tener reuniones con secciones locales y entrevistarme con el capell\u00e1n nacional de Cuba. Esto me meti\u00f3 en la problem\u00e1tica latinoamericana, que deseaba conocer desde hac\u00eda tiempo. Despu\u00e9s del congreso acompa\u00f1\u00e9 al capell\u00e1n de la JOC de Hait\u00ed a Puerto Pr\u00edncipe, y me pas\u00e9 una semana en el pa\u00eds en visitas y reuniones con el movimiento haitiano.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cLuego di clases durante un semestre en la Universidad de Montreal, y tambi\u00e9n particip\u00e9 en actividades del movimiento. De ah\u00ed me traslad\u00e9 de nuevo a Am\u00e9rica Latina y durante 6 meses recorr\u00ed casi todos los pa\u00edses, desde M\u00e9xico hasta Argentina, siempre con la JOC, gracias a los contactos conseguidos durante los congresos internacionales. Fue una gran escuela el descubrir el continente desde abajo. Una vez m\u00e1s, descubr\u00ed los abismos entre los ricos y los pobres y la explotaci\u00f3n incre\u00edble de los j\u00f3venes urbanos y rurales. Fui golpeado por el papel de los sacerdotes apegados al movimiento en la renovaci\u00f3n de una Iglesia tan alejada del pueblo y tan pr\u00f3xima a las \u00e9lites y oligarqu\u00edas sociales. Eran activos en todos los campos: social, lit\u00fargico, pastoral, b\u00edblico. Una gran parte de estos sacerdotes pertenec\u00edan a las \u00f3rdenes religiosas y bastante de ellos hab\u00edan estudiado en Europa.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEste contacto con Am\u00e9rica Latina fue el que me hizo iniciar, en 1958, un estudio socio-religioso sobre el conjunto del continente, con equipos en cada pa\u00eds, varias veces con miembros de la JOC. Se termin\u00f3 en 1962 y fue publicado en unos cuarenta vol\u00famenes, lo que llev\u00f3 al Consejo Episcopal Latinoamericano pedirme una s\u00edntesis en tres lenguas para distribuir en la entrada del Concilio Vaticano II al conjunto de los obispos y a acompa\u00f1arle como peritus durante los 4 a\u00f1os del trabajo conciliar.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEl cardenal Cardijn me hab\u00eda pedido entre tanto si aceptar\u00eda ser el capell\u00e1n internacional del movimiento, lo que evidentemente me interesaba mucho, pero mi obispo, el cardenal Van Roey no aprob\u00f3 esta idea.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cDespu\u00e9s, habiendo trabajado en Asia, durante las vacaciones de la Universidad de Lovaina, donde impart\u00eda Sociolog\u00eda de la Religi\u00f3n, me puse en contacto tambi\u00e9n con la JOC en Sri Lanka, en la India, en Vietnam, en Corea del Sur, en Filipinas. Con mi colega, Genevi\u00e8ve Lemercinier, nos hicimos cargo de un seminario de formaci\u00f3n para el an\u00e1lisis social para los militantes de la JOC de Hong Kong. En \u00c1frica del Sur, en pleno apartheid, particip\u00e9 durante 3 d\u00edas en una reuni\u00f3n nacional con j\u00f3venes trabajadores blancos, negros y mestizos, lo cual en principio estaba prohibido, en un convento de los Padres Oblatos, en Bloemfontein.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEn cualquier parte, de Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia y \u00c1frica, me he reunido en los a\u00f1os siguientes con antiguos miembros de la JOC, tanto en los sindicatos, como en las ONG de desarrollo, o en el seno de partidos pol\u00edticos progresistas y tambi\u00e9n revolucion\u00e1rios, como en Nicar\u00e1gua o en Bol\u00edvia.