(Português) Verme enviado ao espaço desenvolve segunda cabeça

IN ORIGINAL LANGUAGES, 19 June 2017

O Globo – TRANSCEND Media Service

Platelmintos passaram cinco semanas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Um dos vermes platelmintos enviado ao espaço regenerou uma segunda cabeça – Universidade Tufts

14 junho 2017 — Um experimento com vermes platelmintos na Estação Espacial Internacional revelou uma possível consequência bizarra da microgravidade no processo de regeneração desse animal. Um dos exemplares enviados ao espaço desenvolveu uma segunda cabeça, em vez da cauda. E em testes realizados em terra, as duas cabeças desse espécime foram amputadas, e o fragmento do meio regenerou as duas cabeças, demonstrando que a modificação é permanente. Os resultados do estudo, realizado por pesquisadores do Centro de Descobertas Allen, da Universidade Tufts, em Medfor, Massachussets, foram publicados nesta terça-feira, no periódico “Regeneration”.

Os pesquisadores pretendiam determinar como a microgravidade e o campo geomagnético enfraquecido afetaria o crescimento e a regeneração dos platelmintos Dugesia japonica, e se as mudanças persistiriam após o retorno à Terra. Esses animais são usados frequentemente em estudos por sua habilidade de regenerar partes do corpo que são amputadas. O conhecimento sobre o comportamento deles no espaço pode ajudar na melhor compreensão de como as forças físicas influenciam o formato do corpo e a tomada de decisão das células.

“Durante a regeneração, o desenvolvimento e a supressão do câncer, o padrão corporal está sujeito à influência de forças físicas, como campos elétricos, campos magnéticos e outros fatores biofísicos” disse Michael Levin, professor de Biologia na Universidade Tufts e coautor da pesquisa. “Queremos aprender mais sobre como essas forças afetam a anatomia, o comportamento e a microbiologia.”

Para isso, os pesquisadores lançaram um conjunto de platelmintos ao espaço no dia 10 de janeiro de 2015. Foram enviados vermes inteiros e amputados, selados em tubos preenchidos com ar e água, que ficaram a bordo da Estação Espacial Internacional por cinco semanas. Em terra, dois conjuntos de controle foram mantidos selados da mesma maneira, e mantidos no escuro a 20 graus Celsius pelo mesmo período.

Diferenças entre os Vermes Espaciais e o Controle

Após o retorno do espaço, os vermes foram analisados imediatamente e ao longo de 20 meses. Os pesquisadores identificaram uma série de diferenças entre os vermes espaciais e os terrestres, sendo a mais surpreendente a regeneração de uma segunda cabeça. Nos últimos cinco anos, os cientistas da Tufts manejaram mais de 15 mil platelmintos da espécie e nunca observaram o desenvolvimento espontâneo de uma segunda cabeça. O fato, entretanto, já foi observado com a exposição do animal a algumas substâncias, como à droga Praziquantel.

Outro fato observado foi que todos os animais enviados ao espaço apresentaram fissão espontânea, a divisão do corpo em dois ou mais indivíduos idênticos, o que não foi observado no grupo de controle em terra. Para os pesquisadores, isso pode ter sido causado pela diferença das temperaturas em Terra e no espaço.

Logo após o retorno à Terra, os platelmintos foram colocados em placas de petri com água fresca. Os que ficaram na Terra apresentaram comportamento normal, mas os vermes espaciais ficaram curvados, parcialmente paralisados e imóveis, e só retornaram ao normal após duas horas. O comportamento sugere que os vermes alteraram seu estado biológico para acomodar as mudanças ambientais no espaço, reagindo no retorno às condições normais.

A análise do microbioma da água onde os platelmintos foram mantidos revelou diferenças significativas nas comunidades de bactérias entre os dois grupos. Por isso, os pesquisadores determinaram que a exposição ao ambiente espacial induz diferenças no metabolismo e/ou na secreção dos vermes.

“Com a transição dos seres humanos para uma espécie espacial, é importante compreendermos o impacto das viagens espaciais sobre a saúde regenerativa por causa da medicina e o futuro das pesquisas em laboratórios espaciais” disse Junji Morokuma, pesquisador associado da Tufts e coautor da pesquisa.

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