(Português) Acorrentados, elefantes passam fome e podem morrer após anos de exploração

ORIGINAL LANGUAGES, 6 Apr 2020

ANDA Agência de Notícias de Direitos Animais – TRANSCEND Media Service

As condições de vida dos elefantes são precárias desde antes da pandemia. A situação, no entanto, agravou-se com a chegada da Covid-19.

Cerca de 2 mil elefantes estão passando fome e vivendo acorrentados na Tailândia, após seus tutores argumentarem que a pandemia de Covid-19 os deixou sem condições financeiras para cuidar dos animais, que há anos são explorados no país para entretenimento humano. Sem alimentação adequada, os animais correm risco de morte.

Ekasit, de 43 anos, é um desses elefantes. Ele fica trancado, com as patas presas, durante mais de 18 horas diárias em um acampamento de 30 quilômetros – dos quais ele não pode desfrutar – ao oeste de Chiang Mai (norte).

Elefante faminto procura comida em fazenda na Tailândia – foto de 28 de março.
(Foto: HANDOUT / THAI ELEPHANT ALLIANCE ASSOCIATION / AFP)

Seu tutor argumenta não ter dinheiro para alimentar o animal. Ele tem recorrido a bananas, cedidas por um templo vizinho, e folhagens encontradas na estrada. As folhas, no entanto, estão escassas por conta da seca severa que o país enfrenta.

“Não é suficiente. Ele tem apenas metade de sua ração diária. Sua saúde está em perigo”, disse à AFP seu tutor, Kosin.

Estressados por estarem acorrentados e famintos, os elefantes têm brigado entre si nos locais onde ficam presos, segundo Saengduean Chailert, do Elephant Nature Park, onde vivem 84 desses animais.

Elefante é explorado para entretenimento humano na Tailândia, em fevereiro.
( Foto: Mladen Antonov/AFP)

As condições de vida dos elefantes são precárias desde antes da pandemia. Apesar de afirmarem respeitar a vida animal, parques na Tailândia exploram os elefantes em nome do lucro, tratando-os como objetos a serviço dos seres humanos. Mantidos em condições degradantes, esses animais são forçados a transportar turistas e são submetidos a cruéis treinamentos – nos quais sessões de espancamento são comuns – para que aprendam a dançar e pintar quadros – atividades que, depois, são expostas aos turistas, que financiam tamanha crueldade.

Um dos locais que explora esses animais e os força a participar de apresentações humilhantes é o Mae Taeng, um dos maiores do país. O parque recebia até 5 mil visitantes por dia antes da crise do coronavírus, que se intensificou em janeiro e afastou os turistas.

Por volta do mês de março, os parques de elefantes foram fechados por determinação das autoridades para conter o avanço da Covid-19. De acordo com a Universidade Johns Hopkins, há mais de 1,7 mil casos da doença na Tailândia.

Turistas visitam santuário na Tailândia – foto de 13 de março.
(Foto: Lillian Suwanrumpha/AFP)

Seguindo a lógica da objetificação animal, muitos parques alugam elefantes. Vistos como meras mercadorias, eles são alugados por valores que variam de US$ 700 e US$ 1,2 mil ao mês. A alimentação deles sai por cerca de US$ 50 por dia, além dos gastos com os tratadores. Com a chegada do vírus, parques já devolveram os elefantes aos seus reais tutores.

Esse cenário terrível, no entanto, está longe de se transformar na chance dos elefantes se libertarem da crueldade imposta pelo ser humano. Isso porque, embora a exploração desses animais na indústria florestal tenha sido proibida em 1989, o presidente da Thai Elephant Alliance Association, Theerapat Trungprakan, teme que eles voltem a ser explorados “no transporte de madeira, causador de inúmeros ferimentos”.

No país, elefantes já podem ser vistos nas ruas, “mendigando” ao lado de seus cuidadores.

Elefante em santuário de animais resgatados, no início de março, na Tailândia.
(Foto: Lillian Suwanrumpha/AFP)

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