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cLas ense\u00f1anzas que sacado de la JOC han sido numerosas y fundamentales. En primer lugar, fue el conocimiento del mundo obrero, de sus luchas, de sus organizaciones. Despu\u00e9s, fue el m\u00e9todo: ver, juzgar, actuar, que da un marco de reflexi\u00f3n muy eficaz para el an\u00e1lisis de las realidades y para la puesta en marcha de una acci\u00f3n que les sea adaptada. Si estudi\u00e9 Sociolog\u00eda y si continu\u00e9 constantemente el trabajo de investigaci\u00f3n, era para afinar el \u201cver\u201d en sociedades muy diferentes y complejas. Esto tambi\u00e9n me permiti\u00f3 descubrir que se pod\u00eda leer la sociedad desde arriba, pero tambi\u00e9n desde abajo, y que la opci\u00f3n del Evangelio era leer el mundo con los ojos de los pobres y de los oprimidos. No existe una ciencia neutra, sobre todo en el marco de las ciencias humanas.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cLa pedagog\u00eda de la JOC y su adaptaci\u00f3n a un medio espec\u00edfico de j\u00f3venes trabajadores, a menudo a duras penas alfabetizados, me ha ense\u00f1ado a utilizar un lenguaje sencillo, a estructurar correctamente el raciocinio para que sea comprendido, en una palabra a bajarse del pedestal acad\u00e9mico y tambi\u00e9n de aprender de los que tienen un saber pr\u00e1ctico a menudo despreciado por el saber llamado \u201csabio\u201d.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cPor fin, es tambi\u00e9n la JOC que me ha llevado a profundizar la dimensi\u00f3n social del Evangelio, y a comprender que lo que pide el Se\u00f1or es el amor eficaz. No se trata \u00fanicamente de una actitud personal, sino que este amor implica la construcci\u00f3n de una sociedad justa y de seguir el ejemplo de Jes\u00fas en su sociedad, donde anunci\u00f3 los valores del Reino de Dios, el amor al pr\u00f3jimo, la justicia, la igualdad, la misericordia, la paz, y combati\u00f3 todos los poderes opresores, econ\u00f3micos, sociales, pol\u00edticos e incluso religiosos. No en vano muri\u00f3 (ejecutado) sobre la cruz.\u201d (Quito, 01.03.16)<\/p>\n<p><strong>A transvivencia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nidia Arrobo Rodas, que trabalhava com Fran\u00e7ois na Funda\u00e7\u00e3o Povo Ind\u00edgena do Equador, relata os \u00faltimos momentos dele:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cNuestro querido Fran\u00e7ois se fue como vivi\u00f3, con una serenidad total, entero, l\u00facido, di\u00e1fano, de pie\u2026. En la v\u00edspera, luego de un Acto de Den\u00fancia en el IAEN (Instituto de Altos Estudios Nacionales) sobre el genoc\u00eddio Tamil, cenamos como de costumbre la \u201csopita\u201d que tanto le gustaba y para \u00e9l era imprescindible al caer la tarde tomarla en comuni\u00f3n en nuestra mini residencia y, como de costumbre, se fue a dormir\u2026 Claro que en su habitaci\u00f3n sigui\u00f3 trabajando\u2026 No sabemos hasta que hora\u2026 Porque hasta las once de la noche a\u00fan recibimos sus emails.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cAl amanecer, intuimos que se ha levantado para ir a la ducha y las fuerzas le faltaron\u2026 Se ha puesto la salida de cama, se ha sentado en su sill\u00f3n relax muy pr\u00f3ximo a su cama, y con su mano en el coraz\u00f3n se qued\u00f3 durmiendo el sue\u00f1o m\u00e1s profundo de su vida, muy pl\u00e1cidamente, sin hacer ning\u00fan ruido, muy calladito.. Un infarto masivo\u2026 A las siete y media de la ma\u00f1ana\u2026 se despert\u00f3 en Dios.