(Português) Dissecação de animais é uma prática perigosa, antiética e desnecessária

ORIGINAL LANGUAGES, 30 Oct 2017

Maya Lopes - ANDA Agência de Notícias de Direitos Animais

Existem alternativas para aprender sobre o interior do organismo dos animais — e elas são mais seguras, completas e eficientes.

29 out 2017 – A dissecação animal é uma técnica arcaica feita para explorar a anatomia, vinda de uma época em que os seres humanos sabiam muito pouco sobre o que estava dentro dos animais.

Descobertas científicas ampliaram nosso conhecimento do funcionamento do nosso mundo natural, mas a prática antiquada de dissecar milhões de animais todos os anos não mudou no último século. Avanços tecnológicos e o aumento progressivo do entendimento sobre a sensibilidade animal vêm expondo que a dissecação animal é obsoleta, perigosa e antiética.

(Foto: Divulgação)

Não existe valor educacional em fazer estudantes cortarem cadáveres animais. Ao mesmo tempo, segundo a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), estão bem documentados os vários benefícios das instruções que não envolvem animais, como a dissecação digital.

Dúzias de estudos em duplas mostram que dissecar animais hoje é praticar má ciência — já quando fazem o uso de métodos mais modernos, os estudantes aprendem mais rápido e podem repetir até que estejam proficientes. Estudos também mostram que estudantes preferem usar alternativas mais humanas, tais como materiais interativos, simulações e modelos anatômicos.

A dissecação de animais tem dissuadido alguns estudantes, principalmente as mulheres, a entrar nos campos de profissão relacionados à ciência, e alguns deles se sentem desconfortáveis de falar sobre isso com medo da reação de colegas e professores.

Uma maioria crescente de jovens tem se oposto ao experimento em animais e dissecação em ambientes educacionais. Muitos estados nos EUA têm reconhecido o direito dos estudantes de rejeitarem essas aulas, por envolverem crueldade, com a implementação de leis sobre a escolha de dissecar ou não.

(Foto: Divulgação)

O ato de se abrir um animal — uma prática equivocada, mas sempre utilizada em salas de aula – ensina os adolescentes que seres vivos são descartáveis e que se pode ignorar o fato de que eles viviam e foram mortos exclusivamente para esses exercícios. Essa, muitas vezes, pode ser uma lição perigosa, especialmente com o aumento de casos que se têm visto de incidentes com crueldade animal realizada por jovens e a epidemia do
bullying escolar.

Além dos perigos de dessensibilizar os estudantes para o sofrimento animal, os animais usados nas aulas de dissecação são preservados normalmente com fortes químicos, como o formoldeído e a formalina. O formoldeído é usado como conservante e também é encontrado na fumaça do cigarro — é classificado como cancerígeno, e a exposição repetida a pequenas doses podem causar dificuldades respiratórias, eczema e hipersensibilidade na pele. Barato e de uso rotineiro, trata-se de um fixador efetivo que não sai facilmente com água.

Há uma maneira melhor — existem tecnologias modernas para substituir a dissecação de animais

Educadores em todos os níveis estão cada vez mais escolhendo alternativas à dissecação animal para atender às necessidades de seus alunos. Esses métodos de ensino modernos — incluindo simulações computacionais interativas e modelos de argila — salvam a vida dos animais, são adequados a todos os alunos e custam menos e são mais eficazes do que a dissecação de animais.

(Foto: Divulgação)

Métodos como programas de software narrados com animações de fisiologia ou modelos anatômicos claramente rotulados permitem que os alunos aprendam de forma mais eficiente, sem se distrair com o corte de animais mortos e a luta para distinguir as partes do corpo descoloridas. Ao contrário da dissecção, em que cada sistema do corpo é retirado e deslocado e deve ser descartado no final da lição, as alternativas permitem que os sistemas sejam estudados e praticamente “dissecados” repetidamente até que os alunos se sintam confiantes com o material.

Confira alguns programas de dissecação digital que são eficazes e altamente interativos:

  • O serviço de inscrição on-line Froguts inclui o seguinte: rãs, lulas, estrelas-do-mar, olho de vaca, pele de coruja, porco fetal e laboratórios de genética mendeliana. Os alunos têm a oportunidade de usar ferramentas de dissecação digital e um microscópio, coletar dados experimentais e completar questionários. Os módulos de dissecação são organizados pelo sistema do corpo e cada um é minuciosamente explicado.
  • Digital Frog é um programa para download que integra anatomia comparativa, dissecção de rãs e ecologia. Os alunos são capazes de rever cada sistema do corpo com animações de alta qualidade e dissecção digital. Além disso, o Digital Frog oferece uma série de viagens de campo que inclui instruções únicas do deserto, das zonas úmidas e da floresta.
  • O Expandable Mind Software é um conjunto de dissecações simuladas e experimentos de fisiologia baseados na web que são altamente interativos e alinhados com os Padrões de Ciência da Próxima Geração. Os módulos estão disponíveis para compra individualmente e incluem estudos de genética mendeliana e as anatomias de dez animais diferentes, incluindo rãs, três tipos de peixes, várias espécies de invertebrados, porcos e gatos. Os mini-laboratórios incluem várias simulações fisiológicas, como a frequência respiratória, as contrações musculares e os efeitos das drogas na frequência cardíaca. O software pode ser acessado em qualquer dispositivo com conexão à internet.
  • A Cogent Education possui um conjunto de estudos de caso interativos para a biologia, fornecendo cenários cativantes que efetivamente envolvem os estudantes em sua aprendizagem. Os alunos desempenham o papel de cientista profissional encarregado de resolver um problema do mundo real. Os módulos cobrem tópicos como homeostase e potencial de ação e são recomendados tanto para alunos principiantes como avançados. Mudando o foco da anatomia, os casos incentivam os estudantes a visualizarem o organismo como um todo, ao mesmo tempo que explicam os processos fisiológicos detalhados de forma única e atrativa.

