(Português) Milhares de macacos aprisionados em fazendas/quintas destinados a uma vida de tortura em laboratórios

IN ORIGINAL LANGUAGES, 11 September 2017

ANDA Agência de Notícias de Direitos Animais – TRANSCEND Media Service

A macaca estava amamentando seu bebê quando um homem a agarrou, prendendo seus braços atrás das costas e erguendo-a do chão. O bebê gritou e colocou os braços ao redor da mãe, lutando para segurá-la.

Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

5 set 2017 – Sem usar os braços, tudo o que a mãe podia fazer era olhar para o filhote e apertar seu rabo com os dois pés. Em 2011, a fotojornalista Jo-Anne McArthur testemunhou esta cena enquanto visitava uma fazenda de macacos no Laos, onde milhares de macacos são criados para serem vendidos para instalações de pesquisa científica em todo o mundo.

McArthur e o diretor de cinema Karol Orzechowski tiveram acesso à instalação ao fingirem ser compradores. Ambos visitaram três fazendas diferentes de macacos no Laos e todas tinham um fato triste em comum: os macacos eram mantidos em condições horríveis.

“Esses animais estão basicamente apenas sendo mantidos vivos. Eles não estão recebendo muita comida e existe uma hierarquia em cada jaula. Os macacos mais velhos recebem todo o alimento e os mais jovens são deixados para lutar e se defender. Há muita fome nessas jaulas”, disse.

Os animais não apenas são mantidos famintos, como suas jaulas são sujas e os funcionários nem sempre removem os corpos daqueles que morreram.

“Eles ficam de pé sobre a urina e as fezes e os corpos de alguns de seus companheiros de jaulas. Alguns deles são muito jovens e arranham o chão para ter comida. Você nota animais com ferimentos – rostos sangrando, cegueira”, acrescentou.

McArthur percebeu o pavor no rosto de cada animal. Entretanto, ela nunca esquecerá o pânico no rosto do bebê macaco quando o homem ergueu sua mãe. “Ele [o homem] estava literalmente nos exibindo seu ‘produto’. Ele abriu a boca para mostrar que seus dentes eram bons e fez o mesmo com os olhos dela. Quando ele a pegou, o bebê agarrou a mãe. Foi de partir o coração. O bebê tinha uma expressão clara de terror”, disse McArthur.

Embora as condições de vida nessas fazendas sejam horríveis, o que aguarda os macacos pode ser muito pior.

Os laboratórios de testes e as universidades compram rotineiramente os animais de locais de reprodução no exterior, disse Sarah Kite, diretora de projetos especiais da Cruelty Free International, ao The Dodo.

Embora muitas espécies de primatas diferentes sejam abusadas em pesquisas, os macacos são os mais comercializados para fins científicos.

Macaco lamenta morte de amigo em fazenda. Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

O maior exportador de macacos é a China – em 2015, os comerciantes chineses exportaram mais de 11 mil macacos para os EUA, de acordo com Kite. Mas outros países como Maurício, Camboja, Vietnã e Laos também fornecem milhares de macacos anualmente.

Se muitos macacos são criados em instalações como as visitadas por McArthur, outros são capturados na natureza, embora as nações exportadoras frequentemente neguem que isso ocorre, explica Kite. Nos laboratórios, os macacos são torturados em todos os tipos de experimentos: de toxicidade, de transplante de órgãos, de doenças infecciosas e estudos de Ebola – que muitas vezes resultam em morte.

Theodora Capaldo, diretora executiva da New England Anti-Vivisection Society (NEAVS ), disse ao The Dodo: “Por exemplo, os primatas serão usados em testes de toxicidade nos quais os animais recebem altas doses de um novo produto químico ou de um novo produto até que 50% deles morram. Ou uma máscara de oxigênio de avião será colocada em suas cabeças e eles deverão inalar substâncias tóxicas. Eles serão mortos e seus pulmões serão examinados”.