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cPrecisamente en el mes de abril fuimos al cardi\u00f3logo, a instancias mias, porque sent\u00eda que se agitaba mucho y como que le faltaba el occ\u00edgeno\u2026 El cardi\u00f3logo le pidi\u00f3 hacerse una cirug\u00eda de la arteria del coraz\u00f3n, pues se hab\u00eda estrechado, y el marca pasos ya no respond\u00eda como hace cuatro a\u00f1os que se lo puso. Le dije: Fran\u00e7ois, la cirug\u00eda es inminente\u2026 El opt\u00f3 por hacercela en B\u00e9lgica por sugerencia del mismo cardi\u00f3logo\u2026 Pero por m\u00e1s que le insistia, no tom\u00f3 la decisi\u00f3n de viajar enseguida: \u2018Tengo muchos compromisos, tengo que terminar la c\u00e1tedra Houtart en el mes de junio y me voy\u2019 me dijo. De nuevo le dije que era mucho tiempo de espera\u2026 Pero \u00e9l era due\u00f1o absoluto de su voluntad y de sus decisiones\u2026 Opt\u00f3 por terminar aqu\u00ed todo lo previsto y viajar en junio a B\u00e9lgica para su cirug\u00eda, que deportivamente dec\u00eda, es algo muy peque\u00f1o.\u201d<br \/>\n\u201cCon esto, ten\u00eda pasajes comprados y maletas listas, para viajar ayer (9 de junio), pero primero a Bogot\u00e1, luego una semana en Cuba, luego una semana en Brasil y llegar a finales de junio a su B\u00e9lgica\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cYo sab\u00eda que \u00e9l libremente opt\u00f3 por vivir con nosotros, se sent\u00eda feliz, vivi\u00f3 feliz\u2026 y pienso que en el fondo de su coraz\u00f3n quiz\u00f3 terminar aqu\u00ed mismo sus d\u00edas.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cLa \u00faltima celebraci\u00f3n tuvo lugar \u2013 a pedido mio \u2013 en el IAEN, el propio mi\u00e9rcoles, exactamente a las cinco de la tarde, d\u00eda y hora en la que ten\u00eda terminar el programa de su c\u00e1tedra este a\u00f1o.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cEstamos desolados\u2026 Fuimos felices con su presencia jovial, llena de amistad, finura de esp\u00edritu, delicadezas y de detalles incre\u00edbles; pero al mismo tiempo s\u00e9 que \u00e9l fue feliz en medio de nosotros\u2026 Siempre nos lo dec\u00eda y esto me llena de gozo y gratitud.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cSin embargo a \u00e9l lo sentimos entre nosotros, el est\u00e1 vivo y sigue y seguir\u00e1 vivo y resucitado en las luchas de liberaci\u00f3n de todos los empobrecidos de todo el mundo, y en los dolores de parto con los que gimen los PUEBLOS INDIGENAS y nuestra Pachamama.\u201d<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u201cComo consta en su testamento, lo cremamos\u2026 y lo m\u00e1s pronto sus cenizas reposar\u00e1n junto a las de su madre en su B\u00e9lgica natal.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Miguel D\u2019Escoto<\/strong><\/h2>\n<div id=\"attachment_93950\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Miguel-D\u00b4Escoto.jpg\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-93950\" class=\"wp-image-93950\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Miguel-D\u00b4Escoto-300x171.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Miguel-D\u00b4Escoto-300x171.jpg 300w, https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/Miguel-D\u00b4Escoto.jpg 580w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-93950\" class=\"wp-caption-text\">Miguel D\u00b4Escoto<\/p><\/div>\n<p>Dois dias depois de Houtart nos deixar, perdi outro amigo, tamb\u00e9m sacerdote e revolucion\u00e1rio como ele, o padre Miguel D\u2019Escoto, falecido aos 84 anos. Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Nicar\u00e1gura sandinista entre 1979 a 1990, presidiu a Assembleia Geral da ONU em 2008 e 2009.<\/p>\n<p>Filho de diplomata, D\u2019Escoto nasceu em Los Angeles, em 1933. Fez-se sacerdote pela congrega\u00e7\u00e3o de Maryknoll e foi um dos fundadores da editora novaiorquina Orbis Books, que em 1977 publicou nos EUA meu livro Cartas da pris\u00e3o com o t\u00edtulo Against principalities and powers.<\/p>\n<p>Foi D\u2019Escoto que recebeu Lula e a mim em Man\u00e1gua, por ocasi\u00e3o do primeiro anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Sandinista, em julho de 1979. Levou-nos \u00e0 casa de S\u00e9rgio Ramirez, ent\u00e3o vice-presidente do pa\u00eds, na noite de 19 de julho, quando ent\u00e3o conhecemos e conversamos longamente com Fidel Castro.