(Foto: Divulgação)

Como educadores podem acabar com a dissecação

Professores estão numa posição única para mudar as coisas em suas aulas e suas escolas. Atingir as metas curriculares sem maltratar animais é uma situação de ganho triplo para estudantes, professores e escolas.

Foi-se o tempo da dissecação animal com formol ou estofamento de peixes em garrafas de dois litros. Melhor que cair no padrão arcaico dos experimentos em animais e dissecação brutal, educadores estão (ou deveriam estar) buscando criatividade e maneiras mais inspiradoras de ensinar biologia.

Até porque as escolas de medicina, pelo menos nos Estados Unidos, não usam mais animais para ensinar. Estudantes não esperam mais ter experiências com dissecação, sendo usadas alternativas mais humanas nas escolas, que vão preparar melhor aqueles que entrarão na faculdade de medicina. E é claro que se evitarão vídeos e fotos
postadas nas redes sociais de estudantes desrespeitando cadáveres animais. Substituindo todos os animais de laboratório em aulas, serão evitados esses comportamentos de completa insensibilidade.

Professores podem ajudar os animais pedindo às escolas para não explorá-los em suas aulas. Compartilhar a informação com alunos e colegas sobre decisões de usar alternativas humanizadas também é uma opção a ser colocada em prática.

Se a escola está usando teste em animais como ferramenta de ensino, é importante que o professor mostre as suas objeções. Caso se sinta confortável, ele pode escrever uma carta ou e-mail para conversar abertamente com os outros funcionários da escola. É necessário ainda explicar a crueldade inerente à dissecação e experimentação em animais, os vários riscos envolvidos e a mensagem perigosa enviada aos estudantes quando usam animais mortos nas aulas.

Um comunicado também pode ser enviado pelo professor ao diretor e ao conselho da escola pedindo para implementar a política de banimento em projetos com animais, sem esquecer de incluir toda a informação pertinente.

Como pais de alunos podem lutar contra à dissecação

Os pais têm uma responsabilidade importante para garantir que seus filhos sejam ensinados usando os métodos mais eficazes e que os educadores estejam incorporando princípios de educação humana na sala de aula.

O uso de lições de ciências evitando a exploração animal ensina as crianças a valorizar seres humanos e animais, desenvolve comportamento pró-social e é consistente com iniciativas de educação de caráter.

Se a escola do filho estiver explorando animais como “ferramenta” de ensino, os pais devem expressar suas objeções. É preciso deixar o professor e/ou o diretor da escola saber que o aluno não participará dos abusos e incentivar a escola a substituir a dissecação animal por alternativas superiores e modernas. Também é necessário explicar a crueldade inerente à dissecação e experimentação em animais, os muitos riscos envolvidos e à mensagem prejudicial de que o uso de animais na sala de aula envia aos alunos.

Discutir com o professor do filho e/ou com o diretor a opinião de que ajudar os animais deve fazer parte do programa da escola para construir a personalidade dos alunos é um passo importante. Compartilhar conhecimento sobre leis de educação de caráter e a epidemia de violência juvenil contra animais também colabora com a luta contra a dissecação.

Alunos se posicionam contra a dissecação

Muitos estudantes capacitados estão se posicionando contra a dissecação animal, e os professores precisam ouvi-los.

“Você não aprende nada sobre um animal cortando-o”, disse Laurie Wolff, aluna de uma escola de Las Vegas que solicitou com sucesso à junta escolar do Condado de Clark que elaborasse uma emenda de escolha para alunos, fornecendo a eles alternativas para a dissecação. “É um desperdício quando há tantas outras maneiras de aprender sobre ciência sem ter que matar algo primeiro.”

A estudante de Baltimore (EUA) Jennifer Watson foi retirada da aula quando pediu uma alternativa à dissecação de um gato, mas foi permitida de volta depois que um protesto levou as autoridades a revelarem que ela tinha direito a uma alternativa. Ela explicou seu posicionamento: “eu amei animais toda a minha vida. Eu estava de acordo com o que eu acredito”.

Ashley Curtis, aluno de uma escola de Minnesota, se recusou a ir à aula no dia em que a dissecação foi agendada. Ela afirmou “que nenhum animal deve passar por algum sofrimento pela educação”.

Veja abaixo um vídeo sobre dissecação feito pela PETA (imagens fortes):

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