(Português) Por que você considera mais ético não se alimentar de animais?

IN ORIGINAL LANGUAGES, 13 November 2017

David Arioch | Jornalismo Cultural – TRANSCEND Media Service

Somos seres conscientes e capazes de escolher nossos próprios alimentos, de optar por uma boa nutrição que não envolva privação, sofrimento e morte.

— Por que você considera mais ético não se alimentar de animais?

— Porque se sou capaz de sobreviver sem me alimentar da privação, sofrimento e morte de outras criaturas sencientes, não vejo motivo para continuar contribuindo com essa violência. Se mesmo diante de todas as informações as quais tive acesso sobre senciência, consciência animal e exploração animal, eu optasse por continuar me alimentando de animais, eu não faria isso por crer que a minha nutrição demanda o sofrimento e a morte de outras espécies, mas sim porque eu seria alguém reafirmando que o meu paladar, a minha conveniência, está no topo das minhas prioridades.

Acredito que eu colocar uma comodidade historicamente cultural acima do valor da vida de outras espécies, uma comodidade baseada na subjugação, e que deveria ser um bem inegociável dado ao seu fim faccioso enquanto bem de consumo, não é apenas injusto, como desnecessário e indigno de minha parte. Até porque sei que os animais não oferecem suas partes para que possamos esfaqueá-las ou fatiá-las. Por isso, quando encontro partes de animais reduzidas a produtos em mercados, ou onde quer que seja, o que vejo basicamente não é um bem de consumo colocado à venda de forma natural ou pacífica, mas sim representações fragmentadas de violência e arbitrariedade.

Experimente contar quantas partes que não pertencem a um mesmo animal você é capaz de encontrar em uma bandeja no açougue. Um quilo de alguma coisa pode representar a morte de quatro ou cinco animais, ou até mais. Isso não é uma forma de banalização da vida? Vidas ceifadas e partes acondicionadas em um pedaço de isopor com um involucro plástico, ou um saco plástico transparente, normalmente. Creio que a banalização da vida, mesmo quando não humana, diz muito sobre o valor que atribuímos ao que consideramos diferente, inferior e liliputiano.

Há animais na natureza selvagem que dependem essencialmente da carne. Esses eu jamais condenaria, pois fazem o que nasceram para fazer na luta pela sobrevivência; e, claro, sem ponderar, já que a eles não cabe o nosso discernimento. Mas nós? Não precisamos de nenhum alimento de origem animal. Somos seres conscientes e capazes de escolher nossos próprios alimentos, de optar por uma boa nutrição que não envolva privação, sofrimento e morte.

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David Arioch é jornalista, pesquisador e documentarista. Trabalha profissionalmente há dez anos com jornalismo cultural e literário.

 

 

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