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1980, ele veio a S\u00e3o Paulo, em companhia de Daniel Ortega, presidente da Nicar\u00e1gua, participar do primeiro congresso mundial da Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Foi um dos oradores da Noite Sandinista, no TUCA, teatro da Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>No domingo, 29 de novembro de 1981, em Man\u00e1gua, reencontrei-o em sua casa, que pertencera ao executivo que presidira o Banco Central da Nicar\u00e1gua \u00e0 \u00e9poca da ditadura Somoza. Ali se encontravam Daniel Ortega; o secret\u00e1rio-geral da Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, Ren\u00e9 Nu\u00f1ez; os padres Gustavo Guti\u00e9rrez, Pablo Richard, Fernando Cardenal, Uriel Molina, e o ministro do Bem-Estar Social, padre Edgard Parrales.<\/p>\n<p>D\u2019Escoto acabava de retornar do M\u00e9xico e descrevia em detalhes as recentes conversas sobre a Am\u00e9rica Central entre o presidente L\u00f3pez Portillo e o general Alexander Haig, secret\u00e1rio de Estado dos EUA. Na aten\u00e7\u00e3o dos convivas, uma indisfar\u00e7\u00e1vel satisfa\u00e7\u00e3o pela efici\u00eancia da espionagem sandinista dentro do governo mexicano.<\/p>\n<p>Falamos da conjuntura da Igreja, da campanha internacional contra a Revolu\u00e7\u00e3o e sobre a Juventude Sandinista, agora aos cuidados de Fernando Cardenal. Preocupava-me o car\u00e1ter mecanicista do marxismo divulgado entre os jovens sandinistas, mera apolog\u00e9tica de antigos manuais russos. Insisti na import\u00e2ncia de os sacerdotes no poder \u2013 D\u2019Escoto, Parrales e os irm\u00e3os Cardenal \u2013 explicitarem publicamente sua vida de f\u00e9. Temia que projetassem uma imagem mais pol\u00edtica que crist\u00e3.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, 16 de novembro de 1984, em Man\u00e1gua, retornei \u00e0 casa de D\u2019Escoto. Perguntei-lhe por que n\u00e3o fora \u00e0 reuni\u00e3o da OEA em Bras\u00edlia. \u201cPara n\u00e3o valorizar a OEA\u201d \u2013 respondeu -, \u201cque continua servindo de instrumento nas m\u00e3os dos Estados Unidos, contra a soberania dos povos da Am\u00e9rica Central.\u201d<\/p>\n<p>Celebramos a eucaristia sob o alpendre de vime do quintal. Lemos e meditamos o evangelho de Mateus 4, 25 ss. D\u2019Escoto desabafou: \u201cEstou com o corpo e a mente cansados, pois j\u00e1 n\u00e3o acompanham o ritmo acelerado que as circunst\u00e2ncias me imp\u00f5em. Sonho em desfrutar da solid\u00e3o, em ter tempo para mim e n\u00e3o ter que ficar sempre atento ao telefone. No entanto, sei que, por enquanto, isso \u00e9 apenas um sonho. De minha intimidade com Jesus arranco as for\u00e7as que me sustentam.\u201d<\/p>\n<p>Ao fim da celebra\u00e7\u00e3o, me disse: \u201cQuero duas coisas de voc\u00ea: leio com muito gosto o \u00faltimo livro de Dom Pedro Casald\u00e1liga. Soube que, em breve, ele ir\u00e1 \u00e0 Espanha. Pe\u00e7a-lhe que, antes, passe por Nicar\u00e1gua. E insista com Dom Paulo Evaristo Arns para que venha \u00e0 posse de Daniel, dia 10 de janeiro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u201cPor que voc\u00ea n\u00e3o liga agora para Dom Paulo?\u201d \u2013 sugeri.<\/p>\n<p>Tentamos, mas o cardeal de S\u00e3o Paulo n\u00e3o se encontrava em casa.