Os primatas também são rotineiramente usados em pesquisas de psicologia, como estudos de privação materna e de ansiedade, explicou Capaldo. “Os bebês são arrancados de suas mães o tempo inteiro para esse tipo de pesquisa e isso é horrível, tanto para as mães como para os bebês”, afirmou.

Se os animais não são mortos durante os testes, eles são assassinados pouco tempo depois. Embora os grupos de resgate às vezes consigam salvar animais usados em pesquisas, Capaldo destaca que esses animais são rapidamente substituídos nos laboratórios – depois que um grupo é sacrificado, outro chega. “Um número afortunado pode chegar ao santuário, mas não há como provicendiar um santuário para os milhares de macacos que são usados atualmente nos laboratórios dos EUA”, disse.

Macacos apavorados em fazenda/ Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals

Não apenas os processos de teste são traumáticos, mas as condições em que os animais são mantidos dentro dos laboratórios são extremamente estressantes. “Primatas são animais extremamente sociais. Na realidade, sua sobrevivência na natureza depende do grupo. No entanto, os macacos são rotineiramente mantidos separadamente para a conveniência de um laboratório”, explicou.

A existência isolada dentro das jaulas os deixa loucos e, muitas vezes, eles exibem comportamentos estereotipados.

“Você irá observá-los se mordendo e tendo outros comportamentos de autoflagelação. Você os verá mordendo as barras até quebrarem os próprios dentes”, contou Capaldo.

Apesar disso, os macacos ainda são alguns dos animais mais usados em pesquisas devido ao baixo custo e ao tamanho deles, considerado ideal para os procedimentos.

Primatas de qualquer tipo também são preferidos devido às suas semelhanças biológicas com humanos. Além do problema ético, Capaldo ressalta que testes envolvendo macacos – ou qualquer animal não humano – não são confiáveis e não podem ser usados para ajudar as pessoas.

Em 2015, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) anunciaram que já não era preciso usar chimpanzés em pesquisas biomédicas e transferiram 50 chimpanzés para santuários. Por isso, Capaldo luta para compreender por que outros primatas ainda são torturados.

Ela quer o fim de todas as pesquisas com animais, incluindo cães, gatos, porcos, coelhos e ratos. “A pesquisa animal é, na melhor das hipóteses, um modelo pobre. É sempre um modelo defeituoso e regularmente é um modelo perigoso, e nenhum pesquisador negaria isso”, disse.

Depois de visitar as fazendas de macacos no Laos, McArthur publicou suas fotografias e Orzechowski passou a produzir “Maximum Tolerated Dose, um documentário que mostra a crueldade dos testes em animais.

A dupla também trabalhou com a Cruelty Free International para fornecer informações à Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES) com o intuito de acabar com a exportação de macacos do Laos.

Macaco é torturado em laboratório de pesquisa.
/ Foto: Cruelty Free International/R&D

“Em 2016, a CITES recomendou que todos os membros do país suspendessem o comércio de macacos de cauda longa do Laos. Este movimento impediu o Laos de exportar esses macacos para pesquisas”, disse Kite.

Duas das três instalações de reprodução de macacos visitadas por McArthur fecharam, explicou a fotógrafa, mas inúmeras outras ainda estão em funcionamento. Ela permanece otimista e espera que seu trabalho mostre como é a vida desses animais.

“Muitas vezes pensamos em animais de laboratório dentro do laboratório, mas como era a vida deles antes desse período? Estes são retratos de suas vidas anteriores – é daí que eles vieram, é aí que foram criados. Alguns desses animais também são capturados com selvageria, o que é ainda pior. Eles conheciam a liberdade. Conheciam árvores e familiares e escolhas e então foram colocados nesses buracos infernais”, destaca.

“A vida desses animais é completamente dissociada dos produtos que usamos e é por isso que faço essas imagens para realizar a conexão entre A e B. Vale a pena considerar suas vidas”, concluiu.

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