(Português) E se a sobrevivência for, afinal, do mais amigável e não do mais forte/apto?

ORIGINAL LANGUAGES, 10 Aug 2020

Visão - TRANSCEND Media Service

Getty Images

21 jul 2020 – A teoria da evolução das espécies assume a sobrevivência do mais forte e a interpretação comum das palavras de Charles Darwin é de que as espécies mais resistentes tenderiam a sobrepor-se às mais fracas. Mas e se as palavras de Charles Darwin tiverem sido distorcidas e se a sua mensagem tiver sido mal interpretada?

Os cientistas Brian Hare e Vanessa Woods, investigadores do Centro de Neurociência Cognitiva da Universidade de Duke na Carolina do Norte, EUA, acreditam que a força não foi o fator predominante que fez com que se desse a evolução de espécies que culminou no mundo como o conhecemos hoje.

O novo projeto de ambos, o livro “Sobrevivência do Mais Amigável: Compreender as Nossas Origens e Redescobrir a Nossa Humanidade Comum” propõe que as amizades e parcerias amigáveis tiveram um papel crucial e garantiram a evolução de espécies durante séculos.

Os autores defendem que espécies vingam no mundo através da simpatia, da cooperação e da comunicação – e dão vários exemplos para o demonstrarem.

“A sobrevivência do mais forte, que é o que todos têm em mente quando ouvem “evolução” e “seleção natural”, causou mais dano que qualquer outra teoria”, diz Hare. “As pessoas pensam na sobrevivência como o homem alpha que merece vencer. Não foi isto que Darwin sugeriu, ou o que se tem vindo a demonstrar. A estratégia mais eficaz na vida é a amigabilidade e cooperação, e é isso que observamos uma e outra vez.”

Os nossos leais companheiros cães são a prova disso mesmo. Lobos e humanos viviam e caçavam próximos uns dos outros. Habituados à presença humana, estes animais começaram a perder o medo que tinham e começaram a aproximar-se do Homem. Ao longo de várias gerações, perderam algumas das suas qualidades de predadores e passaram a conviver lado a lado com aqueles que anteriormente aterrorizavam.

“Infelizmente, os seus parentes próximos, os lobos, encontram-se ameaçados nos poucos sítios onde ainda habitam enquanto que existem centena de milhares de cães. Os cães são o bando de lobos que decidiram confiar nos humanos – em vez de caçar – e esse bando saiu vitorioso”.

Este sistema de cooperação é bem visível em várias espécies: as plantas com flor, por exemplo, fornecem alimento e energia e os animais tornam-se num transporte do pólen.

Os autores do livro estudaram também, dentro do mundo animal, os bonobos, uma espécie de primatas muito confundida com chimpanzés, mas que na realidade é muito diferente.

Os chimpanzés são lutadores natos, sempre prontos para a confusão. Os machos assumem o comando e podem tornar-se extramente violentos, chegando mesmo a matarem-se uns aos outros. Por outro lado, os bobonos são liderados por fêmeas e são mais pacíficos. São generosos por natureza e retiram prazer ao partilharem os seus mantimentos com outros bonobos, ao contrário dos chimpazés que se tornam mais egoístas à medida que envelhecem.

Ao falar da reprodução, Hare explica que “o bobono macho mais amigável é mais bem-sucedido do que o chimpazé mais antipático”. Os bobonos acabam assim por terem mais descentes que os chimpazés – a simpatia revela ser uma mais-valia para a reprodução.

E para os humanos? O preceito é o mesmo. Para que continuemos a evoluir com sucesso, temos de ser uns para os outros, devemos abandonar um pensamento egocêntrico e de pensar somente no nosso bem. Temos de contemplar as necessidades do próximo. “Vencemos ao cooperarmos e ao trabalharmos em equipa. A nossa capacidade de comunicação permite-nos resolver o mais complexo dos problemas.”

Go to Original – visao.sapo.pt


Tags: , ,

 

Share this article:


DISCLAIMER: The statements, views and opinions expressed in pieces republished here are solely those of the authors and do not necessarily represent those of TMS. In accordance with title 17 U.S.C. section 107, this material is distributed without profit to those who have expressed a prior interest in receiving the included information for research and educational purposes. TMS has no affiliation whatsoever with the originator of this article nor is TMS endorsed or sponsored by the originator. “GO TO ORIGINAL” links are provided as a convenience to our readers and allow for verification of authenticity. However, as originating pages are often updated by their originating host sites, the versions posted may not match the versions our readers view when clicking the “GO TO ORIGINAL” links. This site contains copyrighted material the use of which has not always been specifically authorized by the copyright owner. We are making such material available in our efforts to advance understanding of environmental, political, human rights, economic, democracy, scientific, and social justice issues, etc. We believe this constitutes a ‘fair use’ of any such copyrighted material as provided for in section 107 of the US Copyright Law. In accordance with Title 17 U.S.C. Section 107, the material on this site is distributed without profit to those who have expressed a prior interest in receiving the included information for research and educational purposes. For more information go to: http://www.law.cornell.edu/uscode/17/107.shtml. If you wish to use copyrighted material from this site for purposes of your own that go beyond ‘fair use’, you must obtain permission from the copyright owner.


There are no comments so far.

Join the discussion!

We welcome debate and dissent, but personal — ad hominem — attacks (on authors, other users or any individual), abuse and defamatory language will not be tolerated. Nor will we tolerate attempts to deliberately disrupt discussions. We aim to maintain an inviting space to focus on intelligent interactions and debates.

*

code

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.