<\/p>\n<p>Onze dias depois dei pessoalmente o recado a Dom Paulo Evaristo Arns. No ano seguinte, Dom Pedro Casald\u00e1liga visitou a Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1986, reencontrei-o em Havana, em companhia de Rosario Murillo, atual vice-presidente da Nicar\u00e1gua e esposa de Daniel Ortega, e de Manuel Pi\u00f1eiro, chefe do Departamento de Am\u00e9rica do Comit\u00ea Central do Partido Comunista de Cuba. Falamos longamente sobre a situa\u00e7\u00e3o da Nicar\u00e1gua e do apoio expl\u00edcito que os bispos Obando e Vega davam \u00e0 pol\u00edtica agressiva de Reagan. D\u2019Escoto era de opini\u00e3o que os padres, religiosos e leigos deviam enfrentar corajosamente o arcebispo de Man\u00e1gua, partindo, se necess\u00e1rio, para a desobedi\u00eancia eclesi\u00e1stica. Isso lhe valeu, posteriormente, a suspens\u00e3o, por parte do papa Jo\u00e3o Paulo II, do exerc\u00edcio de seu sacerd\u00f3cio, medida revogada pelo papa Francisco.<\/p>\n<p>Em janeiro de 1989, em Havana, nos vimos na comemora\u00e7\u00e3o dos 30 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana. Ele se entreteve em longa conversa com Leonardo Boff sobre a teologia da Trindade. \u201c\u00c9 a base da minha espiritualidade\u201d, ouvi-o dizer. E lamentou a situa\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds: \u201cO mais duro para o povo da Nicar\u00e1gua n\u00e3o \u00e9 a agress\u00e3o americana, mas a falta de apoio da Igreja.\u201d<\/p>\n<p>Tivemos outros encontros posteriores, como na \u00e9poca em que presidia a Assembleia Geral da ONU, o que o levou a descrer inteiramente da efic\u00e1cia dessa importante institui\u00e7\u00e3o, manipulada pelos interesses da Casa Branca.<\/p>\n<h2><strong><em>Acr\u00e9scimo meu<\/em><\/strong><em>:<\/em><\/h2>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em> Junto com v\u00e1rios chefes de Estado do mundo inteiro e de grandes nomes da ci\u00eancia pol\u00edtica e econ\u00f4mica desenhou outra constitui\u00e7\u00e3o da ONU, cuja sede deveria ser na \u00c1frica, na Nig\u00e9ria. Os estudos sobre as institui\u00e7\u00f5es, sobre os v\u00e1rios departamentos,sobre o sistema financeiro andavam bem adiantados. Ele e eu fomos encarregados de redigir o n\u00facleo te\u00f3rico da nova ONU. O t\u00edtulo que demos foi: <\/em><strong><em>Declara\u00e7\u00e3o universal sobre o Bem Comum da Terra e da Humanidade.<\/em><\/strong><em> O texto circulou pelo mundo afora e se encontra na internet. O pr\u00f3prio Papa Francisco utilizou este texto para a sua enc\u00edclica sobre o Cuidado da Casa Comum. Foi gra\u00e7as \u00e0s gest\u00f5es de Miguel d\u2019Escoto enquanto presidente da ONU da 63\u00ba sess\u00e3o em 22 de fevereiro de 2009 que passou a proposta de transformar o dia 22 de abril, dia da Terra, como sendo o Dia da M\u00e3e Terra. Discursou o presidente da Bol\u00edvia Evo Morales Ayma e quem escreve estas linhas. Nossa argumenta\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o convincente que a Assambl\u00e9ia aprovou por unanimidade a proposta. Outras vezes ajudei-o a redigir seus discursos que sempre iniciavam:\u201dMeus irm\u00e3os e minhas irm\u00e3s\u201d. Um jornal de Nava York observou que esta sauda\u00e7\u00e3o soava rid\u00edcula. Mas d\u2019Escoto respondeu, reafirmando a fraternidade universal e por isso era importante saudar a todos com a doce f\u00f3rmula \u201cmeus irm\u00e3os e minhas irm\u00e3s\u201d. Visitei-o algumas vezes na Nicaragua, j\u00e1 bastante adoentado e entretivemos longas conversa\u00e7\u00f5es espirituais, pois era algu\u00e9m profundamente religioso. O que mais venerava era o Esp\u00edrito Santo e a Virgem Maria. Ele mesmo editou meu livro sobre o Esp\u00edrito Santo, todo ilustrado com imagens da arte ind\u00edgena nicarag\u00fcense. Agora junto a Deus continuar\u00e1 a lutar pela confraterniza\u00e7\u00e3o de todos os povos, numa Na\u00e7\u00f5es Unidas n\u00e3o mais dominada pelos \u201cdonos\u201ddo poder mundial, mas pela comunh\u00e3o entre todos os povos, culturas e religi\u00f5es (Leonardo Boff).<\/em><\/p>\n<p>Com o desaparecimento de Fran\u00e7ois Houtart e Miguel D\u2019Escoto perdem a Am\u00e9rica Latina, a causa dos pobres e a Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o. Deixam-nos um legado de como viver a f\u00e9 crist\u00e3 em um mundo dividido entre poucos biliard\u00e1rios e multid\u00f5es de miser\u00e1veis, e do que significa ser disc\u00edpulo de Jesus nesse conturbado in\u00edcio do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>_____________________________________________<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Frei_Betto.gif\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-63704\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Frei_Betto.gif\" alt=\"\" width=\"100\" height=\"97\" \/><\/a><em>Frei Betto \u00e9 escritor, assessor de movimentos sociais e<\/em> <em>autor de<\/em> <em>Para\u00edso perdido \u2013 viagens ao mundo socialista<\/em> <em>(Rocco) e<\/em> <em>do romance policial <\/em>Hotel Brasil<em> (Rocco) entre outros livros. <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.freibetto.org\/&amp;gt\" >http:\/\/www.freibetto.org\/&amp;gt<\/a><\/em><em>. twitter:@freibetto<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><a href=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Leonardo_Boff_Wilson-Dias_Abr_0.gif\" ><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-43416\" src=\"https:\/\/www.transcend.org\/tms\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Leonardo_Boff_Wilson-Dias_Abr_0-150x150.gif\" alt=\"\" width=\"130\" height=\"77\" \/><\/a><em>Leonardo Boff \u00e9 um escritor, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo brasileiro, professor em\u00e9rito de \u00e9tica e filosofia da religi\u00e3o da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, recebedor do <\/em><strong><em>Pr\u00eamio Nobel Alternativo da Paz<\/em><\/strong><em> do Parlamento sueco [<\/em><strong><em>Right Livelihood Award<\/em><\/strong><em>]em 2001, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra, e professor visitante em v\u00e1rias universidades estrangeiras como Basel, Heidelberg, Harvard, Lisboa e Salamanca. Expoente da <\/em><em><a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Teologia_da_Liberta%C3%A7%C3%A3o\" >Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><em> no Brasil, foi membro da Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como Franciscanos. \u00c9 respeitado pela sua hist\u00f3ria de defesa pelas causas sociais e atualmente debate tamb\u00e9m quest\u00f5es ambientais. Colunista do <\/em>Jornal do Brasil<em>, escreveu os livros<\/em> Francisco de Assis: Ternura e Vigor, <em>Vozes 2000; <\/em>\u00a0A Terra na palma da m\u00e3o: uma nova vis\u00e3o do planeta e da humanidade<em>,Vozes 2016;\u00a0 <\/em>Cuidar da Terra \u2013 proteger a vida: como escapar do fim do mundo<em>, Record 2010; <\/em>\u00a0<em>A hospitalidade: direito e dever de todos, <\/em><em>Vozes 2005; e <\/em>Paix\u00e3o de Cristo, paix\u00e3o do mundo, <em>Vozes 2001<\/em>.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/leonardoboff.wordpress.com\/2017\/06\/13\/francois-houtart-e-miguel-descoto-servos-dos-oprimidos-frei-betto\/\" >Go to Original \u2013 leonardoboff.wordpress.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 junho 2017 &#8211; Associo-me ao Frei Betto na homenagem de dois grandes amigos comuns que t\u00ednhamos e que concluiram, na semana passada, a sua peregrina\u00e7\u00e3o por este mundo: o te\u00f3logo e soci\u00f3logo belga vivendo no Equador, Fran\u00e7ois Hourtart e o ex-chanceler da Nicaragua e ex-presidente da ONU 2008-2009, o padre Miguel d\u2019Escoto. 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